Resenha: Re:Zero – Contando as Crônicas de Outro Mundo

Algumas historinhas para se divertir

Talvez você não saiba, mas Tappei Nagatsuki, criador da light novel Re:Zero, costuma escrever muito mais coisas do que vemos na história principal. Antes da publicação impressa, Nagatsuki lança a narrativa na Internet para depois fazer um apanhado e uma reescritura para a versão oficial. Muitas partes online são desprezadas ou mudadas e outras são aproveitadas e publicadas em outras compilações, como o Re: Zero Tanpenshuu (também chamado de Re:Zero Short Stories) que reúne algumas histórias curtas sobre os personagens da série, e o Re: Zero Ex (que conta histórias do passado, como a do Willhelm).

Além dessas histórias, Nagatsuki publica outras histórias curtas para certas situações especiais. No mangá Re:Zero – Capítulo 2 – Uma Semana na Mansão, por exemplo, há contos criados por ele que servem tanto como um conteúdo extra, para as pessoas que não leram os livros originais poderem saber como é o estilo do autor, quanto para levarem os fãs japoneses da novel a adquirirem o mangá.

Entretanto, o mais importante é que Nagatsuki também cria histórias para serem distribuídas em pequenos livretos que serão dados de brinde a quem comprar o volume de uma light novel na ocasião do lançamento e em uma loja específica. De igual modo, também são lançados livretos em eventos comemorativos como o aniversário de Emília.

Algumas das histórias dos livretos foram reunidas e compiladas em dois volumes, chamados no Brasil de Re:Zero – Contando as Crônicas de Outro Mundo. As três primeiras histórias do primeiro livro, por exemplo, se centram em Emília e se chamam “Emília e os Registros de Turismo pela Capital Real”, “Emília e as aulas de Astronomia” e “Emília e o primeiro encontro”. Essas três narrativas originalmente foram dadas como brinde para quem comprou o primeiro, o segundo e o terceiro volume da light novel na conhecida loja Animate por ocasião do lançamento de cada uma delas. Quem não comprou na Animate ficou sem ou teve recorrer a compras de segunda mão.

Os dois volumes de Re:Zero – Contando as Crônicas de Outro Mundo, na verdade, não foram postos à venda no Japão, sendo parte integrante do primeiro artbook de Re:zero, chamado de Re:Zero – Art Works Re:BOX, publicado por lá em setembro de 2017. No Brasil, o artbook foi lançado pela editora NewPOP em novembro de 2019 e na ocasião fizemos uma pequena análise sobre ele (clique aqui para ler) e dissemos que pretendíamos fazer uma resenha sobre os livros, mas só agora ela vai ao ar.

Antes de começar a falar dos contos, é importante ter em mente o já mencionado fato extratextual das histórias desses livros terem sido dadas de brinde a quem comprasse as light novels em lojas específicas na época do lançamento. Os primeiros quatro volumes, por exemplo, tiveram brindes em quatro lojas (Animate, Melon Books, Toronoana e Gamers) e cada uma delas recebia um livreto diferente. Ou seja, para ter todos, você deveria comprar quatro volumes idênticos, cada um em uma loja.

Os livretos possuem histórias distintas focadas em determinados personagens, e nas quatro primeiras light novels cada livreto possuía uma história relacionada àquele volume ou a acontecimentos imediatamente anteriores ou posteriores a eles. Por exemplo, quem comprou o volume 1 na Animate recebeu um livreto mostrando a estadia de Emília e Pack na Capital Real antes da garota ser roubada por Felt. Quem comprou o volume 1 na Melon Books recebeu um livreto mostrando a empregada Ram na capital procurando Emília que havia se perdido dela. Já ao comprar na Toronoana, o leitor acompanharia uma história após os acontecimentos, mostrando Rem na mansão prestes a conhecer o Subaru que estava chegando ferido. Por fim, quem comprou na Gamers, leria uma história da Felt antes de ela roubar a Emília.

O mesmo acontece nos outros volumes. O detalhe é que cada história é mais do que ser engraçadinha. Ela vai apresentando personagens ou mostrando certas intenções do que se desenvolverá posteriormente. Por exemplo, o Al (aquele outro humano que veio da terra) que só apareceria lá no volume 4, já era mostrado no primeiro livreto da Melon Books. O Wilhelm, que também só apareceria no volume 4, dá as caras no livreto da Gamers, e assim por diante. Ou seja, acompanhar essas narrativas extras era relativamente necessário para você ir conhecendo personagens que só iam aparecer depois. Claro que existe a versão da Internet e quem a lesse já os conheceria, mas ela é bastante diferente da versão impressa, com exclusão de personagens, poderes, alteração de fatos, etc. Logo, quem não comprou no lançamento, terminaria por ficar sem uma parte bem legal da história, só conseguindo adquirir tempos depois, quando o artbook fosse publicado.

Não é que as histórias sejam realmente importantes, mas para quem compreendeu que cada detalhe faz a diferença para entender mais facilmente o mundo alternativo e ir montando o quebra-cabeça de mistérios, ler elas no ocasião do lançamento era algo valioso. Aqui no Brasil, somos como os leitores japoneses que não tiveram a oportunidade de comprar os livretos na época em que os volumes saíram e só leram ao adquirir o artbook. Ainda assim, é muito interessante você ficar lendo as historinhas que aconteciam em meio aos acontecimentos principais para vermos melhor os personagens que estávamos acompanhando.


COMO SÃO AS HISTÓRIAS?


Re:Zero Contando as Crônicas de Outro Mundo é uma narrativa bem leve em comparação à história principal da light novel, pois aqui podemos ver os personagens fazendo coisas mais bestas, em histórias descontraídas. Vemos o lado mais ingênuo de Emília, acompanhamos mais o mau humor da Beatrice, a fofura de Pack, a devoção de Ferris por Crusch, entre outros. Se em Re:Zero o foco é o Subaru, aqui os outros personagens da série é que brilham.

Na primeira história, por exemplo, “Emília e os Registros de Turismo pela Capital Real”, vemos a meio-elfa agindo como sempre, fingindo não querer ajudar alguém, mas sempre ajudando. Essa é a já citada narrativa da garota antes de ter a insígnia roubada por Felt, com ela andando para lá e para cá, maravilhada com a Capital, após ter se perdido de Ram, a empregada de cabelo rosa.

Várias outras histórias são contadas, como Emília preparando uma comida para Subaru ou Rem, com inveja, fazendo o mesmo. Vemos também o fato de Ram achar Emília pouco confiável, além dos personagens se questionarem mais sobre a origem do garoto, coisa que pouco ou nada vimos na série regular, dentre outras coisas.

A seguir reportaremos algumas das coisas que achamos mais interessantes e que nos servem de teoria para esse mundo alternativo de Re:Zero.

ATENÇÃO: A PARTIR DESSE PONTO É RECOMENDADO QUE VOCÊ TENHA LIDO A LIGHT NOVEL RE:ZERO ATÉ O VOLUME 12, POIS PODE CONTER SPOILERS.

TAMBÉM É RECOMENDADO QUE VOCÊ TENHA ASSISTIDO AO ESPECIAL RE:ZERO LAÇOS CONGELADOS, SOBRE O PASSADO DA EMÍLIA.


AL E RAM


No volume 6 da série Re:Zero, Subaru está desesperado em conseguir algum aliado que possa ajudar a salvar Emília do ataque da seita da bruxa e, por causa disso, termina por pedir ajuda até para a irritante Priscila Barielle. Ele e Rem vão até a casa da candidata e lá são recebidos por Al, o cavaleiro dela. Al tem uma peculiaridade, ele veio da terra assim como o Subaru, estando no mundo alternativo há vários anos, sem nunca descobrir o porquê de ter sido invocado para o outro mundo. Além disso, ele vive com um Elmo na cabeça e não tem um dos braços devido a certos acontecimentos do passado.

Nesse volume, Subaru não consegue nada com Priscila sendo completamente humilhado como é de seu costume, mas acontece algo inusitado quando os dois se despedem. Al vira para Rem e a chama de Ram. A garota diz o seu nome e explica para Al que Ram é o nome da sua irmã. Al fica todo confuso (e nós leitores mais ainda) e chega a perguntar se a irmã dela está viva e deixa todo um clima enigmático no ar.

Como? O quê tá acontecendo? Ele conhece a Ram de onde? E porque ele confundiu as duas? O problema é que não há mais menção nenhuma a isso durante os seis livros posteriores (a gente leu até o 12 quando esta resenha vai ao ar) e a gente fica a ver navios, com mais um mistério no ar.

Em Re:Zero Contando as Crônicas de Outro Mundo #01, há uma história chamada “Paquera Não Tem Vez Com a Ram” que ocorre ainda no primeiro arco da série e que foi originalmente dada de brinde para quem comprou o volume 1 na loja Melon Books. Trata-se da história de quando a empregada se perde de Emília na Capital Real e, no meio disso, ela tem um contato com Al nesse capítulo. Finalmente teríamos respondido uma parte do mistério? Não vai rolar, não vai rolar, não vai rolar mesmo.

A história é bem simples, Ram está procurando Emília e Al está procurando Priscila, Al chama a empregada e ponto, ocorre uma conversa não muito amigável. Aí os dois se separam e Al se despede da garota a chamando de Ram, sem que ela tenha se apresentado. Sim, era a primeira vez que os dois se viam (ou pelo menos era a primeira vez que Ram o via), mas ele já sabia quem era ela e o seu nome. Por quê?.

As nossas hipóteses atuais são as seguintes: 1) Ram ou Rem têm alguma coisa a ver com o passado do Al e do que aconteceu com ele. Isso ajudaria a explicar a atuação estranha dele no volume 6. 2) Priscila, como candidata ao trono, mandou Al espionar suas concorrentes, mas isso pouco tem a ver com o que acontece lá no volume 6. Nenhuma das duas hipóteses explica tudo e há falhas nas conjecturas, então tudo ainda permanece um enorme mistério.


Ram e o idioma


Há um detalhe para lá de curioso em uma história chamada “As Aulas Noturnas com a Ram”, na qual Subaru está aprendendo o idioma do novo mundo com a empregada de cabelo rosa. Ocorre que Subaru propõe uma competição para com Ram, mostrando a ela o hiragana, um dos alfabetos japoneses. O desfecho da história não importa muito e sim o detalhe. A garota, em um certo momento, diz que já sente que já viu aquelas letras antes. Sim, ela já o viu. Mas onde? Será que ela viu na biblioteca? Em algum lugar do reino? Difícil saber, pois a história ainda não avançou tanto.

De todo modo, isso vem a corroborar o fato de que esse mundo alternativo tem muito mais a ver com o mundo real do que parece de início. Não é apenas o Subaru que foi enviado para lá, muito mais coisas “nossas” estão nele. Além de Subaru, sabemos que ao menos outras duas pessoas foram da terra para lá, o Al (citado mais acima), e o Honshin da Planície, o fundador de Kararagi, um dos quatro grandes reinos do mundo alternativo. Fora isso, as bruxas recebem epítetos dos Pecados Capitais (que são coisas cristãs), dentre outras coisas. Ou seja, devemos pensar que há, sim, muitas coisas relacionadas ao mundo real nesse mundo alternativo.


Honshin da Planície e o tempo


Honshin da Planície é o fundador de Kararagi, um dos quatro grandes reinos do mundo alternativo e a primeira coisa que Subaru notou ao ouvir Anastasia, uma comerciante desse lugar e uma das candidatas ao trono de Lugnica, lá no volume 4, é que ela falava como uma certa região do Japão, de modo que o fundador de Kararagi era obviamente um japonês enviado ao mundo alternativo.

Ocorre que isso aconteceu séculos antes e o Honshin, obviamente, já estava morto. Entretanto, ao ler as história do Contando as Crônicas de Outro Mundo podemos ficar com a ideia de que ele não veio de um tempo muito diferente do Subaru. Em Kararagi existem quimonos, como no Japão, algo tradicional da terra do sol nascente, mas há também certas expressões que remetem ao mundo atual, que surgiram recentemente, no caso o termo lolicon. Em uma das histórias, essa palavra é dita e menciona-se que era o Honshin que falava ela. Logo, apesar de terem passado séculos no mundo alternativo, no mundo real o tempo entre a vinda do Subaru e a vinda do Honshin não era muito diferente, já que o termo lolicon ainda é bem recente, datada do século XX.

Isso significa que as pessoas da terra podem ser mandadas para épocas distintas do mundo alternativo? É o que parece, mas o porquê disso e o que isso tem a ver com o que acontece por lá é um total espaço em branco.


Pack e Roswaal


No volume 4, quando acontece o encontro das candidatas ao trono de Lugnica no Palácio Real, ocorre um embate entre Pack e Roswaal. Um grande confronto estava prestes a acontecer entre os dois, o que chocaria todos os presentes, mas era tudo uma encenação arquitetada por eles. E na história “O Grande Espírito Pack e as Tramoias Miau-Miau”, dada de brinde para quem comprou o volume 8 na loja Toronoana, nós temos uma explanação maior sobre esse acontecimento.

Essa história se passa com Emília, Pack e Roswaal indo até o palácio e, após chegar lá, Pack e Roswaal tramam às escondidas um plano para mostrar a força da Emília e tentar dirimir os preconceitos para com ela. O marquês já deixa claro ali que a presença de Subaru será fundamental.

É muito interessante ver esse pormenor na história, com mais detalhes. Entretanto, outra coisa acabou sendo bem mais intrigante nessa historinha. Em certo momento, Pack quase chama Roswaal de Diabo. As coisas não costumam ser gratuitas em Re:Zero. Pode ser uma simples brincadeira ou um simples descuido tendo em vista a natureza ardilosa de Roswaal, porém pode já ser um indício de um algo mais que vamos descobrir no futuro sobre a natureza do marquês. Afinal, o mundo alternativo possui bestas, meio-humanos e os mais diversos seres míticos terrestres, bem como a existência de bruxas que possuem epítetos de crenças cristãs, então a existência de um Diabo não seria nada estranha. Roswaal não parece flor que se cheira, de todo o modo.

Entretanto, a questão mais impactante mesmo tem a ver com a sucessão real e o pacto com o dragão. Ainda em direção ao palácio, Pack diz que o motivo do dragão escolher apenas mulheres para a seleção real é para preservar a linhagem, no que Emília indaga o motivo. E se segue o diálogo a seguir:

Pois é, há algo que está sendo escondido de Emília sobre toda essa situação. Preservar a linhagem nos remete à questão de descendência, de ter uma prole. Será que todo o ritual tem a ver com isso? Fica aí mais um mistério no ar…


Beatrice, Subaru e Roswall


Em “Diário de Serviço da Bibliotecária Beatrice” (que são três contos distintos, Recomeço, Segunda Página e Terceira Página), descobrimos coisas bem interessantes sobre ela, Subaru e Roswaal. Acerca de Subaru, vemos ela fazendo a cura do garoto assim que ele chega na mansão e, em seguida, preparando a magia para ela se perder assim que acordasse, coisa que vemos no volume 2 da série principal. O mais legal disso tudo é que descobrimos finalmente o motivo de o garoto sempre encontrar a porta da biblioteca, ele e ela possuem magias semelhantes, próximas, por isso o garoto a acha facilmente.

Na verdade, ele não encontra a biblioteca, ele encontra a própria Beatrice, e isso é muito legal, pois desde o início da obra, todos falam de como Beatrice e Subaru parecem bem juntos, como se fossem compatíveis e agora as coisas ficam mais visíveis.

Sobre Roswaal, na terceira história, dada de brinde para quem comprou o volume 8 na Melon Books, temos um encontro dele com Beatrice em que ele diz que vai ao Santuário para encontrar a professora que os espera. “A Professora”, está bem claro, é Echidina, a bruxa da Avareza. Isso fica evidente com a reação de Beatrice ao dizer que ela não os estará esperando, fora o fato de o santuário ser o túmulo dessa bruxa.

O que fica evidente é que Roswaal deseja encontrá-la de todo o jeito e com base no que sabemos até o volume 12, a suspeita maior é de que todo o plano envolvendo o santuário é para ele reencontrar Echidina. Mas de que forma? Haverá um jeito de ressuscitá-la?


Felt, Rom, Reinhard e a Síndrome de Bela Adormecida


Existe uma piada bastante repetida entre os fãs de Re:Zero envolvendo a Rem, a empregada de cabelos azuis. Ela tem sua existência apagada e fica inconsciente dormindo, de modo que apenas Subaru lembra dela. Daí que as pessoas ficam perguntando, de brincadeira, “quem é Rem?”. O motivo de isso ter acontecido com a personagem ainda é um mistério, mas supõe-se que tenha sido obra do arcebispo da Gula. No entanto, o fato de ela ficar dormindo, sem conseguir acordar lembra, segundo relatos das pessoas, da chamada “Síndrome de Bela Adormecida”, no qual a pessoa fica dormindo eternamente sem envelhecer.

A primeira vez que ficamos sabendo dessa situação foi exatamente no volume 9, após sabermos da situação da Rem e existem outras pessoas no mundo com a doença, mas sem serem esquecidas pelas pessoas. Quem acompanhou a versão impressa japonesa pôde conhecer antes essa “doença”. Ou pelo menos algumas pessoas puderam saber.

Na história “A Pequena Felt Viu!”, dado como brinde a quem comprou o volume 3 na loja Gamers, ficamos conhecemos a mãe de Reinhard, Luanna Astrea, que está acamada há 17 anos com essa síndrome, mantendo sua aparência jovial e sem qualquer perspectiva de cura. Outras pessoas daquele mundo já devem saber da situação dela, pois no volume 9, o Wilhelm demonstrou já conhecer alguém com a doença e, dado a relação dele com a família Astrea, certamente era Luanna.

Para além dessa história, Felt é a protagonista de várias outras historinhas e coisas interessantes acontecem tendo ela como protagonista. Se na obra principal só vemos a garota em dois volumes e mesmo assim com pouca participação, ela brilha nesses capítulos. Um dos melhores momentos é quando Felt “contrata” os três bandidos da Capital (aqueles que tiveram contato com Subaru no volume 1 no volume 4) para auxiliá-la no processo de sucessão real.

Além disso tudo, descobrimos que o velho Rom possui um passado que pode não ter nada a ver com receptação de itens roubados, um passado mais grandioso. Reinhard diz conhecer a verdade sobre o fim da última Ordem dos Cavaleiros Reais no que o desenrolar dos acontecimentos faz com que saibamos que o Rom é realmente um algo mais. Definitivamente, a gente precisa saber mais sobre esse passado.


E O QUE MAIS?


Para além disso tudo, também vemos em Re:Zero Contando as Crônicas de Outro Mundo o modo como Ferris e Crusch se tornaram o que são, como Anastasia conheceu Ricardo e os gêmeos, Como Al se tornou o cavaleiro de Priscila, dentre outras coisas. Como nas demais histórias, conhecemos outros personagens e vemos de onde vem o pensamento de alguns dos conhecidos. O modo de pensar da Crusch, por exemplo, de querer desfazer o pacto com o dragão, advém de um amizade antiga dela, com um dos herdeiros do trono de Lugnica, que acabou morto, forçando a seleção real da qual ela é uma das protagonistas.

Importante dizer que todas essas histórias fazem parte da linha do tempo atual de Re:Zero, menos uma, a última história, “A dupla desajeitada”. Essa história foca-se em Emília e mostra a visão e os pensamentos dela após conhecer Subaru pela primeira vez, quando ela derrota os bandidos e se apresenta como Satella. Vemos os sentimentos conflitantes da garota, até chegar ao desfecho que todos conhecemos. Chega até a dar pena de Emília, pois na primeira vez em que ela conhece alguém que não se importa de ela ser uma meia-elfa de cabelos prateados, ela termina por perder a vida. Acontece…


PARA TERMINAR…


No mesmo momento em que estávamos lendo Re:Zero Contando as Crônicas de Outro Mundo, estreou no serviço de streaming Crunchyroll o especial Re:Zero Laços Congelados que fala sobre o passado Emília e o primeiro encontro dela com o Pack.

Esse é um especial que mostra Emília quando ainda vivia na floresta Eliore (ou Eriore), que é cheia de minerais mágicos (e que futuramente serviria como moeda de troca do Subaru pela ajuda de Crusch para derrotar a Baleia Branca e salvar a própria Emília do ataque da seita da bruxa, comandado por Betelgeuse) e possuía algumas estátua congeladas de elfos, resultado de alguma coisa que aconteceu no passado. Emília foi a única a ter acordado, supostamente por ser uma meio-elfa.

É ali que ela ganha o apelido de Bruxa Gélida da Floresta Congelada que vimos na ocasião em que houve uma reunião no castelo real com as outras candidatas ao trono. No especial Laços Congelados, há todo um conflito sobre a natureza dela ser demoníaca, de ela trazer a bruxa da inveja novamente ao mundo, etc. É um intenso embate sobre preconceito, seja advindo de humanos (crianças ficam com medo apenas de verem ela), seja de seres mágicos, mostrando o quanto é estranho e prejudicial odiar uma pessoa apenas pelo jeito que ela nasceu, por suas características.

Esse é um debate muito oportuno em Re:Zero e que perpassa a franquia por inteiro, embora não se perceba muito, visto que a “aventura” do Subaru toma conta de tudo. Se você pensar bem, a obra é um intenso “tá acontecendo alguma coisa e precisamos impedir”, mas lá no fundo estão sendo discutidas coisas importante, a pobreza e as pessoas deixadas na miséria na capital real, a incapacidade de se fazer algo, o preconceito para com quem é diferente, etc. Claro que tudo fica na superfície, mas os debates estão lá, pronto para aflorar em um momento ou outro, como é no caso desse especial.

Mas esse especial também é importante por outra razão, ele nos dá mais elementos para sabermos do passado de Emília e de outros personagens, um deles bem especial. Em dois frames rapidíssimos que quase ninguém percebe, Emília “””se lembra””” de uma elfa e de um sujeito com roupas esquisitas que devem ter convivido com ela em um passado mais distante ainda. Vejam as imagens:

A segunda imagem não deixa dúvidas, lembra demais o Betelgeuse. Ele, que tentou matar Emília por meio da provação, tivera uma relação no passado com a garota?

Não seria surpresa, na verdade. Vamos lembrar primeiro que Beatrice, no volume 10, ficou triste ao saber da morte de Betelgeuse, indicando que ela o conhecia. Não obstante, em Contando as Crônicas de Outro Mundo temos outra demonstração de que a bibliotecária já tivera contato com o arcebispo. Na história “Emília e as aulas de Astronomia”, dada de brinde a quem comprou o volume 2 na loja Animate, a meio-elfa está fascinada pelas estrelas após uma fala de Subaru e ao comentar sobre elas para a bibliotecária, Emília cita a estrela Betelgeuse, no que Beatrice reage e fala “… Geuse”, enigmática e de forma triste, como se se lembrasse de alguém que ela conheceu no passado.

Com isso, a gente já tem elementos suficientes para saber que Beatrice conheceu-o e que talvez ele não fosse o monstro maníaco que se tornou quando o conhecemos. E se ela o conheceu, muito provavelmente outros também podem o ter conhecido, até mesmo a Emília, antes de adormecer na floresta Eliore.

A capa do volume 14 (ainda não publicado no Brasil) apresenta exatamente uma elfa, um cara parecendo o Betelgeuse (certamente ele mesmo) e uma garota pequena que parece e Emília, que mostra bem que esses dois são os mesmos personagens que vimos no especial Laços Congelados. Se for o Betelgeuse (e essas imagens dizem que sim) realmente ele não era aquele maníaco que virou depois. O que será que aconteceu com ele? A troca de corpos o endoidou? Ou foram os acontecimentos de centenas de anos antes? Fica aí o mistério para desvendarmos nos próximos volumes…

  • Ficha Técnica

Título Original: Re:ゼロから始める異世界生活 大塚真一郎 Art Works Re:BOX
Título NacionalRe: Zero – Art Works Re: BOX
Autor: Shinichirou Otsuka (Artbook); Tappei Nagatsuki (Light Novels)
Tradutor: Thiago Nojiri
Editora: NewPOP
Dimensões: 21, 5 x 30 cm (box)
Classificação indicativa: 16 anos
Número de volumes no Japão: 1
Número de volumes no Brasil: 1
Preço: R$ 149,90
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