Resenha: “Bokurano #01”

Finalmente no Brasil…

IMPORTANTE: para não ler spoilers, desative o modo escuro durante a leitura desta resenha

A partir de 2017, o mercado brasileiro de mangás foi agraciado com o “nascimento” de novas editoras apostando em mangás. Devir, Pipoca & Nanquim, Veneta, Darkside Books e, mais recentemente, Mythos, MPEG e Comix Zone, dentre outras, vieram trazendo novidades e apostando em títulos que dificilmente veríamos por JBC, NewPOP e Panini.

Pela Devir, por exemplo, tivemos obras de Shigeru Mizuki, um autor clássico até então relegado no Brasil, e a volta de Taiyo Matsumoto, Jiro Taniguchi e Junji Ito (autores estes que também foram abraçados por outras editoras).

E a Devir também foi a responsável por trazer um título que já era dado como impensável no Brasil, apesar de ter tido a adaptação em anime exibida por essas bandas, Bokurano, de Mohiro Kitoh.

Bokurano foi publicado originalmente no Japão entre novembro de 2003 e junho de 2009 na revista Ikki, da editora Shogakukan, tendo seus capítulos compilados em um total de 11 volumes. Em 2020, a obra foi republicada em uma edição que compilava todo o conteúdo em 5 números.

Em 2007, a obra foi adaptada em anime pelo estúdio Gonzo e teve 24 capítulos no total, contando com um desenvolvimento e final próprios, visto que o mangá ainda não tinha terminado.  Ele foi exibido no Brasil em 2009 pelo extinto canal Animax, com dublagem do estúdio Álamo.

Atualmente, ele está disponível na Crunchyroll, mas sem dublagem ou legenda em português (apenas legenda em inglês, francês e alemão estão disponíveis).

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Durante anos, o mangá foi um sonho de uma parcela do público otaku que conhecia a obra, mas as principais editoras do mercado não olharam para o título. Em 2015, a editora L&PM lançou o mangá Fim de Verão, do mesmo autor, e houve uma expectativa de que essa editora pudesse apostar em uma obra mais longuinha, coisa que nunca aconteceu.

Assim, Bokurano foi um sonho distante, algo que já era inimaginável de ver saindo em nosso país. Até que no dia 16 de julho de 2023, a editora Devir anunciou a obra, por meio do canal Fora do Plástico. O anúncio foi uma das maiores surpresas do ano passado e, sem dúvida, foi a que eu mais vibrei.

Infelizmente, o início da publicação do mangá foi marcada por adiamentos. A previsão inicial dada pela Devir era que o mangá fosse sair ainda em 2023, durante o mês de dezembro, mas isso não ocorreu. A pré-venda do mangá só foi iniciada nos primeiros dias de janeiro de 2024 e a previsão de lançamento era para o início de março, o que, novamente, não ocorreu.

A Devir explicou em uma oportunidade que houve alguns problemas gráficos com as primeiras páginas de Bokurano e a editora precisou recorrer aos licenciantes japoneses para resolver a situação. Isso acabou demorando bem mais do que o esperado e o mangá foi adiado mês após mês, dando a impressão de que nunca veria a luz do dia.

Mas quem espera sempre alcança^^. Em meados de setembro, o primeiro volume finalmente foi lançado para a alegria dos fãs que esperaram a obra por tanto tempo. Já com o primeiro número em mãos, lemos o mangá e viemos falar um pouco dele para vocês que por ventura não o conhecem.

Bokurano acompanha um grupo de crianças que, em uma excursão escolar, decide explorar uma caverna perto da praia e acaba se encontrando com um homem misterioso (chamado Kokopelli) que os convida a experimentar um jogo.

O jogo em questão consistia em lutar controlando um robô gigante. As crianças ficam entusiasmas e decidem assinar o contrato para poderem jogar. O que elas não sabiam, porém, é que o jogo em questão não era para computador, era uma luta real de dois robôs gigantes e elas teriam que controlá-lo.

Mas isso é apenas o começo. As crianças, a partir dali, terão que lutar para sobreviver, mas pode ser que isso não seja exatamente possível.

Bokurano é um mangá que vai na mesma esteira de algumas obras como Guerreiras Mágicas de Rayearth e Neon Genesis Evangelion ao apresentar uma trama baseada em um robô gigante, mas que – por mais importância que ele tenha – não é a pedra fundamental da história.

Assim como o EVA em Evangelion é de suma importância, mas a história em si é sobre o Shinji e as pessoas, em Bokurano, o ZEARTH (o nome do robô gigante dos protagonistas) é o que vai movimentar a obra, mas a trama é sobre as pessoas e o que elas fazem em momentos críticos e sobre pressão.

Nesse primeiro volume, a gente vê ainda uma grande introdução à história, com os personagens conhecendo o “jogo”, vendo onde se meteram e tendo suas primeiras cicatrizes e perdas.

Como o número de personagens é grande, a gente ainda não consegue conhecer a personalidade de todos a fundo, mas alguns logo vão despontando de um jeito ou outro, por gostarmos deles ou por odiarmos sua personalidade.

Por ser ainda muito introdutório, o primeiro volume apresenta mais um clima de emoção, com o medo do “jogo” e a adrenalina do combate, sem entrarmos em detalhes mais profundos.

Nesse sentido, esse primeiro volume serve como uma grande isca para os leitores sedentos por uma boa obra de aventura, por um novo mangá de mecha, e que desejam uma obra alucinante do começo ao fim.

Não que Bokurano não seja assim (emoção é o que não falta), mas o mangá se mostrará ter uma outra pegada já a partir do segundo volume, com certas revelações.

A bem da verdade, as coisas já são colocadas nesse volume inicial, mas eles são elementos que geram curiosidade, e as revelações só se mostrarão adiante. [PASSE O MOUSE PARA LER] No segundo volume, a gente descobre que para pilotar o ZEARTH é necessário o uso da energia vital do piloto. Assim, após uma batalha, uma das crianças irá morrer, tal qual aconteceu com um personagem no primeiro volume.

A partir do momento em que os personagens descobrem isso, eles terão que viver em constante tensão, sabendo que um deles será o próximo a sucumbir. Mais que isso, eles não podem se negar ao combate, pois caso o façam a terra será destruída. Assim, a gente verá a aflição dos personagens e cada um reagindo de um jeito. Mesmo com medo, pode ser que alguns fiquem mais resignados, enquanto outros podem deixar seus lados primitivos falarem mais altos e cometam crimes, e assim por diante. [/PASSE O MOUSE PARA LER]

Uma coisa que eu gosto bastante em Bokurano é que a gente vê as implicações dos combates no mundo, além do fato do mundo não fica relegado na história.

Novamente em uma comparação com Neon Genesis Evangelion (pois é uma obra bem conhecida desse gênero), na obra de Yoshiyuki Sadamoto, a gente sabe que existem impactos e tal, mas toda a obra fica restrito a uma pequena esfera, dos personagens envolvidos de um jeito de outro com a NERV.

Já em Bokurano, os problemas ocasionados pelos robôs no mundo se mostram desde o primeiro momento, com reportagens na televisão, investigações e tudo mais.

Em Bokurano, por mais que a história seja sobre as pessoas, sobre suas vidas, suas escolhas e o que elas fazem em momentos de pressão e perigo, a obra também mostra o mundo, também mostra que existem pessoas além dos personagens e que podem ser afetadas, como um piloto de uma aeronave que foi morto por conta do combate.

De mais a mais, Bokurano se mostrará uma grande obra com o passar da leitura. Muitos de vocês já o acharão fascinante desde o primeiro volume, mas se você não for um deles continue, pois a obra só melhora instante a instante.

Esse é um dos títulos que eu mais indico a vocês, pois é uma obra grandiosa e que vale muito a pena conhecer… O segundo volume já está em pré-venda na Amazon.

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A edição brasileira de Bokurano veio no formato 12,5 x 19 cm (o mesmo tamanho de Astra Lost In Space, The Ancient Magus Bride, Saturn Apartments e House of Five Leaves) com miolo em um papel do tipo offwhite (a marca não foi revelada) e capa cartonada simples de acabamento brilho.

É uma edição pocket, então não cansa as mãos na hora da leitura, e o acabamento geral é bem bom. O papel é de boa qualidade e a encadernação também não tem problemas, sendo possível ler e folhear o mangá bem confortavelmente. No mais, é uma edição simples, mas bastante bem-feita, que certamente agradará os consumidores mais exigentes.

O preço é R$ 40,00. Serão 11 volumes no total.

Essa resenha foi feita por um exemplar cedido a nós pela editora Devir, a quem agradecemos a parceria. A empresa também nos enviou um PDF com o segundo volume.


Ficha Técnica


Título Original: ぼくらの
Título: Bokurano
Autor
: Mohiro Kitoh
Tradutor: Caio Suzuki
Editora: Devir
Número de volumes no Japão: 11 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 12,5 x 19 cm
Miolo: Papel Offwhite (não especificado)
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 200
Classificação indicativa: Não divulgado
Preço: R$ 40,00
Onde comprar: Amazon / Livraria Leitura no Mercado Livre

Sinopse: Durante as férias de verão, 15 alunos do ensino fundamental viajaram para uma aldeia despovoada para frequentar uma “escola natural”. Depois de uma semana no local, eles decidem explorar uma caverna à beira-mar. Lá os garotos encontram um homem misterioso e são convidados para testar um novo vídeo game que esse homem criou. Nesse game o jogador controla um robô gigante e tem que enfrentar uma horda de invasores alienígenas. A única coisa que eles precisam fazer para jogar é assinar um simples contrato. O game deixa de ser divertido quando o verdadeiro propósito do contrato vem à tona


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