Resenha: “Re Cervin #01”

A velha história clichê bem feita…

Re Cervin é um mangá de autoria de Kousuke Hamada e está em publicação no Japão desde janeiro de 2022 na revista Big Comic Spirits, da editora Shogakukan, tendo 7 volumes compilados até o momento.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Panini no dia 30 de agosto de 2024 e tinha previsão de lançamento para novembro do mesmo ano. O primeiro volume chegou a entrar em pré-venda, mas o tempo foi passando e a publicação foi sendo adiada e adiada até ser finalmente lançada em junho de 2025.

Só saiu esse primeiro volume até o momento e o segundo está previsto para outubro.


UM POUCO DA HISTÓRIA


Re Cervin é um mangá de fantasia que se utiliza daquele lugar comum de um reino ser atacado e alguém da realeza precisar fugir para depois iniciar uma jornada em busca da retomada do poder.

Esse é o tipo de história que a gente vê, por exemplo, em A Heroica Lenda de Arslan ou Yona: A Princesa do Alvorecer, mas embora a premissa e o invólucro seja o mesmo, o desenvolvimento das histórias são bastantes distintas, cada qual seguindo um caminho.

Em Re Cervin, o reino é atacado e o único jeito do rei e da princesa se salvarem é a princesa (Alcinoe) utilizar-se de um magia poderosa que consome uma memória importante da pessoa.

Alcinoe deseja se livrar das memórias da recém morta mãe, conforme acordada com ela, mas seu pai, o Rei Cervin, diz que ela deve esquecer dele, pois eles poderão, com o tempo, fazer novas memórias.

Alcinoe assim faz, consegue se salvar, e quando acorda já não lembra mais quem é Cervin. Ainda assim, embora relutante, ela o segue e os dois iniciam sua jornada em busca de reverterem o mal, recuperarem o reino e poderem ser felizes novamente.


DESENVOLVIMENTO E OPINIÕES


Re Cervin é um mangá para o público adulto e, como tal, ele usa e abusa de cenas mais fortes e picantes, com diversos massacres, cabeças cortadas, estupros e cenas de sexo.

Embora a obra não exagere nos detalhes mostrados (por mais que, por exemplo, tenha um erotismo aqui e ali, ele não é usado totalmente como forma de fetichização), ela deixa clara que o mundo fora daquele reino é bastante violento e depravado.

Analisando com mais atenção, Re Cervin é uma daquelas fantasias que discernem com clareza o lado do bem e o lado mal, estando Cervin e sua filha do lado bem, usando sua força apenas para escapar e para enfrentar inimigos, enquanto os malvados matam crianças, estupram mulheres, etc, etc, etc.

Ou seja, enquanto de um lado a violência é usada apenas como forma de sobreviver, de outro ela usada apenas por ela mesma, é a maldade pela maldade, a maldade que busca mais maldade ainda.

Tanto os que atacaram o reino e buscam criar um novo mundo com a morte de todos os humanos, quanto outros personagens que aparecem aqui e ali (especificamente um sujeito que se passa pelo Rei Cervin) são dessa esfera do mal pelo mal, muitas vezes levados pelo desejo.

Esse primeiro volume ainda está na área da introdução da trama, com muitas coisas ficando em aberto (o que é exatamente aquele dragão?), mas é uma história que vai andando de uma maneira bem agradável e a leitura termina por ser prazerosa, daquelas que a gente vai passando as páginas num piscar de olhos, de tão imersos na história que ficamos.

Re Cervin é uma obra de fantasia comum, bem uniforme e que agrada bastante pela temática de aventura e batalhas. Apesar disso (ou por isso mesmo) ele não tem nada de novo, não tem nada brilhante ou chamativo demais. Mas não é preciso nada disso, pois Kousuke Hanada segue a cartilha direitinho de uma boa obra de fantasia e com isso consegue nos fazer gostar de tudo o que é mostrado nesse volume inicial.


EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de Re Cervin veio no formato padrão editora Panini, com o tamanho 13,7 x 20 cm, miolo em papel Offwhite e capa cartonada simples com laminação brilho. São 224 páginas (todas em preto e branco) no primeiro volume e o preço é R$ 39,90. No segundo volume haverá um reajuste para R$ 43,90.

Em outras palavras, é uma edição comum e normal da Panini, com uma encadernação ok, um papel legal (mas que pode ter um pouco de transparência aqui e ali), então não tem nada a reclamar ou a elogiar que já não tenha sido feito em outros mangás da editora.


CONCLUSÃO


Re Cervin é uma obra de fantasia que bebe da mesma fonte de A Heroica Lenda de Arslan e Yona: A Princesa do Alvorecer, mas indo por caminhos mais picantes, violentos e fantasiosos.

A história da recuperação de um reino é um lugar comum nas fábulas de fantasia, mas cada obra busca contar de um jeito diferente. Kousuke Hanada parece conhecer a tradição e busca criar uma narrativa de aventura bem coesa e interessante, usando os elementos comuns das obras de ficção.

O primeiro volume não teve nada grandioso e que chamasse a nossa a atenção para uma grande genialidade, mas foi bem divertido de ler, foi interessante, foi gostoso e deu uma vontade de continuar. Ainda assim é um volume bastante introdutório e creio que precisa de mais alguns números para saber se a história irá despontar ou não.


FICHA TÉCNICA


Título Original: レ・セルバン
Título: Re Cervin
Autor
: Kousuke Hamada
Tradutor: Fernando Mucioli
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 7 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 224
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 39,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

Sinopse: Cervin, o rei de Hellenthal, perdeu sua família, seus amigos, seu povo e seu reino devido a uma invasão repentina do império de Iria, liderada por Contrano.  Além disso, o Dragão Malígno que havia sido selado no reino ao pé da montanha desperta durante a invasão e começa a incinerar o reino.  Alcinoe, a filha de Servin,  usa o poder da Santa Joana para tentar subjugá-lo, mas acaba perdendo a memória de seu pai como moeda de troca… O rei de um reino perdido e a princesa do esquecimento. Abrem-se as cortinas da jornada de duas pessoas ligadas pela perda.