Leituras da Semana: “Skip e Loafer #10” e outras obras

Comentando minhas leituras…

Na matéria desta semana, falo de Skip e Loafer #10, Vampeerz #07 e da minha releitura da primeira parte de Cardcaptor Sakura.

Vejam a seguir:


Cardcaptor Sakura – Edição Especial Para o Café Temático da Série #01 a #06: a minha relação afetiva com Cardcaptor Sakura é mais com a adaptação em anime. Eu já vi a série incontáveis vezes, sei diversos diálogo de cabeça, conheço toda a estrutura da série, etc, etc, etc.

O mangá eu li poucas vezes (três ou quatro, no máximo) e muitos detalhes da história me escapam, de modo que cada leitura é quase como se fosse a primeira. Por exemplo, eu não me recordava que as Cartas Clow já estavam espalhadas e a Sakura só acordava o Kero. No anime, Sakura consegue abrir o livro, fala o nome da Carta Vento e esta espalha todas as cartas, só depois o Kero aparece.

Com a recente republicação do mangá (com capas novas para o Café Temático da Série em São Paulo) me deu vontade de reler, mas acabei adiando, adiando e só consegui começar agora.

Em minha opinião, o início do mangá é um tanto quanto fraco, pelo menos em comparação com o anime. Ele parece um grande resumo com apresentação dos personagens e com a Sakura já sendo uma cardcaptor e com três cartas na mão. No anime, a gente acompanha tudo do início, de forma lenta e gradual.

É algo que faz sentido, pois o mangá precisa mostrar a que veio logo no começo e chamar a atenção das leitoras. Eu não gosto do jeito, mas entendo e compreendo que foi bem feito. Passado esse primeiro momento, porém, o mangá vai deslanchando, com as características dos personagens sendo deixadas claras e os lugares da série aparecendo.

Assim, a gente vê Sakura gostando de Yukito, vê Touya implicando com a irmã, Tomoyo vidrada na amiga e assim por diante, com a menina, claro, capturando as Cartas Clow ao longo do caminho.

Sobre Shoran, ele tem bem menos destaque no mangá nesta primeira parte da obra. Na animação, ele inicialmente é mais chatinho, até consegue pegar algumas Cartas Clow, mas na versão em HQ – embora ele seja também um pouco chato – ele não consegue nada e só está presente, muitas vezes protegendo ou dando ideias para Sakura (mesmo sem querer).

Outro ponto interessante é que no mangá ele foi para o Japão sozinho atrás das cartas. No anime, ele foi junto a um mordomo, o que faz mais sentido do que uma criança viajando e morando só em um país distante.

Dentre os personagens secundários, Yamazaki demora um pouco a aparecer, só no final do segundo volume. Ele é uma figura importante por dizer suas mentiras o tempo todo e fazer Shoran e/ou Sakura acreditarem. Rika e o seu amor pelo professor Terada também demora um pouco a aparecer, mas está lá no segundo volume para fazer preencher mais a mensagem de “amor” que compõe Cardcaptor Sakura.

Sobre este último ponto, aliás, uma vez ouvi alguém dizer que a ideia de amor do CLAMP é simplesmente “pode” e me parece que é isso mesmo. Não importa o que seja, pode. Duas mulheres? Pode. Dois Homens? Pode. Um Homem e um anjo? Pode. Um adulto e uma criança? Pode. Em Cardcaptor Sakura isso está bem claro, pois a ideia por trás da trama das Cartas Clow é justamente o amor.

Para quem não lembra, quando as Cartas se espalham pelo mundo, elas vêm trazer uma desgraça. Contudo, também é dito que para algumas pessoas, a tal desgraça não seria nada, mas para outros seria pior do que se a Terra explodisse. E esse pior é justamente esquecer o sentimento de amor.

Assim, a questão do amor é central na trama. Touya gosta de Yukito, Rika ama o professor Terada (e é recíproco), o pai de Sakura era um professor de 25 anos quando se casou com sua aluna de 16 anos Nadeshiko, a mãe de Sakura. A professora Mizuki namorou Touya quando este era um adolescente. Sakura e Shoran gostam de Yukito. Tomoyo ama Sakura. A mãe da Tomoyo amava a mãe da Sakura. E assim por diante. Tudo envolve amor.

Evidentemente muitos desses amores são hoje considerados, no mínimo, questionáveis (quando saiu Cardcaptor Sakura Clear Card Arc, por exemplo, Rika basicamente foi limada da história e o único relacionamento de adulto/criança mantido foi da professora Mizuki com o Eriol, mas nesse caso há a questão do Eriol ter grande parte das memórias de Clow, então em tese ele é um “adulto”), mas o ponto do “é amor, então pode” é mais uma questão de naturalizar o sentimento, de mostrar que ele é superior a tudo e que sua eliminação seria algo cruel.

Ou seja, todos esses “amores proibidos” foram colocados de modo a estabelecer uma relação causal com a trama das Cartas Clow e a efetiva “desgraça” que acometeria o mundo. Sim, pois, é muito fácil se posicionar contra o fim do amor tradicional (homem e mulher, com idades parecidas), mas quando têm amores proibidos pela sociedade (duas mulheres, dois homens) as pessoas não teriam tanto problema assim em deixar que ele deixasse de existir.

E é aí que entra o “é amor, então pode” do CLAMP. A Mensagem que a obra passa é justamente essa, não importa o tipo de amor, Sakura está lá lutando para preservá-lo.

É certo que hoje em dia o CLAMP não colocaria o amor de um adulto por uma criança (afinal, não existe amor romântico de um adulto por uma acriança, o que existe é abuso, o que existe é violência contra crianças e adolescentes), mas no passado a sociedade era outra, as ideias não eram tão disseminadas e foi utilizado isso como uma forma mais radical de demonstrar que é amor, então pode.

Agora, o CLAMP – quando quer – sabe fazer boas narrativas, sabe preparar as coisas do roteiro. Além da questão do amor, Cardcaptor Sakura tem toda uma história redondinha. Se o primeiro volume é uma introdução, a partir do segundo as coisas ficam mais claras e há um monte de coisas ditas ou colocadas que vão encaminhando detalhes da trama.

O fato de haver um segundo guardião das cartas é sempre mostrado pela preocupação do Kero e há até mesmo uma citação a Yue, quando o bichinho está dormindo. Por sua vez, Kero nunca está presente ou acordado quando Yukito aparece, mantendo a identidade de ambos em segredo. E o Yukito estar sempre por perto de Sakura acaba tendo um motivo (ele ser o Yue, o outro guardião).

A partir de certo momento, por exemplo, todas as aparições do Yukito parecem querer esfregar na cara do leitor que ele é o Yue que tanto falam^^.

Além disso, o mangá explica melhor a origem da relação do Touya com o Yukito, mostra bem como o mago Clow preparou tudo de antemão (até a questão do Juizo Final) para Sakura ficar com as cartas e os guardiões.

Logo após isso, o Yukito aparece^^

Outro ponto importante diz respeito aos poderes de Sakura. É sempre dito que ela tem muitos poderes, mas o anime não dá tantas especificações a respeito, a gente só sabe que seu irmão Touya também têm poderes (ele é capaz de ver coisas), mas no mangá é dito que a Nadeshiko também tinha certas habilidades, assim apenas o pai da Sakura seria desprovido de poderes (muito embora ele tenha uma certa origem que… mas isso é coisa da segunda metade do mangá). Assim, existe todo um motivo no mangá para Sakura ter grandes poderes.

O anime tem muito mais carisma, muito mais charme com os personagens, mas esses pequenos detalhes de roteiro engrandecem o mangá de uma forma sensacional. A única coisa que o mangá perde é não ter as cenas dos sonhos com a Torre. No anime, desde o início Sakura sonha com a Torre e os acontecimentos que se darão lá.

***

Assim, a primeira metade de Cardcaptor Sakura é muito boa no geral. As autoras entregam um roteiro bem pensando e bem feito desde o primeiro momento (mesmo que a gente não goste tanto do início) com poucas ou nenhuma coisa desnecessária.

Eu continuo gostando mais do anime mesmo (isso é imutável), mas no quesito roteiro e narrativa, o mangá é espetacular também.

“Cardcaptor Sakura” foi concluído no Japão em um total de 12 volumes. No Brasil, o mangá saiu pela primeira vez entre 2001 e 2002 em uma edição que dividia cada número japonês em dois, totalizando 24 volumes. Entre 2012 e 2013, a obra foi republicada dessa vez seguindo o número de volumes originais. Em 2025, essa segunda versão começou a ganhar uma nova edição comemorativa, com sobrecapa, sendo exclusiva para o café temático da série em São Paulo. Saíram 7 volumes até o momento. Todas as publicações foram pela editora JBC.

Título original: カードキャプターさくら
Título nacional: Cardcaptor Sakura
Autor: CLAMP
Preço: R$ 44,90


Vampeerz #07: no sétimo volume de Vampeerz, vemos as personagens indo à praia e encontrando uma certa criatura até então desconhecida por nós, leitores. Também descobrirmos o passado de uma das personagens e o modo como determinado amor se perpetuou durante séculos…

Para começar, Ichika e Aria já estão namorando e agora o desejo da garota humana é se tornar um vampiro como a Aria, para poder viver a eternidade com a sua amada. Entretanto existe um problema que a garota ignora e que descobrimos neste volume, o processo para imortalidade pode dar errado…

E se der errado, em vez de se tornar uma vampira, Ichika poderia se tornar um ghoul e perder sua racionalidade. Esse é um momento em que deixa mais claro ainda o amor das duas. Ichika desejava se tornar imortal para viver mais tempo com Aria, enquanto Aria gosta tanto de Ichika que não queria arriscar perde-la daquele jeito.

E é confrontada com isso, que Ichika escuta de Shadi uma história, a história de como ela (Shadi) pode ter encontrado o ser que deu origem a todos os demais vampiros. E essa é a mesma história de como ela se tornou um corvo.

Talvez o ponto importante desse volume é justamente essa história, pois ela engrandece a questão do amor entre Shadi e Khara (nos mostrando como Shadi manteve-se firme por séculos pensando na amada) e nos mostra como o mundo sempre foi cruel com quem é diferente.

A grande questão é que, por mais que amasse Khara e o amor fosse recíproco, Shadi ainda tinha em suas entranhas a ideia perpetrada pela sociedade de que duas mulheres não poderiam se amar. E foi essa ideia que fez com que Shadi “se separasse” de Khara por longos séculos.

Esse momento do mangá é muito bom, pois coloca luz em uma realidade preconceituosa que sempre existiu e que fazia as pessoas se abominarem apenas por terem sentimentos. Até então o mangá praticamente não tratava dessa questão, mostrando o amor de um jeito mais casual e sem as amarras sociais.

Claro, a obra se passa no Japão contemporâneo e por mais que ainda exista, em todo o mundo, o preconceito, a relação entre duas pessoas do mesmo gênero já é algo mais aceito, embora longe do ideal. Daí que a trama ser mais leve fazia bastante sentido.

Já houve, porém, alguns outros momentos em que isso foi colocado no ar anteriormente (como quando aparecia a avó da Ichika), mas agora foi mais dramático, colocando mais reflexão na história.

***

O que vimos nesse volume foram duas grandes histórias de amor. A de Ichika e Aria, cada uma querendo uma coisa para viverem o amor por mais tempo possível, e a de Shadi que acabou vivendo séculos como um corvo para ficar perto da pessoa amada sem que suas próprias amarras a acorrentassem…

Foi um volume muito bom de ler e agora já estamos em clima de despedida, pois só faltam dois volumes para o final. No aguardo do oitavo número.

“Vampeerz” foi concluído no Japão em 9 volumes. No Brasil, saíram 8 até o momento.

Título original: ヴァンピアーズ
Título nacional: Vampeerz
Autor: Akili
Preço: R$ 49,90


Skip e Loafer  #10: estamos em um momento de grandes transformações em Skip e Loafer. Desde que Shima e Iwakura namoraram e terminaram, as coisas andam meio estranhas, especialmente com Shima que estava buscando se entender, compreender seus sentimentos e sua relação com Iwakura.

O volume começa com os personagens na casa de Iwakura, com ela e os amigos passando as suas férias no local e, nisso, Shima está todo tenso, até se questionando se não estaria atrapalhando a viagem ou se as pessoas passariam a não gostar dele.

É um Shima bem diferente do que estamos acostumados. Ele é uma pessoa relativamente fechada, que não costuma falar muito de si mesmo, de seus problemas (vimos na questão do teatro desde o início do mangá, por exemplo), mas agora estamos vendo mais de seu íntimo e isso surpreendeu bastante.

Outra coisa importante é que Iwakura finalmente contou para as amigas que namorou o Shima por um curto período de tempo e ter contado fez com que ela percebesse que ainda gostava do garoto.

Em meio a isso, as aulas voltam e a história começa a destacar alguns personagens secundários, como uma professora e um aluno do terceiro ano, mas o que chamou foram certas passagens envolvendo o próprio Shima (uma determinada foto, a volta dele para casa), como se algo relacionado a ele e sua família estivesse prestes a acontecer…

Esse volume foi um pouco abaixo do nível de qualidade que estamos acostumados a Skip e Loafer, por conta de ser um momento de transição, com aparentes transformações, etc, etc, etc.

Mas ainda assim continuou um mangá muito bom de acompanhar, daqueles que a gente espera que não demore a sair o próximo volume.

“Skip e Loafer” ainda está em andamento no Japão, atualmente com 13 volumes publicados. No Brasil, saíram 10 até o momento e o 11º se encontra em pré-venda.

Título original: スキップとローファー
Título nacional: Skip e Loafer
Autor: Misaki Takamatsu
Preço: R$ 49,90


TRADUTORES DOS MANGÁS


Cristina Mayumi Maki

  • Vampeerz #07 (JBC)

Lucas Cabral

  • Skip e Loafer #10 (JBC)

Luis Otávio Kobayashi

  • Cardcaptor Sakura – Edição Especial Para o Café Temático da Série #01 a #06 (JBC)