Por que lançaram esse mangá desconhecido?

Por que lançaram esse mangá desconhecido no Brasil com tanto mangá famoso que ainda não trouxeram para cá?

Se tem algo que eu não entendo é a cabeça dessas editoras brasileiras. Como é que com tanto título famoso no Japão, eles me trazem esses mangás desconhecidos e horríveis como O cão que guarda as estrelas e O maestro? Essas editoras só podem achar que o meu dinheiro é capim para gastar com esses lixos.

A frase acima é muito típica de se observar nas páginas das editoras e de grupos que falam sobre animes e mangás no facebook e no twitter após o anúncio de um título que não é famoso. Muitas pessoas parecem achar que somente e tão somente obras conhecidas do público devem desembarcar em território nacional, pois, segundo elas, as pessoas não comprariam os mangás desconhecidos e os títulos ficariam encalhados nas bancas.

O mesmo sintoma acontece quando as editoras lançam títulos muito conhecidos por parte do público leitor, mas que não são grandes hits de popularidade, como Zetman, anunciado pela JBC, ou o recente 5 cm por segundo, anunciado pela Newpop.

Como consumidores, todos nós queremos que as editoras tragam os títulos que conhecemos para podermos ter essas obras em nossas estantes o mais rápido possível. Compreendo que é difícil para nós, leitores, entender o porquê de mangás famosos como Zatch Bell ou Lovely Complex ainda não terem sido lançados no Brasil, mas realmente não entendo qual é o problema dos títulos desconhecidos ou dos mangás menos famosos aparecem no Brasil.

As editoras devem parar de trazer esses títulos que ninguém conhece e começar a trazer apenas os títulos pedidos. Afinal, elas querem ganhar dinheiro ou não?

É comum que as pessoas pensem desse jeito. Elas acham realmente que os mangás “desconhecidos” não irão vender ou mesmo que esses títulos simplesmente estariam ocupando uma vaga de um mangá que, na visão delas, venderia muito mais. Mas teriam razão essas pessoas ou não passaria de um equívoco criado pela cabeça de um fã?

Vamos pensar juntos? Por que motivo uma editora lançaria um título que não iria vender? Eu sei que vocês sabem, mas não custa repetir: editoras são empresas como outra qualquer e, para sobreviver, precisam que seus produtos vendam. Se os mangás não venderem logicamente as editoras passarão por problemas financeiras e acabarão fechando ou sendo vendidas.

Sendo assim, me responda: você acredita mesmo que uma editora lançaria títulos e mais títulos sabendo que as pessoas não iriam comprar? Você realmente acha que as editoras são loucas a preferir um mangá que venderá menos do que outro que venderia muito mais? Não, amigos, as editoras não são burras como vocês pensam.

yakumo-12As pessoas compram mangás desconhecidos, sim. Compram para conhecer as obras. E muitos desses mangás vendem e vendem muito, outros nem tanto.

Dar uma oportunidade a títulos desconhecidos é o que mais acontece, seja no mercado de quadrinhos, seja em qualquer outra esfera. Afinal, os mangás que você gosta hoje já lhe foram desconhecidos um dia, não é mesmo. Agora seja sincero: quantas vezes você já foi em uma banca de revistas e comprou um mangá que não conhecia, mas que te chamou a atenção pelo título, pela capa ou por qualquer outra coisa?

Se isso nunca aconteceu com você e nem com seus amigos, saiba que vocês são exceção. Uma boa parte das vendas dos mangás (e de todas as revistas de modo geral) acontece desse jeito: a pessoa vai na banca, por acaso vê o mangá, o título ou capa lhe chama atenção e, no fim, a pessoa compra. Ela lê e se gostar da história, continuará a comprar… Se título desconhecido não vendesse ou não tivesse potencial para vendas, nenhuma editora faria, pois nenhuma empresa quer perder dinheiro.

Tudo bem, mangás desconhecidos vendem, mas por que as editoras não lançam os mangás famosos que pedimos?

Primeiro, quem disse que as editoras não lançam? Basta olhar o catálogo atual das duas maiores editoras brasileiras e ver que a maioria dos títulos presentes nos checklists da Panini e da JBC são mangás famosos e muito pedidos pelas pessoas. Se elas não lançaram ainda os títulos que você queria, isso não significa que as editoras só lançam títulos desconhecidos, significa apenas que outros títulos vieram antes…

Segundo, as editoras disseram e re-disseram: trazer um mangá para o país não é uma tarefa fácil. Exige negociações e negociações e, às vezes, os japoneses simplesmente negam o lançamento de uma obra, basta ver a dificuldade para Sailor Moon e o relançamento de Akira. Raramente os mangás famosos são lançados “em seu tempo certo”, isto é, perto do momento de maior popularidade quando seus animes estão em exibição.

aoharaido 01Nesse sentido, se uma editora resolve lançar um mangá desconhecido como O maestro, não significa que a editora preferiu esse em detrimento de Aoharaido. Significa apenas que naquele momento específico, a editora optou por um mangá menos famoso por N motivos diferentes. Além disso, é bem provável que naquela época de lançamento de O maestro a editora já estivesse atrás de Aoharaido, apenas não havia conseguido a licença para o título ainda.

Aoharaido era um sucesso de vendas no Japão, seu anime tornou-se popular e tinha muitos fãs no Brasil, além de ter um número bem pequeno de volumes, facilitando a vinda do mangá. Então porque motivo a editora não iria atrás? Se um mangá tem perspectiva de vendas, pode ter certeza que as editoras vão atrás, sim. Não existe essa história de a editora deixar de ganhar dinheiro lançando um mangá desconhecido quando podia estar lançando um famoso. As editoras lançam os títulos de sucesso quando conseguem lançar. Então, se você está esperando um mangá famosão e de sucesso vir ao Brasil e não entende o porquê das editoras não trazerem, acalme-se. Veja quantos volumes o título tem. Se tiver até uns 30 ou 40 volumes, pode ter certeza que uma hora o mangá aparecerá por aqui.

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Em nossa visão, mangás desconhecidos são muito necessários para manter e expandir o mercado brasileiro. São os grandes sucessos (os famosos mangás modinhas) que criam e sustentam o mercado de mangás, porém é necessário que existam títulos menos famosos ou mesmo desconhecidos para que ele se expanda. Muitos nunca pensaram nisso, mas Conrad e JBC utilizaram justamente dessa prerrogativa para se estabelecer no mercado e fazê-lo se expandir.

Vagabond 01A Conrad lançou os grandes sucessos Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, inquestionáveis modas da televisão brasileira. Os dois títulos foram o carro-chefe da editora durante muito tempo. Porém, já em 2001 a Conrad lançou o desconhecido Preto&branco e não muito tempo depois o, à época, pouco famoso Vagabond.

A JBC não fez diferente. Enquanto lançava Sakura Card Captors, Samurai X e Guerreiras Mágicas de Rayearth, a editora apostou também em Vídeo Girl Ai, para ver se as pessoas comprariam mangás cujos animes não tivessem sido exibidos na televisão aberta brasileira. Não muito tempo depois, apareceu Love Hina (hoje um sucesso, mas que na época era apenas uma aposta em um mangá desconhecido).

Atualmente o medidor de popularidade é a internet, todavia nem sempre foi assim. Durante muito tempo foi a televisão que ditava o êxito de alguns títulos. E os desconhecidos? Só conhecíamos obras novas por meio das revistinhas que falavam de animes e mangás, como a antiga revista Herói. Em nossa opinião, sem os títulos desconhecidos que as editoras começaram a apostar, uma ora ou outra o mercado pararia pela falta de grandes hits na televisão brasileira. Basta lembrar que o último anime de grande sucesso na televisão aberta foi Naruto e isso já se vão anos e anos.

Além disso, os mangás menos famosos são importantes para a diversificação do público leitor e dos gêneros de histórias publicados no país. Se só tivéssemos títulos modinhas, o mercado ficaria muito reduzido e com obras muito iguais. Ainda hoje muita gente acha que mangá se resume a battle shonen como Dragon Ball e Naruto. Mesmo entre leitores de mangás há um pouco desse “preconceito”. Sem os títulos desconhecidos e menos famosos, provavelmente essa visão seria muito maior do que é hoje.

E, infelizmente, mesmo com títulos desconhecidos ainda faltam muitos tipos de mangás no mercado no brasileiro, afinal basta olhar os catálogos das editoras e ver que faltam shoujos e joseis, por exemplo.

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Ano passado muitos títulos desconhecidos e menos famosos vieram para o país e, creia em mim, alguns deles eram muitos melhores do que a grande maioria dos mangás famosos em publicação. Uma minoria de gente conhecia Lúcifer e o Martelo, quase ninguém tinha ouvido falar de Vinland Saga e ninguém conhecia O maestro. No entanto, são títulos de inegável valor e que as pessoas deveriam conhecer. Fizemos uma lista com os 5 melhores mangás desconhecidos (em nossa opinião) lançados ano passado, dê uma lida e tente dar uma chance a eles^^.

Reiterando: as editoras não são malvadas e nem são burras. Elas lançam o que acham que vai vender, seja o título de sucesso e muito pedido, seja um mangá desconhecido. Quem faz o mercado são os leitores. Se os leitores não comprassem títulos desconhecidos, eles não apareceriam por aqui.

Essa foi uma dica da equipe do blog Biblioteca Brasileira de Mangás

11 Comments

  • E terrível entrar nas paginas do facebook das editoras e ver como as pessoas são reclamonas e muitas vezes até ignorantes. Com certezas as editoras não são malucas e nem burras, elas sabem o que fazem e sabem que vão ter públicos para os mangas que vão e já lançaram.
    Eu vou na banca e sempre vejo os mangás e já comprei um monte de mangás, porque eles me chamaram a atenção e não porque são conhecidos. Claro que tenho uma lista de mangás que gostaria de fossem publicados por aqui, mas fazer o que… querer não é poder, mas nem por isso me privo de conhecer outros títulos, tem muita coisa boa no mercado, as pessoas só precisam abrir as mentes e descobre novas coisas.

    A lista dos 5 mangás de vocês está fenomenal ♥ O Maestro e sensacional ♥ Tam Sowyer é uma gracinha, Só você pode ouvir é sem comentários de tão bom que é ♥

    Defense Devil é muito bom e engraçadíssimo, Variante, Dawn… nosso são muitos títulos bons que as pessoas deveriam dar uma chance de conhecer.

    Eu faço a minha parte, fazendo resenhas de mangás não muito conhecidos no meu blog, esperando o dia que as pessoas se libertem e aproveitem os mangás que temos em nosso mercado ♥

  • Samara Barreira

    Ah, uu não conhecia Lúcifer e o Martelo e resolvi dar uma chance… E não me arrependi! Mangá maravilhoso, bem como o Maestro, que eu adorei! E em minha opinião, esses mangás desconhecidos são bem melhores do que esses mangás modinhas, como Dragon Ball, One Piece, Naruto… Sobre as demais demografias, nenhum josei foi publicado por aqui, até onde eu sei. Mas eu posso estar enganada. Shoujos foram publicados por aqui, muitos deles. Porém, as editoras preferem investir mais em shounen e seinen, mas principalmente em shounen. Até hentai já estão começando a investir, bem como yaoi (que eu detesto. Eu comecei uma coleção e me arrependi, que foi Full Moon – Sussurros/Contos Sob a Lua Cheia. Achei a história bem fraca e extremamente melosa e isso me fez desprezar yaoi. Será que se eu pegasse alguma obra boa deste tipo, será que eu iria gostar? Enfim… Agora, bem que poderiam lançar algum yuri para eu ver se é bom. Ainda não conheço nenhuma obra desse tipo.) Seria bem mais interessante se o mercado editorial se expendisse ainda mais e trouxesse todas as demografias e mais mangás, tanto conhecidos como desconhecidos.

    • Samara, josei a New Pop está publicando usagi drop ♥
      Ahhh eu amo Full Moon ♥ mas ai é gosto~ ahh já tenho Loveless e No.6 que estão sendo lançados pela New Pop, tem Croquis também ♥
      Gostaria de yuris também, mas vamos esperar quem sabe vem alguma coisa em breve ne ;~;

    • Como dito pela Marina, o Usagi Drop é um josei.

      Mas já haviam sido publicados sim. Poucos, mas foram. Dois exemplos marcantes foram Nana (JBC) e Honey x clover (Panini).

      • Usagi Drop é muito lindo *-* ♥ Nossa verdade tem Nana, to meio atrasada, comecei a ler recentemente, ganhei os primeiros volumes e completei no final do ano *-* agora estou lendo ♥ Honey x Clover não conheço, vou dar uma pesquisada depois

      • Samara Barreira

        Kyon, dizem que NANa é um shoujo, na verdade, e não um josei. Que confusão! Qual será a real demografia dele? E quais foram os outros joseis que foram publicados além desses que você e a Marina citaram?

    • Nana saiu na revista Cookie. Ela é uma revista shoujo, portanto no rigor “da lei”, Nana é um shoujo. Mas pela temática e tudo mais, o mangá é claramente josei.

      A definição de shoujo, josei, seinen, shonen advém da revista em que foi publicado. É shoujo se foi publicado em uma revista shoujo. Esse é o critério que eu uso também, mas em alguns casos como o de Nana eu tenho que abrir uma exceção.
      ————

      Só lembro do Paradise Kiss, publicado pela Conrad se não me engano.

      • Samara Barreira

        Hm… Interessante. Entendo. Obrigado pelos esclarecimentos, Kyon.

  • Ahhh Nana não deixa de ser um shoujo, só que voltado para o publico mais velho. quero dizer não é tão adolescente. AHUHAUHA Bom só conheço esses mesmo.

    • Samara Barreira

      Entendo. Obrigado, Marina, mas creio que o Kyon saberá me responder melhor a cerca desta questão. é confuso para mim a demografia dese mangá. E sobre os joseis que foram lançados no pais além dos que vocês dois já disseram.

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