Resenha: UQ Holder! – volume 1

UQ HolderA opinião de uma pessoa que não leu Negima…

Um dos lançamentos de abril da editora JBC foi o mangá UQ Holder!, do mestre Ken Akamatsu. O título se passa no mesmo universo de Negima, porém foi vendido pela editora como uma história à parte, independente, e que não seria necessário ler Negima para entender UQ Holder!.

Todavia, muitas pessoas começaram a dizer que isso era um erro e que precisava sim ler Negima para pegar todas as referências do mangá. Pois bem, resolvi tirar a prova. Nunca me interessei por Negima e, na verdade, não tenho ideia de como é a história, seus personagens, nada. Do mesmo modo, também não sabia nada sobre UQ Holder!, então comecei a ler o mangá totalmente no vazio. Será que minha leitura foi prejudicada por não ter lido Negima ou será não era mesmo preciso tê-lo lido antes?

uq holder capa completa

Sinopse

UQ Holder! se passa em um futuro próximo e nele a magia tornou-se algo do cotidiano das pessoas, existindo até mesmo aplicativos capazes de fazer magia. No mangá acompanhamos o jovem interiorano Touta Konoe, de apenas quatorze anos, que tem o desejo de ir para a capital e realizar o seu sonho de vencer na vida (?). Porém nada é tão simples e para ele viajar terá que enfrentar um desafio. No meio disso tudo de repente sua vida se transforma para sempre.

História e desenvolvimento

I

O primeiro volume de UQ Holder! é formado de dois momentos distintos: a vila e a viagem. Na vila conhecemos Touta e um grupo de amigos que desejam sair do lugar e viajar para a capital. Porém o único modo de conseguirem permissão para isso é derrotarem a professora Yukihime em uma luta.

Logicamente, eles nunca conseguem isso, afinal são todos adolescentes e a professora Yukihime parece utilizar um pouco de magia. Somente um elemento externo e um caso totalmente atípico poderiam fazer a professora ser derrotada pelas crianças, o problema é que esse elemento externo traria revelações inesperadas. Descobrimos a verdadeira natureza de Yukihime, uma bruxa imortal a quem os caçadores de recompensa estão atrás, e descobrimos que Touta acabou por se tornar também um ser imortal graças a ela. Após uma intensa luta e a descoberta da verdadeira identidade de Yukihime, ela e Touta saem da vila e começam a viajar rumo à Capital.

II

Desde a primeira página do mangá é colocada uma reflexão: a imortalidade, por mais que seja desejada, não é maravilhosa como as pessoas pensam. Yukihime parece ser uma pessoa já cansada desse fardo e das perdas constantes que a imortalidade gera. Seus amigos de agora não estarão mais vivos daqui a cem anos, e os seus amigos de aqui a cem anos, não estarão daqui a duzentos e assim vai. Essa ferida é tão latente que a professora/bruxa tenta incutir na cabeça de Touta a ideia de que ele não deve mais fazer amigos, ou melhor, de que ele não conseguirá mais fazer amigos agora que é imortal.

Porém, Touta é aquele típico protagonista despreocupado e que sempre consegue enxergar esperança onde os outros encontram escuridão. Ele deseja fazer amizade com todos os que conseguir encontrar durante a viagem, quer fazer mais e mais amigos, mesmo que seja por contrato, mesmo que esses amigos relutem em ser amigos dele^^.

A segunda parte do primeiro volume e UQ Holder! apresenta novos amigos para Touta, algumas lutas, outro ser imortal, e o aparecimento da organização (mafiosa?) UQ Holder! destinada a reunir os seres imortais. O primeiro volume desenvolve-se muito bem e nos apresenta de forma satisfatória o drama dos personagens, suas motivações e seus desejos. Por meio de Touta compreendemos a inocência de quem acha que tudo dará sempre certo e de que as pessoas podem ser sempre boas; por meio de Yukihime vemos que as coisas não são exatamente assim e que existe todo um complicador referente à imortalidade.

No meio disso tudo, temos algumas piadas que funcionariam muito bem em uma comédia romântica, mas que aqui acabam ficando sem graça, visto que o foco do mangá não está nem perto de ser esse. Fora isso, a narrativa do mangá é muito linear (como boa parte dos mangás diga-se) e não apresenta nenhuma inovação no modo de contar a história. De todo modo, UQ Holder! foi uma surpresa interessante e o primeiro volume acabou muito bem, com um gostinho de quero mais.

Referências

Como disse no início do texto, algumas pessoas têm comentado que quem não tivesse lido Negima perderia muitas referências em UQ Holder!. A verdade é que pela leitura do primeiro volume se houve referências foram imperceptíveis. Se elas existem não fará falta para quem não leu Negima.

Se procurarmos por elas, mesmo sem ter lido Negima, talvez as encontremos, por exemplo, na parte final do primeiro volume, quando Yukihime fala de vários tipos de imortais que existem e aparecem inúmeros personagens. Se eles são personagens de Negima não nos fez falta, ao menos não nesse primeiro volume.

Nesse sentido, comparo UQ Holder! com o mangá Kobato. Nele, em um certo momento, aparecem personagens de Tsubasa Reservoir Chronicle e de XXX Holic. Porém, eles não têm influência nenhuma na história, eles apenas remetem a esses outros mangás sem interferir em Kobato. Posso até estar muito errado, mas ao meu ver é exatamente assim a relação de Negima com UQ Holder!, personagens do primeiro aparecem no segundo, mas não interferem no entendimento da história atual de Akamatsu.

Ainda nesse fato de referências, conseguimos perceber uma, mas não de Negima, e sim de Love Hina. Em sua viagem, Touta faz amizade com uma garota muito parecida com Shinobu, de Love Hina. E o nome dessa personagem é justamente Shinobu^^, apenas o sobrenome é diferente. Se essa aparição tem alguma relação na história ou se foi apenas um fanservice do autor para os fãs da divertida comédia romântica ainda é cedo para dizer…

Veredicto

De todos os lançamentos deste ano que comprei, o que eu menos esperava alguma coisa era de UQ Holder!, apesar de ser uma obra do Ken Akamatsu. Embora não soubesse nada sobre o mangá, imaginava que fosse um título focado em batalhas e, sinceramente, não queria ler mais um título que tivesse lutas e magias, pois seus autores sempre tentam inovar de alguma forma e falham miseravelmente, ou então tentam fazer o básico e a obra fica um amontoado de clichês sem sentido.

Entretanto fui surpreendido por uma narrativa interessante, sem invenções e mesmo assim boa. Akamatsu não tenta inovar no modo de contar a história, faz apenas o básico e consegue fazer isso muito bem, prendendo a atenção do leitor. Apesar de também se utilizar de muitos clichês (alguns sem graça, é verdade), o autor consegue colocar um toque que é genuinamente seu, além de apresentar uma reflexão interessante no decorrer do volume. UQ Holder! é apenas um mangá comum e normal, mas que merece uma chance, pois parece ter grande potencial de evolução…

***

UQ Holder! foi lançado no formato padrão da editora JBC, 13,5 x 20,5 cm, miolo em papel jornal e, nesse primeiro volume, tivemos várias páginas coloridas, estas em couché. O preço do mangá é R$ 14,90 e tem periodicidade bimestral. O título ainda está em andamento no Japão, com 10 volumes atualmente.

***

BBM

8 Comments

  • Bruno

    Não li Negima, e ainda não peguei esse UQ Holder, mas Love Hina também é o mesmo Universo

    Talvez aquela ali seja a Shinobu mesmo, se o sobrenome tá diferente ela deve ter casado ou sei la 🙂

    • Bruno

      Acabei de pesquisar uma imagem dela aqui, e é uma criança, e como a história se passa mais no futuro, talvez possa ser neta dela que foi homenageada com o mesmo nome, pode ser muita coisa haha

  • Kauê

    Eu também comecei a ler UQ quando estreou lá no Japão sem conhecer Negima, e deu pra entender tudo bem. Só muuuuito depois fui ler Negima e meu deus, que bosta de mangá, tanto que dropei. As referências que eu peguei não são essenciais mesmo. Nas páginas coloridas de UQ nós vemos a Yukihime criança com os personagens de Negima, e depois deixando-os pra trás. No começo do primeiro capítulo, o Touta está visitando o túmulo dos pais dele e lá descobrimos que ele é neto do protagonista de Negima. Até onde eu li isso não influencia em nada, mas é possível que algo aconteça com o Touta por ser neto do cara.
    E na época de Negima (se me lembro bem) a magia é conhecida por poucos e mantida em segredo, enquanto na época de UQ, todo mundo sabe que existe.
    Eu acho um mangá divertido de ler, só isso. E acho bem melhor que as outras obras do Akamatsu :v

    • SIRIUS BLACK

      Negima! não é uma bosta de mangá, como diz. Agora, se você acha isso, fazer o que? Cada um tem a sua opinião.

  • Mugi-chin

    Só vai sentir a “falta” de algo, ou perceber as referências quem leu Negima, para as outras pessoas como você é uma outra história.

    • SIRIUS BLACK

      Realmente. Eu li Negima! e as referências praticamente pululam a todo instante. Se eu não me engano, A Torre que vai até o espaço (a lua?) começou em Negima!, quando era um projeto de construção. E em UQ Holder! ela está construída e concretizada, entre outras coisas que só quem leu Negima! vai perceber.

  • Eu comecei a ler porque a achei a premissa interessante e torcia para não ser um shonen comum de batalhas… Também no li Negima e nem Love Hina, por isso fiquei meio receoso de não pegar algumas referências e tals… Mas não teve nada mesmo que atrapalhasse a história e o desenvolvimento dos personagens ficou bem bom… Quando a história parecia entrar na clássica “viagem do herói ao seu sonho” aparece a máfia e tudo vira de cabeça pra baixo xD
    Ajudou o fato de ser bimestral também, porque fica bem mais fácil de colecionar ^^

  • […] O primeiro volume de UQ Holder! terminou com o protagonista Touta descobrindo que existe uma espécie de corporação de imortais denominada justamente UQ Holder, do qual Yukihime (sua professora e tutora nos últimos dois anos) era a líder. O segundo volume começa justamente desse ponto, com todos os imortais saudando a volta de sua líder e Touta apresentando-se e dizendo que deseja entrar para o grupo. […]

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