Resenha: “Leviathan #01”

O mangá franco-japonês

Em junho, a editora JBC começou a publicar no Brasil o mangá franco-japonês Leviathan, de Shiro Kuroi. A obra é de autoria de um japonês, mas começou a ser publicado originalmente na França pela editora Ki-oon.

Kuroi tentou a sorte no mercado japonês, mas nenhum de seus projetos virou uma série. Entretanto, enquanto se formava e trabalhava, continuou produzindo e vendendo por conta própria seus originais em algumas convenções, incluindo aí o protótipo do que viria a ser Leviathan.

Após algum tempo do lançamento na França, vendo a qualidade da série, a editora japonesa Shueisha cooptou a obra e passou a publicá-la em capítulos no site Shonen Jump +, além de lançar os volumes impressos. O terceiro e último volume, inclusive, saiu no Japão antes do que na França.

Em Leviathan um grupo de saqueadores espaciais encontram uma nave abandonada pairando no espaço e decidem invadi-la em busca de tesouros. Logo encontram um diário e descobrem que aquela espaço-nave era a “Leviathan” uma nave há muito tempo perdida e que nunca havia sido encontrada até então.

Pensando terem encontrado a sorte grande, os saqueadores prosseguem, ao mesmo tempo em que um deles vai lendo o diário, o diário que narra os últimos momentos da nave.

O grosso da história é esse diário e nós acompanhamos uma viagem de formatura de um grupo de estudantes, que estão indo de um planeta próximo a Alpha Centauri para a Terra. Infelizmente, porém, a nave é atingida por alguma coisa e aí partir daí o terror irá se instalar na nave de um jeito ou de outro.

Leviathan é um mangá de sobrevivência, um desses “Battle-Royale involuntários”, em que veremos os estudantes tendo que brigar para sobreviver (ou ao menos é isso o que aparenta nesse volume inicial).

A trama apresenta alguns personagens um tanto quanto caricatos, como um professor que parece calmo e centrado, mas só quer saber de si mesmo, uma menina que parece maluca e que odeia a todos, o protagonista meio bobão e medroso (o que escreve no diário), um estudante que faz bullying em outro e assim por diante.

Nesse ínterim de pessoas diversas e conflitos latentes, o acidente da nave (e uma terrível verdade que logo se descobrirá) fará com que todos se vejam como inimigos, gerando uma atmosfera de caos.

Leviathan, embora use do mesmo tropo de Astra Lost In Space e Planet Survival (aquela coisa de crianças estando perdidas no espaço), parece seguir um caminho bem diverso, com uma atmosfera de mistério, assassinatos e muitos conflitos.

O primeiro número já nos coloca no meio disso tudo, mostrando logo de cara a maldade do ser humano (seja um bullying, seja um adulto querendo matar uma criança) e o medo e o descontrole diante de uma situação adversa e possivelmente irreversível.

A obra, assim, nos leva a pensar o que aconteceria com nós mesmos em uma situação final, em que a morte é certa e precisássemos lutar pela vida. A civilidade, a humanidade e a bondade que (em tese) deveria ser inata, deixaria de existir? Leviathan coloca isso em debate, mostrando que a civilização só existe em momentos de paz e prosperidade.

Eu gostei bastante desse primeiro volume de Leviathan,  pois tem uma história bem intensa, impactante e que nos chama a atenção logo de cara, com diversos momentos emocionantes e até inesperados. Ainda assim, eu tenho certos problemas com ele.

A arte de Shiro Kuroi é impressionante, é belíssima, mas me causa estranhamento em alguns momentos, como quando alguns personagens falam ou quando eles são mostrados diretamente para nós. Me parece realmente estranho demais, mas provavelmente é uma questão de costume.

Ademais, o fato dos personagens serem caricatos passa uma sensação de pouco amadurecimento por parte do autor, de que ele ainda precisa melhorar no processo de criação e apresentação dos personagens para poder fazer uma história mais redondinha e perfeita.

No todo, porém e como dito antes, achei que Leviathan mostrou-se uma obra promissora em seu primeiro volume e é um título que eu devo acompanhar até o final, visto que a história me agradou e que são apenas três volumes.

Por fim, vale a pena dizer, que esse é um título em certo sentido diferenciado trazido pela JBC, pois fazia tempo que a editora não lançava um mangá de sobrevivência, então a vinda de Leviathan vem para podermos rever um gênero que estava um pouco afastado da editora já há alguns anos.

Então se você gosta de obras como Senhor dos Espinhos, Battle Royale, Limit, dentre outros, Leviathan é um título que certamente irá te agradar.

***

Leviathan veio em um formato um pouco mais premium da editora JBC, sendo semelhante a Museum, Decadência, Black Paradox, etc. Assim, ele tem o tamanho 15 x 21 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartonada com orelhas. O preço é R$ 59,90.

Se trata de uma edição muito bonita e bem feita, com verniz localizado na capa, lombada e quarta-capa, um papel de excelente qualidade e uma boa encadernação.

A gente recebeu o exemplar gratuitamente da editora, por meio do Programa de Parceria da empresa. Nossas opiniões sobre o mangá independem disso.


Ficha Técnica


Título Original: リヴァイアサン
Título: Leviathan
Autor
: Shiro Kuroi
Tradutor: Natália Rosa
Editora: JBC
Número de volumes no Japão/na França: 3 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 200
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Um grupo de saqueadores espaciais encontra uma nave parcialmente destruída à deriva entre o planeta Terra e a grande estrela Proxima Centauri. Ao adentrarem a nave, de codinome “Leviathan”, encontram um diário deixado para trás por um jovem que fazia parte dos tripulantes. Através dos registros do autor do diário, os saqueadores descobrem o destino das crianças que habitavam a grande embarcação. Um destino sombrio, que parecia ter sido tirado de um pesadelo.


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