
O único que não é O Único
Em novembro, a tradicional editora de livros Rocco iniciou sua empreitada no mercado de quadrinhos japoneses, ou quase isso. A empresa lançou o primeiro volume do quadrinho americano Único, de Samuel Sattin e Gurihiru, obra baseada no clássico mangá Único, de Osamu Tezuka.
DETALHES INICIAIS
O mangá Único, de Osamu Tezuka, foi publicado no Japão entre 1976 e 1979 na revista Lyrica, da Sanrio, tendo seus capítulos compilados em um total de 2 volumes. Posteriormente, teve um OVA e filmes de animação, convertendo-se, ao longo do tempo, como um dos clássicos do “Deus do Mangá”.
No Brasil, ele não é tão conhecido como suas obras mais famosas, mas em alguns países ocidentais ele tem o mesmo status de obras como Don Drácula, A Nova Ilha do Tesouro, dentre outros. Eu mesmo só fiquei sabendo da existência desse mangá ao ver ele ser publicado e referenciado em alguns países europeus.
Acerca do quadrinho americano, ele foi desenvolvido sob aval e em colaboração com a Tezuka Productions e inicialmente tinha previsão de ser uma história em volume único, sendo apresentada em uma campanha no Kickstarter. A campanha arrecadou quase 180.000 dólares e o projeto mudou e expandiu.
O lançamento começou nos Estados Unidos em agosto de 2024 pela Scholastic, com a publicação do primeiro volume, chamado de Awakening (O Despertar, no Brasil). A previsão é que seja encerrado em 4 números no total, com o segundo saindo em junho de 2025. Também está previsto (nos Estados Unidos) um databook e um livro de atividades.
UM POUCO DA HISTÓRIA
Único: O Despertar, então, é o primeiro volume dessa nova história que reimagina o clássico de Osamu Tezuka. Nele, a gente segue um pequeno unicórnio chamado exatamente de Único e suas aventuras ajudando pessoas e animais em apuros. Ao mesmo tempo, porém, um perigo pode estar à espreita do protagonista…
Basicamente, Único é um ser com poderes que se assemelham aos da deusa Vênus e esta termina por ficar irada, desejando o fim do seu “concorrente”. Vênus manda sua serviçal Zéfiro dar um sumiço em Único, mas ela não obedece à sua mestra e decide apagar as memórias de único e deixá-lo viver na terra junto aos humanos.
Entretanto, toda vez que os poderes de Único despertarem Zéfiro fará a mesma coisa, apagando a memória do bichinho para que Vênus jamais saiba do ocorrido. E isso ocorre tantas vezes, mas tantas vezes que Zéfiro acha esse destino cruel demais e decide procurar um jeito de desfazer esse ciclo.
A história desse volume começa justamente com essa decisão de Zéfiro e acompanhamos de um lado a procura dela por essa solução, e de outro Único, novamente sem memória, novamente conhecendo pessoas, animais e ajudando eles.

DESENVOLVIMENTO
Único é uma obra infantojuvenil, com personagens bons e malvados bem definidos e que lembra bastante as obras de Osamu Tezuka ou mesmo as de Walt Disney. Assim, o que a gente vê não é outra coisa senão uma obra de aventura de bem contra o mal. E é uma obra muito boa.
O início do quadrinho (Único conhecendo uma gata, vendo a nova esposa do dono abandonando ela) é meio chatinho, mas com o passar das páginas e os novos ambientes apresentados, a trama vai ganhando melhores contornos e somos apresentados a uma historieta muito bem feita.
A gente vê Único usar seus poderes para ajudar as pessoas e animais, ao mesmo tempo em que vemos Vênus ir atrás dele, enquanto Zéfiro busca uma maneira de tentar salvá-lo do ciclo interminável. Tudo é bem intercalado, de maneira que a história vai aumentando de tensão a cada momento, com pequenas pausas, até chegar ao arco derradeiro, onde tudo se resolve.
Em resumo, se trata de uma obra que segue perfeitamente a cartilha de um bom roteiro e, embora seja infantojuvenil, consegue cativar mesmo pessoas adultas, pois faz com que a gente fique absorto nos acontecimentos e queiramos ver o mais rapidamente possível o que acontecerá.

Como dito, a obra é bem maniqueísta nessa questão de bem e mal e isso é colocado mais em foco na questão da relação entre os animais e os humanos. Embora a obra faça considerações a respeito dos humanos, e tenha humanos bons na trama e tal, uma parte importante da história coloca eles como malvados em relação aos animais.
Além da mulher que abandonada uma gata por não gostar dela, temos também um homem que vive da caça de animais apenas por prazer, apenas para tê-los na sua estante. De uma maneira mais ampla, estendo o conceito para seres especiais, até mesmo a deusa Vênus quer acabar com um animal, o unicórnio Único.
Então, a obra como um todo apresenta os humanos como os responsáveis pelo fim de outros seres vivos, por seus maustratos e tudo mais. É evidente, então, que uma das mensagens apresentadas é a de que todas as vidas importam e que devemos fazer de tudo para proteger a fauna.
Isso, porém, é apenas colocado como ponto de fundo, sem haver uma discussão mais aprofundada a respeito. Como se trata de uma obra que prioriza a ação e a aventura, esse estilo termina por ser natural e não compromete a trama, sendo algo que a gente só pega ao refletir a respeito.

De tudo o que vi na obra, apenas um ponto que eu achei mal desenvolvido que foi uma certa personagem (do lado do bem) ter desobedecido as ordens de Único e ido a um certo lugar sem que isso tivesse maiores consequências para ela. Não houve qualquer reflexão por parte dela acerca disso, mesmo assim Único acaba confiando nela posteriormente.
Isso meio que coloca uma interrogação em nossa mente e não conseguimos entender o motivo de tal coisa acontecer, ficando apenas um “porque sim” e um demérito para trama, que tinha sido extremamente bem feita até ali.

Para terminar, uma coisa necessária de se dizer é que o primeiro volume de Único é autoconclusivo. A gente tem uma história completa, com começo, meio e fim.
Ainda assim, o final já coloca no ar a continuação, já deixa avisado que continuará, mas a trama inicial, tudo foi concluído a contento. Assim, você pode ler esse volume sem precisar comprar o restante (que ainda não existe).
Em resumo, eu recomendo a obra, acho que a maior parte dela é muito bem feita e daria facilmente um daqueles filmes da Disney. Então se você tinha dúvidas sobre a história, pode ir sem medo.
A EDIÇÃO NACIONAL
A edição brasileira veio no formato 15,7 x 22,7 cm, com miolo em papel couchê e capa cartonada simples. São 224 páginas, todas coloridas. O preço é R$ 69,90.
É uma edição bonita e bem feita com uma excelente encadernação (permite ler e folhear o quadrinho sem problemas), mas aparenta ser uma edição simples demais (não tem orelhas, sobrecapa, nem qualquer efeito na capa), apesar de todas as páginas serem coloridas.
A grande questão, na verdade, é apenas o preço, muito alto para uma edição simples. Tivesse orelhas ou sobrecapa, a gente ainda consideraria um preço muito alto, mas olharia para ele de forma um pouco diferente. Então… só compre com muito desconto.




Ficha Técnica
Título Original: Unico: Awakening
Título: Único: O Despertar
Autor: Samuel Sattin; Gurihiru.
Tradutor: Ulisses Teixeira
Editora: Rocco
Número de volumes no Japão: 1 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15,7 x 22,7 cm
Miolo: Papel Couchê
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 224 (todas coloridas)
Classificação indicativa: Livre
Preço: R$ 69,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Depois que Único irrita a maligna deusa Vênus, o jovem e corajoso unicórnio é banido ― e tem todas as suas memórias apagadas. Resgatado pelo espírito do Vento Oeste, Único desperta em um mundo desconhecido, onde faz amizade com Chloe, uma destemida gata de guarda. Chloe implora a Único que a transforme em humana para que possa se defender sozinha, mas esse ato de gentileza tem consequências inesperadas. Agora Vênus e seu cruel capanga Byron farão de tudo para destruir os dois! O tempo está se esgotando, e Único precisa correr para recuperar suas memórias e redescobrir seus poderes. Se conseguir, ele pode se tornar um dos seres mais poderosos do universo. Se não, o próprio espírito humano estará em perigo…
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