Resenha: “Hara Hara Sensei: A Professora Bomba-Relógio #01”

Um dos novos mangás da Panini

Hara Hara Sensei: A Professora Bomba-Relógio é um mangá de autoria de Yanagi Takakuchi que foi publicado no Japão originalmente no site Shonen Jump +, da editora Shueisha, entre agosto de 2021 e outubro de 2022, tendo seus capítulos compilados em 4 volumes, todos com mais de 230 páginas.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 28 de junho de 2024 e seu lançamento estava previsto para setembro do mesmo ano. Entretanto, a obra sofreu com os constantes atrasos da editora, todos os volumes entraram em pré-venda nos meses seguintes e nenhum volume foi publicado.

O primeiro número só foi sair efetivamente em fevereiro de 2025. E, agora, após ler o mangá viemos falar um pouco do título para vocês.


A HISTÓRIA


A protagonista da história é uma professora de 23 anos chamada Azusa. Ela é uma moça tímida, meio medrosa, e que acaba sendo feita de gato e sapato por todos, desde seus alunos até seus colegas professores.

Ela ministra a disciplina de química, mas seu sonho não era ser professora e sim pesquisadora, tanto que na faculdade não mediu esforços em ajudar um professor. Entretanto, este professor acaba a traindo (academicamente, no caso) e usa a pesquisa dela como se fosse dele, resultando em um grande amargor para ela.

A história começa com ela vivendo sua vida como professora numa cidade pequena, quando, de repente, recebe a visita de sua irmã mais velha. O que poderia ser um reencontro prolongado termina rapidamente quando Azusa vai para a escola dar aula e recebe um telefonema da irmã pedindo ajuda…

A máfia japonesa estava atrás dela e a mulher desaparece. Como a polícia não pôde fazer nada, Azusa parte para Tóquio em busca de pistas sobre o paradeiro da irmã e ela acaba se infiltrando em uma pequena facção da yakuza.


ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO


Ao ver a sinopse e as capas do mangá, a primeira coisa que eu pensei é que Hara Hara Sensei – A Professora Bomba-Relógio fosse apenas mais um mangá genérico do genérico. Sim, pois, obras de ação, envolvendo ou não yakuzas, personagens caricatos, existem aos montes e esse parecia ser só mais uma em meio à multidão.

E ao ler… olha… eu percebi que ele é um mangá muito legal, muito divertido e eu gostei da trama desde o primeiro capítulo. Não me entendam mal, o mangá é genérico do genérico, não tem nada novo, os personagens são caricatos (quantas vezes a gente já não viu um personagem malvado com um tapa-olho?), mas toda a construção é surpreendentemente bem-feita.

O pano de fundo dos personagens, com suas histórias pregressas são bem interessantes e ajudam a formar as personalidades deles de um jeito bem natural. O modo como Azusa sofreu no passado, quando criança, na faculdade e também agora em seu trabalho, tudo serve como catalizador para seu objetivo de encontrar a irmã após seu desaparecimento.

Ela não perde o medo, mas ela o usa, juntamente com seus conhecimentos em química para ir fundo na investigação e ficar frente à frente com um grupo de yakuzas. Embora esse conjunto de coisas não seja algo totalmente diferente do usual, é algo que cativa quem está em busca de uma boa história, de uma história bem narrada.

Esse é um primeiro volume introdutório, então ele busca nos fisgar e faz isso bem. Então todas as coisas incríveis (o manejo da professora com as bombas feitas com seus conhecimento de química) e todos os revezes (ela ser enganada pelos yakuzas) servem para a gente sentir mais e mais empolgação e querer continuar a leitura.

A história caminha de maneira rápida, mas ao mesmo tempo não é apressada, de maneira que a gente sente um ritmo constante na narrativa que é bem agradável e mostra bastante conhecimento de narrativa por parte de Yanagi Takaguchi (e seus editores).

Mesmo que algumas situações pareçam irreais e sem noção, a gente termina por acreditar por, em tese, fazer sentido dentro da realidade proposta (alguém que domina a química e sabe o que fazer com os elementos).

Apenas uma das situações é meio qualquer coisa (o modo como Azusa pegou um dos yakuzas e fez ele ser “seu servo”), que fica parecendo algo mais “inventado”, mas a gente releva e consegue apreciar a história como um todo.

Assim, realmente o primeiro volume de Hara Hara Sensei – A Professora Bomba-Relógio foi um surpresa e tanto, sendo um mangá com uma história quase inteiramente consistente e que entrega bastante emoção e muitas cenas de ação…


A EDIÇÃO NACIONAL


A edição nacional veio no formato padrão da editora Panini, no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel Offwhite e capa cartão simples com laminação fosca. São 248 páginas no primeiro volume, todas em preto e branco. O preço é R$ 40,90.

Se trata de uma edição básica, sem nenhum detalhe adicional. Ainda assim é uma edição bem-feita, com boa encadernação e um bom papel (o mesmo dos demais mangás da Panini) com pouca ou quase nenhuma transparência.

Em resumo, não há nada a reclamar, assim como não nada para elogiar enormemente na edição. É só uma edição comum e básica mesmo e não tem nenhum problema nisso^^.


CONCLUSÃO


Recentemente, a gente já foi enganado por um começo promissor de uma obra e que depois se perdeu de um jeito irremediável (no caso, Chaos Game), daí que o bom início de Hara Hara Sensei – A Professora Bomba-Relógio ao mesmo tempo que me empolgou me fez ter um pouco reserva.

O estilo das duas obras é parecido (com aquela ação desenfreada típica daqueles filmes de aventura), mas, enquanto, Chaos Game vá mais para o lado do sobrenatural, Hara Hara Sensei é mais pés no chão (na medida do possível) com diversos acontecimentos que só existem porque a ciência permite, ao menos em tese.

Só que essa diferença talvez não diga nada em relação ao andamento da trama. Sim, pois, Hara Hara Sensei tem muita coisa caricata, como o personagem com o tapa-olhos, e talvez isso o assemelhe ao Chaos Game. A questão é mais como Yanagi Takaguchi vai fazer para desenvolver a trama.

Esse primeiro volume foi muito bem feito, foi perfeitinho, mas como a história evoluirá? Existe um ponto de chegada bem definido (encontrar a irmã da protagonista, além do desejo do homem de tapa-olho), Takaguchi conseguirá amarrar bem a trama para fazer com a história seja boa por inteiro, ou irá se perder no caminho?

Isso são cenas para a gente ver nos próximos volumes. O que posso dizer no momento é que eu gostei e que provavelmente quem gosta de mangás de ação também gostará. São só 4 volumes no total, então talvez valha a pena arriscar e dar uma chance a esse título.

Por mais genérico que seja, às vezes a gente só precisa do arroz com feijão para se divertir, e isso Hara Hara Sensei faz muito bem.


Ficha Técnica


Título Original:腹腹先生
Título: Hara Hara Sensei – A Professora Bomba-Relógio
Autor
: Yanagi Takakuchi
Tradutor: M.Kano
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 4 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 248
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 40,90
Onde comprar: Loja da Panini / Mercado Livre

Sinopse: “Não vou mais fugir. Mesmo que tenha que enfrentar a yakuza, para quem o dinheiro é tudo. Contanto que isso signifique que posso recuperar minha irmã.” Depois de ter seu sonho de uma vida acadêmica arruinado, Azusa agora trabalha como professora no interior e passa seus dias suportando o péssimo tratamento que recebe tanto de seus alunos quanto de colegas. Um dia, ela descobre que sua irmã mais nova, Ruka, a única parente de sangue que lhe resta, se envolveu em alguns problemas em Tóquio. O que Azusa fará agora que enfrenta membros tão perigosos do submundo do crime?!