Resenha: Haikyu!! #01

As aulas de vôlei

Muito embora houvesse gente que tinha certeza da vinda, o anúncio e o posterior lançamento do mangá Haikyu!! no Brasil é uma das coisas mais inesperadas do ano de 2021.

Por mais que fosse sucesso há vários anos, e constantemente pedida, a obra foi se tornando com o passar dos tempos uma daquelas lendas impensáveis no país. Além de ser mangá de esporte (que raramente aparece no Brasil), o título foi ficando mais e mais longo, o que diminuía significativamente as chances de ele aparecer.

Aliado a isso, a maior editora de mangás do Brasil trazia título atrás de título o tempo todo e Haikyu!! ficava relegado, não importando a quantidade de pedidos. Daí que muita gente (eu incluso) começou pouco a pouco a desacreditar na vinda do título. E por isso, o licenciamento do mangá foi uma coisa quase inacreditável, daquelas de se pular de alegria por horas a fio.

Haikyu!! é um mangá de autoria de Haruichi Furudate e foi publicado no Japão entre 2012 e 2020 na revista Weekly Shonen Jump, da editora Shueisha, sendo concluído em um total de 45 volumes. A obra ficou em evidência desde o seu início, tornando cada vez mais popular a partir do advento da adaptação animada.

Conquanto continuasse inédita em alguns países, Haikyu!! fora licenciado em vários mercados de mangás ocidentais, como França, Itália, Alemanha, Turquia e Estados Unidos. Recentemente, com o fim da obra, uma outra leva de países licenciaram o título, sendo o Brasil um deles.

Por aqui, Haikyu!! foi anunciado no início de fevereiro de 2021 pela editora JBC e começou a ser publicado no final de julho. A versão local compilará os 45 volumes originais em apenas 22, com média de 400 páginas por volume.

Na obra, acompanhamos o jovem Shoyo Hinata e o seu sonho de conseguir jogar vôlei apesar de sua baixa estatura. Quando mais jovem ele viu pela televisão um jogo estudantil em que uma das estrelas do time era uma pessoa baixinha como ele e, a partir de então, nutriu a esperança de também realizar tal feito.

Durante o restante do fundamental, ele treinou sozinho, até que conseguiu reunir algumas pessoas no colégio para participar de uma competição. Na história, ele se deparará logo no primeiro jogo com a equipe favorita, em que um dos integrantes é o levantador Tobio Kageyama, conhecido como “Rei da Quadra”, e como não poderia deixar de ser, Hinata e sua equipe são derrotados de lavada.

A partir de então Hinata começará a treinar muito mais para que no próximo encontro com Kageyama ele possa vencer o seu rival. Entretanto, as coisas não saem como o planejado e em sua nova escola no ensino médio, o colégio Karasuno, Hinata se deparará justamente com Kageyama como um de seus colegas de time.

O primeiro volume brasileiro compila os dois primeiros números originais, então veremos nele os 16 primeiros capítulos da obra, compreendendo a introdução (o sonho de Hinata, o encontro com Kageyama e o primeiro jogo do baixinho) e o início do desenvolvimento do mangá (a pequena rixa entre Hinata e Kageyama, a busca dos dois de serem aceitos no clube de vôlei e, claro, as primeiras alegrias e problemas).

A obra seguirá então Hinata e os demais membros do clube de vôlei do colégio Karasuno e a tentativa deles de melhorarem e se tornarem uma equipe forte, capaz de galgar os mais altos rankings dos campeonatos estudantis, sempre tendo um time mais forte no cangote.

Nesse volume, o grande destaque é a relação conflituosa entre Hinata e Kageyama, equiparando-a com o espírito do jogo de vôlei. O esporte não é individual e se você não conseguir trabalhar em equipe, não conseguirá jogar bem, não conseguirá nem jogar (como os dois personagens bem sabem). É preciso aparar as arestas e unir as pessoas para que tudo saia melhor.

Haruichi Furudate consegue demonstrar isso muito bem não só com as palavras dos demais personagens como pelas ações da obra (como, por exemplo, a exclusão inicial de Hinata e Kageyama do ginásio Karasuno e a posterior união dos dois), que serviram para mostrar não só aos personagens, como também aos leitores, a importância do trabalho em equipe e do esforço.

Mas, é claro que, apesar disso tudo, o que se destaca é a emoção do confronto, das batalhas, das lutas (o jogo, no caso^^). Nesse volume vemos três jogos de tirar o fôlego (o de Hinata contra Kageyama no fundamental; um jogo de Hinata e Kageyama contra colegas de equipe; e um jogo amistoso do colégio Karasuno com outra escola), que te pegam de jeito e fazem você vibrar com as jogadas, as surpresas e tudo mais.

O legal disso é que o autor consegue fazer a gente se importar com os personagens desde o início, de modo que a cada jogo mostrado no volume (mesmo o inicial) conseguimos torcer por um dos lados e sentimos a emoção ponto a ponto.

Por mais que saibamos (ou imaginemos saber) como vai acabar cada jogo, a torcida continua a cada detalhe, a cada quadro desenhado por Furudate. Sim, pois, assim como no esporte real, na obra de ficção a gente também tem que torcer para alguém, a gente tem que vibrar por alguém vencer. E um mangá que consegue isso logo de primeira, só pode ser uma obra muito boa.

Embora Haikyu!! seja um mangá de esporte, ele não é nada sem seus personagens. Hinata, o protagonista, não é outra coisa senão aquele sonhador esforçado, cheio de esperança e alegria, que tende a melhorar o próprio desempenho com o tempo e muito treinamento. Ele é daqueles personagens que lutam o tempo todo, mesmo quando não há esperança. Nesse início de obra, ele ainda é um novato, praticamente sem experiência. Mesmo após entrar no Karasuno, todos enfatizam o quanto ele é ruim, mas admiram a sua energia, capacidade de salto, e conseguem encontrar um jeito de o garoto atuar. E é isso o que veremos do nosso protagonista, o esforço constante, a alegria por jogar, e a tentativa de melhorar.

Claro que – assim como o vôlei – um mangá como Haikyu!! não se faz com apenas um personagem, existindo todo um séquito de figuras que terão sua importância em maior ou menor escala. Quem mais se destaca é, obviamente, Kageyama. Ele é um daqueles personagens que você odeia logo de cara, por ser todo marrento, cheio de si e que acha se acha o melhor dos jogadores.

Enquanto jogador ele é realmente excelente em sua função (levantador) e é tido na obra como um grande expoente, mas o mangá mostra que ele possui suas limitações por ser muito individualista, precisando aprender a lidar com os outros e a respeitar os demais jogadores, como o próprio Hinata, com o qual acabará formando uma boa dupla. Ao passar das páginas, já não veremos mais Kageyama da mesma forma (apesar da personalidade dele continuar sendo muito forte).

Os diversos personagens que vão aparecendo cada um tem um estilo próprio e falar de todos seria impossível, mas é necessário mencionar ao menos dois, Kei Tsukishima, outro daqueles personagens que começamos a odiar no início devido ao jeito provocador, e o veterano Tanaka, uma figura ímpar, que consegue com o seu carisma conquistar a gente em pouco tempo também.

Os veteranos como um todo, na verdade, são todos figuras legais de se acompanhar. Se não temos muito de suas características enquanto jogadores, vemos eles como essenciais no contexto da obra, incentivando Hinata e Kageyama, e criando bases para que os dois deixem de se ver como totais inimigos.

Outro personagem, mas esse só vamos conhecer melhor no próximo número.

No todo, esse primeiro volume de Haikyu!! mostrou-se como um grande chamariz para algo com potencial grande de melhora e não podemos deixar de indicá-lo a todos vocês, tanto para os que gostam e acompanham vôlei, quanto para aqueles que não conhecem as regras do jogo. Para esses últimos há algumas explicações ao longo da obra e notas de rodapé da edição brasileira que ajudarão aos poucos a entender o que está acontecendo.

Dito isso, o mangá é mais do que recomendado pelo blog.

***

A edição brasileira compila dois volumes originais em apenas um e vem no formato padrão da editora JBC (13,2 x 20 cm, miolo em papel pólen e capa cartonada simples) ao preço de R$ 49,90. Trata-se daquela edição básica da empresa, sendo super maleável, permitindo folhear e ler sem nenhum problema. Além disso, é bastante leve, de modo que mesmo com a grande quantidade de páginas você não sentirá um peso ao pegá-lo.

O ponto negativo é que as páginas possuem um pouco de transparência, mas trata-se daquele mesmo nível que você vê em outros mangás publicados no Brasil nos últimos tempos (como Slime, Takagi, Hanako-kun, Bloom Into You, dentre outros), de modo que você não sentirá nenhum ou quase nenhum estranhamento ao ler o mangá.

Sobre o texto, ele pareceu totalmente sem “engasgos”, sendo muito bem adaptado e bastante fluído. A gente, porém, encontrou alguns erros de revisão aqui e ali, mas foram mínimos e que não afetaram a obra a nosso ver. No todo, a gente achou o trabalho da editora em Haikyu!! bastante competente.

O único problema realmente marcante é extra-ficção. A obra ganhará um volume por mês pela editora, de maneira que – em razão do preço – muitos consumidores não conseguirão acompanhar o mangá regularmente. Nesse sentido, esperamos que a empresa faça reimpressões periódicas se for necessário, para que mais consumidores tenham acesso – de forma fácil – ao produto.

Dito isso, o Blog BBM reafirma a recomendação ao mangá a todos os consumidores que gostam de vôlei e/ou que queiram acompanhar uma boa história. Se tiverem dinheiro sobrando deem uma chance ao título, pois provavelmente vocês gostarão muito.

Para terminar,
e a título de curiosidade,
o nome original do mangá é ハイキュー!!
e se trata da escrita em katakana dos kanjis 排球,
cuja tradução literal é, justamente, vôlei^^.

Ficha Técnica

Título Original: ハイキュー!!
TítuloHaikyu!!
Autor:  Haruichi Furudate
Tradutor: Renata Leitão
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 45 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 de 22(ainda em publicação)
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Miolo: Papel polén
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: Livre
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon / Comix

2 Comments

  • Anônimo

    esse ta no meu top 5 mangás de esporte, talvez na segunda ou terceira posição… uma pena que a arte não mantenha esse nível, mas todo o desenvolvimento da história compensa muito esse detalhe. já tenho um dinheiro reservado para as próximas edições, só esperando anunciarem a pré-venda

  • filipe aguiar resende

    Ótimo review, tive as mesmas impressões, amei!
    Isso dele ser mensal é um tiro no pé

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