Mangá Aberto: “Initial D”

Veja como está o mangá

Quanto mais volumes têm um mangá, mais complicado é ele aparecer no Brasil, então um título vir quando já tem muitos volumes no Japão é mesmo muito difícil, quase impossível. Isso é algo que os consumidores de mangás de longa data já sabem, de maneira que ninguém espera de verdade que um título com muitos volumes venha a aparecer…

Daí que no dia 18 de julho de 2024 todos fomos surpreendidos com o improvável anúncio de Initial D pela editora Panini. Por mais popular que fosse, a obra tinha sido concluída em 48 volumes no Japão e o número de obras que chegaram ao Brasil após já ter essa quantidade de volumes é quase nula de tão poucas vezes que aconteceu (veja mais aqui).

Então, sem dúvida alguma, o anúncio de Initial D era O ANÚNCIO, para ser comemorado por todos os que gostam de mangás, não só pelo título em si, mas também por todas as possibilidades e esperanças que isso gera…

***

A edição brasileira veio seguindo a nova edição japonesa que compila os 48 volumes originais em apenas 24 com mais de 400 páginas por tomo. O lançamento começou em dezembro de 2024 e, no momento em que esta postagem vai ao ar, já saíram 4 volumes. De posse do primeiro volume viemos apresentá-lo um pouco para vocês.


DETALHES SOBRE A OBRA


Initial D é de autoria de Shuichi Shigeno e foi publicado no Japão entre 1995 e 2013 na revista Young Magazine, da editora Kodansha, sendo concluído em um total de 48 volumes. Mais recentemente, o mangá ganhou uma nova edição em 24 volumes.

A obra foi adaptada em anime ganhando diversas temporadas. Uma parte dessa adaptação chegou a passar na televisão por assinatura no Brasil, dublada, no canal Animax.

O mangá ainda possui uma continuação chamada de MF Ghost (23 volumes), mas a Panini só anunciou a obra original. Como dito, a edição brasileira seguirá a nova versão japonesa em 24 volumes.


UM POUCO DA HISTÓRIA


Na obra, a gente acompanha um adolescente chamado Takumi Fujiwara. Ele é filho do dono de uma loja de Tofu e costuma realizar entregas com o carro do pai. Além disso, ele faz bico trabalhando de frentista em um posto de gasolina.

Apesar de ter sua vida rodeada por carros, Takumi não entende nada de veículos, não sabe dos detalhes, das histórias, nada, tanto que é bastante zoado por seu melhor amigo. Só que é mais do que isso, ele não gosta de dirigir, não vê emoção e acha que é só uma atividade chata.

Sua vida começa a mudar quando dois times de corrida decidem fazer uma competição amistosa para ver quem é o piloto mais rápido das montanhas da região. Takumi – que não tinha nenhum interesse nisso – acabará sendo levado a correr também e é a partir daí que descobriremos o grande talento que ele têm para corridas em montanhas…

***

O primeiro volume é um tanto sensacional, daqueles em que você mesmo sabendo o que irá acontecer (você sabe desde o primeiro instante que Takumi é muito bom dirigindo), você torce e vibra para ver como será a grande revelação e como as coisas se desenvolverão a partir dali.

Esse mangá usa a mesma estratégia narrativa de obras de ação, em que o personagem tido como fracote se mostra com uma força absurda e surpreende a todos com suas habilidades. Aqui, porém, o jeito despreocupado e a falta de conhecimento sobre carros de Takumi contrasta com o arrojo dele no manejo de um veículo…

Assim, toda a montagem do mangá é excelente, o autor consegue criar um clima bem ameno e os acontecimentos vão sendo pouco a pouco colocados até gerar uma grande emoção no leitor. Em outras palavras, Shuichi Shigeno domina muito bem a técnica para esse tipo de mangá.

É um primeiro volume realmente dos bons, que é capaz de pegar todo mundo que o ler, mesmo aqueles que não gostam de automobilismo…


FORMATO E DETALHES DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de Initial D veio no formato padrão da editora Panini, com o tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel Offwhite e capa cartonada com verniz localizado. São 448 páginas ao todo, todas em preto e branco.

Assim, se trata de um mangá com o mesmo tamanho, tipo de papel e acabamento da maioria dos mangás da editora.


CAPA, LOMBADA E QUARTA-CAPA


Assim como acontece na maioria dos mangás, a capa da edição brasileira segue a mesma ilustração da versão japonesa, mas no caso, da segunda versão.

O design também é idêntico mudando apenas o idioma do título, o local onde foi colocado o nome do autor, além da presença do logo da Panini.

A quarta-capa segue esse mesmo design e aqui a editora colocou a sempre importante sinopse e o obrigatório código de barras, dentre outras coisas.

Em termos de beleza, eu acho que a capa e a quarta-capa são só “ok’s”. Não acho feias, mas também estão longe de serem bonitas. A lombada, por sua vez, é mais viva e de mais destaque. Não chega a ser bonita, mas é mais apreciável ao meus olhos.

Isso, porém, em termos, pois o meu primeiro volume tem um problema, uma parte das ilustrações da capa e da quarta-capa vazaram na lombada. Como ocorre dos dois lados, imagino que o papel utilizado tenha vindo milímetros mais grosso do que o usual resultando nesse problema.

Em termos de acabamento, se trata de uma capa cartão comum, sem orelhas, sem sobrecapa, em acabamento fosco com verniz localizado em todos os elementos (sem contar a ilustração e o logo da Panini).

O verniz também está na lombada, igualmente em todos os elementos menos no logo da editora. Já na quarta-capa, o verniz se encontra no amarelo, na ilustração do protagonista, no número do volume e no nome do autor.


CAPAS INTERNAS, PRIMEIRAS E ÚLTIMAS PÁGINAS


A primeira capa interna é preta com a ilustração de um automóvel. A seguir temos a folha de rosto, uma página dupla de abertura, uma página com o índice e a logo depois já começa a história.

Capa interna e folha de rosto
Página dupla de abertura
Índice e início do mangá

A segunda capa interna é toda preta apenas com o título do mangá (algo que, a meu ver, não faz muito sentido). Ao lado, temos a tradicional página de “Pare!”, avisando que ali é o fim do mangá e não começo. Logo após (ou antes) temos uma página com o expediente, ficha catalográfica e outros itens obrigatórios. Do lado tem a última página de história.


PAPEL


O papel utilizado no miolo é o Offwhite 66g, o mesmo usado na maioria dos mangás da editora. Como costume, tem um pouco de transparência nas páginas aqui e ali, e acho que nesse mangá é um pouco mais acentuado do que em outros.

Não é no mangá todo e nem é tão gritante ao ponto de incomodar, mas algumas pessoas podem não gostar tanto.


ENCADERNAÇÃO E ACABAMENTO GERAL


Os mangás da Panini com papel offwhite costumam ter uma encadernação mais leve e, por isso mesmo, melhor para ler e folhear. E Initial D não foge disso. É possível abrir o mangá sem qualquer esforço, folheá-lo sem problemas, etc, etc, etc.

Então, a encadernação é muito boa e ajuda a gente a ver que o produto está bem feito. Infelizmente, porém, existe a questão da lombada, que causa um pouco de incômodo em leitores mais detalhistas.

Há também a questão de ter um pouco mais de páginas transparentes do que o normal, mas como dito no tópico anterior não é nada tão significante assim. Desse modo, eu considero o acabamento geral como ok, existindo mesmo apenas essas ressalvas.


TEXTO


A tradução do mangá foi feita por Mateus Britto (Migi e Dali, Ayashimon) e a edição por Leonardo Soledade. Achei a tradução e a adaptação muito boas, com um texto muito coeso e que parece feito tanto para quem não conhece nada sobre mangás ou sobre carros, quanto para quem conhece.

O texto flui bem e há algumas boas notas explicativas acerca de certos detalhes automobilísticos que seriam difíceis para boa parte dos leitores compreender adequadamente. Não há necessidade de lê-las para entender a história e a trama, mas elas enriquecem um pouco mais o nosso conhecimento, dando uma melhor compreensão do que estão falando aqui e ali.


CONCLUSÃO


Como ficou claro no decorrer do texto, Initial D veio num acabamento comum, sem muitas firulas, sendo basicamente apenas uma edição 2 em 1 padrão. Ele tem um acabamento “ok”, com uma boa encadernação, mas falhou na questão das imagens na lombada, como outrora apontado.

Em minha opinião, o produto está bom, mas poderia ser melhor, ainda mais quando olhamos o preço. Initial D veio custando R$ 69,90 no primeiro volume e R$ 74,90 nos seguintes e, por esse valor, a gente esperaria pelo menos umas orelhas (como Ataque dos Titãs 2 em 1).

Ainda assim, embora seja um preço pouco convidativo, ele é até interessante considerando os valores atuais, pois está dentro da margem do que se esperaria para uma edição 2 em 1 (isto é, custando bem menos do que duas edições separadas), porém, não é um valor para todo mundo.

Em vista disso, e levando em conta também a quantidade de volumes, o melhor é sempre esperar boas promoções. Mas uma coisa precisa ficar clara, esse mangá é muito bom e eu acho que vale a pena vocês considerarem adquirir, pois dificilmente irão se arrepender.

***

Quem fez assinatura na época da Black Friday (com 40% de desconto) se deu bastante bem, pois se livrou dos reajustes e pagou apenas R$ 44,94 por volume.


Ficha Técnica


Título Original: 頭文字D
Título: Initial D
Autor
: Shuichi Shigeno
Tradutor: Mateus Britto
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 24 (completo)
Número de volumes no Brasil: 4 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite 66g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 448
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 69,90 (vol. 1) / R$ 74,90 (vol. 2 em diante)
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

Sinopse: Takumi Fujiwara é filho do dono de uma loja de tofu, e não sabe quase nada sobre carros.Certo dia, ele vai assistir a uma corrida dos Akina SpeedStars, o time de corredores de Iketani, seu veterano no trabalho, acompanhado de Itsuki, seu melhor amigo.Então, o Akagi RedSuns, time liderado pelos irmãos Takahashi e considerado o mais rápido de Akagi, aparece e desafia os Akina SpeedStars para uma corrida! É aqui que a lenda começa.