
Veja como está o mangá
Mangá Aberto é uma coluna de resenhas em que mostramos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. Nela apresentamos fotos dos mangás, acrescentando alguns detalhes e opiniões.
A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Fênix, mangá publicado no Brasil pela editora JBC no fim de 2023.
PEQUENAS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA
Fênix é um mangá de autoria de Osamu Tezuka e é considerado a obra da vida do autor. Ele foi publicado no Japão entre 1966 e 1988 em diversas revistas e de diversas editoras diferentes, dentre as quais a Shoujo Club (revista shoujo da Kodansha), Manga Shounen (revista shonen da Asahi Sonorama) e a COM (revista alternativa criada pelo próprio Osamu Tezuka para concorrer com a Garo), dentre outras.
O mangá só foi encerrado devido à morte do autor, em 1989. Os volumes encadernados saíram originalmente pela Kodansha entre 1978 e 1995, totalizando 16 volumes (12 lançados com o autor em vida e 4 postumamente). Posteriormente, a obra ganhou outras edições, por outras editoras, em quantidade de volumes diversas, a maioria em 12 tomos.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora JBC no dia 2 de dezembro de 2022 e o primeiro volume foi lançado no final de novembro de 2023 para a CCXP. A edição brasileira compilará os 16 volumes originais em apenas 6.
FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira de Fênix veio em formato semelhante às novas edições de A Princesa e o Cavaleiro e Buda, com o tamanho 15 x 21 cm, com miolo em papel offset 90g e capa cartonada com sobrecapa. O primeiro volume tem 624 páginas, todas em preto e branco.


SOBRECAPA
A maioria dos mangás publicados no Brasil seguem exatamente a capa original japonesa (ou de alguma das edições), mas Fênix faz parte da minoria, tendo um design próprio para o país.

A parte de trás da sobrecapa possui outra ilustração, com a repetição do título, o número do volume, o logo da editora e o código de barras. Senti falta de uma sinopse. Por mais que o nome de Osamu Tezuka seja conhecido entre o público consumidor de mangás, uma sinopse é algo essencial para as pessoas conhecerem o teor da história.

A lombada da sobrecapa utiliza uma junção das cores da parte da frente e da parte de trás da sobrecapa. Acho que ficou meio feinha e eu não entendi o conceito da gota (?) entre a parte azul e amarela.

Em termos de acabamento, a sobrecapa utiliza um material semelhante a outras sobrecapas de mangás no Brasil. Além disso, na parte da frente, ela possui verniz localizado no título do mangá, logo da editora e na Fênix. Na lombada, o verniz se encontra no título, logo, número e na gota (?), enquanto na parte de trás o verniz está apenas no título. Nas orelhas da sobrecapa não há verniz localizado.

CAPA
Abaixo da sobrecapa temos a capa e ela utiliza a ilustração e o design de uma das edições japonesas da obra, no caso, a edição de 2009 da editora Asahi Shimbun, completa em 12 volumes. A parte da frente usa a capa do volume #01, enquanto a parte de trás usa a capa do volume #02.


Capa japonesas
A lombada da capa cartão é mais bonita do que a da sobrecapa, pois é mais simples, as cores são mais sóbrias e ainda tem a imagem da Fênix. O trabalho aqui ficou bem melhor, em minha opinião.

CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS
As capas internas são brancas, como costumam (ou deveriam) ser as capas dos mangás, especialmente os com sobrecapa. Após a capa interna da frente temos o índice e logo em seguida a página de abertura do primeiro capítulo.



A capa interna da parte de trás é seguida com uma biografia do autor e um aviso por parte da Tezuka Productions a respeito da época de produção e que pode haver algumas expressões ou representações que não são aceitas atualmente. Em seguida, temos o expediente com as pessoas que participaram da obra e a ficha catalográfica. Logo depois temos duas ilustrações, finalizando o primeiro volume da obra.



PAPEL DO MIOLO
O papel utilizado no miolo foi o offset 90g. É aquele papel branco usado em Shaman King e nos mangás de Osamu Tezuka recentemente republicados pela JBC (A Princesa e o Cavaleiro e Buda). É também o mesmo usado na maioria dos mangás da NewPOP.
Particularmente não gosto desse papel para mangás, principalmente em publicações mais caras e com uma grande quantidade de páginas, justamente por ser muito branco e não ter o mesmo conforto para a visão que os papeis de cor mais creme ou amarelada. Eu entendo que a escolha desse papel é para manter o padrão com os outros mangás do Tezuka, mas acho um demérito da edição. Praticamente não tem transparência nas páginas, mas acho um demérito mesmo assim.





ACABAMENTO GERAL
Como dito, o mangá veio em capa cartão com sobrecapa e miolo em papel offset. Eu gostei de ter sobrecapa, mas não gostei da escolha do papel.
Para além disso, a encadernação é boa, permitindo ler e folhear o mangá perfeitamente. Um demérito, porém, é que o miolo é apenas colado e para uma publicação acima de R$ 100,00 a gente esperaria que tivesse costura também.
Por fim, devido ao grande número de páginas, ele é um pouco pesado, então pode cansar suas mãos na hora de leitura, de maneira que o recomendado é ler na cama ou apoiado a uma mesa.
DETALHES EDITORIAIS
A tradução de Fênix ficou a cargo do conhecido tradutor Edward Kondo e o trabalho de adaptação da editora JBC foi muito bom como sempre, tendo um texto bastante coeso e coerente, resultando em uma leitura sem qualquer gargalos linguísticos.
Algumas pessoas, porém, podem estranhar o uso de “escravizado” no lugar de “escravo” para se referir a uma pessoa que foi forçada à escravidão, mas essa é a maneira mais correta de se escrever atualmente. De mais a mais, não notei erros de revisão e o trabalho editorial como um todo parece impecável no mangá.
A HISTÓRIA E CONCLUSÃO
No início desse texto falamos que Fênix não teria acabado se Osamu Tezuka não tivesse morrido, mas isso não quer dizer necessariamente que a história esteja incompleta. Na verdade, é possível que Osamu Tezuka tivesse uma mensagem geral que ele quisesse passar e que só fosse possível descobrir em sua totalidade depois que a obra estivesse pronta, mas mesmo sem isso é possível acompanhar e compreender o mangá de forma plena, não fosse assim essa não seria considerada a obra da vida do autor.
Isso acontece porque Fênix é um conjunto de histórias distintas, unidas pela presença do pássaro lendário de mesmo nome, e cada uma busca passar uma mensagem própria e/ou contar um determinado acontecimento envolvendo humanos que, de uma maneira ou de outra, tiveram contato com essa ave.
Nesse primeiro volume nós temos duas histórias, o Arco da Aurora (dividido em dois capítulos) e o Arco do Futuro (capítulo único). Embora sejam histórias distintas, pode-se dizer que elas estão interligadas, ainda que de uma maneira um pouco controversa, mas sempre, claro, pela presença na Fênix.
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O Arco da Aurora tem como tema a busca pela imortalidade e, para tanto, Osamu Tezuka utiliza como pano de fundo uma parte da história da criação do Japão, por volta do século III d.C. Nele conheceremos personagens que estarão em busca da fênix para poder tomar o seu sangue que dizem conceder a vida eterna. Alguns deles estarão querendo salvar a vida de outras pessoas, enquanto outros tentarão adquirir por motivos egoístas, como assegurar a própria beleza.
A história desse conto inicial envolve perseguições, guerras e lutas diversas, mostrando como determinadas ambições podem ser cruéis para os seres humanos e acabar dizimando vários povos. Algumas coisas se sobressaem como alguns personagens rechaçando a vida eterna (a felicidade é viver o momento, é aproveitar o período da vida, não importa quão curta seja), a fé cega em líderes totalitários, dentre outras coisas.
Esse é um arco muito bom, com personagens carismáticos que a gente se afeiçoa facilmente e com uma mensagem audaciosa por parte do autor, dando-nos uma sensação inicial de vazio, mas mostrando – de mais de uma forma – que a vida continua e que ela é feita de ciclos.
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O Arco do Futuro também mostra que a vida é feita de ciclos, mas seu jeito de contar a história é muito diferente, embora existam paralelos. No Arco da Aurora, os humanos (ou alguns deles) obedeciam sem questionar todas as ordens de uma rainha/divindade, como se eles não tivessem uma individualidade e aquela rainha soubesse exatamente o que era melhor para todos. No Arco do Futuro, a humanidade (e a vida na Terra) já está quase extinta e só existem cinco grandes cidades, todas de baixo da terra, e cada cidade é “”governada”” por um super computador. Assim, os humanos usam os cálculos desse super computador para gerir a vida da melhor forma possível.
Se no Arco da Aurora a vida e a fé em algo melhor era confiado em uma espécie de divindade, no Arco do Futuro é a tecnologia que guiava as pessoas. Do mesmo modo, se na era primitiva as divindades podiam acarretar em eliminações de diversos povos, no futuro era a tecnologia que seria a responsável por isso.
Ou seja, isoladamente o autor mostra uma mensagem de que a tecnologia pode ser ruim, mas colocado em um contexto com Arco da Autora, Tezuka parece querer dizer que a humanidade é sempre a mesma e vai, de todo modo, buscar um jeito de se autodestruir.
Essa é uma mensagem que fica muito clara no Arco do Futuro por todo o seu desenvolvimento. Como deixamos evidente, as máquinas destruirão a civilização nessa história, mas isso é apenas uma parte muito pequena do enredo. A história continua muito após isso, com diversos acontecimentos que mostram esse processo de autodestruição se repetindo e se repetindo. E nisso também está a questão dos ciclos. A vida é feita de ciclos, a humanidade também, mas tudo parece girar e ir para o mesmo ponto sempre.
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Ler o primeiro volume de Fênix dá uma sensação de completude. A gente lê dois arcos, duas histórias distintas, e sente que elas se completam e se bastam em si mesmas. Não tivesse o número 1 na capa e se a gente não soubesse que existem outros volumes, a gente poderia dizer que o mangá acabou aqui e acabou muito bem, com uma narrativa muito bem estruturada e com mensagens que unem as duas histórias.
Eu não sei como são os outros volumes, o que eles debatem, mas só por esse volume inicial já dá para saber o porquê de ser considerado a obra da vida de Osamu Tezuka, pois é uma história excelente. Tem as brincadeiras do autor aqui e ali comuns de suas obras, mas é uma das mais maduras e bem estruturadas que eu já li dele. É sem dúvida uma obra que todo mundo deveria ler.
O problema é que a aquisição da edição brasileira esbarra no preço (R$ 129,90), o que torna completamente inviável para quase todo mundo. Assim, a gente indica ficar de olho e esperar uma boa promoção, pois esse título é algo que vale muito a pena. E, como eu disse, você nem precisa colecionar a obra, ler esse primeiro volume já irá te satisfazer. Talvez você queria depois o volume 2? Talvez, mas esse primeiro número se mostra uma história completa e acho que vale fazer um esforço por ele. Então, de olho nas promoções^^.
Ficha Técnica
Título Original: 火の鳥
Título: Fênix
Autor: Osamu Tezuka
Tradutor: Edward Kondo
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 16 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação / a ser completo em 6)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel offset 90g
Acabamento: Capa cartão sobrecapa
Páginas: 624
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 129,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Fênix é uma série Histórias complexas que se entrelaçam pela presença da mítica e imortal guardiã da vida, a fênix. Cada uma dessas histórias se situa em diferentes períodos da história, tratando como enredo a busca do ser humano pela imortalidade, alternando entre passado, presente e futuro.
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Mangá maravilhoso!
gota… kkkkkkkkkkkk
ESSA “GOTA” É AS PENAS DA CAUDA DA FÊNIX, SE VC PROCURAR EM COMO SÃO DESENHADAS A CAUDA DA ARMADURA DO IKKI DE SAINT SEIYA, SEGUE ESSE MESMO PADRÃO, É UMA ESTILIZAÇÃO MUITO PRESENTE EM REPRESENTAÇÕES DA CRIATURA.
Pela foto mostrada na prateleira, tive a impressão pelas ondulações que o manga pode apresentar aquele problema de barulho e dificuldade na hora de manusear o exemplar. Mesmo problema em alguns mangas da panini como lobo solitarario. Para voces da BBM que fizeram o review, seria esse o caso?
Não. No “Lobo Solitário” ele tinha uma encadernação “mais dura” (meio difícil de abrir logo no começo), enquanto a de “Fênix” é bem mais maleável. Então não acho que vai ter esse problema, não.
A “gota” na lombada da sobrecapa é a pena da cauda da fênix. Igual a armadura do Ikki de CDZ.