
Mais um Shintaro Kago
Dano Cerebral é um mangá de autoria de Shintaro Kago que foi publicado no Japão originalmente entre maio de 2016 e novembro de 2017 no Web Comic Gama, da editora Wani Books, tendo seus capítulos compilados em um único volume.
No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Comix Zone no dia 17 de junho de 2025, por meio de uma live para o Canal 2 Quadrinhos, e o lançamento ocorreu na primeira quinzena de setembro.
Com o volume em mãos, lemos a obra e viemos comentar um pouquinho do mangá para vocês.






SINOPSE OFICIAL
Em Dano Cerebral, o mestre do ero guro nansensu Shintaro Kago reúne quatro histórias curtas que vão testar os limites do seu cérebro – e do seu estômago. Garotas idênticas presas em um labirinto mortal. Um quarto amaldiçoado que desafia as leis da lógica. Vizinhos desaparecem sem deixar rastro. Cadáveres mutilados encontrados dentro de carros perfeitamente intactos. Nada faz muito sentido – e é justamente aí que mora o terror. Com seu traço vibrante e sua mente pervertidamente criativa, Kago convida o leitor para um passeio sem freios por pesadelos surreais, violência gráfica e reviravoltas insanas.
DESENVOLVIMENTO E OPINIÕES
Mangás de Shintaro Kago possuem algumas características específicas que fazem com que suas obras sejam únicas ou, pelo menos, diferentes da maioria dos quadrinhos japoneses convencionais.
Suas histórias misturam horror, sexo, coisas sobrenaturais, nonsense, e uma enxurrada de plot twists que fazem as narrativas serem diferenciadas, positiva ou negativamente (Pedacinhos e Anamorfose, por exemplo, tiveram reações mistas do público brasileiro)
É também muito comum que as obras do autor tenham elementos bastante ácidos e críticas sociais, e esses são as melhores obras do autor, principalmente quando são feitas direitinho, como boa parte dos contos de Dementia 21.
Dano Cerebral, por sua vez, é uma coletânea de contos que estão envoltas apenas no mistério, no horror e no sobrenatural, sem uma camada extra de crítica ou de acidez, sendo só histórias para passar o tempo e ver uma reviravolta ou outra, mas sem aquela paixão, sem aquela ânsia, sem aquela criatividade característica de Shintaro Kago.

O primeiro conto, “Labirinto em Quatro”, começa de um jeito bem interessante, com um mistério envolvendo quatro pessoas com rostos parecidos, mas o decorrer da trama vai ficando estranho, estranho e a reviravolta do final meio que deixa tudo sem graça, como se tudo fosse uma grande brincadeira metalinguística do autor.
Shintaro Kago costuma fazer esse tipo de coisa em suas obras (e já tivemos alguns mangás no Brasil com essa fórmula), mas esse conto em específico acabou ficando bem abaixo em termos de qualidade e expectativas criadas.

“Quarto Amaldiçoado” é uma narrativa com mais engenhosidade, em que o mistério e o horror andam juntos até que temos uma reviravolta interessante e que lembra muito os bons momentos do autor, até mesmo com elementos que soam como uma daquelas críticas sociais bem veladas que ocorrem algumas obras.
Entretanto isso é só metade do conto. A história continua, com uma moça cuidando de outra dentro do suposto quarto amaldiçoado, mas todo o direcionamento final é sem graça, por assim dizer. O final (a última página, o último quadrinho) é nitidamente apenas para fazer graça, mas ficou bem longe de um final digno de verdade.

“Retrato de Família” é talvez a mais redondinha das histórias do volume, pois ela começa e termina do mesmo jeito, com um velhote assediando sexualmente sua neta adolescente (O_0). É a narrativa mais grotesca de todas, pois, além do assédio, tem coisas gráficas perturbadoras e um desenvolvimento que coloca em xeque todos os personagens, dos coadjuvantes aos protagonistas.
A história põe em contraposição o esquecimento das pessoas mais velhas (o fato de elas serem indesejadas, principalmente quando têm alguma doença), com o esquecimento das outras pessoas, causada por uma anomalia misteriosa e que envolve justamente um idoso. O final é daqueles ridículos, com as pessoas buscando se salvar dos jeitos mais ignóbeis…

O último conto, “Colheita de Sangue”, é talvez o piorzinho de todos. É uma narrativa envolvendo mistério e investigação e ele termina por ser bastante chato no geral, com a história girando e girando quando poderia ir mais direto ao ponto.
Além disso, determinado acontecimento do final (a questão envolvendo os carros usados) já era antevisto desde que começou a investigação e meio que mostrou uma falta de criatividade nessa questão.
Assim, essa última história é a que mais dá a receita de Dano Cerebral, é a que mais mostra o que é esse volume, um mangá que é apenas um amontoado de mistério, horror e sobrenatural, sem aquela criatividade arrebatadora que Shintaro Kago costuma construir.
Não que as histórias não sejam criativas e nem únicas, mas estão bem abaixo do que a gente está acostumado. E ler Dano Cerebral logo depois de ler Parasitic City 0.1 mostrou isso muito mais, pois em Parasitic City (mesmo sendo um mangá com mais perguntas que respostas) a criatividade do autor estava bem mais presente, bem mais chamativa do que em Dano Cerebral.
EDIÇÃO BRASILEIRA E CONCLUSÃO
A edição brasileira de Dano Cerebral veio no formato padrão da editora Comix Zone, tendo o tamanho 15,5 x 22 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g, e capa cartonada com sobrecapa e verniz localizado.
É uma edição mais luxuosa, sendo exatamente igual (em todos os detalhes de acabamento) aos mangás da Pipoca & Nanquim, com um bom papel, uma boa encadernação (colada e costurada) e a necessária e importante sobrecapa. Então, é um produto muito bem feito e de excelente qualidade, não havendo nenhuma reclamação a esse aspecto.
Em relação ao texto, achei ele muito bem adaptado, sem qualquer traço de japonês desnecessário. O texto estava coeso e coerente do início ao fim, não havendo nenhum momento que tenha soado estranho. Também não notei de erros de revisão. Então, novamente, não há nenhum demérito nesse aspecto.
***
No que toca à história de Dano Cerebral, eu diria que os contos, em sua maioria, ficam bem aquém da qualidade do autor. Não acho necessariamente que as histórias apresentadas são ruins, mas o todo deles dão ares de menos inventividade e menos emoção do que estamos acostumados.
Para quem nunca leu algo de Shintaro Kago, talvez Dano Cerebral apresente quatro histórias que podem lhe fazer ficar fã do autor, pois para quem não teve contato anterior com suas obras, a criatividade por trás das tramas pode agradar mais e fazer com que você queira se aventuras por títulos mais obscuros e mais loucuras…
FICHA TÉCNICA
Título Original: ブレインダメージ
Título: Dano Cerebral
Autor: Shintaro Kago
Tradutor: Drik Sada
Editora: Comix Zone
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15,5 x 22 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa Cartão com Sobrecapa
Páginas: 192
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 69,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Em Dano Cerebral, o mestre do ero guro nansensu Shintaro Kago reúne quatro histórias curtas que vão testar os limites do seu cérebro – e do seu estômago. Garotas idênticas presas em um labirinto mortal. Um quarto amaldiçoado que desafia as leis da lógica. Vizinhos desaparecem sem deixar rastro. Cadáveres mutilados encontrados dentro de carros perfeitamente intactos. Nada faz muito sentido – e é justamente aí que mora o terror. Com seu traço vibrante e sua mente pervertidamente criativa, Kago convida o leitor para um passeio sem freios por pesadelos surreais, violência gráfica e reviravoltas insanas.