Review – Savanna Game – volume 1

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Ameixa
Ame-a
ou Deixe-a (Paulo Leminski)

Em agosto, durante a bienal do livro do Rio de Janeiro, a editora JBC lançou seu segundo mangá do selo Ink Comics, o survival Savanna Game, de Ransuke Kuroi e Eri Haruno. A obra é mais uma aposta da editora em títulos ao estilo battle royale, em que um grupo de pessoas é obrigada a matar umas às outras para sobreviver.

O que chamou muito a atenção quando o título foi anunciado é o fato de a história se fechar em ciclos de 3 volumes e, em cada ciclo, mudarem tanto o roteirista quanto o desenhista. Como isso se desenvolveria? Como esse diferencial afetaria a qualidade da obra? São questionamentos inevitáveis e que geram muita curiosidade… Como é a história e como ficou a versão nacional você confere agora.

Savanna Game

História e clichês

Você conhece, você já viu. A fórmula de uma história do gênero survival game é o mesmo de sempre: as pessoas terão que se enfrentar, matando uns aos outros: é vencer ou morrer. Já vimos muitas histórias assim: o clássico Battle Royale, o primeiro filme/livro da famosa saga Jogos Vorazes, além de alguns mangás recentes como Jogo do rei.

Ainda que contenham algumas diferenças entre si, a fórmula é sempre a mesma com um grupo de pessoas entrando em um jogo – por querer ou não – e descobrindo que ele é bem mais perigoso do que se supunha inicialmente. Savanna Game não foge desse clichê, porém as coisas tomam proporções bem diferentes e interessantes neste mangá.

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I

Dez por cento da população japonesa recebe um e-mail informando que foram selecionados para participar de um jogo chamado Savanna Game, que daria um bom prêmio em dinheiro ao seu vencedor, porém o jogo contém detalhes estranhos como a necessidade de matar outras pessoas para vencer… Os amigos Kazuya Shibuya, Jin Kotegawa e Mafumi Kudou, cada um por um motivo diferente, resolve dizer sim ao desafio e aceitam participar do jogo, de olho no prêmio.

Esse é um jogo oficial do governo, mas por que foi criado? Qual é o objetivo? E por que o assassinato foi liberado? O protagonista Kazuya é o único a desconfiar dele e a se perguntar essas coisas, porém assim que o Savanna Game se mostra uma realidade, ele não faz mais questionamentos e acaba por ser fisgado, juntamente com seus amigos, pelo prêmio em dinheiro.

II

Para cada pessoa que aceita o convite é entregue uma caixa com os pertences que precisará durante o jogo como um crachá que o identifica, um aparelho que lhe permite ver o nível e o poder das pessoas em volta, além uma arma. Porém em Savanna Game as coisas não são tão simples assim.

Cada arma possui uma habilidade especial, um poder específico que torna o jogador único. A arma de Kazuya, por exemplo, é uma espada capaz de falar com ele, já a de Jin são garras capazes de controlar a velocidade do tempo. Para algumas pessoas a organização oferece um poder mágico capaz de realizar certas coisas como ficar invisível ou curar feridas.

As pessoas se preparam e treinam para o dia que o jogo começar e, quando ele se inicia, a sensação é que todo o mundo foi transformado em um grande palco. E não era esse o objetivo, afinal? Um dragão voador gigante, grupos de pessoas lutando, pessoas morrendo, outras assassinando. Esse é o Savanna Game, esse é o battle royale das ruas japonesas.

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A humanidade de salvar uma pessoa ferida ainda existe, mas a brutalidade de assassinar outra torna-se mais forte. Ainda que o objetivo seja a legítima defesa, o jogo é inevitavelmente chocante para quem mata e questionamentos morais acabam sendo inevitáveis. Kazuya mata para não morrer, mata para proteger sua amiga Mafumi, mas não consegue ficar indiferente ao seu julgamento pessoal e ao julgamento que Mafumi faria dele. Será que foi mesmo uma boa ideia entrar nesse jogo? Será que o prêmio é tão importante assim?

O Savanna Game não é para qualquer um, mas assim como todo protagonista de história parece que Kazuya terá um grande destaque e muito poder no decorrer da narrativa. Mas ele conseguirá superar seus próprios julgamentos e conseguir matar as pessoas sem remorso? Ou haverá uma virada na história. Mistérios que só os próximos volumes poderão revelar…

Pontos falhos

Infelizmente, o mangá peca em alguns pontos cruciais. Para uma realidade que quer se passar pelo “nosso mundo”, a aceitação de coisas sobrenaturais é bem pouco convincente. Há, sim, um choque dos personagens quando a moça da televisão fica transparente ou quando aparece um dragão voador gigante, porém tudo fica forçado demais e não há qualquer questionamento mais extenso e mais elaborado acerca desses poderes mágicos e acerca do próprio jogo em si.

Qual foi a reação da população que não participou do jogo? Além dos protagonistas, alguém mais questionou o Savanna Game? Nada é dito no primeiro volume. Não acho que obras necessitam explicar e mostrar tudo pormenorizadamente, porém é necessário o mínimo de verossimilhança para que a história faça sentido. Em Jogos Vorazes você tem uma realidade palpável  – governos totalitários – que faça a razão de existir do jogo; em Battle Royale, idem. Em Jogo do rei não há isso, entretanto a história toda gira em sobreviver e encontrar quem é o rei, tornando o enredo restrito a um grupo de pessoas.

Savanna Game não fica restrito a um grupo ou a um lugar específico, ele ocupa o Japão inteiro e acontece praticamente de uma hora para outra. O natural seria toda uma repercussão nacional que não foi mostrada a contento. Não sei qual foi o objetivo dos autores ao fazer esse primeiro volume, mas a falta de verossimilhança ficou latente. Se não consertarem isso nos demais números do mangá, será uma decepção.

Edição Nacional

O mangá foi lançado no formato 13,5 x 20,5 cm, em papel jornal e com capas internas coloridas. Não há muito o que falar de detalhes físicos da obra. Infelizmente não se pode exigir um papel de melhor qualidade em uma época com dólar tão alto, mas dentro de suas limitações não há problemas com o mangá.

Adaptação e revisão estão quase 100%. Nada na adaptação da obra causou estranheza e no quesito revisão notei apenas um erro em todo o mangá, a utilização de uma crase que não deveria existir na expressão “à todos” em uma certa passagem do texto

Veredito Final

Entre pontos negativos e positivos, pode-se dizer que Savanna Game é um mangá 8 ou 80, ou você ama ou você o odeia, a depender de suas expectativas. O título não tem a força que Doubt ou Jogo do Rei demonstraram em seu volume de estreia, mas há mistérios bem mais empolgantes que parecem estar por vir.

O mangá não é nada inovador, mas mostra que não é apenas um survival de sobrevivência como era Jogo do Rei. Há toda uma história paralela acontecendo por trás do Savanna Game e que deverá ser explorada nos próximos volumes. Por que criaram um jogo “de video-game” na vida real? Qual o sentido dele? E quem são aqueles sujeitos que derrotaram o dragão? Savanna Game merece uma atenção extra por parte do público, pois é um mangá que pode surpreender bastante, principalmente se a verossimilhança for melhor trabalhada nos volumes posteriores.

***

Título: Savanna Game
Autor: Ransuke Kuroi e Eri Haruno
ISBN: (volume 1) 978-85-69212-04-1
Formato: 13,5 x 20,5cm
Páginas: 180 páginas
Acabamento: Papel jornal, capas internas coloridas
Valor: R$ 12,50
Volumes: 6 e em andamento no Japão
Periodicidade: Mensal
Distribuição: Nacional
Classificação Indicativa: proibido para menores de 16 anos.

Biblioteca Brasileira de Mangás

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