Resenha: Furi Fura – Amores e Desenganos (volume 6)

Metade da obra já se foi. Qual é o resultado até aqui?

A premissa de Furi Fura – Amores e Desenganos indicava claramente uma obra em que uma duplas de personagens se apaixonaria por outra dupla e a leitura do primeiro volume mostrou exatamente isso já com os conflitos ali existentes. Muita embora seja uma premissa bastante convencional, o título mostrava que tinha muito a oferecer por conta dos personagens e do modo como tudo parecia seguir.

Yuna era a garota sonhadora e ultra tímida que a gente vê em muitas obras, chegando a até parecer irreal por causa daquele amor por um príncipe de um livro. Já Akari era uma personagem mais realista e fácil de assimilar, entretanto era meio fria e, mesmo que sofresse, parecia não se importar muito com isso. Rio era apenas um mulherengo qualquer e Kazuomi era alguém meio sem sal e com uma personalidade que só poderia ser expressa com a frase “cara legal”. Nesse momento inicial, era bastante plausível que o leitor se afeiçoasse a uns e não a outros, que gostasse de uns e desgostasse de outros, mas o passar dos volumes foi corrigindo as coisas, pois a interação entre os personagens fez eles amadurecem aos poucos e se transformarem por completo, embora ainda sejam reconhecíveis.

A nossa querida Yuna foi devargarzinho conquistando os nossos corações, sentindo-se mais livre e conseguindo conversar melhor com as pessoas. Ela é aquele “personagem tipo” cuja evolução faz com que as pessoas mais reclusas ou mais acanhadas possam se inspirar e ver que é possível se soltar e ser mais sociável. O que era uma figura irreal, virou uma personagem palpável, que podemos imaginar que representa uma pessoa de verdade. Claro que ela ainda tem ares de ser uma heroína boazinha demais e que não toma tantas atitudes intempestivas, mas mesmo assim agora Yuna está bem mais credível do que antes.

Por sua vez, Akari e Rio eram meio detestáveis por assim dizer. Por mais que parececem boas pessoas e se importassem com os outros, a aura que pairava neles era de pessoas desagradáveis, que tratavam os relacionamentos amorosos de um modo nada apaixonado, nada romântico, como se fosse algo descartável e sem sentido, assim como outras esferas de sua vida. Novamente o nosso amigo tempo consertou as coisas e fomos conhecendo a fundo as histórias deles e vimos os dois se transformarem em personagens fantásticos e amáveis.

Definitivamente, a Akari foi a personagem que mais mudou e que mais a gente tem apreço nesses volumes. A gente já vê sentimentos nela e percebe que ela não é mais apenas um “boneco” que passa pela vida sem se importar com as coisas. Uma das cenas mais marcantes do volume seis vem justamente dela. Em um certo momento, ela e Kazuomi estão tentando tirar fotos para o festival cultural e se deparam com três amigas. Uma delas irá mudar de escola e elas querem uma recordação. Após tirarem a foto, a amiga que irá embora chora por não querer ir e Akari faz o mesmo. Definitivamente uma cena bem emotiva, tanto para o leitor, quanto para a personagem. Para o leitor, pois lembra bastante as diversas perdas que a gente têm durante a vida (quase ninguém consegue manter contato com as pessoas com quem convivia na escola, por exemplo) e para Akari por ela lembrar de seu próprio passado e ver que ela fingia não se importar. Parabéns, Akari, você cresceu como pessoa.

É bem claro que Akari mudou bastante por causa do contato com Yuna, mas quem mais se beneficiou da amizade da garota foi Rio. Seus sentimentos para com a sua irmã pareciam fazê-lo um personagem um tanto quanto desequilibrado e que toma atitudes sem pensar, podendo ocasionar mal entendidos (ou “bem entendidos” que não deveriam ser expostos ao público).

Entretanto, as coisas vão mudando e ele vai deixando de ser mulherengo (que era o modo que ele agia para não pensar na irmã) para se tornar uma pessoa mais sossegada, até conseguir perceber seus reais sentimentos. Isso mudou bastante o modo como ele era visto. Ainda é possível ver a personalidade dele lá, mas Rio já é outro, mais aprazível e mais amável.

Um abraço que significou muito para o Rio. Pena que você não sabe de nada, né, Yuna?

Kazuomi, por sua vez, ainda continua sendo apenas o “cara legal” (pois não sabemos muito sobre seu passado e porque ainda falta um algo a mais em sua personalidade), mas ele já tem mais tempo de cena e atitudes próprias e inusitadas. A bem da verdade, durante boa parte da obra, o grande drama da história foi Akari e Rio e a paixão de um pelo outro que não pôde se realizar em virtude de eles serem irmãos. A presença de Yuna estava no meio para bagunçar ou agitar as coisas, já que ela gostava do Rio e ficou sabendo de toda a história que ocorreu entre os dois no passado, o que acabou influenciando algumas atitudes. Enquanto isso, Kazuomi era apenas o par faltante. Mas coisas acontecerem  e ele também foi inserido na trama. Agora, ele já tem sentimentos por uma certa personagem e já age para proteger as pessoas de quem gosta.

O quarteto principal

Agora no volume seis, a história está mais agitada, com os sentimentos dos personagens totalmente claros (e mudados em boa parte deles), além da presença de uma nova figura que vem adensar a obra. Já é possível ver claramente que o drama está bastante centrado na questão da fala, do dizer, de não conseguir ou não querer se expressar. Se lá no início da obra, isso se dava apenas com Yuna e sua intensa timidez, agora isso é geral entre os personagens, gerando um conflito após o outro.

Falar ou não falar? Dizer a verdade? Fingir não estar sentido nada? Um dado personagem achava que o amigo gostava de uma certa pessoa, assim ele decidiu não aceitar o amor por essa pessoa para privilegiar o amigo. Bastava uma simples conversa, uma simples troca de palavras para que tudo se resolvesse. Do mesmo modo, um outro personagem passou a gostar de uma certa pessoa, mas ele não consegue dizer a ela e agora ele possui um concorrente. E as coisas assim acontecem…

Recém acabamos a primeira metade da obra e o título está pronto para ser resolvido, basta que as pessoas conversem e sejam sinceras. Mas a ficção é como a vida e se expressar é algo difícil, assim como é algo difícil ser totalmente sincero com os próprios sentimentos. O problema é que seguir o caminho da dissimulação têm consequências. Já estamos vendo isso até agora e veremos mais nos próximos tomos.

O final do volume 6 mostra que no volume 7 pode acontecer uma reviravolta na história, visto que uma “figura estranha” ao quarteto principal fez uma jogada ousada. Quando uma parte da narrativa poderia se resolver, esse personagem apareceu e não deixou que as coisas fossem fáceis. Agora tudo indica que a doce Yuna receberá uma declaração de amor de alguém que ela não esperava. O que acontecerá? Ela continuará apegada ao seu sentimento anterior? Ou aceitará o amor do seu novo amigo? Isso é uma cena para o próximo volume. Estamos aguardando ansiosamente….

  • Ficha Técnica

Título original: 思い、思われ、ふり、ふられ
Título NacionalFuri Fura – Amores e Desenganos
Autor: Io Sakisaka
Tradutor: Karen Kazumi Hayashida
Editora: Panini
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: 14 anos
Número de volumes no Japão: 12 (completo)
Número de volumes no Brasil: 6 (ainda em andamento)
Preço: R$ 22,90
Onde comprarAmazon / Comix

1 Comment

  • Previso comprar o volume 6 *_*. Já está para sair o volume 7 e eu não quero ficar muito atrasado. Estou adorando MUITO o mangá.

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