
A marinheira da lua de volta
Agora em dezembro, a editora JBC começou a republicar no Brasil o mangá Sailor Moon, de Naoko Takeuchi, dessa vez em uma edição chamada de Eternal Edition.
De posse do primeiro volume, viemos mostrar os detalhes da edição e ver se ela está bem apresentável ou não. De início, a gente já diz que a resposta é sim, mas existe um grande “depende”…
UM POUCO SOBRE A OBRA
Sailor Moon foi publicado originalmente no Japão entre 1991 e 1997 na revista Nakayoshi, da editora Kodansha, tendo seus capítulos compilados em um total de 18 volumes. É difícil até falar sobre o título, pois ele se transformou em um grande sucesso na época e se tornou um ícone que se estende até os dias de hoje, com novas adaptações em animes, produtos, etc.
O Brasil conheceu a obra em 1996, por meio da exibição de sua adaptação em anime. Na mesma época, saíram alguns quadrinhos pela editora Abril, que reproduziam os episódios da televisão, os chamados Anime-Comics.
Durante muitos anos, porém, o mangá original permaneceu inédito por aqui até que foi licenciado pela editora JBC em 2013. O lançamento ocorreu entre abril de 2014 e março de 2015, mas a empresa não lançou a versão em 18 volumes e sim uma republicação japonesa que compilava a história principal em 12 tomos.
A empresa também publicou na época Sailor V (obra que deu origem à Sailor Moon) e Sailor Moon – Short Stories (histórias curtas que estavam presentes na edição de 18 volumes, mas foram publicadas à parte na republicação japonesa).
Para terminar, em julho de 2019, a JBC anunciou a republicação do título, dessa vez seguindo outra edição japonesa, a chamada Eternal Edition, que compilava os 18 volumes originais em apenas 10. Por questões de aprovação (que tiveram no meio a existência da pandemia), a obra acabou ficando anos esperando a luz do dia, mas enfim em dezembro de 2024 saiu o primeiro volume.
FORMATO DA NOVA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira de Sailor Moon – Eternal Edition veio no tamanho 15 x 21 cm, sendo bem similar à edição japonesa (mencionada no site da editora japonesa como tendo o tamanho A5, que é 14,8 x 21 cm). É também o mesmo tamanho das novas edições brasileiras de Neon Genesis Evangelion, Soul Eater e Shaman King, dentre outras obras.
Ela veio com acabamento em capa cartão com orelhas e laminação em glitter. O papel utilizado no miolo foi o couchê, de alta gramatura. Falaremos mais desses detalhes nos tópicos a seguir.


CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA
A capa da edição brasileira segue a mesma ilustração da versão original japonesa e é uma capa lindíssima.
Particularmente achei a capa brasileira a melhor do ocidente, por ser a mais próxima do conceito da versão original, dando o destaque que merece à lua e nos permitindo visualizar a ilustração com menos perdas possíveis.
As demais edições estrangeiras colocaram o título na parte superior, tirando o destaque da lua e focando-se só na Usagi (mas ainda cortando parte do cabelo da protagonista).
Assim, o único demérito da edição brasileira, ao meu ver, é ter mantido o texto em japonês. No meu entender, no local onde ele está poderia ter colocado “Eternal Edition”.
Em questão de acabamento, como dito, a capa possui laminação glitterizada. Por fotos não é possível mostrar adequadamente, mas pessoalmente dá para notar o funcionamento desse estilo de laminação, dando um brilho diferenciado, a depender da incidência de luz, do modo de observação, podendo ter cor amarelada, esverdeada, misturada, etc.
Vejam como as fotos a seguir são nitidamente diferentes, com o efeito do glitter aparecendo ou desaparecendo a depender do ângulo da foto.





A laminação também foi aplicada na lombada, na quarta-capa (parte de trás) e nas orelhas. Nas imagens a seguir também é possível ter um pouco da noção do efeito.
A quarta-capa é branca possuindo apenas o título e uma ilustração da protagonista, mas a depender de como a foto é tirada, dá para ver mais ou menos glitter.



Particularmente, achei a quarta-capa sem graça, faltou uma sinopse, mas entendo o conceito. Agora falando da lombada, achei ela bem simples, não se destaca tanto, mas é bastante simpática. Acho que encaixaria bem o estilo em uma edição de capa dura.
Ainda falando da lombada, ela é onde o efeito de glitter é menos visível, mas ele também está presente, basta a iluminação e o ângulo certo e você vê a beleza.


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS
As capas internas são brancas, sem qualquer detalhe. Normalmente, mangás com sobrecapa ou com orelhas costumam ser assim, então não tem nada de anormal nisso.
Um detalhe curioso é que as quatro primeiras páginas e as quatro últimas são inteiramente brancas, mais que isso são feitas de um papel diferente do restante do mangá. Enquanto as páginas da obra são feitas em couchê (tópico seguinte), essas paginas iniciais são de um offset bem grosso, parecido com cartolina.


Após essas páginas brancas da parte da frente temos uma ilustração colorida de abertura seguida do sumário e da primeira página de história.
A seguir temos outra ilustração colorida, dessa vez de página dupla e logo depois, enfim, a obra começa de verdade.




Já na parte de trás, as últimas páginas consistem em algumas folhas estilizadas, o tradicional aviso de “pare!” e a página de expediente.



PAPEL DO MIOLO
A editora JBC disse algumas vezes que descobriu um fato curioso, o papel utilizado na versão japonesa de Sailor Moon – Eternal Edition é um papel produzido exclusivamente no Brasil e… não é vendido no Brasil!!!. Sim, a JBC não pode ir lá na fábrica e dizer que quer comprar, pois ele é feito só para exportação. Pois é…
Assim, a versão brasileira teve que usar um outro papel, algo que fosse o mais similar possível e a escolha da JBC foi um papel couchê de alta gramatura. Couchê é aquele papel branco e brilhoso, cujo toque é extremamente liso e “parece plástico”.
É um papel que tem toques de ser luxuoso e o mais adequado para certas histórias em quadrinhos, mas em se tratando de mangás não é bem visto (por ser brilhoso é ruim para a leitura), senão por alguns consumidores. É o mesmo papel usado em Monster Kanzenban, Kingdom Hearts II – Edição Definitiva, dentre outros.
Já gostei desse tipo de papel no passado, já até achei que seria legal termos mangás com ele, mas hoje eu já faço parte do clube que não gosta. Entretanto, existem os “se’s” e “porén’s”. Dado que se trata de uma republicação, em um formato maior, baseado em uma edição com um papel diferenciado, faz sentido o uso dele em Sailor Moon Eternal Edition.
Assim, é verdade que é um papel ruim para a leitura, então recomendamos não ler com a luz acesa durante o dia, pois como visto nas fotos do tópico anterior (e que será visto novamente nas fotos seguinte), as páginas brilham mesmo sem o uso do flash do celular, diferente de papeis de cor creme.
Mas, de fato, é um papel bonito sem dúvidas, perfeito para apreciar as imagens como em um artbook, e dá um ar de mais elegância para o produto, por ser um papel bem diferenciado numa edição que é diferenciada por natureza.





CONTEÚDO E COMPARAÇÃO
-Capítulos
O primeiro volume compreende os primeiros sete capítulos do mangá, terminando com o aparecimento da Sailor V e do Artemis. A edição antiga, por outro lado, tinha apenas os seis primeiros capítulos e terminava numa cena com Usagi e Mamoru.




-Páginas Coloridas
Em relação às páginas coloridas, a nova edição possui bem mais do que a antiga. Na versão antiga, tinha apenas 4 ou 6 páginas coloridas por volume (sempre no início de cada um), mas na nova o primeiro volume teve um total de 20, distribuídas ao longo dos capítulos.
Basicamente, em cada abertura de capítulo há pelo menos uma página colorida, página esta que na edição antiga costumava ser em preto e branco.

-Texto
Eu não reli o mangá por inteiro, mas o texto da tradução é o mesmo, havendo apenas leves modificações aqui e ali, com algumas palavras que podem soar melhor ou uma melhor adaptação, como Fundamental II no lugar de Ginasial, eliminando assim uma nota de rodapé.

Apesar do texto ser o mesmo, o mangá foi todo reeditado. As placas importantes, por exemplo, foram traduzidas, enquanto na edição antiga elas foram mantidas em japonês e tiveram uma nota. As onomatopeias não ficaram necessariamente do mesmo jeito, etc, etc.


COMENTÁRIO GERAL E CONCLUSÃO
A edição brasileira de Sailor Moon Eternal Edition é muito bonita. A encadernação é boa, o papel é bom, a capa é fantástica, etc, etc, etc. Então se trata de um bom produto, muito bem acabado. Só que existem alguns “porén’s” necessários de se dizer.
Por conta do papel, o mangá pode ser um pouco pesado. Isso não chega a ser exatamente uma montanha a ser escalada, mas pode cansar numa leitura. Se isso não acontecer, como dito, o papel brilha demais perante a luz e pode incomodar os olhos, por mais bonitos que pareçam os desenhos.
Se nada disso é um problema, a grande questão é o preço. Sailor Moon – Eternal Edition faz parte de uma linha mais premium, com acabamento diferenciado, e o preço veio dentro do que era esperado para o tipo de produto e acabamento.
Ainda assim é um valor alto demais e que coloca um grande “depende” em nossa análise. Por mais que a edição esteja linda, é natural olhar o preço e não sentir isso, pois por R$ 100,00 a gente espera uma edição ultra deluxe e não é isso o que a gente encontra. É uma edição premium, sem dúvida, mas fica longe da aura deluxe…
Dito isso, eu acho que é uma boa edição e vale a pena adquirir, especialmente quem é fã da obra e ainda não tem uma edição. Para quem já têm, a Eternal Edition é uma outra experiência com as páginas coloridas, com o tamanho maior e tal, mesmo assim eu só recomendo para quem é muito fã mesmo (daqueles que compram tudo). Para os demais, a edição antiga já era muito boa^^.
Ficha Técnica
Título Original: 美少女戦士セーラームーン
Título: Sailor Moon – Eternal Edition
Autor: Naoko Takeuchi
Tradutor: Arnaldo Massato Oka
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 10 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Couchê
Acabamento: Capa cartão com orelhas e laminação em glitter.
Páginas: 288 (sendo 20 coloridas)
Classificação indicativa: Livre
Preço: R$ 99,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: A jovem Usagi Tsukino não é muito atlética, nem tem boas notas, e ainda é um tanto chorona. Quando conhece uma gata falante chamada Luna, ela começa a sua jornada como protetora do amor e da justiça ao se tornar a guerreira mágica com uniforme da marinheira, a Sailor Moon!
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