
O clássico que há muito tempo esperávamos…
Nodame Cantabile é um mangá de autoria de Tomoko Ninomiya que foi publicado originalmente no Japão entre 2001 e 2010 na revista Kiss, da editora Kodansha, sendo concluído em um total de 25 volumes. Entre 2021 e 2022, a obra foi republicada em uma edição compilando tudo em 13 números.
O título foi vencedor do Kodansha Manga Awards em 2004 na categoria shoujo, e entre 2007 e 2010 foi adaptado em anime, com 3 temporadas no total. A primeira chegou a ser transmitida na televisão brasileira com dublagem e tudo.
Quanto ao mangá, ele foi anunciado no Brasil no dia 1º de dezembro de 2024 pela editora MPEG, durante seu evento MPEG Fest, e a edição brasileira veio seguindo a nova versão japonesa em 13 volumes.
O lançamento do primeiro número ocorreu em junho de 2025 e com a leitura do tomo inicial concluída viemos falar um pouquinho da obra para vocês.






UM POUCO DA HISTÓRIA
Em Nodame Cantabile conhecemos Shinichi Chiaki, um jovem amante de música e que tem o sonho de se tornar um maestro. Criado na Europa, ele teve desde cedo contato com a música clássica, mas – após o processo de separação de seus pais – foi obrigado a voltar ao Japão com sua mãe.
Por conta de certos incidentes, ele passa a ter fobia de voar de avião e viajar de navio, de maneira que ele não consegue mais sair de seu país e retornar à Europa fazendo com que seu sonho de se tornar maestro (e, principalmente, aprender com um famoso regente europeu) fique muito distante, ainda mais quando ele vê pessoas menos talentosas ganhando chance de viajar para o exterior…

O mangá começa de verdade quando Chiaki tem um desentendimento com o professor de piano da faculdade, onde acaba expulso de sua classe. Em seguida, uma moça o encontra desacordado (após um belo porre) e o carrega para dentro de seu próprio apartamento.
Chiaki desperta com uma bela música (similar a uma que ele ouvira recentemente e não sabia quem a executara), tocada por uma garota (Megumi Noda, apelidada de Nodame), mas cercado de lixo para todos os lados.
A partir do momento em que os dois passam a ter contato, a vida de Chiaki começa a mudar de maneira desenfreada, com ele limpando a casa de Nodame (que se apaixona por ele e passa a achar que é sua namorada), conhecendo músicos malucos um atrás do outro, até chegar ao ponto de ver o seu sonho de se tornar um maestro começar a tomar um rumo de verdade pela primeira vez…

DESENVOLVIMENTO E OPINIÕES
Nodame Cantabile é um mangá de comédia romântica (mais comédia do que romance), centrada em música clássica, e onde acompanhamos jovens em suas carreiras universitárias, com seus dilemas perante o futuro e o desenvolvimento de suas vidas.
Os protagonistas são Chiaki e Nodame, ambos do curso de Piano, que, por uma coincidência do destino, moram no mesmo conjunto de apartamentos, um do lado do outro. Chiaki é talentoso e esforçado, enquanto Nodame tem um excelente ouvido musical, conseguindo reproduzir músicas no Piano após ter escutado apenas uma vez.
A relação dos dois evolui rapidamente com eles se tornando quase inseparáveis (mais por questão dela do que dele), comendo juntos, tocando juntos, etc. Somam-se a eles outros personagens, como um violinista e um timpanista, cada um mais excêntrico do que o outro.
Como se trata de um mangá de comédia (e um mangá de comédia advinda do início dos anos 2000), a obra apresenta personagens bem caricatos, com personalidades e jeitos muito distintos, além de diversas passagens humorísticas que lembram bastante os mangás e animes dos anos 1990.
Chiaki, por exemplo, é um personagem que perde a cabeça muito rápido e não mede palavras na hora de criticar alguém, gerando cenas e expressões de humor impagáveis.
Assim, quando ele vê que a sujeira do apartamento de Nodame está incomodando a sua paz, ele nem pensa direito e faz uma faxina na casa dela, quando sente um cheiro ruim no cabelo da garota, ele leva ela para o chuveiro e o lava. Quando vê a performance de Masumi (Tímpano) dançando enquanto toca, ele já fala que se trata de uma pessoa idiota sem dó nem piedade.



O jeito irritadiço de Chiaki também se mostra na relação dele com Nodame sempre que a garota faz alguma maluquice ou esquisitice, com ele dando uma pancada na cabeça dela, pegando-a pela roupa ou jogando uma caixa nela, naquele estilo pastelão típico dos anos 1990.
A relação entre Chiaki e Nodame nessas cenas de humor é assim, com Nodame volta e meia aprontando alguma coisa sem noção (se maquiando de forma esquisita e abraçando ele, levando um estrangeiro desconhecido para sua casa, deitando na cama sem permissão, dentre diversas outras coisas) e Chiaki se irritando com ela.
Esse é um estilo humorístico exagerado, daqueles feitos para mostrar que ali não é a realidade literal, que os personagens são ficcionais e que aquelas coisas não são passíveis de ser reproduzidas no cotidiano das pessoas.
Talvez hoje em dia dificilmente veríamos algo assim em um mangá para o público feminino, mesmo em obras de humor, mas era algo bem comum e bem aceito na época.
Algumas pessoas, hoje em dia, não gostam desse tratamento, pois seria uma espécie de normalização da violência contra a mulher, mas creio que não chega a ser nada problemático nesse sentido, visto que – como dito antes – o estilo humorístico da obra não está na esfera do real e sim do absurdo, hiper inflando situações.
Só por isso, já fica claro que a ficção não está fazendo nenhum discurso pró-violência, era apenas um estilo característico do absurdo, comum na época.

No posfácio a autora até faz uma autocrítica e brinca com a situação, falando sobre o estilo da obra e dizendo que ninguém foi ferido nas gravações^^.
Mas falando sobre coisas problemáticas, apesar de não deixar tão claro no posfácio, ela parece, porém, não passar pano para o personagem Milch, que é um assediador nato e está o tempo todo assediando as mulheres, inclusive a Nodame.

Por mais que seja usado como humor também (como dito, aquela coisa de personagens serem caricatos e super inflando a situação), a autora entende quem era o seu personagem e deixa evidente que ele pode e deve ser criticado na vida real, principalmente nos dias de hoje.

Se o humor é um ponto marcante de Nodame Cantabile, com cenas que nos fazem rir a todo momento, o mesmo se pode dizer sobre a questão musical. Em seus momentos sérios, a obra salienta o amor dos personagens pela música e a angústia deles em relação ao “mundo”.
Mine – o violoncelista que se torna amigo de Nodame e Chiaki – quando aparece pela primeira têm toda uma reclamação acerca da música clássica e do modo como tratam ela, parecendo distar muito do seu estilo, tanto que inicialmente ele não deseja seguir essa carreira.
A própria Nodame tem seu estilo próprio de amar a música, similar ao Mine e a outros personagens que aparecem na trama. Mesmo o maestro assediador é mostrado como alguém que enxerga a música como algo além do sublime e que deve ser respeitado.

Quanto ao romance, é algo bem escanteado. Temos apenas a Nodame ficando encantada pelo Chiaki e se dizendo namorada dele e algumas consequências disso, mas nada que se assemelhe a romance de fato.
A obra, então, quando se detém acerca da relação dos personagens vai mais para o humor mesmo, enquanto a parte séria é dedicada à música clássica, com, muitas vezes, essas duas partes se fundindo de maneira orgânica.
Tomoko Ninomiya é uma autora de mangás muito boa e essa história (Nodame Cantabile) é uma daquelas obras que nasceram para virar clássicas, pelo jeito icônico, com personagens bastante carismáticos (tá, não dá para gostar do Chiaki de primeira, nem de segunda, nem terceira, só talvez de quarta…), boas cenas de humor e uma narrativa sobre música clássica muito bem feita.
EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira veio no formato padrão da editora MPEG, no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel Offset 90g, capa cartão com sobrecapa e verniz localizado.
É uma edição de muito boa qualidade como costumam ser as obras da editora, com um bom papel, boa encadernação, a importante sobrecapa, etc.
Em relação ao texto, eu achei bem adaptado, com bons trocadilhos em partes importantes, personagens com características de falas únicas, dentre outras coisas. Há certos elementos que algumas pessoas não gostam, como adaptar a palavra japonesa “senpai” para “veterano”, pois acham estranho esse tipo de tratamento.
No meu entender, porém, fica melhor uma palavra em português do que uma estrangeira, pois seja “senpai”, seja “veterano”, causa certo estranhamento, mas com o tempo a gente se acostuma e passa a achar natural e, em casos assim, melhor ficar em português mesmo.
Em questão de revisão, achei que a editora foi 99% perfeita, existindo apenas uma frase com uma construção muito estranha, com problemas de sintaxe ou de sentido.

CONCLUSÃO
Nodame Cantabile é um dos animes que eu mais vi na vida e é um dos mangás que eu mais ansiava de ter no Brasil. Eu já tinha alguns volumes aleatórios das edições francesas, mas ler em português, no formato físico, impresso, é uma outra coisa, é um sonho realizado.
Durante anos foi uma obra relegada pelas editoras apesar de fazer sucesso e ser muito comentada pelos consumidores de mangás. Daí que a vinda do título foi muito comemorada e, não à toa, eu fiquei bastante entusiasmado, a ponto de fazer assinatura e de comprar os volumes avulsos também.
Então, saibam que eu adoro esse mangá e eu recomendo bastante para todos vocês. Talvez alguns de vocês não gostem da história? Talvez, mas acho que a maioria irá gostar se dar uma chance, pois é um mangá genuinamente bom, é divertido, é intenso. Então, dê uma oportunidade, pois é um título muito legal.


FICHA TÉCNICA
Título Original: のだめカンタービレ
Título: Nodame Cantabile
Autor: Tomoko Ninomiya
Tradutor: Erika Yuriko Tanaka
Editora: MPEG
Número de volumes no Japão: 13 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offset 90g
Acabamento: Capa Cartão com Sobrecapa
Páginas: 368
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Amazon / Loja da MPEG
Sinopse: Assim se inicia a comédia escolar de música clássica protagonizada por prodígios! Devido a um trauma no passado, Shinichi, o infeliz aluno da faculdade de música, estava prestes a largar o seu sonho de se tornar regente. Certo dia, ele é despertado por uma bela música e seus olhos encontram Nodame, uma jovem que toca o piano no meio do… lixo…?! Será que ela é um gênio? Ou uma maluca? Junto aos seus colegas de faculdade um tanto quanto peculiares, um novo encontro com a música clássica está prestes a começar…!