Resenha: “Delicious In Dungeon: Calabouços e Delícias #01”

O mangá daquele anime

Quando a Panini México anunciou o mangá Delicious In Dungeon: Calabouços e Delícias, de Ryoko Kui, eu achei bem estranho, pois não me parecia o tipo de título que a Panini Brasil publicaria. Está certo que ela tem algumas obras (em certo sentido) similares em seu catálogo, mas um mangá de 14 volumes sobre culinária de monstros, praticamente sem lutas e cenas de ação, eu não julgava saindo por aqui pela empresa.

Mas eu estava errado e, assim como a Panini México, a Panini Brasil também o anunciou pouco tempo depois, provavelmente na esteira da adaptação em anime (atualmente em exibição pela Netflix). O anúncio no Brasil ocorreu no dia 31 de outubro de 2023 pela editora Panini e tinha previsão de começar a ser lançado em janeiro de 2024, mas devido a um pequeno atraso, ele saiu apenas em fevereiro.

Delicious In Dungeon: Calabouços e Delícias não é nenhuma novidade em termos de série para quem acompanha os quadrinhos japoneses. Ele é um mangá que fez um grande sucesso no Japão, tendo atingindo dez milhões de cópias em circulação com o lançamento dos volumes finais em dezembro de 2023. Além disso, foi indicado ao Manga Taisho duas vezes e  ganhou diversos prêmios como o o Grand Prix de 2015 (do site Comic Natalie), a categoria masculina do “This Manga is Amazing!” (Kono Manga ga Sugoi!), da Takarajimasha, dentre outros. Então, ele já tinha uma bagagem enorme e prescindia do anime para se fazer conhecido.

Delicious In Dungeon: Calabouços e Delícias acompanha um grupo de aventureiros liderados por Laios que, certo dia, acaba sendo atacado por um dragão vermelho dentro de um calabouço. Abatidos pela fome, após uma série de intempéries, eles não conseguem lutar adequadamente e a irmã de Laios sucumbe para o dragão, mas antes de ser morta ela consegue teletransportar o irmão e os demais companheiros para fora do calabouço.

Com perdas na equipe (desistentes) e sem dinheiro para uma nova empreitada, Laios decide entrar sozinho no calabouço para tentar ressuscitar a irmã (no mundo do mangá é possível ressuscitar os mortos), mas dois de seus companheiros (Marcille, uma elfa, e Chilchuk, especialista em armadilhas) decidem acompanhá-lo mesmo assim.

Sem ter como sobreviver dentro do calabouço (devido à falta de suprimentos), Laios sugere que eles se alimentem dos monstros existentes no local. Embora a ideia tenha certa rejeição, principalmente de Marcille, o grupo acaba indo e colocando o plano em prática, mas sem um total sucesso inicial. Para a sua sorte, porém, eles acabam vistos por Senshi, um especialista em culinária de monstros, que decide se unir a eles.

A história de verdade começa aqui e veremos os quatro membros da equipe explorando o calabouço (colhendo, caçando) ao mesmo tempo em que cozinham e se deliciam com a comida proveniente dos monstros que eles enfrentam…

A história é contínua, mas o mangá – ao menos nesse início – é semi-episódico. Isso quer dizer que a cada capítulo (ou conjunto de capítulos) nós vamos ver algo acontecendo (uma pequena exploração por exemplo) e esse algo se concentrará, de um jeito ou de outro, na preparação de um alimento (a obra, inclusive, sempre apresenta uma lista com os ingredientes das receitas dos pratos, receitas estas impossíveis de serem feitas, por razões óbvias) e o conflito existente acabará ali mesmo. Entretanto, tudo continua para os capítulos subsequentes, como as sobras do almoço ou jantar^^.

O mangá não tem foco na ação ou na aventura e se concentra mais na relação entre os personagens, pequenos conflitos, e, claro, na preparação dos alimentos. Mesmo partindo de um clichê (a exploração de calabouços), há uma inventividade muito grande na obra, na questão dos monstros e, principalmente, na comida, deixando claro um conhecimento latente sobre fantasia (os monstros comuns desse tipo de obra) e culinária (o modo de preparo, as partes de determinados animais, etc).

O mangá por inteiro é também recheado por humor. A relação entre Laios e Marcille, por exemplo, é bem interessante. Os dois são bons companheiros, mas suas relações para com a questão da comida são bem diversas, com Laios sendo um entusiasta e sempre tendo sonhado em comer os monstros, enquanto Marcille se mostra o total oposto, sempre criticando e achando estranho.

Isso acaba gerando cenas bem hilariantes durante o volume, como um rosto envergonhado de Laios logo no começo ou as expressões de Marcille perante alguma “loucura” do rapaz.

Assim, mesmo que você não tenha sido fisgado logo no primeiro capítulo, conforme você vai lendo você vai conseguindo apreciar aquele mundo e vendo o cuidado que o autor teve com a sua criação, e, com o tempo, você acabará curtindo as histórias do mangá…

Isso que estamos falando, porém, é algo geral, referente à maioria das pessoas, mas é preciso deixar claro que existem obras e obras, estilos e estilos e mangás que nos pegam e outros que não. De minha parte, por exemplo, Delicious In Dungeon tem todo o jeito de obra que me agrada (o ambiente de fantasia, o foco na comida, etc, etc), mas ele não me pegou da forma que eu achei que fosse.

Talvez sejam os personagens que necessitam de mais tempo para brilharem e se mostrarem aos meus olhos, talvez seja o estilo com um excesso de texto em muitas partes, alguma falta de conexão minha com a premissa inicial (o calabouço ligado a uma cidade perdida?), etc, etc, etc. O fato, então, é que esse mangá não despertou em mim o desejo de continuar a leitura (ou pelo menos de continuar a comprar o mangá).

Após vários capítulos eu já estava gostando da obra e dos personagens, sim, do mesmo jeito que falei acima, e terminei o mangá com uma boa sensação, de que valeu a leitura. Entretanto, ainda assim, ele não me deixou com vontade de continuar, ficou faltando alguma coisa a mais na abordagem, no jeito de contar, para despertar o meu total interesse. Assim, pelo menos por agora, eu não pretendo continuar esse título.

Apesar disso, eu não des-recomendo a compra desse mangá, pois, como deixei claro, ele é uma boa obra e faz exatamente o que se propõe a fazer. Existem obras que são bem ruins e eu definitivamente não recomendo, mas Delicious in Dungeon é um caso em que ele apenas não me cativou a contendo, mas mesmo assim eu me diverti e vi as qualidades da obra.

Entretanto, eu também não posso recomendar por recomendar. Acho que seria bom primeiro vocês darem uma olhada na adaptação em anime (disponível no Brasil pela Netflix), pois pelo que eu vi o jeito de contar a história na adaptação está muito parecida com o quadrinho e se você não gostar dos capítulos iniciais, provavelmente também não gostará tanto do mangá, assim como aconteceu comigo… Por outro lado, se você gostar do anime, certamente irá gostar também do mangá^^.

***

A edição brasileira veio no formato padrão da editora Panini, no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel offwhite 66g e capa cartão com verniz localizado (no título e no personagem, na parte da frente; no título e nos monstros na parte de trás; e em todos os elementos na lombada). É uma edição bem simples, mas sem problemas gráficos, tendo uma boa encadernação e sendo bem maleável. O papel tem um tico de transparência, mas não é algo chegue a incomodar na leitura.

Em relação ao texto, achei excelente. Ele foi muito bem adaptado para o português, sendo bastante coeso e coerente e sem erros de revisão. Além disso, teve algumas notas de rodapé importantes, mostrando um trabalho muito bem feito nesse mangá por parte da editora.


O preço é R$ 39,90 por volume, mas eu comprei o primeiro na pré-venda da loja online da Panini com 28% de desconto (e FRETE GRÁTIS), fazendo-o sair por R$ 28,73. São 14 volumes no total e sairá um número novo por mês, então se você for se aventurar nesse mangá, recomendo esperar promoções (sejam de pré-vendas, sejam outras).


Ficha Técnica


Título Original: ダンジョン飯
Título: Delicious In Dungeon: Calabouços e Delícias
Autor
: Ryoko Kui
Tradutor: Felipe Monte
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 14 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offwhite
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 192
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 39,90
Onde comprar:  Amazon / Loja da Panini

SinopseVocê não perde por esperar, dragão!! Eu vou fazer bife de você!! Depois de serem atacados por um dragão, o grupo do aventureiro Laios acaba perdendo todo seu dinheiro e provisões. Assim, mesmo que o grupo tente adentrar novamente o calabouço, é certo que eles morrerão de fome… Diante dessa situação, Laios acaba tendo uma ideia: Comer os monstros pelo caminho, desde slimes até dragões!! Aqui começa uma aventura pelos calabouços e seus ferozes e deliciosos monstros!!


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4 Comments

  • Anônimo

    entendo que o começo episódico afaste um pouco no começo, mas é uma pena que não ira continuar dungeon, pois é um mangá magnifico e imperdível.

  • Anônimo

    Te enviaram só porque você faz resenha pelo jeito. Comprei na pré-venda e nada do meu ainda, a panini com certeza atrasou de algum jeito o lançamento, tanto que lembro que a data de lançamento era 16 de Janeiro, depois 16 de Fevereiro, e agora em lugares como na Amazon por exemplo nem consta como pré venda mais, apenas fora de estoque. Enfim, é o supra sumo do Brasil: pague por algo e não receba.

    • Você comprou na pré-venda da loja da Panini? Se sim, certamente já te enviaram. Pois ele já foi lançado e um monte de gente relatou o recebimento. Como eu disse no texto, ele era para sair em janeiro, mas foi adiado para fevereiro. A primeira pessoa que nos relatou ter recebido o mangá foi no dia 14/02/2024. Dependendo de onde você mora, pode demorar mais para chegar, afinal tem o transporte e isso demora a depende do local do Brasil em que você mora.

      Se você comprou na Amazon, é preciso uma explicação: quem te envia não é a Panini, é a Amazon.
      E a Amazon só envia depois da Panini enviar para ela.

      E geralmente os mangás da Panini na Amazon demoraram 2 semanas, 3, semanas, 4 semanas ou até mais depois do lançamento para começar a ser enviado pela Amazon. Nesse meio tempo é comum aparecer fora de estoque do jeito que você relatou, afinal não está mais em pré-venda. Isso acontece frequentemente há vários anos, não é uma novidade de agora.

      Pelo seu desconhecimento disso imagino que é a primeira vez que você compra mangá da Panini em pré-venda na Amazon, então você não precisa se preocupar, pois saiba que isso é bem normal e acontece sempre.

      E se por algum motivo a Amazon não te enviar, ela te devolverá o dinheiro e você não sairá no prejuízo. De toda a forma, sempre existe o Reclame Aqui e o Procon para te ajudar, em caso de qualquer problema.

  • Anônimo

    A série é muito mais do que esse início episódico. Tem gente que já dropou o anime depois de dois episódios, por achar (com razão, pelo que viram) que é só essa fórmula de “mata monstro e come monstro”. Mas não é exagero dizer que o cenário e os personagens vão se ampliando de maneira genial, sem ficar devendo nada para as melhores aventuras de fantasia na literatura. O roteiro é redondo, tudo faz sentido na lógica criada e não deixa nenhuma ponta solta. Já li a série toda e mesmo assim pretendo comprar tudo e torcer para que a Panini depois lance o guia da série (Adventurer’s Bible) e o artbook (Daydream Hour) que contém inúmeros quadrinhos extras que a autora fez, ampliando ainda mais toda a narrativa.

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