Data: 05/2026
Páginas: 148
Editora: Pipoca & Nanquim
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Publicado originalmente em 1929, mas com sua versão integral chegando só mais de uma década depois por conta das diversas censuras e proibições, o conto Imomushi (A Lagarta) acabou por se tornar uma das obras mais conhecidas do célebre escritor de histórias de horror e mistério Edogawa Ranpo. Na trama, o respeitado tenente Sunaga retorna gravemente ferido de uma missão na Sibéria. Sem braços nem pernas, surdo e mudo, ele se vê reduzido à existência limitada de uma lagarta. Recebido por todos como herói, Sunaga logo é dispensado com uma medalha e esquecido pelo mundo.
Apenas Tokiko, sua bela esposa, permanece ao seu lado, condenada pelo amor e pelas convenções sociais a cuidar do inválido ser monstruoso que um dia fora seu marido. Com o tempo, sua dedicação se transforma em ressentimento e sadismo, alternando entre momentos de libido e explosões de fúria, aproveitando-se da total vulnerabilidade do trágico companheiro para torturá-lo psicologicamente.
Depois de sua premiada adaptação para quadrinhos de O Estranho Conto da Ilha Panorama, também publicada no Brasil pela Pipoca & Nanquim, o gênial mangaká Suehiro Maruo (O Vampiro que Ri, Midori: A Garota das Camélias) mergulha mais uma vez na ousada literatura de Ranpo, uma de suas maiores influências. Considerado uma afronta às fantasias militaristas de um Japão em pleno esforço de guerra na época, A Lagarta é um dos trabalhos mais desconfortáveis da bibliografia “ranponiana”, encontrando a mais perfeita ressonância no onirismo extravagante e nos detalhes anatômicos dos desenhos de Maruo.
