Resenha: “Adeus, Eri”

Mais um Fujimoto

No mês de agosto, a editora Panini publicou no Brasil o mangá Adeus, Eri, de Tatsuki Fujimoto. O título foi lançado originalmente no Japão no site Shonen Jump +, da editora Shueisha, e publicado de forma impressa pela mesma editora em junho de 2022.

O mangá, de apenas um volume, conta a história de Yuuta, um jovem que – após um pedido de sua mãe – filma os momentos finais da vida de sua genitora e dá a vida a um filme escolar. Muito criticado por causa dele, o jovem decide tirar a própria vida, mas é salvo por uma garota misteriosa chamada Eri.

A garota aposta no talento do garoto e decide “treiná-lo” para que ele faça um novo filme e o apresente aos colegas no ano seguinte. Os dois se dão bem logo de cara e o filme parece se desenrolar, mas Eri guarda segredos que Yuuta nem poderia imaginar.

Tatsuki Fujimoto é um entusiasta da arte cinematográfica (já havia colocado muito disso em suas obras, como uma personagem aficionada em Fire Punch) e ele desenvolve essa paixão nesse mangá, com Adeus, Eri sendo um título que presta homenagem à ficção.

A obra é feita com diversas estruturas que emulam narrativas audiovisuais, com passagens em que o autor desenha sequências de quadros que vendo uma após a outra notamos uma movimentação típica de uma animação, além de que, toda vez que o protagonista da obra está filmando alguma coisa, os desenhos saem meio borrados, meio tremidos, como que para imitar a sensação de se estar vendo por meio de uma câmera amadora.

O grande destaque, porém, vem por meio da história em si. Ela é uma narrativa que conta uma narrativa dentro de uma narrativa. É uma história em que ficção e realidade supostamente se misturam, tudo um dentro do outro.

A gente começa vendo o protagonista, Yuuta, ganhando um celular e ouvindo da mãe a proposta de filmar a morte dela. Assim, a gente vai vendo diversas cenas disso, o passar do tempo, até que a mãe do protagonista morre e, de repente, o rapaz sai correndo e os prédios explodem.

Assim, a gente descobre que o estávamos vendo até então era um filme documentário contando os últimos momentos da mãe de Yuuta, mas acrescido dessa explosão imaginária. Ou seja, até ali estávamos vendo uma história dentro da história.

O que advém disso já é imaginável. A gente acompanha uma outra história dentro da história, outra ficção dentro da ficção e assim por diante, sem saber exatamente onde a narrativa acaba e onde termina.

Tudo isso é uma grande homenagem à ficção, à arte de contar narrativas e ao cinema. Fica nítido todo o cuidado em cada um dos detalhes da trama e da arte, muito bem amarradinhos.

O autor utilizou desse mangá para brincar com o conceito de ficção, para brincar com o cinema e mangá, tanto que determinadas surpresas ou reviravoltas na trama não chegam a ser realmente surpreendentes ou são por assim dizer, “quebra de expectativa da quebra de expectativa”^^.

Tudo é realmente feito muito bem nesse quesito, de maneira que a gente vai acompanhando e vendo cada parte da história imaginando qual o próximo grande baque que ocorrerá.

Nesse sentido, particularmente, acho que essa obra poderia ter dado um destaque a mais no drama (há elementos ali que permitem isso) e, na minha opinião, acaba sendo um pequeno demérito da obra não ter caprichado nesse aspecto.

Assim, ele dista bastante de Look Back (outro volume único do autor) em questão de impacto, pois ele não deixa a gente arrasado em alguns momentos cruciais. A gente vê um certo baque na trama, mas esse baque não é colocado de um jeito que nos emocione e nos faça chorar.

Apesar disso, considero Adeus, Eri um mangá brilhante e recomendo para quem tiver um dinheiro sobrando. Entretanto, creio que nem todo mundo irá gostar, pois o estilo de homenagear e brincar com a ficção pode não ser de agrado de todos, que não ficariam muito imersos na história ou poderiam não gostar do estilo.

Mas eu acho que vale a pena todos terem essa experiência de leitura.

***

Adeus, Eri veio no formato padrão da editora Panini ao preço de R$ 39,90. Comprei na pré-venda da loja da Panini com 20% de desconto e frete grátis, pagando R$ 31,92.

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Ficha Técnica


Título Original: さよなら絵梨
Título: Adeus, Eri
Autor
: Tatsuki Fujimoto
Tradutor: Felipe Monte
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 208
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 39,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

Sinopse“Eu quero que você filme a minha morte…”. Yuuta começa a produzir um filme a pedido de sua mãe doente. Entretanto, após a morte dela, o jovem decide tirar sua vida e acaba topando com uma garota misteriosa chamada Eri. Os dois começam a produzir um filme juntos, porém, ela guarda um segredo… Essa é uma história sobre a juventude e a força do cinema onde realidade e ficção se misturam de forma explosiva!!


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1 Comment

  • Anônimo

    Rapaz, eu acho que esse autor não é pra min não, não consigo gostar de nenhuma obra dele não.

    Vai entender.

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