Leituras da Semana: “Tokyo Babylon #02” e outras obras

Comentando minhas leituras

Na coluna desta semana comento as leituras dos mangás Tokyo Babylon #02, X #02, Blue Box #06 além de outras obras. Vejam a seguir:

Tokyo Babylon #02: ter uma memória ruim é muito bom em certos momentos, pois a gente pode apreciar certas aventuras como se fosse a primeira vez. Eu já li Tokyo Babylon inteiro pela publicação da editora JBC, mas eu não me lembro de todos os detalhes e menos ainda das histórias.

Daí que ler esse segundo volume foi como se eu estivesse realmente lendo pela primeira vez, pois eu não lembrava de nenhum dos dois contos presentes nele e nem de todas as implicações e críticas sociais que eles traziam.

Na história principal, acompanhamos o Subaru tendo um sonho com um menina que ele conhecera quando criança e tendo que resolver um caso de uma moça que adormeceu e não consegue acordar por alguma razão mágica.

Nessa história, o preconceito da sociedade para com as mulheres fica em destaque, mostrando como as vítimas de estupro se sentem culpadas e terminam por se sentirem tão pressionadas, ao ponto de buscar uma maneira de sumir do mundo.

A obra tenta servir de motivação, tenta aconselhar, tenta passar uma mensagem positiva mesmo dentro de uma realidade cruel… É difícil não se emocionar em alguns momentos.

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A segunda história desse volume, é um conto em que Hokuto (a irmã de Subaru) é a protagonista, no qual ela conhece uma moça estrangeira que trabalha em uma espécie de bordel.

Esse é um capítulo que busca criticar o preconceito do povo japonês para com os estrangeiros, tentando mostrar que todos fazem parte de uma mesma raça, independente da origem ou da profissão…

Assim, evidencia-se que, Tokyo Babylon toca na ferida, dá voz, escancara preconceitos diversos, etc. A função da criação estética não é apenas divertir, é também alertar, é também dar aprendizado às pessoas e isso esse mangá tem feito de uma maneira brilhante…

A nova edição de “Tokyo Babylon” foi concluída no Japão em 7 volumes. No Brasil, já saíram 2 até o momento e o terceiro está previsto para novembro.

X #02: é bem legal como o estilo de X é totalmente diferente de Tokyo Babylon. Toda a atmosfera mística e de fantasia é igual, mas aqui tem menos crítica social (ao menos nesse início), e o clima de suspense e mistério é mais enfático e a aventura se desenvolve mais, com batalhas, tensões e tudo mais.

A aura em torno do “Kamui” ou do que seria ele continua forte nesse volume. Ainda que se continue a não se saber direito se estamos falando de uma pessoa ou de uma entidade, a figura do rapaz ganha mais e mais destaque, com um pouco mais da história de seu passado (o modo como ele saiu de Tóquio e o seu retorno).

X é um título que já começa muito bem e tem todo um potencial de crescimento intrigante (como será esse fim de mundo?), sendo bem diferente da maioria dos mangás do CLAMP. Não à toa, muita gente ainda anseia pelo final da obra…

“X” parou de ser lançado no Japão com 18 volumes + 1 extra (18,5). A republicação japonesa contemplou todos eles. No Brasil, saíram 2 até o momento e o terceiro está previsto para outubro.

Strobe Edge #05: gosto como a Io Sakisaka é uma autora tão legal em tudo o que faz que ela consegue mesclar entre os gêneros sem que a gente sinta uma grande mudança. Se a comédia foi algo que me fascinou bastante nos volumes mais recentes, aqui é o drama é que ficou em alta e nos fez adorar a história.

A autora continuou a buscar entender o que é o amor e os sentimentos dos adolescentes perante isso, suas inseguranças, suas criancices, suas tentativas de se mostrar maduros, dentre outras coisas.

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Nesse volume, a nossa protagonista, Ninako, consegue se aproximar mais de Andou, até chega a cogitar a hipótese de namorar com ele para tentar esquecer de Ren, mas ela acaba entendendo de verdade que, para ela, só importava ele e ficaria com esse sentimento, não achando certo “usar” o Andou.

Ninako, na verdade, é uma personagem boazinha demais, ao ponto de chorar pelo próprio Andou e por sua história pregressa. É muito legal ver seu modo de pensar e de agir, ainda que pareça infantil em certos momentos.

Mas quem é boazinha também é Mayuka e a gente não consegue não torcer para ela e Ren continuarem juntos, mesmo que isso faça com que Ninako sofra. Isso era algo que já se desenhava em volumes anteriores, mas nesse ficou mais claro ainda, daí a jogada de mestre a autora para acabar com ela…

Como as coisas se desenvolverão nos cinco volumes finais do mangá? Como Ren agirá de agora em diante? Só o tempo dirá…

“Strobe Edge” foi concluído no Japão em 10 volumes. No Brasil, saíram 6 até o momento e o 7º está previsto para novembro.

Blue Box #06: a declaração de amor ao fim do volume #05 terminou do mesmo jeito que a gente achou que terminaria, mas com implicações para a trama, envolvendo Taiki e Chinatsu, especialmente esta última que se vê como uma invasora, ou como alguém que poderia estar atrapalhando algo…

No sexto volume de Blue Box novamente nos deparamos com um pouco mais de evolução na relação entre os protagonistas, com Taiki e Chinatsu chegando a passear juntos e vermos a famosa cena do “só tem um quarto”^^.

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Aliás, é bem interessante falar de “romance” no que toca a Taiki e Chinatsu, pois na verdade já se passaram seis volumes e eles ainda estão bem distante em qualquer questão envolvendo amor. Por mais juntos que estejam, por mais tempo que passem um com o outro, o romance mútuo passou longe e parece que continua longe…

Sim, pois, se fosse para apostar agora, seria mais fácil a gente ver um romance do Taiki com a Hina, do que dele com a Chinatsu. E, por mais estranho que seja, isso é algo muito legal nesse mangá…

“Blue Box” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 22 volumes publicados. No Brasil, saíram 6 até o momento.

O Longo Verão de 31 de Agosto #03: mesmo depois de muito tempo ser ler esse mangá foi fácil me reconectar com os personagens e com o mundo dos loops temporais, pois o estilo é bem leve e que só exige lembrarmos da premissa básica e de um ou outro detalhe.

Assim, nesse volume tivemos um pouco mais de teorias sobre o funcionamento do mundo, novamente vimos os personagens ajudando uma pessoa, além deles aproveitando a vida de maneira simples, com Suzuki demonstrando cada vez mais amor por Takagi, enquanto esta finge não estar interessada, mesmo com o ciúme latente.

Esse é um daqueles mangás em que a gente poderá gostar de acompanhar por anos, com as historinhas bobinhas e autocentradas acontecendo indefinidamente. Mas também gostaríamos de poder ver uma evolução, ver a história caminhar, ao menos um passo, para eles saírem do loop

“O Longo Verão de 31 de Agosto” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 9 volumes publicados e com o 10º previsto para novembro. No Brasil, saíram 4 até o momento e o 5º está previsto para dezembro.

House of Five Leaves #04: esse é um drama de época japonês que eu realmente tenho adorado. Cada volume que passa, mais a gente conhece os personagens e mais a gente conhece esse mundo do “Bando das 5 Folhas”. Nesse volume #04 tivemos o surgimento de um novo membro para o grupo, com ele tendo sua história própria, mas também estando bem no pé de Yaichi…

Embora a gente conheça mais os personagens a cada volume, a gente também vê diversas dúvidas e inquietações a respeito deles, em especial ao citado Yaichi. Desde o início ele é tido como alguém meio indecifrável e que está escondendo algo, com pessoas o achando de boa mesmo assim, mas agora a história pode ter começado a tomar outro rumo, com o passado de Yaichi começando a vir à tona…

Eu não sei bem o que pensar dele e qual a relação do Masa (o protagonista do mangá) com suas possíveis mudanças, pois Yaichi é um personagem bem complexo e bem trabalhado, de maneira que é difícil analisar sem ser em sua completude… No aguardo do próximo volume…

“House of Five Leaves” foi concluído no Japão em 8 volumes. No Brasil, saíram 4 até o momento.


Tradutores dos mangás:

Dirce Miyamura

  • House of Five Leaves #04 (Devir)

Eliana Takara

  • Strobe Edge #05 (Panini)

Lucas Cabral

  • Blue Box #06 (JBC)
  • O Longo Verão de 31 de Agosto #03 (Panini)

Thiago Péres

  • Tokyo Babylon #02 (Panini)
  • X #02 (Panini)