Resenha: “Parasitic City 0.1”

Questionamentos e interrogações

Parasitic City é um mangá de autoria de Shintaro Kago e que tem certas peculiaridades em sua forma de publicação. Para começar, ele é lançado originalmente na Itália pela editora Hollow-press e de forma simultânea em três idiomas, italiano, inglês e japonês.

A Hollow-press é a mesma casa de Gaia (publicado no Brasil pela Darkside Books) e A Princesa do Castelo Sem Fim (publicado por aqui pela Pipoca & Nanquim) e em todos eles a empresa fez essa publicação própria, contratando um artista japonês e publicando o mangá em três línguas ao mesmo tempo.

Todos os mangás da empresa possuem sentido de leitura ocidental e assim também é com Parasitic City. Entretanto, essa obra possui uma questão peculiar.

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Ele começou a ser lançado em 2022 e tem previsão de ser concluído em 4 volumes, o último previsto para 2026. A série é em preto e branco e cada volume lançado até agora possui cerca de 160 páginas.

A peculiaridade é que, antes do lançamento dos volumes, Shintaro Kago e a Hollow-press lançam uma historieta de menos de 30 páginas, toda colorida, se passando no mesmo universo da série. São os volumes 0s. Assim existe o 0.1, o 0.2, o 0.3 e existirá o 0.4 futuramente.

Aqui no Brasil, a editora Conrad licenciou a obra e a publicará da mesma forma, com o lançamento das historietas antes da publicação de cada volume da série principal. Como as historietas têm poucas páginas, a editora colocou ela na coleção HQ Para Todos.


A COLEÇÃO HQ PARA TODOS E O “PARASITIC CITY”


HQ Para Todos é uma coleção de iniciativa da editora Conrad para a publicação de quadrinhos a preços mais baixos, para serem, justamente, acessíveis para todos ou para o maior número possível de pessoas.

Inicialmente custavam R$ 9,90 (as hqs em preto e branco) e R$ 14,90 (as coloridas), mas com a inflação implacável foi necessário um reajuste de cinco reais, passando para R$ 14,90 e R$ 19,90 respectivamente.

Os volumes 0s de Parasitic City formam o primeiro quadrinho de um autor japonês a ser publicado dentro da coleção, e como ele é todo colorido, veio ao preço de R$ 19,90.

Os quadrinhos do HQ Para Todos têm um formato grande 17 x 24 cm, mas como a proposta é ser barato, ele tem poucas páginas (32 no caso) e sua lombada é canoa grampeada (como uma revistinha mesmo). Não há acabamentos especiais na capa e o papel usado no miolo é o Offset (aquele branco comum).

A edição é boa e não há nenhum problema com ela, mas consumidores de mangás não costumam gostar desse tipo de acabamento, seja por preciosismo ou por colecionismo. Ainda assim, acho que vale dar uma chance a essa historieta, pois é algo diferente, além de ser uma boa oportunidade de ler uma história curta de um autor consagrado e sem gastar muito.


SINOPSE OFICIAL


Ambientado em um mundo distópico no qual os pecados das pessoas são controlados por parasitas, Parasitic City é um mangá estonteante de Shintaro Kago, mestre indiscutível do Ero-Guro. Depois de uma intensa guerra, o governo iniciou a implementação das biopróteses, braços e pernas parasitas, em ex-soldados a fim de reintegrá-los à sociedade. A protagonista deste spin-off perdeu todos os membros do corpo, e ao receber as biopróteses, procurou recomeçar a vida, mas um encontro com um ex-soldado lhe proporciona sentimentos nunca antes aflorados…


COMENTANDO PARASITIC CITY 0.1


Como mostra a sinopse oficial, Parasitic City acontece em um mundo diferente, em alguma distopia, em que parasitas são responsáveis por controlar os pecados das pessoas e no volume 0.1 nós temos uma pequena amostra desse mundo, amostra essa que deixa mais perguntas do que respostas em relação a esse lugar.

Na obra está acontecendo (ou aconteceu) alguma guerra e muitas pessoas acabaram vítimas, tendo seus membros decepados. Uma dessas pessoas é a moça protagonista da história, que conhecemos em um estado lastimável e em completa depressão, deixando-se ser corroída por pensamentos negativos…

Quando seu irmão, Robert, reaparece, ela começa a usar biopróteses fornecidas pelo governo e volta a andar, indo frequentar um grupo de apoio e onde termina por conhecer uma certa pessoa que muda sua vida, começando a transar desenfreadamente com ele.

Basicamente, esse volume inicial é tudo feito em torno do pecado da luxúria, sendo um mangá que visa a falar de sexo do começo ao fim. Os móveis, por exemplo, são materiais vivos, que precisam se alimentar e transam para poder se reproduzir. Os carros também podem começar transar uns com os outros no meio da rua. As peças íntimas são seres parasitas e assim por diante.

Entretanto, como dito, o mangá deixa mais perguntas do que respostas, sendo apenas uma grande amostra desse mundo louco criado por Shintaro Kago…

Em suas obras, Shintaro Kago vive fazendo críticas sociais ácidas, muitas vezes de maneira clara (como uma alusão aos maus-tratos contra idosos em Dementia 21 ou a fome passada pelo povo em A Princesa do Castelo Sem Fim), mas outras de forma comedida e imperceptível.

Em Parasitic City 0.1 há diversas críticas comedidas, como a questão da guerra, a pobreza da cidade, a repressão policial, a censura do governo, etc.

Tudo isso se engendra com a questão da luxúria (há sexo o tempo todo), mas as coisas ficam nebulosas a respeito do que se está querendo contar de verdade.

A gente não sabe direito quem é o irmão da protagonista e o que ele faz. A gente não entende direito o desfecho do volume. A gente não sabe o porquê de o governo considerar uma certa pessoa como traidora da pátria e assim por diante. A gente não entende direito o funcionamento do mundo, etc.

E o mangá termina assim mesmo, com a gente com grandes dúvidas a respeito do que acabamos de ler. Ficam faltando coisas, mas provavelmente é assim mesmo, afinal essa é apenas uma historieta, apenas uma amostra…


CONCLUSÃO


Shintaro Kago é um autor que gosto bastante e sempre fico contente com cada oportunidade de ler uma obra dele. Alguns títulos são muito melhores do que os outros, claro, mas todos têm um estilo muito diferenciado, com o nonsense se fazendo presente o tempo todo, cenas grotescas aqui e ali, erotismo exacerbado e assim por diante.

Para além disso, a criatividade do autor sempre leva a histórias do nível surreal, com mundos criados em que as pessoas, em geral, têm dificuldade de se acostumar.

No que concerne a Parasitic City, o volume 0.1 é apenas uma grande introdução a um novo universo do autor, de maneira que ainda não é possível fazer qualquer julgamento claro acerca da obra. O julgamento deve ser feito depois do lançamento do volume #01 de verdade, quando teremos mais páginas para ler.

Quanto a essa historieta de agora, é o que repetimos desde o início, ela deixa mais perguntas do que respostas e é estranho mesmo para quem está acostumado com o autor.

Então, para terminar, se faz necessário a pergunta: vale a pena ler? Vale para você conhecer um pouco do estilo de Shintaro Kago e gastando pouco, mas você tem que ter em mente que ficará com dúvidas do começo ao fim


FICHA TÉCNICA***


Título Original: Parasitic City
Título: Parasitic City 0.1
Autor
: Shintaro Kago
Tradutor: Edward Kondo
Editora: Conrad
Número de volumes no Japão: 3 (ainda em publicação e a ser concluído em 4)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 17 x 24 cm
Miolo: Papel Offset
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 32 (todas coloridas)
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 19,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Ambientado em um mundo distópico no qual os pecados das pessoas são controlados por parasitas, Parasitic City é um mangá estonteante de Shintaro Kago, mestre indiscutível do Ero-Guro. Depois de uma intensa guerra, o governo iniciou a implementação das biopróteses, braços e pernas parasitas, em ex-soldados a fim de reintegrá-los à sociedade. A protagonista deste spin-off perdeu todos os membros do corpo, e ao receber as biopróteses, procurou recomeçar a vida, mas um encontro com um ex-soldado lhe proporciona sentimentos nunca antes aflorados… 

***Essa é a Ficha Técnica dos volumes 0s (0.1, 0.2, 0.3 e 0.4). A editora não divulgou os detalhes dos volumes em si (#01, #02, #03 e #04), de cerca de 160 páginas. O tamanho pode ser diferente e o acabamento também. Certamente não será lombada canoa…