“Guerreiras Mágicas de Rayearth”: comparando as edições brasileiras com a edição argentina

Em 2019, a editora Ivrea começou a lançar na Argentina o mangá Guerreiras Mágicas de Rayearth, do CLAMP. A edição hermana segue a versão deluxe japonesa, que tem capas novas, bastante diferente daquelas que a gente conhece no Brasil. A Ivrea, porém, trabalhou a imagem da versão deluxe e fez uma capa belíssima, de modo que a gente se sentiu tentado a comprar.

Um tempo depois, tivemos a oportunidade de importar o volume e assim o fizemos sem peso na consciência, apesar do preço não ser lá tão bom assim. Então, a nossa postagem de hoje é sobre isso. A gente vem comparar a versão argentina, com as duas versões brasileiras, mostrando as semelhanças e as diferenças entre elas. Vem ver :).


DETALHES SOBRE A OBRA


Antes de mais nada é preciso lembrar que Guerreiras Mágicas de Rayearth foi publicado no Japão entre novembro de 1993 e março de 1996 na revista de mangás shoujo Nakayoshi, da editora Kodansha, sendo concluído em um total de seis volumes, divididos em duas fases de três volumes cada. Posteriormente, a obra foi republicada em uma edição deluxe, que manteve o número de tomos.

A obra segue três estudantes colegiais Hikaru, Umi e Fuu (Lucy, Anne e Marine no Brasil ou Lucy, Marina e Anays, na América espanhola) que um dia são transportadas para um mundo paralelo chamado Cefiro (ou Zefir) e recebem a inesperada missão de salvar aquele mundo à beira do colapso. Enquanto lutam para restabelecer a paz e a ordem em um mundo mergulhado no caos, as garotas embarcam em uma jornada de autoconhecimento, aprendizado e amadurecimento.

No Brasil, o mangá foi lançado pela primeira vez entre 2001 e 2002 pela editora JBC, dividindo os seis números originais em doze, de cerca de cem páginas por edição. Entre 2013 e 2014, a JBC relançou a obra seguindo o número de volumes originais e concluindo a série em seus seis volumes.

Na Argentina, por fim, o mangá está saindo pela primeira vez agora, ficando a cargo da Ivrea, a maior editora de mangás do país. A versão hermana segue a versão deluxe japonesa.


TAMANHO E DETALHES FÍSICOS


As duas versões brasileira e a versão argentina têm tamanhos diferentes. A versão mais recente da JBC possui o formato 13,5 x 20,5 cm, que durante muito tempo foi o formato padrão da editora (é o mesmo tamanho das edições mais recentes de Fullmetal Alchemist e Yu Yu Hakusho, por exemplo). Já a versão mais antiga é um pouco menor, 13,5 x 19,5 cm.  Por fim, a edição argentina veio no formato 13 x 18 cm (semelhante a alguns títulos da NewPOP como Joy ou Napping Princess)

A primeira edição da JBC é bem mais simples, com miolo em papel jornal, uma capa mais frágil, porém não é de se jogar fora, pois é maleável e segura, de modo que você consegue ler o mangá de forma fácil e sem qualquer problema.

A segunda versão da JBC é bem mais caprichada, com miolo em papel offset, páginas coloridas e um acabamento com uma capa cartão melhor. A segunda fase da série ainda teve orelhas. Também é uma edição boa e maleável.

A versão argentina é mais um meio-termo entre as duas versões brasileiras. O papel é o offset como na segunda versão brasileira, mas a capa é mais frágil que a da primeira versão brasileira, sendo bem molinha. O destaque da versão argentina é a existência da sobrecapa, que é a imagem que você vê. Por fim, há apenas uma página colorida, de modo que a segunda versão brasileira se destaca mais nesse aspecto, por possuir mais do que isso.


A PRIMEIRA EDIÇÃO BRASILEIRA


Para além do que já falamos, a primeira edição brasileira teve muitas coisas que foram do seu tempo. Em primeiro lugar, as capas eram espelhadas, de modo que a capa e a quarta-capa tinham a mesma imagem. Isso era feito porque os jornaleiros não eram acostumados com o sentido de leitura dos mangás e iriam expor do lado errado, de modo que as empresas da época precisavam se adiantar a isso.

Os dois primeiros volumes da primeira edição de Guerreiras Mágicas de Rayearth, pela JBC. Equivale ao primeiro volume original japonês e, por conseguinte, ao primeiro volume da edição argentina e ao primeiro volume da segunda edição brasileira.

Além da questão das capas, outro detalhe do seu tempo são os paratextos presentes na edição. Nos dois volumes iniciais, por exemplo, a editora JBC fala sobre ter nascido no Japão e as escolhas que fez para a versão brasileira do mangá, coisa que raramente vemos nos dias de hoje. A empresa também fala sobre a adaptação em anime que passou de forma um tanto quanto conturbada na televisão brasileira, conclamando os fãs para conhecerem a obra original.

Texto de abertura do primeiro volume.
Texto de abertura do segundo volume.

Essa primeira versão de Guerreiras Mágicas de Rayearth, porém, não tinha os paratextos originais: o Jornal CLAMP Versão Pirata em que se fala sobre as autoras da obra e o Guerreiras Mágicas de Rayearth Fase Bônus em que tem fichas de personagens e uma historinha curta envolvendo Mokona (o bichinho fofinho branco que é o mascote da série) ou os demais personagens. Para além disso, essa primeira versão não teve nenhuma página colorida, a maioria delas seria justamente da Fase Bônus, que não esteve presente no mangá.

Em relação à adaptação, a JBC usou os nomes da versão brasileira do anime, assim as personagens principais se chamam Lucy, Anne e Marine, a princesa se chama Esmeralda e assim por diante. Era o natural a ser feito na época.


A SEGUNDA EDIÇÃO BRASILEIRA


A segunda versão brasileira foi bem diferente. Agora a capa e quarta-capa tiveram imagens diferentes e o acabamento como um todo foi melhor. A capa usou a mesma imagem da primeira versão brasileira, enquanto na quarta-capa foi utilizado uma imagem do mashin/gênio da Lucy/Hikaru.

Não somente isso, enquanto na primeira versão as capas internas eram brancas, sem nada, as da segunda versão foram colorizadas, com uma imagem, dando um charme a mais aos volumes dessa edição.

As páginas coloridas, como é possível ver, não ficaram de fora da nova edição brasileira. O que também não ficou de fora, foram os paratextos originais, o Jornal CLAMP Versão Pirata e a Fase Bônus, com todas as páginas coloridas que a edição tem direito.

Ainda sobre as páginas coloridas, é importante mencionar que quase todas elas pertencem ao Fase Bônus. Fora dele, apenas aquela imagem de abertura da Lucy/Hikaru é que é colorida.

Em relação à adaptação, diferente da primeira versão, a editora JBC utilizou os nomes originais, Hikaru, Umi e Fuu para as protagonistas, além dos demais personagens e nomes de lugares. Para além disso, a empresa ainda utilizou honoríficos no mangá, coisa bastante rara em se tratando de qualquer editora que não se chama Panini.

Os nomes de poderes, por outro lado, foram traduzidos para o português, igual na primeira versão brasileira, embora a tradução não seja a mesma entre elas. Ou seja, existem golpes em que o nome adotado é diferente. Por exemplo, ainda no primeiro volume o guru Cléf usa um poder para a proteção (no original:殻円防除) e ele foi chamado de “escudo protetor” na primeira versão e “Casca Elíptica Protetora” na segunda versão (imagens acima). É basicamente a mesma coisa, mas a segunda versão é mais literal.

Isso é a regra geral. Em alguns casos específicos, a empresa fez diferente. Por exemplo, quando ocorre uma invocação de um monstro, a JBC coloca o poder como Cleft, em ambas as versões (imagens acima). No original, a palavra utilizada é 精獣召喚 e a tradução seria “Invocação de Besta Espiritual”. Cleft, usado pela JBC, é indicação de leitura para os kanjis, no caso クレフト (caso não tenha entendido, explicaremos isso mais adiante, quando falarmos da edição argentina). O porquê de a editora fazer diferente nesse caso específico, não sabemos. Só sabemos que foi assim^^.


EDIÇÃO ARGENTINA


A edição argentina é a que tem, de longe, a melhor capa (no caso, uma sobrecapa). Não só pelo trabalho da imagem, mas sim por todos os detalhes em dourado, que brilha dependendo do ângulo em que você vê. Esse detalhe ainda está envolto em uma pequena camada de verniz que você sente ao passar a mão pelo título da obra e os demais pontos dourados.

A capa em si (abaixo da sobrecapa) é branca com uma imagem do mashin/gênio. As capas internas, por sua vez, são inteiramente brancas. Por fim, a edição possui apenas uma página colorida, a página inicial, mesma que tem na segunda versão brasileira.

Sobre os paratextos, a edição hermana possui apenas o Jornal CLAMP Versão Pirata. O mangá, portanto, não tem o Guerreiras Mágicas de Rayearth Fase Bônus. Ponto, então, para a segunda edição brasileira.

Quanto à adaptação, a Ivrea utiliza os nomes originais dos personagens e dos lugares. A empresa, porém, não usa honoríficos e nem quaisquer outros termos japoneses que não sejam estritamente necessários.

Em relação aos poderes, a editora opta por um caminho diferente da JBC. Como é costume nos mangás, no original os nomes de golpes são escritos em kanjis, mas se coloca uma pequena legenda com a indicação de leitura (o chamado furigana), e muitas vezes essa indicação é bem diferente do que é escrito em japonês ou até mesmo em outro idioma. O furigana serve para que as pessoas que ainda não conhecem muitos kanjis possam ler sem problemas, só que é comum os autores “inventarem” leituras ou similares, colocando caracteres que simulam outras línguas. Esse tipo de estratégia é praticamente impossível de se repetir nas línguas do ocidente.

Tradicionalmente, a JBC opta por traduzir os kanjis, independente dessa legendinha. Algumas editoras traduzem apenas a legenda. Outras, por outro lado, colocam os dois nomes, o nome da legenda e o que está no kanji. A Ivrea faz mais um caminho. Ela mantém apenas o que está no furigana e coloca uma nota de tradução para indicar o que estava escrito no kanji.

Nesse caso específico da imagem, o nome do golpe em kanjis é escrito assim: 殻円防除 (Kara en bōjo, segundo o Google Translater). Já a indicação de leitura dos kanjis é escrito assim: クレスタ (Kuresuta / cresta). A Ivrea manteve a indicação de leitura e a JBC traduziu os kanjis. Não faz nenhuma diferença o uso de um ou outro método, são apenas escolhas diferentes, já que é impossível reproduzir nos idiomas ocidentais o que é feito na língua japonesa.

No caso de “Cleft” que citamos anteriormente é a mesma coisa. A Ivrea não traduziu os kanjis, apenas manteve a indicação de leitura dos furiganas e colocou uma nota de rodapé com a tradução dos kanjis. A JBC, por seu turno, apenas colocou “Cleft” sem colocar qualquer nota.

Então, podemos considerar que a versão argentina teve mais padrão.


PREÇOS


Para terminar, falemos de preços. A primeira edição brasileira saiu por R$ 3,40, equivalente a mais ou menos a R$ 10,40 em valores atuais, segundo a correção do IPCA (para novembro de 2019). A segunda edição brasileira, por sua vez, saiu ao preço de R$ 16,90, o que equivale a R$ 23,77 em valores atuais, segundo a correção do IPCA (para novembro de 2019).

Quanto à edição argentina, ela saiu ao preço de 345 pesos argentinos (equivalente a R$ 25,30 em agosto de 2019) e hoje  foi reajustada para 395 pesos argentinos (equivalente a R$ 26,72, em dezembro de 2019). Como a inflação por lá é alta, não duvidem que haja mais uma reajuste antes de lançarem a terceira edição…


Essa foi nossa postagem de hoje. Caso tenham dúvidas, coloquem nos comentários!

2 comentários

  1. Eu ganhei a reedição de guerreiras mágicas do meu namorado, eu tinha a versão antiga e dei pra filha de uma amiga.
    Eu coleciono tudo o que posso do CLAMP (em português ou qqr outro idioma) e essa 2ª edição fica linda na minha coleção.
    Meu único problema é justamente com o papel cartão da capa que, pra mim, tem uma gramatura muito alta e o papel Offset, por sua vez, tem uma gramatura muito baixa, causando uma transparência absurda nas páginas =[ e vejo esse mesmo prolema nas refeições de Sakura e Chobits. Fora isso eu amo muito

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