Conheça o mangá “Centauros”

Um pouco da história da obra

A volta da editora Conrad ao mundo dos mangás continua firme e forte. Depois da publicação de Nas Montanhas do Terror e A Noite da Princesa Uriko, em 2023, o próximo lançamento da editora é o mangá Centauros, de Ryo Sumiyoshi, previsto para sair agora em junho de 2024.

O título é o primeiro encadernado do autor (que mais tarde, sob o nome de Ryo Suzuri, ficaria famoso entre os fãs de BL com o mangá MADK) e foi publicado originalmente entre agosto de 2016 e março de 2020 no site Matogrosso (sim, o nome é esse mesmo^^), sendo reunido em um total de 6 volumes impressos pela editora East Press.

A edição brasileira, a ser lançada pela Conrad, irá compilar tudo em três tomos de cerca de 350 páginas cada. O Blog BBM teve a oportunidade de ler antecipadamente o primeiro volume da edição brasileira e agora iremos comentar um pouco da história.


O CONTEXTO DO MUNDO DE “CENTAUROS”


Como a sinopse oficial do mangá mostra, Centauros é uma obra de fantasia que se passa em uma terra alternativa onde existem seres que são metade humano e metade cavalo, chamados justamente de centauros ou “jimbas”. Logo nas primeiras páginas, a obra explica que em tempos remotos os centauros eram seres reverenciados pelos humanos como se fossem divindades da boa colheita.

Entretanto quando os humanos “tomaram consciência de si”, dando nomes aos lugares e passando a disputar territórios, eles perceberam que poderiam usar os centauros como armas militares e passaram a invadir os locais dessas criaturas para capturá-los.

Assim, os antigos “deuses” passaram a ser simples máquinas de guerra para os seres humanos, passaram a ser seres escravizados, com todos malefícios que esse tipo de situação causa, podendo ser vendidos, usados como ferramenta sexual ou, até mesmo, tendo parte do corpo decepada.


O INÍCIO DA HISTÓRIA


O mangá começa com um centauro chamado Matsukaze lutando contra os humanos para que nem ele, nem seu filho Gon fossem capturados. Ele era um centauro que todos queriam capturar, pois tinha a fama de ser o maior dos centauros, chamado de Iwatora, o Ruivo. Matsukaze consegue proteger o filho, que foge, mas acaba preso por conta de Kohibari, um centauro que ajudava os humanos.

O que Matsukaze não esperava é que Kohibari queria cooptá-lo para uma fuga. A maioria dos centauros (para evitar revoltas) tinha os braços cortados pelos humanos, o que era o caso de Kohibari, mas Matsukaze teve os braços preservados e isso seria necessário para o plano de fuga. O plano é bem sucedido e eles conseguem fugir, entretanto isso é só o começo da história e os humanos não ficarão de mãos atadas, desejando capturar os fugitivos de volta.


DESENVOLVIMENTO


Por ocasião do anúncio, a Conrad comentou que uma das funcionárias da editora falou que esse tinha sido um dos melhores mangás que ela tinha lido ultimamente. Isso fez Centauros carregar um peso enorme nas costas, pois qualquer coisa abaixo de um “excelente” não me deixaria contente. E, assim, eu acho que foi um grande acerto da Conrad fazer o mangá em uma edição que compila dois volumes em um.

O início de Centauros é um pouco lento e as cenas de ação não nos pega de primeira, de maneira que as páginas passam sem que a gente sinta uma conexão com os protagonistas. Matsukaze e Kohibari parecem apenas dois estereótipos de personagem e demora um pouco até a gente conhecer de verdade a personalidades deles, mais especificamente e detalhadamente a de Matsukaze, que é um daqueles personagens maduros e centrados.

Apesar de ter umas cenas de emoção aqui e ali, uma reviravolta aqui e ali, a primeira parte do mangá (que equivale ao volume #01 japonês) não é muito cativante, parecendo algo muito genérico e mais do mesmo, de maneira que se a gente fosse avaliar só ele, a gente não conseguiria gostar muito, pois estaria faltando alguma coisa que nos pegasse e nos fizesse compreender melhor todo aquele mundo e as mensagens que a obra queria passar.

Por outro lado, a segunda parte do mangá (equivalente ao volume #02 japonês) é de uma intensidade tamanha que coloca uma apreensão na gente o tempo todo. Não há um instante em que a gente não fica com uma sensação de que algo vai acontecer, mesmo quando a calmaria parece reinar, e a gente se surpreende a cada coisa (boa e ruim) que sucede.

O primeiro volume brasileiro, assim, termina com uma sensação de “o que aconteceu aqui?”, ou com uma sensação de “ok, eu não esperava por isso” e com a gente totalmente sem saber como a história vai continuar, com a gente se questionando como a trama irá se desenvolver dali em diante.

Se a primeira metade não é grande coisa, a segunda é brilhante de um jeito interessantíssimo, que nos coloca a pensar sobre diversas coisas. Não que o começo já não nos fizesse refletir, mas essa segunda parte meio que complementa (e, de certa forma, explica) a primeira e torna tudo muito harmônico.

Assim, foi realmente muito importante esse mangá ser uma edição 2 em 1, pois assim dará uma melhor sensação do quão bom é o mangá e fará com que os leitores fiquem fascinados pelo título e queiram ler a continuação.


REFLEXÕES


Centauros é uma história que versa sobre a maldade humana em sua essência. Usando de uma fantasia, a obra reflete sobre a intensa opressão de um povo em relação a outro, a ânsia por dinheiro e poder, traições, dentre diversas outras coisas.

O mangá coloca um contraponto entre um povo que vive pela guerra e deseja mais e mais coisas (os humanos) e outro que só deseja viver livremente, sem maiores problemas (os centauros). Um povo que busca a barbárie, o conflito e o caos, e um outro que só quer a paz e mais nada.

Olhar o mangá é como ver uma alegoria, por exemplo, do imperialismo europeu, com os países indo em terras distantes e fazendo povos serem mortos ou escravizados. A história do que os humanos fazem com os centauros no mangá não é outra coisa senão uma visão disso.

A obra, entretanto, não fica só na superfície. Ela vai além e consegue entregar um conteúdo mais reflexivo ainda, ao vermos personagens que são oprimidos ficando do lado dos opressores. Ou seja, centauros escravizados defendendo os humanos de todo o jeito, centauros escravizados vendo outros centauros como inimigos (do mesmo jeito, por exemplo, que vemos pessoas pobres defendendo bilionários, que vemos pessoas pobres sentindo ódio de outros pobres, etc).

Mas o grande mérito do mangá é mostrar que todo esse ódio, que toda essa malvadez humana (que, por sua vez, é a malvadez do lucro, do enriquecimento), tem um contraponto feliz que é a vida em paz, em uma sociedade que não visa outra coisa senão apenas sobreviver, por meio da caça, por meio da agricultura, etc.

Os centauros são mostrados como seres totalmente pacíficos justamente por conta disso. Eles não querem um território novo, eles não querem expandir, eles não querer ficar ricos, eles não querem lucrar, eles só querem viver calmamente, bem e sem conflitos.

Tudo isso passa pela sabedoria, pelos ensinamentos. A obra busca frisar que os conhecimentos dos antepassados são úteis para viver e é por meio deles que as novas gerações vão sendo ensinadas, todas também para viver bem e em paz.

A obra, inclusive, tem algumas frases marcantes, como “imitar os humanos só vai gerar ressentimento” ou “no nosso mundo, a sua vida é valiosa demais para perdermos”, frases estas que refletem bem toda a mensagem da obra em torno dos centauros.


CONCLUSÃO


Para concluir, esse primeiro volume de Centauros se mostrou um mangá bem surpreendente, daqueles que a gente realmente não dá nada, mas que apresenta uma história que (ainda que simples) é bem construída e muito interessante, capaz de nos fazer ter sentimentos intensos em relação aos personagens e refletir bastante sobre o mundo em que vivemos.

Em suma, é um título que eu gostei de ler e que eu recomendo para quem tiver oportunidade, pois dificilmente você irá se arrepender. O preço da edição impressa é R$ 79,90, mas na pré-venda está com 20% de desconto saindo por R$ 63,90. A versão digital (ebook) custa R$ 59,90.

Um quadrinho fora de contexto, mas que dá o contexto do mangá^^

Ficha Técnica


Título Original: 人馬
Título: Centauros
Autor
: Ryo Sumiyoshi
Tradutor: Edward Kondo
Editora: Conrad
Número de volumes no Japão: 6 (completo)
Número de volumes no Brasil: a ser concluído em 3
Dimensões: 14 x 20 cm
Miolo: Papel Pólen Bold
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 352
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 79,90 (edição impressa) / R$ 59,90 (edição digital)
Onde comprar: Amazon (edição impressa) / Amazon (edição digital)

Sinopse: Em Centauros, mangá de Ryo Sumiyoshi, acompanhamos uma aventura épica de fantasia ambientada em um Japão alternativo, onde humanos coexistem com seres míticos que são metade humano e metade cavalo, chamados de centauros ou “jimba”. Antigamente, eles eram reverenciados como divindades, mas na Era Sengoku os humanos começaram a escravizá-los e usá-los para fins militares devido à sua velocidade, resistência e capacidade de comunicação na língua humana. Os centauros que viviam nas planícies foram rapidamente capturados e domesticados, mas muitos centauros das montanhas continuaram livres devido ao seu relativo isolamento. Matsukaze, um selvagem e orgulhoso centauro das montanhas, conhecido como “o ruivo”, é capturado enquanto protegia seu filho e levado para as terras de um senhor feudal, onde conhece Kohibari, um centauro domesticado que teve seus braços amputados. Eles precisam superar suas diferenças e trabalhar juntos para escapar dos humanos e buscar uma vida melhor para seus descendentes. Completo em três volumes com mais de 350 páginas em cada um.


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