“Mushoku Tensei” e as Light Novels paradas no Brasil

Vamos chorar juntos?

Duas semanas atrás, um dos nossos seguidores nos mandou uma mensagem no Twitter mostrando um e-mail que a Panini havia mandado para quem comprou o volume #07 da light novel Moshoku Tensei em pré-venda na loja da editora.

No e-mail em questão, a Panini dizia que, por questões contratuais, optaram por paralisar o lançamento da light novel após o fim da primeira saga, no volume #06. A empresa também falava que, talvez, em algum momento no futuro, poderia retomar a obra, mas que por enquanto não havia previsão.

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Obviamente, a notícia da paralisação se espalhou rápido, com todo mundo querendo saber se era verdade e querendo mais explicações a respeito disso. A Panini Books no Instagram (conta da editora dedicada a livros asiáticos) até fez um post sobre a obra alguns dias depois, mas foi para propaganda e não com informações sobre o fim do lançamento da light novel por aqui. Assim, choveram mais comentários ainda de pessoas querendo saber o que aconteceu, mas não houve nenhuma resposta pública da editora até o momento em que este texto vai ao ar.

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Eu sou assinante de Mushoku Tensei e não recebi essa mensagem, então mesmo ficando em choque já naquele momento, eu tive um pouco de dúvida sobre a informação. Isso porque não foram poucas as vezes em que setores diferentes da Panini deram informações incorretas (uma vez, por exemplo, um deles chegou a dizer que o mangá Wotakoi teria sido cancelado), então é sempre importante averiguar mais informações.

Assim, eu entrei em contato como cliente com o atendimento da Panini pelo WhatsApp perguntando se a informação procedia e a resposta foi tão curta e lacônica que eu nem consegui escrever mais e nem respondi ainda pedindo o reembolso da minha assinatura.

Antes de entrar em contato como cliente com o serviço de atendimento da Panini, eu também mandei uma mensagem pela conta do blog para o Instagram da Panini Books para saber sobre isso, algum detalhe extra, mas infelizmente não me responderam em nenhum momento.

Daí que a única confirmação que a gente conseguiu foi aquela mensagem curta e sem nada a mais do atendimento ao cliente da editora.

Entretanto, por sua vez, o canal Mundo Mangás foi mais assertivo em quem contactar, e entrou em contato com uma das funcionárias da Panini, conseguindo uma informação a mais. Segundo o canal, ela teria dito que o motivo para a paralisação foi que a obra não teve vendas tão boas assim (o que acaba sendo o que a gente esperava, visto que se as vendas fossem muito boas haveria meios de uma editora grande contornar as supostas “questões contratuais”).

Hoje, o volume #07 não está mais disponível para a compra na loja da editora e também já não é possível fazer assinatura da obra, o que dá mais uma confirmação sobre esse fim abrupto (momentâneo ou não) dessa light novel por aqui…


O PÉSSIMO MOMENTO DO MERCADO DE LIGHT NOVEL NO BRASIL


Quando falamos de light novels, normalmente a gente não diferencia séries nascidas nessa mídia (isto é, nascidas apenas como texto) e obras derivadas (advindas de filmes, animes ou mangás). Só que talvez seja necessário fazer uma separação para entender o momento ruim das light novels no Brasil…

A Panini está publicando várias novels de Naruto e também publicou algumas de Demon Slayer e outras obras, todas de apenas um volume e todas derivadas de algum mangá ou animação. A JBC, por sua vez, também começou a lançar algumas de Fullmetal Alchemist.

É importante que essas obras derivadas venham, é legal ler mais histórias de uma obra que a gente gosta por meio de uma outra mídia, então não há nada de errado ou problemático com isso. O problema é que séries próprias, não derivadas, terminam por ser muito raras, principalmente as mais famosas que têm muitos volumes.

Nesse sentido, a gente sempre disse que o mercado brasileiro de light novels era incipiente, de maneira que recomendávamos que ninguém deveria nutrir esperanças de que essa ou aquela light novel aparecesse (pois o histórico mostra que mesmo light novels muito populares não vêm).

Era aquela coisa, uma ou outra light novel popular podia vir eventualmente, mas dezenas ou centenas de outras ficariam inéditas, pois não existia um mercado propriamente dito, havia apenas um começo e, realmente, não passou disso. E agora parece que o momento é pior do que alguns anos atrás…

Só para se ter uma ideia da situação, de 2022 para cá apenas três séries de light novels foram anunciadas no Brasil e dessas três, apenas uma foi lançada… Mushoku Tensei

Essa paralisação (ou cancelamento) de Mushoku Tensei é, na verdade, mais um grande banho de água fria para quem gosta de light novels no Brasil, pois a Panini era a única (última?) esperança de termos um mercado em algum momento do futuro.

Muito embora a empresa só tenha publicado duas séries não derivadas (Sword Art Online e o próprio Mushoku Tensei), o aumento constante de sua publicação de livros (as referidas novels derivadas de mangás e animes), bem como o recente anúncio de expansão de seu selo Panini Books, nos dava uma pequena fagulha de esperança de que a editora pudesse entrar de cabeça nesse meio de light novels em algum momento. Agora, porém, essa esperança ruiu.

Mushoku Tensei é uma obra popular e se a empresa arriscou numa obra dessas e ela não foi tão bem assim, sempre ficará a dúvida se irão investir em outras, além do medo (tanto por parte da empresa, quanto por parte dos consumidores) de que tal série não vá bem novamente.

E sem a Panini indo atrás meio que esse mercado fica com um grande vazio, principalmente quando a gente olha comportamento das outras editoras perante esse tipo de livro.

-JBC

A JBC, por exemplo, está publicando Overlord a passos lentíssimos e é só isso. Ela tem também alguns volumes únicos (como o prometido 3 Dias de Felicidade), mas séries mesmo ela não lança e já deixou claro (explicitamente) que não tem uma estrutura (e nem intenção) para expandir a publicação desse gênero de livros.

-MPEG

A MPEG, por sua vez, tinha como planos iniciais ser uma editora focada em light novels também, mas os desejos parecem que não se mostraram frutíferos e isso não rolou até agora. Mais ainda: a empresa chegou a anunciar duas light novels no fim de 2022, e já se passaram mais de dois anos e até agora nada. Não é um bom sinal…

-NewPOP

Já a NewPOP (que um dia foi a esperança desse segmento) também parece ter abandonado o barco. Em fevereiro ela lançou um livro (de apenas um volume), da mesma autora de Toradora!, mas a última série que a empresa começou a publicar foi em março de 2023 com Re:Zero Ex (que é derivado de outra light novel, Re:Zero). Para piorar, ela só lançou dois volumes e parou publicar a obra ainda em junho daquele mesmo ano.

O quadro fica pior quando a gente vê que em 2021 a empresa começou a publicar duas série (Me Apaixonei pela Vilã, concluída em julho de 2023, e Crônicas das Guerras de Lodoss, concluída em maio de 2024) e nenhuma light novel entrou no lugar delas após suas respectivas conclusões.

Além disso, a empresa tem séries anunciadas que não começaram a sair (Zero no Tsukaima e O Sonho de Uma Apaixonada por Livros) e várias obras que começaram a sair e, assim como Mushoku Tensei, foram paralisadas…

Então se antes havia algumas séries em publicação regular, agora só Re:Zero continua. A editora está lançando livros de outras nacionalidades nesse meio tempo, mas as nossas queridas light novels ficaram escanteadas. Nada disso é um bom sinal.

***

Talvez a Panini ainda publique alguma série no futuro, talvez ela volte a lançar Mushoku Tensei em alguns anos, talvez a NewPOP lance as obras anunciadas, talvez ela retome algumas das obras paradas, mas tudo é um “talvez”, a verdade é que hoje parece que light novels realmente não caíram no gosto do povo da maneira que gostaríamos e nós, fãs dessa mídia, temos que nos contentar com migalhas e saber que uma obra pode ser paralisada a qualquer momento, independente da editora que a lançar.

Eu espero que num futuro próximo essa realidade mude, espero que surja uma editora que seja focada apenas nisso (preferencialmente alguma multinacional), espero que as editoras atuais invistam mais, etc, etc, etc…


OBRAS ANUNCIADAS E PARALISADAS


Aqui neste site temos uma lista com todas as light novels que já foram publicadas no Brasil, sejam elas séries, sejam volumes únicos. Você pode ver essa lista completa clicando aqui.

A seguir a gente lista as obras que estão paradas e algumas que estão anunciadas há muito tempo e que ainda não viram a luz do dia.


OBRAS PARADAS DESDE FEVEREIRO DE 2025


Mushoku Tensei (Panini)
Volumes: 06 de 26

Essa é a obra que deu origem a esta postagem. No fim de 2023, quando ela foi anunciada no Brasil, se tornou uma espécie de esperança de alguns consumidores para que outras obras viessem. Eu mesmo fiz assinatura do título com uma leve esperança, mas não deu certo. O volume #06 saiu em fevereiro e no fim de março foi divulgada a paralisação do título. Vai voltar algum dia? A gente duvida, mas…


OBRAS PARADAS DESDE MARÇO DE 2024


No Game No Life (NewPOP):
Volumes: 11 de 12+

No Game No Life foi a primeira grande série de light novels a sair no Brasil, mas depois que encostou na publicação japonesa, minguou. O volume #11 saiu no Japão em novembro de 2021, enquanto por aqui só foi ser publicado dois anos e cinco meses depois, em março de 2024.

O volume #12, por sua vez, foi lançado em fevereiro de 2023 no Japão, já se passaram dois anos e nem sinal de sair por aqui. Pior, a capa dele já está aprovada desde antes do volume #11 sair por aqui (a NewPOP mostrou as duas capas juntas), de maneira que essa demora na publicação beira o surreal.

Mas, ok, em tese, mesmo com a demora, ele vai ser publicado em algum momento. O mesmo não se pode dizer de outras obras desta lista.


OBRAS PARADAS DESDE JUNHO DE 2023


Re:Zero Ex (NewPOP):
Volumes: 2 de 6+

A promessa da editora NewPOP era revezar a publicação de Re:Zero Ex com a série principal Re:Zero, mas isso nunca aconteceu. Saíram dois números do Ex, em março e junho de 2023 e depois nunca mais. A série se encontra parada por aqui há um ano e nove meses e nem tem previsão de retorno.


OBRAS PARADAS DESDE ABRIL DE 2023


Log Horizon (NewPOP):
Volumes: 8 de 11+

Essa é outra série que a editora fez diversas promessas e nunca cumpriu. Ela chegou a falar, por exemplo, que a obra poderia virar mensal, já falou que a obra sairia em outra periodicidade e isso nunca se cumpriu. Atualmente, ela se encontra sem volumes novos por aqui desde 2023 e em abril completará dois anos de total abandono.

Tudo bem que a série está parada no Japão também, mas isso não impediu os demais países que licenciaram a obra a continuar publicando até o último número que saiu por lá.


ANUNCIADAS EM DEZEMBRO DE 2022


Asas de Remia (MPEG)
Volumes: 1

Cudlestate Monogatari (MPEG)
Volumes: 7 + 1

A MPEG tinha a intenção de publicar light novels e anunciou essas duas no fim de 2022, ambas do mesmo autor. A previsão dada pela empresa é que saíssem em 2023, mas o tempo passou e já estamos em 2025 sem que nenhuma das duas tenha qualquer previsão. A última vez que a gente ouviu a editora comentando sobre as obras foi sobre questões burocráticas, então não sabemos em que pé andam e se vão sair mesmo…


ANUNCIADAS EM JANEIRO DE 2022


O Sonho de uma apaixonada por livros (NewPOP)
Volumes: 3 (???)

O Sonho de uma Apaixonada por Livros é uma série grande, de 33 volumes, mas a NewPOP só anunciou a primeira parte (mas sempre com a promessa de continuar se vender bem). Já se vão três anos e os três volumes que compõe a série ainda não viram a luz do dia. Vai sair algum dia? É provável que sim, mas me parece que será um outro Mushoku Tensei e a gente não terá mais do que a primeira parte.


OBRAS PARADAS DESDE NOVEMBRO DE 2019


Shakugan no Shan (NewPOP)
Volumes: 3 de 26 (22 regulares + 4 especiais)

Essa era uma série com grande expectativa, pois era uma das obras clássicas desse gênero de livros, com uma adaptação em anime que empolgou na época de lançamento, mas… não deu certo. Saíram 3 volumes e já se vão mais de 5 anos sem volume novo.

O mangá também está parado desde 2019, então meio que não deu certo mesmo, faltou mais marketing, sei lá… O mangá é fácil voltar e ser concluído, pois tem menos volumes, mas a light novel não me parece que terá a coleção completa lançada no Brasil. Se obras que vendem bem a editora não consegue ser regular, imagina uma dessas… uma pena…


ANUNCIADAS EM DEZEMBRO DE 2018


Zero no Tsukaima (NewPOP)
Volumes: 22

Outra obra com grande expectativa, outra obra clássica, com anime que era aclamado, outro descaso com os fãs. Já se vão seis anos do anúncio e nada da publicação começar. A editora chegou a lançar a adaptação em mangá, mas foi um fiasco e agora a editora tem dado declarações com medo de lançar a light novel original, uma pena…


OBRAS PARADAS DESDE JULHO DE 2017


Number Six (NewPOP):
Volumes: 5 de 9

Eu não vejo a editora mais falando dessa obra em suas redes sociais. E em suas duas últimas “Carta do Editor”, de 2023 e 2024, ela nem foi mencionada. O mangá foi publicado direitinho e na íntegra, mas a série de livros ficou nesse limbo e já se completarão 8 anos.


OBRAS PARADAS DESDE JULHO DE 2015


K – Séries (NewPOP)
Volumes: 1 de 4 (individuais)

Em julho de 2015, a NewPOP publicou a light novel de apenas um volume K: Side Blue. A editora prometeu outras três light novels da franquia, mas estas nunca viram a luz do dia. A editora comentou muitas vezes que o livro não vendeu bem e que a publicação dos demais seria espaçada, que sairia um livro por ano e o segundo (K-Side Red) seria publicado em 2017. Isso não aconteceu.

A editora já não tem falado mais dessa séries em sua redes sociais. A última vez que vimos, foi a empresa respondo a pergunta a um leitor em 2020.


Mas e Solo Leveling, BBM? Quando a gente fala de light novels, a gente está falando apenas de obras japonesas. Obras coreanas (como Solo Leveling) e de outras nacionalidades, a gente não conta.


20 Comments

  • Rafael Ribeiro

    Primeiro se não há público como Sword Art Online segue firme e forte?

    Segundo a edição 7 de Mushoku está em pré venda na Amazon. Seria um erro?

    • A questão é mais “e o resto?”. SAO é só uma light novel e nada mais. Assim como Re:Zero é só uma e nada mais. No todo, não parece ter público BR para LN… Do contrário, a gente teria bem mais séries de LN sendo publicadas aqui.

      Vi aqui e está com data para dezembro do ano passado. Então nem é pré-venda, é produto sob encomenda… Deve ser um erro.

      • YURI-CHAN

        Minha primeira LN foi No Game no Life, na época que só tinha 4 volumes… fico na tristeza de não vir mais, desde que o Re:Zero virou a queridinha da New Pop de vendas e prioridades (Antigamente NGNL tinha regularidade na sua publicação e lançamento assim que era publicado no Japão como Pratical War Games), consumi outros titulos? Mas me entristece a falta dessa periodicidade, New Pop e a única que tinha esperança para vários titulos de LN pro Brasil (queria Tanya The Evil, mas panini pegou o mangá = sem chances pra new pop publicar a LN), todo título que queria a panini pegava versão mangá e a esperança morria, fiquei contente com Lodoss, uma série muito querida pra mim, amaria muito ver Twelven Kingdoms e Katanagatari… mas o jeito mesmo e aprender a ler em outra língua, New Pop perde um filão se publicace as LN em e-books que ainda está em alta as vendas, pelo menos as LN. As d+ editora sem esperança mesmo, e editora de livros dificilmente dão continuidade como a do titulo Moribito que só saiu o 1⁰ livro.
        Será que um dia a Devir e Dark Side não entrariam nesse ramo? Já que são as únicas que publicam vários livros e se arriscaram em publicar mangás? Pipoca e Nanquim não tenho esperança para leitura asiática, além dos mangás que já publicam, pois as D+ publicações em livros e de público voltado a literatura ocidental/Hq’s.

  • Meus 2 centavos sobre a situação.
    Sobre Mushoku, quero pensar que a Panini escolheu errado o título pra se começar a se aventurar nessa seara de Light Novel que não são adaptações de mangá shounen famosos.
    Porém, acho bom lembrar que todo mundo achava que Toriko tava morto e enterrado, não tava no fim das contas, foi finalizado e tem reimpressão rolando.
    É provável que Mushoku volte em algum momento. No mais, foi positivo a editora saindo de sua zona de conforto e tentando algo diferente do habitual. Não rolou, mas isso não quer dizer que a editora vá parar por aí.
    Se nessa nova fase da Panini Books eles trouxerem além de literatura asiática, light novel, tamos no lucro.

  • Lucas Rey

    Só acho que vocês deveriam contar obras coreanas e chinesas pois tenho certeza que para as editoras é tudo a mesma coisa. Então sem contar essas obras, fica difícil avaliar o mercado de fato.

    • Editoras podem, sim, colocar tudo dentro de uma mesma etiqueta, mas essa etiqueta NÃO É A DE LIGHT NOVELS.

      A Panini, por exemplo, em sua expansão do selo Panini Books, não prometeu mais light novels, ela prometeu mais LITERATURA ASIÁTICA. Aí vai da Coreia do Sul, da China, da Tailândia e do próprio Japão. A etiqueta da Panini é o “Literatura Asiática”. Light novels é apenas uma fração disso. É só algo que estará no meio desse selo da editora.

      Light novel é um gênero específico japonês e que, inclusive, não engloba nem todos os livros japoneses.

      Então se a gente coloca uma série coreana ou chinesa junto, a gente não está falando mais de light novels, a gente está falando de literatura asiática da cultura pop. E não é a mesma coisa, pois existe até mesmo literatura japonesa de cultura pop que não é light novel, como os livros Imagens Estranhas e Casas Estranhas que irão sair agora no Brasil.

      Por mais que o gênero Light Novel seja difuso até mesmo no Japão, não faz nenhum sentido colocar coisas juntos que claramente não são.

      Assim, os Danmeis, por exemplos, são um gênero próprio chinês. Não há razão nenhuma para incluí-los como light novels. É até desrespeitoso não só com os gêneros distintos, mas também com os fãs.

      É o mesmo caso de mangás e Manhwas. Colocar tudo junto é apagar da história o grande espaço de tempo que os quadrinhos coreanos passaram sem vir ao Brasil. Colocar tudo junto também é vender uma ilusão aos fãs de manhwas (muito mangá sai por aqui, mas quase nada sai de manhwa).


      Então, quando se fala de light novels, se fala do Japão. E o estado atual das light novels está bem demonstrado no post. Os fãs de Light Novels não estão sendo atendidos adequadamente pelas editoras brasileiras. Quem é fã de light novel sabe (ou deveria saber) disso sem nem mesmo precisar desse post…

  • Dandara

    Eu queria trazer alguns pontos.

    Como o usuário Lindalberto apontou, infelizmente as editoras têm perspectivas diferentes do que é um sucesso de vendagens e tiragem alta. A MPEG fica bastante feliz com os números de Gash Bell. Será que a Panini ficaria? Não sabemos; mas é fato que muitas séries da Panini são canceladas ou tem um espaçamento bem longo por causa da baixa vendagem. Baixa não para os termos de lucro ou do mercado brasileiro – mas para a matriz italiana. Mais de uma vez foi comentado por funcionários da editora o quanto a matriz intervém nos títulos trazidos e especialmente no retorno deles. Como o BBM é mais focado nas publicações japonesas, não há como se ter uma noção dos demais títulos da editora. Mas se você for ver, vai notar que há títulos de super heróis que saem a passos de tartaruga provavelmente porque o público não é o suficiente para justificar um lançamento mais constante. Um que me vem à tona de imediato é o Esquadrão Suicida do Ostrander – sai praticamente um encadernado por ano.

    É aquilo – talvez tinha público, mas não o suficiente. E sobre o hábito de leitura – apesar de ser um fator, talvez não deva ser o -único- para colecionismo. É ótimo ter obras oficialmente na sua língua, mas a maioria das pessoas não se importa com isso, somente com o fato de poder ler. E não estou falando de scanlation, é só você jogar na Shopee ou no Mercado Livre e verá uma série de mangás artesanais feitos em casa de títulos que nunca saíram no Brasil de maneira legítima, certamente roubando a tradução de sites e, consequentemente, tendo uma impressão de baixa qualidade que eles tapam fazendo a “decoração” que uma pessoa espera num produto – sobrecapa, obi, papel de alta gramatura etc. Fatores como qualidade de tradução, revisão e legitimidades não importam para esses vendedores, muito menos para quem compra. O que importar é ter o material.
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    E aí tem o outro lado da moeda – colecionamos mangás. Legal. Mas… Quantos realmente leem o que colecionam? Ou ao menos, fazem isso na edição física? Já vi várias pessoas que compram o mangá físico para apoiar o autor, mas jamais tiram as edições do lacre e leem online, especialmente se for uma obra mais popular de fácil acesso; especialmente nos tempos atuais com o site oficial da Shueisha. Nem precisa mais de um grupo de scanlator para muitos títulos; agora você só precisa de uma conexão de Internet e às vezes noção de inglês (digo isso porque agora há títulos saindo em simultâneo em nossa língua também). O que a Panini acertou para mim foi como fez o material – manter o tamanho padrão de um livro grande, com papel de qualidade e capa chamativa com orelhas – isso certamente incentivou a compra do material bem mais do que as novels de tamanho pocket da NewPOP para quem só vê por fora um título numa livraria ou em fotos online. Se o texto está bom? Uma ou duas pessoas vão questionar isso, mas a maioria vai ver quão bonita ficou a edição física. Foi por isso que a NewPOP inclusive conseguiu crescer – eles eram a editora do off-set por R$13,90 – a única que também se aventurou em nichos como Boys Love e Light Novels – e eventualmente isso lhe pagaria, permitindo licenciar diversos títulos, inclusive obras de nome como Ashita no Joe, Mushishi, Record of Ragnarok e Re:Zero. Foi o “estilo” acima da “substância”; muito talvez por isso os erros de revisão e de baixa qualidade de imagem aconteceram diversas vezes ao longo dos anos. Isso é secundário em relação a mostrar “olha só, conseguimos botar no mesmo preço da editora rival, mas numa qualidade melhor”.

    A própria MPEG falou uma boa parte na live deles sobre brindes – um para a loja deles, um para assinatura e um para quem compra na Amazon. Para uma pessoa que não lê as entrelinhas, isso é uma simples forma de dizer “compre onde quiser e com o melhor preço para o seu bolso”. E apesar de isso ser verdade, sim, não tira o fato de que eles sabem que há um mercado vasto de colecionador de marcadores, postais, pins e todos os outros tipos de brindes possíveis. Eles sabem que vai ter pessoa que vai querer assinar um título integralmente mesmo que isso saia mais caro do que comprar os volumes separados em promoção se essa assinatura tiver algo exclusivo. A própria NewPOP faz isso bastante também. E considerando quantas pessoas vejo comentarem das assinaturas, posso dizer que isso dá retorno.

    Light Novel é inviável no Brasil? Acho que não; mas apelar apenas para a fama e/ou qualidade do material não é suficiente; você precisa de algo a mais. A LN de Mushoku é visualmente bonita, mas nesse ponto já tinham saído mais de 20 volumes da obra em mangá e a LN foi jogada em meio a diversos outros lançamentos de maneira MENSAL (sendo que até a de SAO ficou bimestral depois de um tempo – e até ela deu uma pequena pausa antes de seguir a publicação). Não foi falta de público; foi falta de orçamento dos leitores e planejamento da editora. E anunciar o Instagram com essa marca para depois fazer isso é a maior demonstração de “peidei, caguei” que já vi vindo da Panini. Como você acha que as pessoas que estavam esperando mais volumes para comprar a LN vão se sentir? Mesmo que você retorne com a publicação eventualmente, você perdeu esse público. Perdeu mesmo. E posso garantir que nesse meio-tempo eles vão importar a edição gringa e aí já era. Pense nisso, Panini; pense nisso.

  • musck29

    Complementando meu raciocínio no comentário anterior, não somente o brasileiro em sua imensa maioria não tem o menor hábito de leitura, como os poucos que tem não fazem parte do público de light novels…novels são quase restritas ao público consumidor de mangás, e dentre os consumidores de mangás são poucos aqueles que leem livros, a maioria fica restrita em quadrinhos. Uma tentativa seria desvincular totalmente as novels dos mangás e vincular somente junto aos livros, no entanto, por mais ambíguo que seja, fazer isso seria perder o pouco apelo de venda que elas tem, então realmente é um negócio fadado ao fracasso mesmo.

  • musck29

    Infelizmente, não há público…não adianta querer culpar o trabalho das editoras, a newpop fez um trabalho questionável mas ao mesmo tempo teve uma iniciativa histórica de publicar essa mídia…a panini vinha fazendo um trabalho gráfico e de revisão excelente com novels, e se vc discorda vc simplesmente não consome…mas eles são todos empresas, se um produto da prejuízo, ele será descontinuado. Muito me surpreende algo como Mushoku Tensei dar prejuízo, sinceramente….porém essa é a realidade do Brasil, uma população que não incorporou o hábito de leitura.

  • Jean Carlos de Oliveira

    Estou esperando até hoje a novel de Shakugan no Shana voltar… 6 anos já.

    • davi

      po cara, entrei em contato hoje e expliquei tudinho, a mulher que me atendeu foi super atenciosa e me disse que nesse caso tem duas opções: o cancelamento e o reembolso ou a troca por uma outra assinatura

  • MARCELO

    Sou assinante e entrei em contato com a Panini pelo whatsapp e fui informado pelo atendimento que não existe nenhum informação sobre o cancelamento. Aí insisti mais um pouco comentei sobre as notícias nos portais e canais de YouTube e simplesmente não obtive nenhuma resposta. Estou 2 semanas tentando pedir o cancelamento da assinatura para reembolso e sou totalmente ignorado pelo atendimento ao solicitar o cancelamento da assinatura sou simplesmente ignorado pelo atendimento.

  • Lucas Augusto Matiussi

    Muito triste esta situação… mas sinceramente, já esperava por isso.
    Tinha o sonho de ver a Light Novel de Monogatari Series vir para o Brasil, mas é impossível. Decidi comprar as versões em inglês mesmo, muito lindas e estilosas, só o preço que não.

    • Sugoi

      Monogatari só vem pro Brasil se for por uma editora de livros. Nunca que as editoras de mangás vão ter cacife de traduzir essa série.

  • L4vs

    Fiz tudo o que eu pude para apoiar o mercado de light novels há algum tempo. Era muito fã desse tipo de livro. Fiz um blog especializado para incentivar a leitura de light novels e usei todos os meus rendimentos (míseros mil reais ao longo de um ano) para sustentar meu vício. E o mercado parece ainda pior hoje do que era no passado.

    Acredito não haver futuro para as light novels no Brasil. E mesmo se houvesse, muitas obras de alta qualidade não chegariam por aqui, afinal só saem em português as obras mais famosas e que são adaptadas para anime. Assim, a única opção do brasileiro fanático pelas LNs é se relegar às traduções inglesas – que felizmente são numerosas.

  • c

    Os erros que eu vejo no mercado são os seguintes: não sei muito bem como funcionam as parcerias com editoras, mas percebo que quase nenhum influencer fala sobre essas light novels. Se você for a uma livraria e procurar light novels da Panini ou NewPop, esses ficam juntos com os mangás sem distinção, deveriam estar na prateleira de romances, e não na de quadrinhos.
    Livros de autores japoneses estão em alta e vêm sendo lançados em grande quantidade há algum tempo: “Vou te receitar um gato”, “Meus dias na livraria Morisaki”, “Chocolate quente às quintas-feiras”, “A doceria mágica da Rua do Anoitecer”, entre outros. As light novels deveriam estar ao lado desses livros na livraria e deveriam ser tratadas como livros, com tamanho grande e com orelhas

  • Lindalberto Leal

    A única coisa que compro importado é artbook, mas tenho uma inveja tão grande da disponibilidade de novels que tem nos EUA, se o dólar ajudasse eu colecionaria muitas novels importadas, resta sonhar somente que um dia a Seven Seas, Yen Press ou J-Novel Club olhem para nós e abram uma filial aqui, pena que novels são um nicho ainda menor que o de mangas e quadrinhos que já não é grande coisa num país que ninguém lê. Ao ponto de editoras como a Pipoca e Nanquim considerarem sucesso obras com tiragens acima dos 10 mil exemplares, talvez Mushoku não vendesse nem mesmo 5 mil exemplares por volume, número mínimo dito pela panini certa vez para viabilizar uma reimpressão.

  • SILVIO MEURER JUNIOR

    Uma das coisas que acredito prejudicar muito a indústria de Light Novels no Brasil é o timing de publicação.

    Light Novels como Zero no Tsukaima, Shakugan no Shana e Overlord chegaram ao Brasil com pelo menos dez anos de atraso, o que elimina o hype necessário para impulsionar as vendas. Por que eu compraria Overlord da JBC se já tenho todos os volumes em capa dura da Yen Press há anos? O Sonho de uma Apaixonada por Livros é excelente, mas a publicação já foi concluída no Japão há pouco mais de um ano e nada de sair o volume 1 aqui.

    Além disso, animes como The Eminence in Shadow, Tensura, Tenken e Diários de uma Apotecária vêm e vão, mas as Light Novels continuam sem lançamento por aqui.

    Outro problema é a falta de um serviço digital semelhante ao da J-Novel Club, que publica diversos títulos digitalmente e, com base no retorno, decide quais ganham versões físicas.

    • Tycho

      Sou fã de Log Horizon e um bom leitor. Entretanto, o primeiro volume publicado pela NewPop me decepcionou de tal modo que não comprei mais nenhum. Tradução e adaptação ruins, claríssima falta de revisão, e até erros de diagramação estão presentes na obra. Além disso, há um problema que escapa à editora, que é a falta de refinamento da história (aí é questão do autor e da editora japonesa), que poderia ter acontecido para a publicação física (muita redundância, passagens desnecessárias etc).

      Muitos fatores interferem na aquisição de light novels pelo público, mas seria bom a BBM investigar qual a percepção das pessoas sobre a qualidade do que é publicado. Isso pode dar pistas sobre o peso de alguns fatores para o público e apontar para algumas causas dessa falha na publicação de light novels.

  • Lode das Trevas

    É uma iniciativa difícil porque, além das editoras não saberem vender, muitos leitores simplesmente não compram a ideia das light novels.

    Eu sinto que muitos leitores de mangá não têm interesse por literatura tradicional, e os consumidores do grande mercado livreiro geralmente enxergam esses livros como sinônimo de mangá (que ainda é visto como baixa literatura, apesar da popularidade). Acaba que ninguém compra direito e só reforça isso ser um nicho dentro de um nicho…

    Acho que é interessante pensar também o papel das light novels no Japão, um país com uma tradição mais forte da leitura, onde essas obras são escritas e comercializadas com o intuito de serem lidas de maneira mais casual em metrôs ou outros intervalos em que buscamos um passatempo descontraído. Será que no Brasil essa proposta se justifica?

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