Sword Art Online – Fairy Dance – volume 1

SAO FAIRY DANCE

Será que o título vale a pena?

O ano era 2012, O Crunchyroll acabava de chegar ao Brasil e um dos títulos de maior sucesso de seu catálogo era o, até então, por nós desconhecido Sword Art Online. A obra era uma adaptação de uma light novel de mesmo nome e já possuía alguns fãs que conheciam a obra anteriormente, porém foi a exibição do animê que tornou SAO extremamente popular.

O título virou aqui no Brasil uma modinha consistente entre os otakus, com tudo o que se costuma ter: de uma lado um grupo de fãs que achava a obra como a melhor do mundo (mesmo não sendo) e do outro um grupo de haters que se enchiam de tanto falatório sobre SAO e o odiavam profundamente achando-o como a pior obra do mundo (mesmo não sendo).

De nossa parte, assistimos o animê com bastante interesse e achamos a primeira parte da primeira temporada muito boa. Era interessante ver um animê que partia de uma premissa parecida à da série .Hack, em um mundo futurista em que vídeo-games se tornaram muito avançados, a ponto de podermos vivenciar um mundo virtual como se fosse o real. Mesmo com problemas visíveis na série, a cada novo episódio ficávamos imaginando o que aconteceria naquele mundo virtual, qual aventura aconteceria e quais novos elementos seriam adicionados. Não somente isso, a história possuía um pouco de dramaticidade e tensão muito grande frente aos perigos que os personagens enfrentavam dentro do jogo.

A segunda metade da primeira temporada do animê perdeu esse brilho. SAO continuou interessante de assistir, mas o mundo de Alfheim não empolgou tanto. Enquanto na primeira parte – em Aincrad – tínhamos um mundo em que as pessoas não conseguiam se deslogar (e havia o risco de uma morte real), em Alfheim tudo parecia fácil demais… De todo modo, a experiência de assistir SAO foi bastante interessante e nos fez querer muito que o mangá e a Light novel aparecessem por aqui…

E o mangá?

E em 2014, a editora Panini atendeu os pedidos – parciais – dos seus consumidores e trouxe uma adaptação em mangá chamada Sword Art Online – Aincrad que contava a história vista na primeira metade da primeira temporada do animê. O mangá, no entanto, possuía um péssimo traço, uma capa horrível e uma lombada pior ainda, sendo o suficiente para que nem chegássemos perto do título.

Porém, em 2015 a mesma Panini trouxe outra adaptação de SAO, a série Fairy Dance. Essa edição já possuía logo de cara um desenho melhor, uma capa bonita e conseguiu despertar um pouco de interesse. SAO Fairy dance chegou às bancas há poucos dias e é sobre esse mangá que gostaríamos de falar agora.

ATENÇÃO: HAVERÁ SPOILERS


asuna

História e desenvolvimento

O mangá SAO Fairy dance segue a mesma cronologia do animê, apresentando uma continuação direta dos eventos ocorridos em Aincrad. Nas primeiras páginas do mangá temos uma retrospectiva do que acontecera anteriormente: o cientista que prendeu milhares de jogadores dentro de um VMMORPG, a presença do protagonista Kirito e da co-protagonista Asuna, o amor entre os dois, a “filha” deles, a batalha final, etc…

Com a vitória, Kirito e a maioria dos jogadores presos acabaram libertos e puderam voltar ao mundo real, mas nem todos gozaram da mesma sorte. Mesmo passados dois meses, Asuna continuava desacordada e é nesse ponto que começa a história do mangá.

Agora há um outro VMMORPG muito famoso chamado de Alfheim, no qual as pessoas são fadas, podem voar (por um período limitado de tempo) e cada um tem uma “tribo” diferente, com habilidades e magias diferentes. Nesse jogo, o objetivo principal é chegar primeiro ao topo da árvore do mundo, encontrar-se com Oberon, o rei das fadas, e ganhar o poder de toda a sua tribo renascer como “Alfs”, uma raça superior de fadas capaz de voar ilimitadamente. Entretanto, já havia passado um ano sem que ninguém ainda tivesse conseguido o objetivo. Todavia, chegaram perto e conseguiram fotografar uma coisa estranha, uma gaiola, na qual havia uma fada, muito parecida com… Asuna. É nesse ponto que Kirito decide entrar nesse jogo e tentar resgatar a sua amada…

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Kirito e Leafa (versão animê)

Em Fairy Dance existe uma outra ambientação, com outros personagens e outros objetivos. Enquanto em Aincrad os jogadores pretendiam sobreviver e derrotar os inimigos, em Fairy dance morrer não é um problema tão grande, pois não afetará a sua vida real.

Nesse sentido, as brigas que ocorrem entre as diversas raças de fadas soam bem infantis, pois a derrota significará apenas que o personagem renascerá em outro local, na cidade destinada a cada raça. Entretanto, isso pode ser bem explorado caso, em algum momento, um personagem morra bem perto de conseguir o objetivo de escalar a árvore do mundo, mas nesse primeiro volume tivemos apenas uma menção a essa possibilidade.

O traço dramático e romântico da vez fica por conta da irmã (na verdade, prima) de Kirito, Sugu. Ela descobriu que o ama e embora apoie o irmão com Asuna, ela não sabe o que fazer com seus sentimentos.  A situação, por si só ruim, já se prenuncia para ficar pior ainda pior nos próximos volumes. Sugu também joga Alfheim e seu personagem Leafa acaba se encontrando com Kirito. Sem saber que é o seu irmão, ela começa a admirar Kirito e é nítido que também se apaixonará por ele… Os próximos volumes prometem ser bem dramáticos e tristes…

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Sugu (versão animê)

Por outro lado, o grande malvadão da vez é o cientista Nobuyuki Sugoh. Ele mantém Asuna presa dentro do jogo, deseja casar-se com ela enquanto ela está em coma no mundo real e ainda planeja usar Alfheim para terríveis pesquisas científicas. Sugoh é uma pessoa extremamente odiosa e que deseja a ambição pela ambição, independente de quão mal ele faça às pessoas.

Este primeiro volume é bastante introdutório e ainda não temos um desenvolvimento maior dos acontecimentos, e com personagens sub-aproveitados, como Asuna e a “filha” dela. Mas os próximos números prometem ser bastante agitados. Sugoh conseguirá executar o seu plano de utilizar Alfheim? Kirito conseguirá derrotá-lo? Ou Asuna escapará antes? Essas e outras questões ficam para os próximos volumes…


sword art online 01A edição nacional

Sword Art Online – Fairy dance foi lançado no formato 13,7 x 20 cm, com papel jornal, uma página colorida, ao preço de R$ 12,90, com periodicidade bimestral. O aspecto físico está interessantemente bom. A capa é bonita e a lombada melhor, alternando em cores de branco e verde. O único demérito da capa é ela ser espelhada e não ter uma sinopse. Para um mangá que não se pode manusear na banca, uma sinopse é essencial…

Internamente temos uma página colorida em papel couchè, coisa bastante rara de se ver nos mangás da Panini. Já o papel jornal utilizado no miolo parece inferior ao de outros mangás da editora, mas em nada atrapalha a leitura.

Uma coisa que salta à vista e que é muito ruim nos mangás da Panini é a existência constante de honoríficos desnecessariamente. Em Fairy dance em praticamente todos os momentos em que são usados, eles poderiam ser facilmente trocados por pronomes de tratamento da língua portuguesa ou por uma adaptação melhor. Mantê-los causa estranheza e quebra um pouco o ritmo narrativo.

Todavia não se pode dizer que a escolha pelo uso de honoríficos seja errada no caso desse mangá. Em SAO Fairy dance é nítido que a Panini escolheu publicar o mangá apenas para o otaku hardcore, que conhece os honoríficos, seus significados, etc. Não há nenhuma nota de rodapé e nem há glossário explicando-os. Do mesmo modo, não há nota de rodapé e nem glossário para explicar termos específicos dos jogos como VRMMORPG, NPC’s, Beater ou Cheater.

Em vista disso, é mais do que claro que a escolha da editora não foi lançar um mangá para um leitor casual, e sim para um consumidor de mangá compulsivo, que vê animê, joga rpgs e, principalmente, que já conhece a história. Por ser uma continuação direta de uma outra obra, a escolha parece bastante certa, embora pouco sensata. Mas fora esses momentos, a adaptação convence e não tira a naturalidade das falas.

Opinião final

Não se pode dizer que SAO Fairy Dance seja um mangá para todo mundo. A própria escolha editorial da Panini mostra o quão restrito ele é. Se você não conhece Sword Art Online definitivamente Fairy Dance não é um título para você começar, principalmente por possuir uma obra prévia. Agora se você conhece e gosta de SAO, não há motivos para não dar uma chance ao mangá, pois embora com mudanças aqui e ali, ele consegue seguir bem a mesma sequência da história do animê…

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BIBLIOTECA BRASILEIRA DE MANGÁS