
Um romance daqueles bem bons…
Não é raro as obras japonesas trabalharem com o imaginário folclórico e sobrenatural, tanto apresentando obras de fantasia e aventura, quanto obras de vida cotidiana e romance. Igualmente, muitos mangás mostram tais elementos como naturais dentro do mundo apresentado, enquanto outros tratam a questão como algo desconhecido da população em geral, mas que existe.
Ciúme cor de Raposa, mangá de Machi Suehiro, faz parte do segundo tipo. Se trata de uma obra de vida cotidiana e romance com determinados elementos sobrenaturais, mas se passando “no nosso mundo”, com as pessoas desconhecendo a existência real de tal ou qual coisa do imaginário, das lendas e dos mitos.



Na obra, conhecemos Akiha, um rapaz de 18 anos que decide se mudar para Tóquio, a fim de estudar na Universidade, mas também para buscar um tratamento para uma rara condição que o atinge.
Sua família, muitas eras atrás, foi amaldiçoada por uma raposa, assim os membros acabam sendo possuídos pelo espírito de uma, ocasionando problemas como o aparecimento de orelhas e rabo de raposa e, mais que isso, ter o corpo controlado pelo espírito animalesco.
Akiha é, portanto, um portador dessa maldição. E sempre que ocorrem certas coisas, suas características físicas mudam (a referida orelha e o rabo da raposa) e ele pode ser controlado pelo espírito que está dentro de si. Por conta disso, a vida dele sempre foi muito restrita, com ele tendo que ficar sempre alerta para que ninguém descobrisse.
Em sua ida para a capital japonesa, ele ficaria na casa de alguns parentes distantes que cuidam de um templo e que poderiam o ajudar a controlar o problema.

Em seu primeiro dia em Tóquio, Akiha acaba sendo assediado no trem, mas é salvo por um outro rapaz. Em meio ao clima de estresse, o jovem acaba revelando as orelhas de raposa e o rapaz na sua frente termina por o achar fofo, mas Akiha foge o mais rápido que pode.
Ao chegar na casa dos parentes distantes, porém, ele logo terá uma surpresa. O rapaz que o havia salvado e que o tinha chamado de fofo era Yukuri, um dos filhos da família com quem ele passaria a ficar dali em diante. Em Ciúme Cor de Raposa a gente verá o modo como Akiha e Yukuri se relacionam, até que os sentimentos comecem a florescer, tudo isso, porém, regado com a aparição constante do espírito de raposa.


Ciúme cor de Raposa é mangá leve, com pequenos dramas aqui e ali, com uma cena ou outra +18, mas que mesmo assim fica numa esfera tranquila da vida cotidiana, com uma narrativa que entrega bom humor e romance na medida certa.
Em um único volume a autora consegue delinear bem as características dos personagens (Akiha, um rapaz sempre na defensiva e que busca se esconder; Yukuri, um homem que age com gentileza para com todos e isso lhe causa problemas) e as usa para contar uma história que, aos poucos, vai se tornando mais e mais curiosa e imersiva.
O mangá, na verdade, começa bem desde as primeiras páginas, deixando-nos intrigados com a sucessão de acontecimentos (assédio, salvamento, orelhas de raposa, casa, etc) e mostrando de pronto os rumos que a trama irá tomar, com Akiha (e o espírito de raposa dentro dele) se interessando por Yukuri e este estando também, de certa forma, entusiasmado, por gostar de “coisas fofas” (como as orelhas de raposa).

E o decorrer da história é assim, com a autora colocando alguns elementos de drama aqui e ali, mostrando como a maldição atrapalha Akiha, e/ou apresentando algo que tensiona a relação entre ele e Yukuri (mas que também serve para aproximá-los).
É uma história muito bem construída (fica evidente que a autora pensou em cada detalhe), com bons personagens e uma narrativa que agrada em sua simplicidade, com seu lado divertido, etc. É quase um daqueles “mangás de conforto” que você lê para relaxar e ter um pouco de paz.

Em outras palavras, eu gostei bastante desse mangá. É um romance legal, com uma história interessante e que condiz bem com meus gostos para obra desse gênero. Quem gosta de mangás de romance em geral, provavelmente também irá gostar desse mangá.
Recomendo.
Ciúme Cor de Raposa foi publicado originalmente entre março de 2019 e janeiro de 2020 na .Bloom, da editora Homessa, e teve seus capítulos compilados em um único volume.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora JBC em dezembro de 2025 e foi lançado agora em maio de 2026.





A edição brasileira veio no formato 13 x 18,2 cm (semelhante a Cherry Magic, Colegas de Classe, Pink Heart Jam, Skip e Loafer, dentre outros), com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartão com orelhas. São 200 páginas, todas em preto e branco, e o preço é R$ 49,90.
É uma edição muito bonita esteticamente e também excelente enquanto qualidade do material, com um bom papel e uma encadernação ok.
Quanto ao texto, achei ele bem adaptado e, se houve erros de revisão, não notei nenhum. Então, considero a edição muito boa e bem feita, sem quaisquer deméritos.
FICHA TÉCNICA
Título Original: ヤキモチはきつね色
Título: Ciúme Cor de Raposa
Autor: Machi Shuehiro
Tradutor: Cristhielle Ogura
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 13 x 18,2 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa Cartão com Orelhas
Páginas: 200
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: O jovem universitário Akiha é atormentado por uma maldição de família. Um espírito de raposa habita o seu corpo e toma o controle toda vez que abaixa a guarda, além da aparição de um par de orelhas e rabo de raposa sempre que isso acontece. Em busca de tentar resolver essa situação, ele é deixado aos cuidados de alguns parentes distantes que administram um templo. No entanto, assim que se encontra com Yukuri, o filho dos responsáveis pelo templo, o corpo de Akiha o agarra inconscientemente. Como se não bastasse toda essa confusão, a raposa acaba beijando Yukuri…?!