
Veja como está o mangá
Agora em fevereiro, a editora Panini publicou no Brasil o primeiro volume do mangá Lycoris Recoil, de Yasunori Bizen. O título é o primeiro de uma série de obras da mesma franquia que a Panini irá lançar no país este ano.
De posse desse volume, a gente leu, analisou e hoje viemos dar a nossa opinião sobre a edição física desse mangá. E o resumo é o seguinte: a gente até viu um probleminha ou outro, mas a questão principal é que o preço não faz sentido e não está valendo a pena comprar…
UM POUCO SOBRE A OBRA
Lycoris Recoil tem sua criação creditada a Spider Lily e Asaura, e nasceu originalmente como um anime produzido pelo estúdio A-1 Pictures, tendo ido ao ar na televisão japonesa entre julho e setembro de 2022. No Brasil, está disponível na Crunchyroll.
O projeto não tardou a ganhar obras derivadas e ainda em setembro de 2022 foi lançada uma light novel no Japão. (Lycoris Recoil: Ordinary Days, também anunciada pela Panini). No mesmo mês começou a sair a adaptação em mangá, esta feita por Yasunori Bizen. Também saíram diversas antologias com histórias curtas feitas por vários autores (que a Panini também publicará).
Falando especificamente da adaptação em mangá, ela é publicada na revista Comic Flapper, da editora Media Factory, e ainda está em andamento, atualmente com 6 volumes lançados.
No Brasil, o mangá (juntamente com a light novel e as antologias) foi anunciado pela editora Panini no dia 29 de julho de 2024 e tinha previsão inicial de começar a ser publicado em outubro. Atrasos atrás de atrasos e o primeiro volume só foi lançado na primeira metade de fevereiro de 2025.
UM POUCO DA HISTÓRIA
Garotas Assassinas? Ou um pouco de café? Lycoris Recoil acompanha uma organização secreta governamental formada apenas por garotas e elas, nas surdinas, combatem o crime. Essas garotas, normalmente órfãs, são chamadas de Lycoris e são dotadas de grande capacidade de percepção e luta.
Na obra, após uma desobediência em um caso, a jovem Takina é transferida da central para um local afastado, onde passará a trabalhar com uma garota chamada Chisato.
As duas juntas, então, trabalharão servindo bebidas em um café japonês da cidade, o Lycoris Recoil ou LycoReco. Junto a isso, elas ajudarão outras pessoas em coisas menores e estarão, vez ou outra, em meio a casos mais perigosos, como a perseguição de um grupo contrabandista e a tentativa de assassinato de um hacker.
A obra é bem legalzinha, misturando o clima de obras de vida cotidiana com ação a todo vapor. Assim, em um momento estamos vendo a vida comum de Chisato no café ou ajudando num jardim de infância, para em seguida estarmos em uma perseguição alucinante… É uma perfeição para quem gosta desse tipo de obra.
FORMATO E DETALHES DA EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira de Lycoris Recoil veio no formato 13,7 x 20 cm (padrão da editora Panini), com miolo em papel Offwhite 66g (também padrão da Panini) e capa cartonada simples (não tem orelhas, não tem sobrecapa, não tem verniz localizado, etc).
São 148 páginas nesse primeiro volume, sendo 4 coloridas em papel couchê. O preço ERA R$ 49,90, mas já teve um reajuste, passando a R$ 55,90 O_o (guardem essa informação).


CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA
A capa da edição brasileira segue a capa original japonesa, com o mesmo design, praticamente mudando apenas o idioma e alguns outros pequenos detalhes. É uma capa bem sóbria e bonita, que mostra bem o estilo da história (garotas fofinhas e armas).

A lombada, por sua vez, teve alguns “poréns”. Ela é bem simples em cor branca, mas é bonitinha com a junção dos elementos (a cor vermelha em baixo, a personagem no meio), só que houve alguns problemas, ao menos no meu volume.
Parte da ilustração da capa vazou na lombada e parte da lombada vazou na quarta-capa (parte de trás). Não sei se é problema de diagramação (porque a lombada foi muito fina) ou se foi na gráfica (coisa que acredito mais), mas que aconteceu, aconteceu.

Acerca da quarta-capa, considero a composição bem bonitinha, com a Lycoris Radiata em baixo, a ilustração à direta, etc, etc, etc. E, claro, a sempre importante sinopse não poderia faltar para apresentar o produto aos consumidores de lojas físicas. O único problema é o citado caso da imagem da lombada que vazou nela.

Agora falando em termos de acabamento, Lycoris Recoil possui uma capa cartão comum com laminação fosca. Ela não tem orelhas, não tem sobrecapa, não tem verniz localizado, nem qualquer outra coisa.
Ou seja, é uma capa básica da básica, uma das mais simples possíveis. Não que isso seja um problema (faz sentido haver mangás básicos), a questão é o preço que falaremos no final da postagem.
CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS
As capas internas são coloridas em um sistema de cores similar ao da capa (branco, verde e vermelho). Na capa interna da frente há o índice e o nome dos principais responsáveis pela edição brasileira, como o tradutor e as editoras. A seguir já começa a história com as páginas coloridas.



Na capa interna de trás temos apenas a repetição do título com o nome dos autores, o que é algo que particularmente não gosto e acho desnecessário. Do lado temos a página com o expediente completo, a ficha catalográfica, o aviso de “pare!”, etc.
Nas páginas posteriores (ou anteriores?) temos ilustrações marcando o final do mangá e os tradicionais agradecimentos.



PAPEL
O papel utilizado no miolo do mangá é o Offwhite 66g. É rigorosamente o mesmo papel usado na grande maioria dos mangás da editora, como Tokyo Babylon, Diários de uma Apotecária, Atelier of Witch Hat, Frieren e a Jornada para o Além, dentre outros.
Então, é aquele papel de cor creme que estamos acostumados. É um bom papel no geral, bom para a leitura, MAS pode ter uma transparência aqui e ali. Em Lycoris Recoil ocorre em algumas partes, porém não chega a ser algo incomodativo, no meu entender. É possível que algumas pessoas se incomodem mais, porém.



ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL
Lycoris Recoil tem uma encadernação apenas colada (sem costura), assim como os demais mangás da Panini, mesmo assim é uma boa encadernação, que a gente consegue ler e folhear muito bem, é uma encadernação bem “suave”.
Contudo, o mangá possui um acabamento apenas básico. Eu não tenho o que reclamar (teve aquelas questões da imagem da lombada e tal, mas isso é o de menos), então considero uma edição bem competente no geral, mas, como dito, é apenas básico, um básico do básico, o mais simples do simples.
Isso é importante mencionar, pois Lycoris Recoil tem apenas 148 páginas e ele custou R$ 49,90. Além disso, ele sofreu um reajuste passando para R$ 55,90 e aí reside o problema. Como que a gente vai comprar algo cujo preço está “distante do distante do distante” do que consideraríamos aceitável? Falaremos mais sobre isso na conclusão.
TEXTO
O tradução do mangá ficou a cargo de Lucas Cabral (My Home Hero, Skip e Loafer, Blue Box, Mermaid Melody, Os Dias de Folga do Vilão, dentre outros) e a adaptação é bem ao estilo Panini, com o uso de honoríficos, mas mesmo assim com um texto bem fluído.
Assim, acho que está impecável, sem erros de revisão e sendo bem coeso e coerente no geral. Não há muito o que comentar a respeito, se trata de um trabalho muito bem feito por parte da editora.
PREÇO E CONCLUSÃO
Recentemente publicamos neste site uma resenha acerca do mangá Tokyo Babylon. Falamos que a edição estava impecável e que só tínhamos elogios, entretanto a gente foi obrigado e fazer crítica atrás de crítica por conta de um detalhe, o preço. Ele tem uma bonita sobrecapa, mas veio com poucas páginas, tamanho e papel idêntico aos demais mangás da editora, e, mesmo assim, ele veio custando uma fortuna, R$ 49,90.
Na ocasião, a gente citou Lycoris Recoil porque ele estava na mesma situação (poucas páginas e mangá comum) ou até pior (pois não tem sobrecapa). Daí que é impensável falar desse mangá sem fazer uma grande crítica ao preço.
Para começar, a gente repete aqui um trecho da resenha de Tokyo Babylon:
Atualmente, os mangás básicos da Panini custam de R$ 37,90 a R$ 44,90, no máximo. Mangás com menos páginas normalmente (existem exceções) costumam custar menos, assim Os Dias de Folga do Vilão (130 páginas) custa só R$ 37,90, enquanto a maioria dos mangás com 200 páginas saem por R$ 43,90 ou R$ 44,90.
Esses mangás básicos costumam ter apenas uma capa comum (alguns têm verniz localizado, outros não) e usam, em sua maioria, o papel offwhite 66g. Alguns chegam a ter orelhas (como Orbe) e outros têm sobrecapa (como Atelier of Witch Hat), mas o preço normalmente é semelhante.
Desse modo, um mangá que tenha sobrecapa não necessariamente custará mais do que um mangá sem sobrecapa. Por exemplo, o último volume lançado de Atelier of Witch Hat (saiu em agosto de 2024) foi publicado por R$ 37,90 e ele tem sobrecapa. O volume mais recente de Tanya the Evil (sem sobrecapa) saiu a R$ 39,90 (em novembro de 2024).
Já Berserk #42 (papel offset, sem sobrecapa) saiu em outubro de 2024 a R$ 40,90, enquanto One-Punch Man #30 (papel offset, com sobrecapa) saiu a R$ 39,90 no mesmo mês. Já Pluto #01 (papel offset, com sobrecapa), saiu recentemente a R$ 40,90.
Em outras editoras, como a JBC, acabamentos diferenciados (orelhas, sobrecapa, hot stamping, verniz localizado) são refletidos no preço dos mangás básicos, mas na Panini isso não têm acontecido. Então um mangá da Panini ter ou não ter sobrecapa, ter ou não ter orelhas, não o faz ficar necessariamente mais caro do que os demais.
Isso era importante de ser falado na resenha de Tokyo Babylon para deixar claro para todos vocês que não fazia sentido ele ser mais caro apenas por ter sobrecapa, afinal a Panini não costuma precificar dessa forma.
Se fosse outra editora, como a JBC, até faria sentido, afinal qualquer coisinha a mais, o preço é diferente na JBC, mas não é na Panini, então o preço de Tokyo Babylon não fez sentido, pois ele é só um mangá comum, sem um diferencial que faça valer aquele preço tão alto.
Com Lycoris Recoil a coisa é ainda pior, pois nem sobrecapa ele têm e veio custando o mesmo que Tokyo Babylon OU MAIS. Na pré-venda, ele saiu por R$ 49,90 e teve reajuste para R$ 55,90 na pré-venda do volume #02.
SÓ QUE aconteceu algo estranhíssimo. Após o lançamento do primeiro volume, a loja online da editora alterou o preço desse primeiro número, já colocando a R$ 55,90 também, coisa que a gente nunca tinha visto acontecendo. Ou seja, além de já ser caro e ter um acabamento inferior a Tokyo Babylon, o mangá ficou mais caro ainda já no lançamento, completamente surreal e sem sentido.

Existem diversas teorias sobre o porquê de esse preço ser tão caro, mas nenhuma delas faz sentido dentro da realidade da Panini. Mas eu gostaria de discutir uma coisa, você sabe como se faz para chegar ao preço de um mangá?
Não é um “vou cobrar isso porque eu quero”, há vários custos envolvidos no processo de publicação de um mangá, que vão desde o custo da licença (o quanto de adiantamento foi preciso dar), o pagamentos a funcionários, tradutores e, principalmente, o custo de gráfica.
Acerca desse último ponto, por exemplo, existe a questão da “tiragem”, isto é, o número de cópias que serão impressas. Quando mais cópias você faz, mais barato é o preço unitário, quanto menos cópias você faz, mais caro é o preço unitário.
Assim, se a editora acredita que um mangá vai vender muito, ela faz uma tiragem maior, o que faz com que o preço unitário que ela paga para imprimir seja menor, desse modo a empresa pode repassar isso para o consumidor e o mangá ficará mais barato. Já se a editora acha que não vai vender tanto, ela faz uma tiragem menor, o preço unitário é maior, e, consequentemente, também o preço para o consumidor será maior.
Isso é apenas um resumo da coisa, mas a questão é que, em tese, cada obra é uma obra, então cada título seria precificado de uma maneira diferente.
Só que os mangás básicos da Panini seguem preços “””tabelados””” independente de outras questões. A gente vê um mangá mega-popular como Jujutsu Kaisen custar o mesmo que um título mega-desconhecido como Mabataki Yori Hayaku, a gente vê um mangá com sobrecapa como One-Punch Man custar o mesmo que um sem sobrecapa, como Berserk, e assim por diante.
Então questões como tiragem, custo de licença, pequenas detalhes de acabamento, não costumam afetar muito o consumidor da Panini, pois geralmente a editora não reflete esses detalhes nos preços e se reflete é algo mínimo (há uma diferença de um real entre boa parte dos títulos, além de que alguns mangás de 130 páginas custam menos, por exemplo).
***
Mas e se no caso de LycoReco e Tokyo Babylon foi diferente? Como dito, existem diversas teorias buscando explicar esse preço, mas eu particularmente não consigo acreditar em nenhuma. Por exemplo, a questão da tiragem. Não acho que exista lógica pensar que mangás como Tokyo Babylon e Lycoris Recoil tenham uma tiragem menor do que obras menos populares, como o futuro lançamento O Longo Verão de 31 de Agosto.
Acerca da questão de uma possível licença cara, se licença fosse tão cara assim ao ponto de você ter que cobrar muito mais do que cobraria num mangá comum, por qual motivo se lançaria uma edição comum e não uma versão mais luxuosa para ter ao menos uma justificativa? Daí que, tanto no caso de Tokyo Babylon, quanto no caso de Lycoris Recoil a gente realmente não encontra qualquer explicação.
É forçoso lembrar que na segunda metade de 2018 a gente viu vários lançamentos da Panini custando quase 50% a mais do que outros, mas ali havia a questão da mudança de papel (de jornal para offwhite). A gente não gostou na época, mas tinha uma explicação. Aqui, com Tokyo Babylon, mas principalmente com Lycoris Recoil, não tem.
Os dois são títulos comuns que vieram por preços muito mais altos do que a média. Tokyo Babylon ainda teve uma sobrecapa bonitinha e tal, mas Lycoris Recoil nem isso, é só um mangá básico do básico, o mais simples de todos, e está custando, no mínimo 11 reais (ONZE REAIS) a mais que os outros (e que tem mais páginas).
E pior disso tudo é que a Panini jamais abriu a boca para falar do motivo desse preço e a gente fica no escuro tentando encontrar uma razão. Se ela tivesse comentado sobre o assunto e dado uma explicação, a gente poderia ao menos questionar e discordar da editora de forma mais concreta, só que sem isso abre-se margem para um monte de pensamentos errôneos, até mesmo o de editora querer “cobrar isso apenas porque sim”.
***
Enfim, todo mundo reclama dos preços dos mangás em geral, e isso é normal. Mesmo que a gente entenda a razão dos aumentos (a inflação, o preço do dólar, o monopólio da Suzano), isso não quer dizer que a gente não possa se revoltar aos ver os preços sempre subindo e subindo.
Daí que ao ver os preços originais Lycoris Recoil e Tokyo Babylon havia somente dois pensamentos, ou viriam em edições de luxo, ou o mercado tinha degringolado de vez e tudo subiria para cinquenta reais do dia para a noite.
Nenhuma das duas coisas aconteceu e aí a reclamação acerca do preço recai nesses dois justamente por causa disso. Aparentemente, o mercado não piorou ao ponto de tudo vir a esse preço, e os mangás não vieram em edições diferentes para justificarem o valor mais alto. Eles só custaram mais “porque sim”.
Evidentemente deve ter uma razão, mas como a Panini não fala, não dialoga, não busca dar uma explicação, vira mesmo apenas um “porque sim”.
Eu não acho que editoras precisam ficar se explicando e falando o tempo todo, mas em casos como esse é algo essencial, principalmente para evitar mal entendidos, para a gente não ter que fazer textos grandes criticando, etc, etc, etc.
***
Eu recomendo que vocês não comprem. Se você não é fã da obra, deixe esse título para lá mesmo, pois não está valendo a pena. Nem em promoções eu daria chance, a não ser que apareça por menos de R$ 10,00.
Claro que existem outros mangás com preços mais altos e absurdos do que a média, mas a maioria deles têm uma explicação implícita que faz sentido. Lycoris Recoil não essa explicação…
Ficha Técnica
Título Original: リコリス・リコイル
Título: Lycoris Recoil
Autor: Yasunori Bizen
Tradutor: Lucas Cabral
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 6 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 148
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 55,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Japão, um país onde crimes hediondos raramente ocorrem. Quem protege a paz agindo nas sombras são as Lycoris, agentes que se mesclam à multidão vestindo uniformes escolares. Este é o primeiro volume da tão esperada adaptação em mangá, que vai fazer qualquer um se apaixonar ainda mais por Lycoris Recoil!
NOS SIGA EM NOSSAS REDES SOCIAIS