Memória: O dia que o público escolheu um relançamento da JBC

Relembre este caso

O ano era 2016 e no dia 14 de abril daquele ano a editora JBC colocava no ar, em seu site, algo inusitado até então, uma pesquisa para o público escolher qual seria o próximo relançamento da editora…

Já fazia quatro anos que a editora estava trazendo de volta (em outro formato) alguns dos primeiros mangás publicados pela empresa, como Cardcaptor Sakura e Guerreiras Mágicas de Rayearth. Naquele mês de abril mesmo (leia a história aqui) a empresa havia anunciado o retorno de Fullmetal Alchemist. A novidade era que agora o público decidiria qual obra iria retornar.

Não foi uma escolha totalmente aleatória, porém. A JBC deu seis opções de títulos para os consumidores escolherem qual mais desejavam, a saber:

A pesquisa durou cerca de quatro semanas e o resultado foi anunciado no dia 13 de maio de 2016. Foram quase 15.000 votos válidos (não foram contados votos repetidos) o que foi considerado um êxito pela editora (se tivesse tido poucos, a empresa não teria uma boa amostra) e o grande vencedor foi Inuyasha, de Rumiko Takahashi, com quase 50% dos votos. Shaman King ficou em segundo, seguido de Cowboy Bebop e Fruits Basket.

Tudo isso foi algo muito legal na época, mas o problema é o que se sucedeu. A editora tinha deixado claro que, após o resultado, a empresa ainda iria ver os detalhes, conversar com a editora japonesa para saber como o retorno da obra se daria, dentre diversas outras coisas.

Entretanto, as coisas não ocorreram de maneira que todos esperavam e passou 2016 sem nada, 2017 chegou e ficou sem novidades. O relançamento ficaria para 2018, mas ainda no final de 2017 veio um banho de água fria maior ainda. Em seu evento anual, a JBC disse que o projeto estava parado no momento.

Na ocasião, a editora disse que as coisas mudam muito rápido e que era preciso saber se adaptar ao momento. Segundo ela de 2015 até ali várias coisas tinha mudado no mercado e, até então, a editora JBC não tinha conseguido chegar em um projeto viável para a volta de InuYasha, então, por enquanto, o projeto estava parado e sem prazo para lançar. A empresa frisou que queria trazer o mangá de volta no momento certo e do jeito certo e que as conversas com a Shogakukan ainda estavam de pé…

Vale lembrar que naqueles anos muita coisa estava acontecendo e que deu estremecida no mercado. Havia problemas com a distribuidora de bancas de revista, havia problemas com as Livrarias Cultura e Saraiva (que não pagavam direito as editoras) que ocasionaram um rombo nos cofres de muitas empresas.

Em fins de 2018, por exemplo, com o Pedido de Recuperação Judicial da Saraiva, veio a público que esta livraria devia mais de oito milhões para a Panini, quase um milhão para a JBC e quase cem mil reais para a NewPOP.

O RE-ANÚNCIO

O tempo passou e dois anos depois, em maio de 2020, a editora JBC re-anunciava a obra, dessa vez com previsão de lançamento para 2021. A nova edição viria baseada na wideban japonesa que compila os 56 volumes originais em apenas 30.

Apesar do re-anúncio ter ocorrido em plena pandemia (época que exigiu muito jogo de cintura por parte das editoras), a JBC cumpriu a promessa e o lançou realmente em 2021, no final do ano, é bem verdade, mas lançou.

Essa situação foi tão atípica que antes de Inuyasha retornar, outras obras que concorreram com ele ganharam um relançamento antes, caso de Fruits Basket (2019) e Shaman King (08/2021). Além disso, no mesmo mês que saiu o primeiro volume de InuYasha também saiu o primeiro volume de uma nova edição de A Princesa e o Cavaleiro.

A grande verdade é que a pesquisa foi, de fato, uma ideia para lá de muito boa, deu uma boa agitada no público, mas os acontecimentos que se seguiram mostram que a empresa deveria ter agido com mais cautela na ocasião.

Em 2025, a JBC voltou a fazer uma pesquisa dessas, curiosamente também com uma obra de Rumiko Takahashi, só que dessa vez era apenas se Ranma 1/2 deveria voltar como uma simples reimpressão ou como uma nova edição em outro formato. Ganhou a nova edição, que exigiria mais tempo para negociar e refazer o contrato, mas dessa vez as coisas parecem ser mais fáceis.

InuYasha, por seu turno, ainda está com sua republicação em andamento por aqui, tendo ultrapassado a metade da série em fins do ano passado…


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