Mangá Aberto: “X – CLAMP PREMIUM COLLECTION”

Veja como está o mangá

Em fevereiro, a editora Panini começou a publicar no Brasil a nova edição do mangá X, do grupo CLAMP. A nova versão segue a CLAMP PREMIUM COLLECTION, uma coleção recente que visa republicar as obras do grupo em um padrão bem definido.

De posso do volume, viemos apresentá-lo para vocês, mostrando algumas fotos do mangá, comentando o acabamento e outros detalhes e até fazendo algumas comparações com outras edições da obra.

Muito do que falaremos neste texto é basicamente o mesmo que falamos no de Tokyo Babylon (a gente até copiou algumas coisas, pois era literalmente igual e não fazia sentido escrever de novo), inclusive o resumo do que achamos da edição: se trata de uma edição bonita e bem feita, basicamente não temos do reclamar, ENTRETANTO ela é comum e muito cara.


UM POUCO SOBRE O MANGÁ


X é um mangá de autoria do grupo CLAMP e foi publicado no Japão entre março de 1992 e março de 2003 na revista de mangás shoujos Asuka, da editora Kadokawa Shoten, tendo a maior parte de seus capítulos reunidos em um total de 18 volumes.

Entretanto, a obra não teve um final. Ela parou de sair por “determinadas circunstâncias” e nunca voltou. Em 2023, o mangá foi republicado no Japão na chamada coleção CLAMP PREMIUM COLLECTION, tendo direito até ao volume 18,5, compilando os capítulos publicados na revista que não estavam nos 18 originais.

No Brasil, X foi publicado originalmente pela editora JBC entre 2003 e 2005 em 18 volumes. Agora a obra retorna pela Panini seguindo a nova edição japonesa.


UM POUCO DA HISTÓRIA


Kamui Shirou é um jovem dotado de poderes e que acaba de retornar à Tóquio após 6 anos afastado. Ele está inteiramente ligado a uma profecia relacionada ao fim do mundo (que ocorreria num dado dia do ano de 1999) e, ao voltar à cidade, ele termina sendo alvo de pessoas que estão à sua busca (ou estão em busca de um “Kamui”) e não para de batalhar, agindo de maneira despreocupada e quase com ódio do mundo.

Apesar desse seu jeito, ele se preocupa muito com ao menos duas pessoas, os irmãos Fuuma Monou e Kotori, seus amigos de infância, e deseja que eles não se envolvam nessa profecia, no entanto isso pode não ser possível…

O primeiro volume é muito bom, não tendo nada ali que a gente não tenha gostado. Os personagens cativam de primeira, com cada um tendo um estilo que nos conquista e nos fascina de um jeito próprio (a profetisa, a Kotori, o Kamui, etc), as batalhas são interessantes e os demais elementos também (os desenhos do CLAMP são lindos, a disposição dos quadrinhos nas páginas são excelentes, etc, etc, etc).

X é um mangá que se mostra impecável em tudo e seu único demérito realmente é não ter um final.


UM POUCO SOBRE A CLAMP PREMIUM COLLECTION


Se você já leu nossa resenha sobre Tokyo Babylon pode pular esta parte, é o mesmo texto.

A CLAMP PREMIUM COLLECTION é uma nova coleção japonesa que está republicando os mangás do grupo CLAMP com uma nova identidade visual. A coleção está saindo por duas editoras, a Kodansha e a Kadokawa Shoten, e elas estão se revezando na publicação dos títulos.

Já saíram no Japão, em ordem de publicação:

XXX Holic (Kodansha, 2021-2022)
Tokyo Babylon (Kadokawa Shoten, 2022)
Guerreiras Mágicas de Rayearth (Kodansha, 2022-2023)
X (Kadokawa Shoten, 2023)
Chobits (Kodansha, 2024)
Clamp Gakuen Tanteidan (Kadokawa Shoten, 2025)

No Brasil, os dois primeiros da Kadokawa (Tokyo Babylon e X) foram anunciados pela Panini e os dois primeiros da Kodansha (XXX Holic e Guerreiras Mágicas de Rayearth) foram anunciados pela JBC.

Dito isso, uma coisa que muita gente acha erroneamente é que a CLAMP PREMIUM COLLECTION se trata de uma edição de luxo, quando, na verdade, não é exatamente assim. Via de regra se trata de uma republicação ipsis literis da obra original, então se o mangá não teve páginas coloridas na primeira publicação também não teve agora.

Para além disso, os títulos da coleção também são lançados no Japão em tamanho pocket, similar à maioria dos mangás. A grande diferença e o destaque da coleção é justamente a identidade visual, que dá um tom de modernidade e elegância.

Ademais, o material da sobrecapa japonesa é diferenciado, mais grosso do que o normal, com um outro toque, o que dá a impressão de um produto premium. Então, fora isso, é só uma edição comum. Não é exatamente uma edição de luxo.


FORMATO E DETALHES DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de X – CLAMP PREMIUM COLLECTION veio no tamanho 13,7 x 20 cm (padrão da Panini), com miolo em Papel Offwhite 66g (também padrão da Panini) e capa cartonada com sobrecapa. Foram 200 páginas ao todo (sendo 8 coloridas em papel couchê) e o preço foi R$ 49,90.

Por conseguinte, a versão brasileira tem o mesmo tamanho dos demais mangás da Panini e é maior que o original japonês, mas o acabamento é semelhante com um papel de cor creme e sobrecapa. Os detalhes serão comentados mais minuciosamente em tópicos posteriores.


SOBRECAPA


A sobrecapa da edição brasileira segue a mesma ilustração e design da edição original japonesa, possuindo apenas leves mudanças na parte da frente como a centralização do título, a subtração do nome em japonês abaixo do título e a inserção do logo da Panini.

Na parte de trás é que ocorre a maior mudança com a alteração de posição dos elementos, com, por exemplo, o título ficando na parte de cima. Infelizmente, assim como em Tokyo Babylon não há sinopse.

Por fim, as orelhas da sobrecapa não têm nada, assim como a original japonesa.

Em termos de acabamento, a sobrecapa brasileira possui laminação fosca, igual à original. Não há verniz localizado, hot stamping, nem qualquer outro elemento diferencial e, novamente, isso é igual à versão original japonesa.

Também como na edição nipônica, há essa cor meio dourada, que dá um tom diferencial e bonito. Vale destacar, contudo, que as cores da edição brasileira parecem mais vivas e brilhantes que a edição japonesa (o preto é mais escuro, o dourado é mais dourado, etc).

Ainda falando de acabamento, a sobrecapa é feita num material comum, o mesmo da maioria dos sobrecapas do Brasil, não existindo qualquer diferencial para outros títulos publicados no Brasil. Assim como falamos na resenha de Tokyo Babylon, isso representa uma diferença gritante para a versão japonesa.

Os mangás japoneses da CLAMP PREMIUM COLLECTION usam uma sobrecapa diferenciada, um pouco mais áspera, um pouco mais grossa e (além da nova identidade visual) é isso o que dá o charme da coleção. A sobrecapa da edição brasileira, por outro lado, é mais comum, é mais lisinha e aparenta ser um pouco mais fina.

Também como dissemos na resenha de Tokyo Babylon, isso não quer dizer que ela é ruim. Pelo contrário, é uma sobrecapa legal e se você não teve contato com a japonesa, não verá qualquer defeito. A questão principal é mais pelo preço, como comentaremos no final.


CAPA


Abaixo da sobrecapa vem a capa. Se trata de uma capa simples, em cor preta com laminação brilho. É uma capa comum idêntica aos demais da editora, mas há um problema (que também acontece na versão japonesa): marcas de dedo podem ficar nela, então é preciso manusear com cuidado.

Agora em questão de design, assim como a sobrecapa, a capa também não dista muito da versão nipônica, havendo leves mudança como o local onde fica o nome do CLAMP, dentre outras coisas, mas no geral é a mesma coisa.


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS


As capas internas são brancas, igual ao original japonês. Após a capa interna da frente temos uma folha de rosto e, a seguir, uma galeria de páginas coloridas até chegar no sumário e o início da história.

Após a capa interna de trás temos o aviso de “Pare” e a seguir o expediente e a ficha catalográfica. Não há ilustrações entre o final da história e essas páginas.


TINHA PÁGINAS COLORIDAS NA EDIÇÃO ANTERIOR?


Como comentado em tópicos anteriores, a CLAMP PREMIUM COLLECTION é uma reedição da versão original apenas com uma identidade visual diferente, então com exceção da capa, o resto é tudo igual. Só que, se você tem a versão da JBC, deve ter notado uma coisa diferente, ela era toda em preto e branco, enquanto a edição da Panini tem páginas coloridas. Por quê?

Inicialmente, eu pensava que – como era comum no passado – a JBC apenas tinha retirado as páginas coloridas, mas fui informado de que a versão original japonesa de X também não tinha páginas coloridas. Então, diferentemente das outras obras, em X houve esse incremento na CLAMP PREMIUM COLLECTION.


PAPEL


O papel utilizado no miolo do mangá é o Offwhite 66g, o mesmo que a Panini usa em Os Dias de Folga do VilãoThunder 3Gokushufudou, Tokyo Babylon e a grande maioria dos demais mangás da editora, ou seja o famoso papel de cor creme que editora adotou há alguns anos.

De maneira geral é um bom papel, mas que, assim como em Tokyo Babylon, pode ter um pouco de transparência aqui e ali. Entretanto (de novo como em Tokyo Babylon) há muitos tons acinzentados e escuros, então é algo basicamente imperceptível.

As páginas coloridas, por sua vez, são em papel couchê (aquele mais liso e brilhoso que é bastante usado justamente em páginas coloridas).

Em comparação com a versão japonesa, tanto o papel das páginas coloridas, quanto das em preto e branco da edição brasileira são mais finos. Na minha avaliação, o papel das páginas em preto e branco tá de boa, mas eu preferia o papel das páginas coloridas da edição japonesa (além de mais grosso é mais áspero e visualmente é mais bonito).

Edição brasileira, à esquerda x Edição japonesa, à direita.

ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL


A encadernação de X é apenas colada, mas muito boa, permitindo ler e folhear o mangá sem problemas. Na minha avaliação, não parece tão boa quanto Tokyo Babylon, mas não é ruim. Acredito que se trata apenas da diferença do número de páginas (X tem cinquenta páginas a mais, então ele “pesa” mais na hora de folhear e não é tão “suave”).

Agora sobre o acabamento geral, de novo a gente tem que se repetir falando o mesmo que falamos de Tokyo Babylon. Sim, pois o título é apenas um mangá comum com sobrecapa. Se a gente olhar atentamente, a única diferença entre X e a maioria dos mangás básicos da Panini como Diários de uma Apotecária ou Marriage Toxin, é a presença da sobrecapa. E se a gente compara com outros títulos como Atelier of Witch Hat ou Os Dias de Folga do Vilão, aí não tem diferença nenhuma.

Não há nenhum problema nisso e eu considero o acabamento geral da edição brasileira muito bom e sempre que alguém me perguntar eu irei elogiar, pois basicamente não tem nada do que reclamar mesmo. Assim como em Tokyo Babylon, o problema é o preço (falaremos disso logo adiante na conclusão).


TEXTO


A tradução de X ficou a cargo de Thiago Péres (que também traduziu Tokyo Babylon para a Panini) e se trata de uma tradução diferente da época da JBC. Em uma pequena comparação, porém, não vi coisas tão dispares assim, apenas diferenças de abordagens na questão da localização para a língua portuguesa.

Em relação ao texto em si achei que ele estava muito bom, respeitando as regras do português, coeso e coerente, então não tenho qualquer comentário negativo a fazer dessa parte.


PADRÃO?


Antes de falar do preço e concluirmos esta postagem vale dar uma olhada em duas imagens postadas antes aqui. Como dito, a CLAMP PREMIUM COLLECTION é publicada no Japão por duas editoras diferentes, mas elas têm um padrão comum (o mesmo tamanho, a mesma disposição dos textos na lombada) e a única diferença é o logotipo.

Daí que se esperava que um padrão fosse adotado também para a versão brasileira, mas desde a época do anúncio uma parcela do público tinha medo de que não houvesse tal padrão – pelo menos na lombada – pelo fato de a coleção também vir por duas editoras diferentes no Brasil.

Só que agora, antes mesmo da segunda editora começar a publicar, já tivemos uma falta de padrão na lombada brasileira. O número do volume, o logo da editora e o nome CLAMP seguem idênticos, mas o título não. Ou mais especificamente o nome CLAMP PREMIUM COLLECTION. Em Tokyo Babylon, a Panini deixou esse texto pequenino, igual no original japonês, mas em X ela deu destaque colocando-o junto ao título.

Não é nada ruim, não é nada tão desagradável assim, mas é falta de padrão para uma coleção que deveria ser padronizada, não é mesmo?


PREÇO E CONCLUSÃO


A gente já reclamou bastante de preço em nossas postagens de Tokyo Babylon e Lycoris Recoil, pois eles distam muito dos demais mangás da editora. A gente sabe que cada título é um título e cada precificação é uma coisa à parte, dependendo de uma série de fatores que vão de pagamento de licença, tiragem, acabamento, dentre diversas outras coisas.

A questão principal, porém, é que – em se tratando de Panini – mangá popular (que provavelmente teve licença cara) e mangá desconhecido (que provavelmente teria uma tiragem menor), sempre tiveram preços semelhantes. Por mais que uma centena de coisas influenciassem no preço, os mangás da Panini “sempre foram tabelados”. Existem mínimas diferenças aqui e ali, mas no geral todos os preços estão dentro de uma conformidade que a gente entende.

Tokyo Babylon, Lycoris Recoil e agora X são diferentes. Seus preços são muito mais altos do que a média e faz com que a gente não encontre qualquer explicação para seus preços, justamente porque a editora nunca fez diferenciação. Por que agora é diferente?

No meu entender, a edição de X está muito boa e a gente não tem do que reclamar, mas se trata de um produto que nos dias de hoje não era para estar sendo vendido a R$ 49,90 pela Panini.

Para o preço eu imaginava uma sobrecapa melhor, parecida com a edição japonesa, eu imaginava um acabamento mais premium, eu imaginava um monte de coisas, mas nada disso aconteceu. Eu gostaria muito que a editora viesse a público e explicasse os motivos desse preço tão discrepante dos demais.

De minha parte, eu fiz assinatura da obra com 30% de desconto (R$ 34,93 por volume), então eu vou acompanhar até o final, mas eu recomendaria a vocês comprar apenas quando os volumes estiverem por esse valor ou por menos, porque fora disso não é algo que vale não…


Ficha Técnica


Título Original: X (エックス) – CLAMP PREMIUM COLLECTION
Título: X – CLAMP PREMIUM COLLECTION
Autor
: CLAMP
Tradutor: Thiago Péres
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 19 (ou 18,5 volumes)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 200
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

Sinopse: Kamui Shirou retorna à Tóquio pela primeira vez em seis anos. Ao chegar na cidade, ele reencontra seu amigo de infância, Fuuma Monou, e sua irmã mais nova, Kotori. No exato momento em que os três se encontram novamente, a porta do destino se abre. Onde o destino levará Kamui e seus amigos? A última batalha na Terra está prestes a começar…