Resenha: “As Incertezas de Sumi Izumi #01”

Como é que se vive direito?

Se você já está na vida adulta é bem provável que em algum momento você tenha se perguntado sobre os rumos que sua vida estava tomando e sobre as escolhas que fez até aquele momento. Sim, pois, é bastante normal você se desacreditar do curso que escolheu na faculdade, bem no meio dele (ou mesmo até no final), é comum você não se sentir bem no emprego atual e não ver perspectivas, não é raro você achar que tudo na vida é ruim, etc, etc, etc.

Quando se é mais jovem a gente acaba tendo a ideia de que tudo é perfeito e que as coisas tendem a acontecer de forma muito natural, mas a verdade é que as pessoas estão o tempo todo falhando, ficando tristes, buscando soluções ou não sabendo o que fazer sobre diversas e diversas coisas. As pessoas não são felizes o tempo todo e muitas acabam não sendo nunca.

As Incertezas de Sumi Izumi é um mangá que aborda justamente essa questão, colocando como protagonista uma jovem de 25 anos que não vê nenhum horizonte no futuro, que sente deprimida com a situação atual, com a rotina, com a mudança dos outros, e que não sabe realmente o que fazer da própria vida.

A história é um drama daqueles que tendem a ser bem pesados e facilmente identificáveis pelos leitores que (ao menos uma vez ou outra) terão passado pelos mesmos anseios, dúvidas e inquietações da protagonista.

Vende-se, em nossa sociedade, a ideia de que a partir de determinada idade você já tem que estar com tudo decidido e encaminhado na vida, ter feito planos, os cumprido, ter feito novos, e assim sucessivamente. Ou seja, ter um bom trabalho, casa e família, dentre outras coisas, são essenciais a partir de X idade. E quando você não tem nada disso é como se você ficasse para trás, como se você não estivesse “certo”, como se sua vida fosse um completo fracasso.

Daí que ao ler os capítulos de Sumi Izumi você verá semelhantes gritantes, pois a obra nos apresenta uma protagonista (da qual não sabemos o passado) que está em constante estado de tensão, se cobrando para não faltar ao trabalho mesmo estando doente, se afastando das amigas por se sentir envergonhada por não ter mudado, amargando uma vida que não vê sentido, etc, etc, etc, etc.

Sumi Izumi é uma personagem que está um pouco além, pois fora os problemas advindos do que a sociedade espera, ela ainda tem claros problemas emocionais, de insegurança, ansiedade e talvez depressão. A personagem, inclusive, é sempre retratada com olhos cansados, tristes, deprimidos, dando muito mais essa caracterização de uma figura perdida na vida, abandonada por si própria por não saber o que fazer.

O primeiro volume não apresenta soluções e nem nada disso (há até algo parecido no final, mas não chega a ser isso de fato), ele apenas nos mostra uma realidade de uma personagem que poderia ser qualquer um de nós, em qualquer lugar. O mangá não te fará chorar (a não ser que você esteja emocionalmente instável), mas colocará na sua mente diversas situações pelas quais você passou ou pelas quais você nem imagina que outras pessoas passem.

As Incertezas de Sumi Izumi é um mangá um pouco pesado realmente, mas paradoxalmente ao mesmo é gostoso de ler, pois tem capítulos curtinhos (que são “””quase””” autoconclusivos) e faz com que você passe o tempo, apreciando uma história dramática das boas.

Desde que li a sinopse eu já imagina que o mangá pudesse ser assim e, ao fim da leitura, isso se confirmou e realmente é um mangá muito bom. Recomendo para todos, principalmente porque são só dois volumes no total.

Essa resenha foi feita a partir de um exemplar cedido a nós pela editora Mythos, a quem agradecemos a parceria.


Ficha Técnica


Título Original: なんでいきてるかわからない人和泉澄25歳
Título: As Incertezas de Sumi Izumi
Autor
: Anu
Tradutor: Renata Garcia
Editora: Mythos
Número de volumes no Japão: 2 (completo)
Número de volumes no Brasil: 2 (completo)
Dimensões: 14,5 x 21 cm
Miolo: Papel offset 90g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 132
Classificação indicativa: 13 anos
Preço: R$ 31,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Sumi Izumi (25 anos) vive de trabalho freelance e bicos, e não tem objetivo nenhum na vida. Todos os seus dias são limitados, entediantes, sufocantes. De repente, ela começa a se indagar: “Por que estou viva?”. E não consegue encontrar respostas, nem esperança no amanhã. Uma história sensível, que mostra os medos e inseguranças que todos nós vivemos.


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