Resenha: Brincando de viver em “The Wedding Eve”

Para se divertir e emocionar…

Se existe algo que realmente falta no mercado brasileiro de mangás atualmente é variedade. Dentre os diversos títulos publicados no Brasil a maioria absoluta deles são mangás de ação e a aventura, sejam aqueles mais juvenis como Edens Zero, sejam os mais adultos como Berserk. Se você deseja um slice of life para relaxar ou se emocionar dificilmente encontrará algo que te agrade.

Então, nesses casos, procurar por títulos antigos em sebos ou reler os que você tem na prateleira é sempre uma boa opção. The Wedding Eve foi uma obra que muito me agradou na época do lançamento, mas por questão de tempo acabei não fazendo uma resenha. Agora, após uma releitura, nossa opinião sobre o título finalmente será publicada.

The Wedding Eve – A véspera do casamento e outras histórias é, como nome sugere, uma coletânea de histórias curtas, sendo cinco one-shots, obras que se encerram em um capítulo, e uma história concluída em dois deles. Elas foram escritas e desenhadas por uma artista conhecida apenas como HOZUMI, sendo publicadas nas revistas joseis (destinadas a mulheres adultas) Flowers! e Rinka, da editora Shogakukan.

Volume único, The Wedding Eve foi publicado no Japão em abril de 2013. No ocidente, foi lançado na Itália em 2014 pela matriz da Panini e na Espanha em setembro de 2016 pela Milk Way Ediciones.

No Brasil, o mangá chegou pela Panini, sendo lançado em julho de 2016, uma das maiores surpresas daquele ano pela empresa. Mas o que tem de bom nesse mangá? Será que ele é um título indispensável? Veremos agora…

  • Sinopse Oficial

“Só nós”, o tesouro mais precioso de todos. Esta é uma antologia de histórias curtas que compila, além de “The Wedding Eve – A véspera do casamento”, outros cinco belos e emocionantes contos, artisticamente imbuídos de lirismo, fascínio e vivacidade.

  • História e desenvolvimento

The Wedding Eve é uma daquelas coletâneas de história que você percebe perfeitamente temas em comum que se interligam e se completam. Todos os seis contos tratam da vida humana, falam de arrependimentos, atitudes intempestivas ou mesmo o puro e simples convívio, a arte de viver.  Misturando elementos de fantasia e misticismo, o mangá nos apresenta histórias encantadoras – que nos fazem pensar por horas a fio – e com desfechos, muitas vezes, surpreendentes.

O primeiro one-shot é o que dá título ao mangá. “A véspera do casamento” é uma história em que acompanhamos dois irmãos, um homem e uma mulher, na noite anterior ao casamento dela. As poucas páginas do one-shot mostram apenas eles convivendo, de modo simples e natural, com as preocupações normais do dia que virá a seguir. Embora pareça parado e não querer levar para lugar nenhum, a narrativa apresenta claramente um amor fraternal intenso entre os dois, bem como um clima de mudança que decorre com as iminentes bodas. Vivendo sozinhos durante anos devido a morte de seus pais, aquela noite representava a verdadeira separação entre os dois. É, de longe, a história mais fraca de todo o volume, mas mesmo assim é uma narrativa para se ler e apreciar.

Já “Reencontro com Azusa nº 2” e “Irmãos monocromáticos” tratam de um tema em comum, a morte, mas de maneiras bastante diversas. O primeiro sobre a perspectiva de uma criança e de uma forma mais fantasiosa e a segunda sobre a perspectiva dos adultos e de uma forma mais realista.

“Reencontro com Azusa nº 2” é a história de uma filha abandonada pelo pai e que só encontra com ele uma vez por ano. Assim como em “A véspera do casamento” acompanhamos os personagens apenas vivendo, conversando naturalmente, relembrando as circunstância que os levaram a se separar, a briga da mãe por conta do último encontro com o pai, etc. Porém, a obra é uma narrativa feita para te enganar e chocar, utilizando um plot twist sensacional no final da história, ao nos mostrar a morte de um dos personagens.

Em “Irmãos monocromáticos”, por outro lado, a morte como impacto é um tema tratado desde o início. Narrando a história de dois irmãos e o amor deles por uma uma moça no passado, o one-shot narra a dor da separação e o que fazemos, pensamos e sentimos frente a uma perda. É uma história para refletir e pensar sobre nossas escolhas e atitudes ao longo da vida. Assim como em “Azusa nº2”, o final possui um choque profundo que ditará mais reflexões e pensamentos sobre o passado e sobre as perdas.

Já “O espantalho que sonha” é a maior história do volume e inicia uma tríade de narrativas com elementos de fantasia, mais precisamente a personificação de objetos e animais. Dividido em dois capítulos, a história nos apresenta a vida de dois irmãos que foram abandonados pela mãe e passaram a tratar um espantalho como se fosse ela. O clima de amor fraternal visto em “A véspera do casamento” reaparece aqui, e família, solidão e insegurança são alguns dos temas abordados durante os dois capítulos. A narrativa centra-se mais no irmão mais velho e sua vida após abandonar a cidade em que viviam e que retornou a ela apenas para o casamento da irmã. O toque de fantasia fica por conta do espantalho que está sempre a zelar pelos irmãos e a querer a felicidade deles, mesmo que os dois não saibam disso.

“O pequeno jardim de outubro”, o penúltimo one-shot, é mais uma daquelas narrativas que usam fórmulas ultra clichês (no caso, um escritor que faz uma história a partir de um experiência vívida por ele), mas mesmo assim consegue nos prender e, até mesmo, surpreender. Na história acompanhamos um autor que sonha incessantemente com um corvo que não queria morrer e acaba tendo sua vida, até então depressiva, completamente alterada e modificada pela presença de uma garota. Um dia, porém, ele recebe a visita de uma vizinha e termina por ter uma surpresa sobre quem na verdade era a tal garota. Um plot twist bem interessante.

Por sua vez, “E então”, a narrativa de encerramento, é uma das mais divertidas para os fãs de gatos. Mostra as impressões de um felino frente a alguma coisa que está a acontecer com uma parente de seu dono. A história apresenta todo o estereótipo dos gatos agirem “independentes” e “sem afeição” aos humanos, ao menos no nível da aparência. Durante a história é nítido que o gato está preocupado com o rapaz (embora finja não demonstrar) e chega a ficar aliviado quando descobre que as notícias médicas são positivas e não negativas como ele esperava. É uma narrativa para apreciarmos a beleza dos gatos e vermos que temos muito em comum, quando desejamos esconder nossos verdadeiros sentimentos…

Essas são as seis narrativas que compõem o mangá e, no todo, o volume apresenta um séquito de histórias bem interessante, que nos divertem e fazem lembrar a vida com seus momentos mais básicos e também os sofrimentos que todos nós passamos. É um mangá para ler e reler…

  • Conclusão

The Wedding Eve não é um título imprescindível e necessário, não é uma obra para ler e mudar a sua vida, apresentando algumas histórias muito clichês e paradas. Ainda assim, as histórias, em geral, divertem e entretém bastante, além de fazer refletir em alguns momentos. Para quem já está cansado da mesmice da maioria dos mangás publicados no Brasil, sem dúvida The Wedding Eve vale a pena.

  • Ficha Técnica

Título: The Wedding Eve – A véspera do casamento e outras histórias
Autor: Hozumi
Tradutor: Luciane Yasawa
Editora: Panini
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offset
Acabamento: Capa cartonada com orelhas
Classificação indicativa: 14 anos
Número de volumes: 1
Preço: R$ 15,90
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Um comentário

  1. Esse mangá é legal mesmo, muito bom pra diversificar a leitura. E também acho bacana slice of life sem algumas apelações comuns tipo ecchi ou coisas típicas de otaku.

    “Reencontro com Azusa nº 2” é a história que gostei mais.

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