Resenha: Erased (Volume 1)

A cidade onde só eu não existo…

Se Re: Zero foi, sem dúvida alguma, o animê mais popular de 2016, várias outras animações tiveram uma alta popularidade naquele ano e brigaram pelo segundo posto acirradamente. Um deles foi Erased. Baseado no mangá de Kei Sanbe, Erased ficou conhecido por seu clima de suspense, pela fala de uma personagem cativante (“você é idiota?”) e pela enorme lista de suspeitos (UM no total^^) de uma série de crimes que ocorrera no passado.

Erased (Animê). Foto: Crunchyroll.

Possuindo ainda um dorama (disponível na Netflix) e um filme (inédito no Brasil), o mangá original de Erased foi publicado no Japão entre 2012 e 2016 na revista Young Ace, da editora Kadokawa Shoten, sendo concluído em um total de 9 volumes (8 da série principal + 1 extra).

A obra, porém, demorou a chegar no Brasil. Diferentemente de outros países que já haviam publicado o mangá há anos, o título foi anunciado em nosso país apenas no primeiro semestre de 2018 pela editora JBC e só começou a ser lançado em dezembro do mesmo ano, com a publicação dos três primeiros volumes simultaneamente.

Erased #01. Foto: Editora JBC

Conseguimos adquirir o primeiro tomo (apenas o primeiro), realizamos a leitura e agora viemos dar nossas impressões iniciais sobre esse mangá que era tão aguardado pelos fãs que viram a animação anos antes.

  • Sinopse Oficial

Nada de bom acontece na vida de Satoru Fujinuma, por isso ele vive sem muito entusiasmo. Mesmo o misterioso fenômeno que o faz voltar no tempo não consegue alterar isso. Porém, um dia, tudo muda… Um grande incidente faz a vida do jovem virar de cabeça para baixo. A morte da colega de classe, uma série de sequestros e assassinatos, o amigo que não conseguiu salvar, o verdadeiro criminoso… Em direção ao momento do incidente do passado, o agora do jovem começa a andar!

  • História e desenvolvimento

Embora talvez você nunca tenha notado, é bastante comum que os autores criem histórias em que o protagonista também é um autor. Não é algo específico de uma mídia, existindo tanto em livros, quanto em quadrinhos. No nosso mundinho particular dos mangás, algumas obras se utilizam desse estratagema de diversas formas possíveis, como é o caso de Opus, de Satoshi Kon, em que ocorre uma reflexão sobre a própria estrutura da narrativa ou mesmo de Erased, a obra que iremos comentar agora, em que esse aspecto é apenas um detalhe na construção do personagem.

O protagonista de Erased, se chama Satoru Fujinuma, um aspirante a mangaká frustrado de quase 30 anos, que trabalha como entregador para conseguir pagar as contas. Embora seja “velho”, ele não obtém muito sucesso escrevendo, como se tivesse uma espécie de bloqueio. Contudo, a obra não se centra totalmente nisso. Embora seja nítido que ele se recente de seu mangá não empolgar os editores, a trama se alonga sobre outros detalhes.

Um desses detalhes é uma peculiaridade que acomete a vida de Fujinuma. Sempre que ele passa por perto de um local em que ocorrerá algum tipo de acidente ou crime, ele acaba voltando alguns minutos no tempo, quantas vezes forem necessárias, até que ele consiga perceber e evitar o pior. Todavia, muitas dessas vezes, ele acaba sofrendo algum problema por causa disso. Logo no início da obra, por exemplo, o rapaz busca salvar uma criança de um caminhão desgovernado, mas – embora ele consiga – Satoru termina por colidir sua moto em um carro, o que faz ficar alguns dias internado.

O acidente. Foto: Blog BBM.

A história de Erased, porém, também não é exatamente sobre isso. Seu poder de voltar no tempo é apenas um “veículo” para que a verdadeira história seja contada, a história de uma série de crimes que ocorrera quase vinte anos antes, quando ele ainda estava na quinta série, e que o deixou, em certo sentido, traumatizado ao ponto de ele esquecer diversos detalhes daqueles dias.

O primeiro volume é uma introdução a essa história, mostrando o mecanismo da volta no tempo, a vida de Satoru, e o incomodo dele com o presente e com o passado, etc. Nesse volume inicial a série de crimes é apenas levemente mencionada, ainda não existindo um aprofundamento na história. Ainda assim, os dados das crianças mortas estão lá, as suspeitas começam a aparecer e tudo indica que o condenado pelo crime, era um inocente.

A grande virada na história ocorre quando uma certa mulher começa a investigar uma pessoa que ela vira na cidade e que pareceu a reconhecer. Essa pessoa, sabendo o perigo que a mulher representava para seus planos e para a sua liberdade, decide por matá-la, como queima de arquivo. Nisso, Satoru acaba envolvido e, buscando salvar essa mulher, o seu poder de voltar no tempo acaba agindo de forma estranha e ele volta diversos anos no passado, para 1988, na época dos crimes.

O desenvolvimento desse primeiro volume é bom, apresentando uma relação de causa e consequência bem interessante entre os acontecimentos, uma coisa leva a outra, que leva a outra, até chegar ao desfecho do volume. O clima de mistério e suspense ainda é bem fragmentado nesse início, mas tudo já vai se formando, tanto pelos acontecimentos, como pelo modo em que a história vai sendo contada, com um uso bem grande de informações, flashbacks, entre outros recursos.

O único problema deste tomo inicial são os personagens, ou melhor dizendo, O personagem, o protagonista. Ele é um tédio em pessoa, não apresentando nada que nos faça gostar dele enquanto protagonista, ainda que chegue a salvar crianças ao longo do volume. Ele é introspectivo demais, extremamente “pra baixo” e ao mesmo tempo parece totalmente arrogante como se fosse um “ser superior” que soubesse mais que os outros. Fujinuma é um personagem que não cativa o público e sozinho poderia ser responsável facilmente pelo abandono da obra.

Airi, a melhor personagem? Foto: Blog BBM

Felizmente os demais personagens possuem um charme próprio e mesmo com um “tempo de cena” pequeno conseguem levar o volume nas costas. Airi, a colega de trabalho de Fujinuma, é essencial nesse sentido, pois possui um carisma enorme que faz suas poucas passagens serem bem marcantes. A mãe de Satoru também é outra personagem interessante, por sua aura perspicaz, que termina por ser mais interessante para o clima de suspense da obra nesse primeiro volume.

Entre males e benesses, o primeiro tomo de Erased ainda não mostra exatamente a que veio, mas já nos prepara para a tônica que a história deve seguir nos próximos volumes. Longe de ser uma obra perfeita e/ou que mudará sua vida, o mangá de Kei Sanbe ao menos é bem desenvolvido e conseguirá fazer você se divertir com um mistério interessante.

  • A edição Nacional

A edição nacional veio no formato 13,2 x 20 cm, o novo padrão da JBC, com miolo em papel Lux Cream. A obra ainda possui algumas páginas também coloridas. O preço é R$ 23,90.

A edição física está muito boa, de encher os olhos. Todo o acabamento parece bem feito e é possível folhear o volume facilmente, não existindo qualquer incomodo para a leitura. Uma última coisa a se mencionar é que as cores das páginas coloridas de Erased estão mais vivas do que em outros mangás em Lux Cream já lançados pela JBC, como Blame!, Battle Angel Alita e Death Note. Realmente uma boa edição.

Uma das páginas coloridas. Pela imagem não dá para notar tanto, mas pessoal é bem visível. Foto: Blog BBM.

Em relação ao texto encontrei apenas um erro de revisão, bem no início. Não chega a atrapalhar, mas como sempre dissemos, era um tipo de coisa que não deveria acontecer de jeito nenhum.

“Nenhum visita”. Foto: Blog BBM
  • Conclusão

Se você assistiu ao animê notará diferenças em relação ao mangá, a começar pela personalidade de Satoru. No animê a gente vê ele mais depressivo e com um olhar mais triste, no mangá mais arrogante, com um olhar que parece de fúria ou desconsertado, de modo que na animação é mais fácil se afeiçoar ao protagonista do que nos quadrinhos. Pequenos detalhes outros na condução da narrativa também se mostram diferentes, mas no geral a história é a mesma. O primeiro volume foi adaptado por inteiro no primeiro episódio do animê.

Satoru parece sempre malvado. Foto: Blog BBM

O que pode incomodar bastante é o estilo de desenho de Kei Sanbe, pouco usual e mais “feio” do que o convencional. Aliás, uma parte da nossa visão sobre Satoru se deve exatamente ao modo como Sanbe desenha as feições do personagens, com um olhar que o faz parecer estar sempre emburrado, de mal humor, etc.

Feito esses comentários, é importante reiterar, para concluir, que o primeiro volume do mangá ainda não apresenta direito o que é essa obra. O volume consegue te fisgar se você passa pela barreira do protagonista, mas são os próximos tomos  que mostrarão de verdade o que é Erased, apresentado um desenvolvimento maior, com a inserção de novos personagens e os novos rumos para a história. Em outras palavras, Erased é bom no primeiro volume, mas tudo tende a se tornar bem melhor depois.

  • Ficha Técnica

Título: Erased – A cidade onde só eu não existo
Autor: Kei Sanbe
Tradutor: Denis Kei Kimura
Editora: JBC
Dimensões: 13,2 X 20 cm
Miolo: Papel Lux Cream
Acabamento: Capa cartonada. O miolo possui algumas páginas coloridas.
Classificação indicativa: Não há
Número de volumes no Japão: 9 no total.
Número de volumes já lançados no Brasil: 3
Preço: R$ 23,90
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