
Comentando minhas leituras
Como vocês conseguem ver anime, ler mangá, assistir filmes, ver séries, jogar, namorar, limpar a casa, fazer comida, passear, tudo isso e ainda trabalhar e/ou estudar? Nas últimas semanas esta coluna (“Leituras da Semana”) esteve de férias forçadas, pois eu acabei vendo muitos animes e aí as leituras dos mangás ficaram prejudicadas.
Eu já equilibrei animes e mangás, então a coluna volta agora regularmente, mas como vocês conseguem fazer esse monte de outras coisas? Para mim é um mistério^^.
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Deixando a brincadeira (?) de lado, nesta semana eu li o nono volume de Sangatsu no Lion, mais dois de Não Mexa Comigo, Nagatoro, dentre outras obras. Vejamos a seguir:




Sangatsu no Lion: O Leão de Março #09: assim como o volume #08, esse nono número do mangá foi mais leve e apresentou um desenvolvimento com menos drama do que volumes anteriores. O que não quer dizer que não tenha tido nada, pois muitas passagens levantaram questões acerca de determinadas preocupações dos personagens.
O grande tema desse volume foi “família” e ele esteve envolto tanto na vida do protagonista e sua “segunda família”, quanto na questão do shogi e um dos personagens que “batalharam” durante o volume. A autora mostrou as preocupações que temos para com as pessoas que nos são próximas, o modo como as admiramos e tudo o que fazemos por elas, nos dedicando, sofrendo com elas e, até mesmo, cuidando de nós mesmos para não gerar mais preocupações.
Nesse sentido, Hina (a garota que está na capa) é uma das personagens principais desse volume, mostrando seus planos para o futuro e as preocupações que ela mesma têm com a própria família (os sacríficos que seus familiares terão que fazer para que ela possa estudar no colégio que deseja, a possibilidade de as pessoas sumirem de sua vida de uma hora para outra, etc).
Um ponto interessante nisso tudo é que ao analisar a família de Hina, é possível notar que ela sempre teve seus problemas, sempre esteve “por um fio”, mas a gente só via ela como o “grande apoio do protagonista”. Depois do problema da Hina (o bullying sofrido por ela em volumes anteriores) e agora com a mudança de escola tudo ficou mais evidente, os sacrifícios da irmã mais velha, o avô lutando para continuar vivo até as netas se casarem, etc, etc, etc.
Não é que a gente não notasse, na verdade, não é que os problemas não estivessem lá, mas essa família que “adotou” o protagonista, Rei Kiriyama, era o grande conforto dele, era o seu porto seguro justamente por ser daquele jeitinho, com as meninas sempre cuidando do rapaz, as afeições, as pequenas aventuras, etc.
Agora, como o tema família ficou presente, tudo o que vinha sendo desenvolvido ao longo dos volumes anteriores ficou bem mais claro, deixou bem cristalino o estado daquela família. Todos vivem bem, todos estão felizes, mas existem as preocupações e as coisas podem desmoronar em algum momento, afinal a vida é assim.
O bullying sofrido pela Hina é um exemplo, pois era uma situação que surgiu do nada, difícil de se resolver e a menina não tinha os pais vivos, a irmã mais velha não sabia exatamente como agir, etc, etc, etc.
Enquanto as coisas vão bem, o amor familiar faz com que todos estejam bem felizes e contentes, mas e se algo mais acontecer? Dado o estilo dramático desse mangá nada surpreenderia, mas a gente espera que este porto seguro permaneça intacto e a gente vislumbre apenas bons momentos. No aguardo dos próximos volumes.
“Sangatsu no Lion: O Leão de Março” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 17 volumes publicados e com o 18º previsto para setembro. No Brasil, saíram 9 volumes até o momento




Chaos Game #05: esse é um dos piores mangás que li nos últimos tempos. Ele começou bem promissor, sendo um excelente achado, mas começou a desandar, a desandar, até que ficou irremediavelmente ruim e sem salvação.
No volume #04 a gente viu toda uma trama completamente desconjuntada, com uma ação desenfreada e sem sentido, e chegamos ao final do número parecendo ter muita coisa a acontecer, mas com o título acabando no volume #05. O que a gente poderia esperar?
De um certo prisma, o volume final não foi tão ruim quando parecia que ia ser. Uma parte dos acontecimentos foi bem desenvolvida, em certo sentido até coerente com o desenrolar dos fatos, deu emoção, dentre outras coisas. Só que foi só isso.
A trama como um todo foi acelerada, desperdiçada e dois dos maiores acontecimentos se desenvolveram em um piscar de olhos, como se tivesse que acontecer assim apenas porque sim. Além disso, o final deu uma sensação de um grande “ah tá”, sendo totalmente sem graça e sem uma resolução de fato.
Não digo que foi uma leitura totalmente jogada fora, mas eu não gastaria dinheiro com ele se soubesse da história e não recomendo a ninguém que comece. O início é realmente promissor, mas depois…
“Chaos Game” foi concluído no Japão em 5 volumes. Todos já foram lançados no Brasil.




Yona – A Princesa do Alvorecer #06: esse foi um volume de sentimentos e conflitos. Vimos que Yona ainda tem um amor remanescente em relação a Su-won e é nítido que isso a incomoda muito e que ela tenta eliminá-lo, mas não parece que será algo fácil. Por outro lado, Hak parece não ligar tanto para isso e mesmo nutrindo sentimentos para com Yona, continua apenas a tentar protegê-la.
Isso é algo que a gente já viu antes e provavelmente verá de novo, pois faz parte da características dos personagens, de seu íntimo, e isso não é algo que muda de um dia para o outro. São precisos acontecimentos e mais acontecimentos para ocorrer uma grande transformação e como a trama é longa, esse estilo dos dois deve permanecer por ainda muito tempo.
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Mas o grande ponto desse volume é um conflito, uma trama política que se adensa, com uma pretensa briga entre a tribo do fogo e uma nação inimiga, mas já está bem claro que tudo é fajuto, que está tudo sendo orquestrado para formar uma rebelião que destitua o poder do país.
A autora é realmente muito boa em explorar esses conflitos e nos deixar ansiosos com o desenrolar da trama. O que fará Su-won? Será que Yona se meterá no meio? Como acabará o conflito? Precisamos do sétimo volume urgentemente para saber mais sobre isso.
“Yona – A Princesa do Alvorecer” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 45 volumes publicados. No Brasil, a obra compila dois números em um só. Saíram 7 até o momento (equivalente ao 14 japonês)..




Blanc #02: o segundo e último volume de Blanc foi bem intenso, com uma boa quantidade de drama e um drama daqueles.
Se o primeiro volume foi marcado por um certo desentendimento entre Sajou e Kusakabe, além do agravamento da doença da mãe de um deles, o segundo teve o desfecho, para o bem e para o mal.
O grande destaque é que, após muitos momentos dramáticos (confrontos, dúvidas, preconceitos, perdas), finalmente vemos o casamento dos dois e é um momento emocionante e bastante bonito, principalmente pelos percalços que eles passaram.
Dentre diversas passagens, a cena mais marcante ocorre no próprio casamento em que uma pessoa chega para o casal e diz que também possui um companheiro do mesmo sexo e que, até então, achava que casamentos não tinham nada a ver com ele.
Assim, embora o mangá não esmiúce nada, ele deixa mensagens, ele mostra que é importante confrontar, para que a união de duas pessoas de mesmo sexo se naturalize, principalmente em uma sociedade conservadora.
“Blanc” foi concluído no Japão 2 volumes. No Brasil saíram os dois. Vale lembrar, porém, que a obra é a quinta da série Doukyusei. A sexta, “Home”, já foi licenciada no Brasil pela JBC e sairá em breve também..




Não Mexa Comigo Nagatoro #09 e #10: eu sou assinante desse mangá e os dois volumes demoraram bastante para chegar, então eles acabaram acumulando e eu pude ler os dois de uma vez…
As mesmas impressões dos volumes anteriores se mostraram aqui. A gente está vendo a relação entre Nagatoro e o Senpai ficando mais e mais íntima, e ficando cada vez mais claro que os dois já se gostam bastante e já poderiam estar namorando se fossem mais sinceros.
Claro, o Senpai é um rapaz mais tímido e que tem dificuldades para agir, mas a Nagatoro poderia deixar de levar tudo na brincadeira e ser mais sincera com ele e consigo mesma. Assim, as coisas se resolveriam e talvez o mangá acabasse logo, mas ainda estamos na metade…
De todo modo, é bem legal ver a relação entre os dois, ver como eles se tornaram bastante amigos e como (apesar de Nagatoro ainda brincar muito com o Senpai) aquele bullying do primeiro volume diminuiu bastante, a ponto de parecer outro mangá.
Então, eu continuo gostando bastante dessa obra e não sinto necessidade de que ela acabe logo. É um estilo bem divertido (comédia misturada com romance) e que me agrada bastante.
“Não Mexa Comigo Nagatoro” foi concluído no Japão em 20 volumes. No Brasil, saíram 11 até o momento e o 12º está em pré-venda
Tradutores dos mangás:
Caio Suzuki
- Sangatsu no Lion: O Leão de Março #09 (JBC)
Cristhielle Ogura
- Yona – A Princesa do Alvorecer #06 (JBC)
Edward Kondo
- Não Mexa Comigo, Nagatoro #09 e #10 (Panini)
Gabriela Takahashi
- Chaos Game #05 (Panini)
Hiro Tamaki
- Blanc #02 (JBC)