Desmistificando: Offset não é papel de luxo!

offset

Ainda hoje nos deixamos enganar…

Confesso, leitor, que cada vez que ouço a frase “Offset é papel de luxo” quase tenho um chilique nervoso. Ignore a sanidade duvidosa desta que lhes escreve, mas de fato isso é propaganda enganosa: Offset não é papel de luxo! E para te ajudar a entender e te apresentar aos de luxo de fato, aqui vai um guia completinho sobre os vários tipos de papéis usado na área editorial.

Comecemos por repetir: usado na área editorial. Sim, porque alguns papéis não servem para impressão de livros, não espere que eu comente sobre papelão ou papel higiênico, né…? Mais especificamente falaremos sobre os usados pelas editoras de mangá do Brasil.

O papel e sua características

Todo o papel é formado de celulose, cargas minerais e outros produtos, e recebe nomes de acordo com o tipo de tratamento, fabricação e utilização. Existem várias técnicas para se produzir papel, várias substâncias, e é isso que cria toda essa variedade. Pense no petróleo que vira desde piche e gasolina até plástico ou na cana-de-açúcar que vira desde rapadura até os mais variados tipos de açúcar e álcool. E qual é a diferença do açúcar mascavo para o cristal? A produção!

Dessa forma, cada papel terá suas características e aspectos a depender da produção, como a alvura (a brancura do papel) e a opacidade. Mas a produção não vai inferir na gramatura (embora tenha consequências na variação que aquele papel aguenta). A gramatura (ou gramagem) é a densidade de área do papel e vai refletir na grossura do mesmo. Quem decide qual gramatura será é o fabricante e cada tipo de papel é comercializado em várias gramaturas diferentes. Vale lembrar que, principalmente no Brasil, em vez de ser indicado com a medida correta, gramas por metro quadrado (g/m²), é apenas escrito grama, como Offset 75g, indicando o peso do metro quadrado.

As consequências de uma gramatura maior ou menor vão depender das características do papel. Logo não se pode inferir muita coisa apenas tomando esse dado. Mas, existem faixas de gramatura conhecidas por terem usos específicos:

De 35g a 75g o papel é tão fino que é usado mais para jornais e situações descartáveis ou econômicas devido à baixa resistência do material causada pela finura. Sendo que as mais altas de 60-75g são mais usados em envelopes e coisas um pouco mais resistentes.

De 75g a 115g é a gramatura padrão dos livros, dos papéis que você usa em casa, no escritório, nas impressoras.

De 115g a 300g fica as gramaturas mais altas que são usadas em cartazes, panfletos, cartões, cartolina, calendários e capas. São mais espessos e pesados e não são utilizados para a impressão do miolo de livros e semelhantes.

Outras consequências da gramatura dependerão do papel, a transparência. O papel seda, por exemplo, manterá uma transparência alta em gramatura bem alta. Já outros papéis podem ser mais opacos e perder muita transparência com o aumento da gramatura. Vale lembrar também que cada empresa tem suas diferenças na produção e isso também pode interferir na transparência mesmo entre papéis do mesmo tipo.

Outra consequência é a grossura, dado um mesmo papel o aumento da gramatura refletirá no aumento da grossura. Entretanto papéis diferentes ou de diferentes fabricantes com mesma gramatura não terão a mesma exata grossura. A grossura dependerá do quão “aerado” ou prensado é o material.

O preço final do papel vai depender não só do tipo (que você verá abaixo) e marca, como também variará com a gramatura. Um certo papel de baixa qualidade e alta gramatura pode acabar no mesmo preço de um outro papel de alta qualidade em baixa gramatura. Algumas marcas também são especialmente caras por conter mais tratamentos, como germicida ou coloração, então não dá para simplesmente colocá-los numa escala de mais barato a mais caro.

Então vamos ao que importa, quais os tipos de papéis usados e suas características?

I. Papel Jornal (Papel Imprensa)

Um dos papéis mais simples e baratos de se produzir, por isso mesmo é utilizado em jornais e outras coisas descartáveis. Mas a produção barata e simples traz uma grande consequência, a vulnerabilidade. Não só rasga e mancha facilmente, como também é sensível à umidade e luz solar já que não tem nenhum revestimento ou tratamento para protegê-lo da ação do tempo.

Visualmente são fáceis de serem identificados, costumam ter tons amarelados a cinza, alguns mais claros, outros mais escuros. Outra marca registrada deles é a presença de fibras soltas, o que aumenta ainda mais a aparência “suja”.

Esse papel Jornal comum também pode ser levemente melhorado para ficar mais claro, virando o Brite (Bright) — que vem de Brightness, nome dado devido ao aumento de “brilho” ou a capacidade de refletir a luz. O Brite recebe vários nomes diferentes de acordo com o fabricante, como o Hibrite, Super-brite, Custom-brite e Pisa-brite, sendo esse último o usado em mangás.

Geralmente são comercializados nas gramaturas de 45g a 60g, ou seja, finos. Embora tenham de fato uma certa transparência, a cor e fibras do papel, além das manchas da impressão, acabam escondendo um pouco.

No Brasil, o papel utilizado pelas editoras de mangá costuma ser o Pisa-brite 52g, embora exista variação.

Aos interessados em saber mais sobre a produção, o site da única produtora brasileira de papel Jornal, a Pisa, informa exatamente todo o processo aqui.

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II. Papel Offset (Off-set)

Só perde em simplicidade de produção para o papel Jornal. O nome “Offset” vem das principais máquinas de impressão utilizadas. A principal característica deste papel é não sofrer nenhum tipo de preparo, ou seja, nenhum tipo de revestimento ou cobertura, ficando com as fibras expostas.

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É este papel cru que, ao ser revestido ou impermeabilizado, se tornará o Couchê, Duplex, Triplex, Supremo, etc. E é exatamente por isso que é tão barato e comum, afinal todas as fabricantes de papel acabam produzindo ele por ser a base dos outros.

Por ser cru e poroso, o Offset absorve muito bem a tinta sem causar borrões, além de se dar bem com todos os tipos de impressões. Mas essa falta de “acabamento” faz com que rasgue com facilidade, além de ser um papel mais áspero. Outra característica deste papel é a cor branca e a superfície lisa, mas pode ser tingido durante a produção.

Pode ser também chamado de Sulfite (que vem do sulfito de sódio, composto responsável pela brancura), Apergaminhado, Super Bond ou ainda pelo nome de marcas como Chameguinho. Alguns Offsets em gramaturas específicas também ganham nomes especiais, como a Cartolina (150-180g).

Pois veja você o “luxo” do Offset, tão luxuoso que é o papel padrão de impressões, xerox, trabalhos escolares, rascunhos. O ganho do Offset em relação ao papel Jornal é a claridade da impressão, resistência maior ao tempo e maior alvura (brancura) sem aumentar demais o custo de produção.

Em contrapartida, na produção de mangás o Offset tem um grande “problema”, por ser bem branco e limpo, a transparência fica muito clara e destacada, embora vá depender da gramatura e fabricante.

No Brasil a editora NewPOP utiliza o Offset 90g em suas publicações, enquanto a JBC utiliza o Offset 75g ou menos atualmente, embora a editora não tenha se pronunciado quanto ao valor exato, supõem-se por volta de 50g. Já a Panini não tinha o costume de divulgar gramaturas, mas ela comentou recentemente que em algumas publicações como Berserk, Planetes e futuramente One-Punch Man ela usa o 90g.

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III. Papel Supremo (Duplex, Triplex)

Estes são os intermediários entre o Offset e o Couchê. A grande novidade nestes papéis é uma face com selante — que impermeabiliza e proporciona brilho. Por causa das impermeabilizações eles são mais grossos que o Offset da mesma gramatura.

A ideia destes papéis é a durabilidade e resistência, por isso mesmo são usados em embalagens e capas. No Brasil eles são produzidos com gramaturas altas, entre 180g e 400g.

Existem várias marcas e tipos: o Duplex, com uma face selada e a outra não, com uma textura mais crua de jornal na não-selada; o Triplex, igual ao Duplex, mas com o verso branco; Supremo, um Triplex melhorado com o verso liso; e o Supremo DuoDesign, com selante dos dois lados, alta qualidade.

No Brasil todas as editoras trabalham com capas cartonadas feitas com o Triplex, algumas com laminações e aplicação de verniz, relevos e fitas metálicas ou simplesmente fosco, com uma certa variação de gramatura beirando o 250g.

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IV. Papel Couchê (Couché)

O papel Couchê é um papel luxuoso, ele possui vedação o que o deixa impermeável (ou seja, resistente à água), mais fino, mais liso e mais resistente a rasgões. Por causa desse tratamento a tinta fica mais superficial, o que deixa a impressão mais viva. Existe o L1 e o L2, sendo a numeração o número de faces que teve essa vedação, geralmente as empresas trabalham só com a L2.

Além da classificação acima, existem dois tipos de Couchê, o Fosco e o Brilho. O brilho borra mais na impressão e precisa de cuidados especiais, mas fica, obviamente, com uma impressão muito brilhante e viva. Já o Fosco é tratado de tal forma para diminuir os problemas de impressão o que faz a tinta ser mais absorvida deixando o aspecto mais fosco.

No Brasil o Couchê é até bem barato (se comparado a outros países), pois muitas das matérias-primas utilizadas são produzidas no território nacional, logo o preço fica mais em conta, o que ajudou na proliferação deste tipo de papel no país. Praticamente todas as revistas utilizam este material ou o LWC (abaixo).

Vale comentar que o Couchê não tem problemas de transparência por causa de todo o tratamento que recebe, mesmo os mais finos de 65g.

As nossas editoras usam o Couchê Brilho para as impressões de páginas coloridas (embora às vezes tenha sido em Offset ou Off-white mesmo), as empresas não informam as gramaturas que usam, mas varia de 65g a 115g (para o uso em livros). Segundo a NewPOP eles usam Couchê Brilho de mesma gramatura ou superior ao utilizado no miolo.

Em outras publicações coloridas a JBC utiliza também o Couchê Fosco (gramatura não informada) e a NewPOP em seus Graphic Novels utiliza-se do Couchê Brilho 90g. Quanto a Panini, nos lançamentos de Graphic Novels e Comics a editora também usa esse material, mas geralmente não informa gramaturas ou tipos.

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V. Papel LWC (Lightweight Coated Paper)

O LWC é uma alternativa mais leve para o Couchê. Suporta gramaturas bem menores, logo acaba sendo uma ótima opção para diminuir a grossura de um livro sem sacrificar a qualidade visual.

Utiliza-se no seu revestimento o mesmo produto do papel Couchê, por isso tem ótima alvura e brilho, mas a finura acaba diminuindo consideravelmente sua resistência a rasgos. É muito usado na produção daqueles folhetos de supermercados, dentre outros.

No Brasil, até onde sei, não há nenhum mangá em LWC, mas a Panini, por exemplo, utiliza este material nas revistinhas de super-heróis.

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VI. Papel Off-white (Pólen, Avena, Lux Cream)

Na verdade, é mais um papel Offset “melhorado”, estes fazem parte da família chamada de “Off-white” (“quase brancos”), ou seja, a principal característica deles é sofrer algum tipo de tratamento que os deixa com leves cores amareladas ou acinzentadas e, em alguns, um toque mais suave.

A ideia do papel é cansar menos a vista, já que a cor mais pastel e opaca diminui a reflexibilidade do papel, e, algumas versões, ser mais confortável de se folhear. É especialmente produzido para livros e publicações.

nãobrancoEmbora a cor ajude a disfarçar, as versões de gramatura menor têm os mesmos problemas de transparência que o Offset (afinal são quase a mesma coisa). Suas gramaturas giram em torno de 85g, sendo as de 70g as mais usadas devido ao custo-benefício.

Um dos primeiros e mais famosos é o Pólen, em especial o Pólen Soft, mas existem outras marcas semelhantes bem usadas como o Chambril Avena, Chamois (em versões Fine e Bulk) e Lux Cream.

O Avena existe no mercado com gramatura de 70, 80 e 90g, e seu diferencial é o toque bem suave. É o tipo de papel que a editora NewPOP usa em seus novels atualmente, como No Game No Life e NO.6.

O Chamois atualmente não é utilizado por nenhuma das editoras, mas foi nele, na versão bulk, que as novels de Gravitation da NewPOP foram impressas anos atrás.

Já a editora JBC prefere o Lux Cream, conhecido por ter baixas gramaturas, mas boa espessura, para suas edições “de luxo” como Death Note: Black Edition e O Cão que Guarda as Estrelas.

Conclusão (aka desabafo)

Agora que você está por dentro de todos os papéis utilizados pelas editoras de mangá do Brasil, deu para perceber que o Offset é a farinha do mundo dos papéis? Tirando o papel Jornal, todos os demais são produtos de alterações, melhoramentos e tratamentos do Offset. Logo o Offset é a coisa mais comum e vulgar que você pode encontrar.

Na verdade, produtos feitos em papel Jornal são considerados papéis “non-archival“, ou seja, papéis que não podem ser preservados ou arquivados, ainda em outras palavras, papéis descartáveis ou perecíveis. O Offset é o primeiro e o mais simples que passa a ser “archival“, um papel duradouro que pode ser arquivado.

Isso significa que com alguns cuidados uma publicação em Offset pode durar centenas de anos, enquanto o Jornal irá se degradar apenas por estar em contato com o ar, umidade e luz solar, sendo necessário muitos cuidados para prolongar sua vida e mesmo assim em algum momento ele vai simplesmente se desfazer ou acabar vítima de fungos, traças e outros. Só a caráter de curiosidade, ao ar livre um papel Jornal se decompõe em 2-4 semanas; enquanto Offset de 3-6 meses — tamanha a diferença entre os dois.

Logo o que é uma publicação em Offset? Luxuosa? Não. Uma publicação em Offset é uma publicação não-descartável, uma publicação colecionável. É claro que a empresa pode pegar uma publicação em offset e “enobrecer”, ou seja, colocar capa dura, orelhas, sobrecapa e vários outros mimos possíveis, agregando valor. Mas note que o luxo da coisa não vem necessariamente do miolo, mas da finalização do produto.

No Japão, por exemplo, todos os tankoubons são minúsculos (tamanho pocket) e impresso num papel próprio tipo Jornal. Eles são feitos para serem baratos e descartáveis, a maioria vende ou se desfaz dos mangás após lerem. Sim, eles reciclam os mangás, assim como a maioria joga a Turma da Mônica no lixo. Para séries de boa vendagem eles passam depois a produzir versões para coleção, agora sim, com papéis de melhor qualidade, tamanhos grandes, mimos.

No Brasil que não faz muito sentido, mesmo sabendo que a maioria do público coleciona, continua sendo padrão a venda de materiais descartáveis e em formatos até bem grandes. Ao invés de se focar em algo realmente descartável e produzir algo condizente (pequeno, barato e simples), insistem em fazer versões híbridas mais caras, mas ainda totalmente descartáveis.

Não seria mais interessante que todos os mangás fossem como Naruto Pocket? Pequenos, baratos e acessíveis? E, quando a série fizesse sucesso, fosse lançado uma versão colecionável? Ou, se é mesmo o perfil do público brasileiro colecionar sempre, lançar logo sempre numa versão não-perecível?

A Panini tem seguido mais ou menos essa lógica de produtos descartáveis, embora ainda siga um formato relativamente grande (comparado ao Pocket, por exemplo). Mais recentemente fez “relançamentos colecionáveis”, que muitos tiveram a coragem de chamar de luxo, mas que realmente fica no mínimo do colecionável.

Por outro lado, a NewPOP é exatamente o oposto e lança todos seus títulos em formato colecionável, desde o papel de gramaturas altas até o miolo costurado. Seus novels inclusive possuem orelhas e miolo de Avena.

Enquanto isso… A JBC não sabe o que faz da vida, seus mangás descartáveis em geral são maiores e mais caros, seus mangás não-descartáveis têm gramaturas baixas e a maioria ainda com miolo colado; ou seja, só trabalha com híbridos. Seus mangás mais caros foram com papel Lux Cream e alguns mimos na capa e orelhas.

Pois veja você que reclamar de transparência em mangás em Brite é como reclamar de erro de impressão em jornal ou palavras-cruzadas. O mangá é feito para ser descartável — transparência, cola meia-boca, má impressão, margens cortadas, lombada errada, bordas inclinadas: tudo isso são os sacrifícios de uma versão descartável, pois são feitos para você ler uma vez e jogar fora. Fazer economicamente é a prioridade.

É claro que existe um limite e devem ter uma qualidade tal que permita a leitura clara, mas estando legíveis, é esse mesmo o objetivo daquele produto. Cabe ao consumidor manter isso em mente, pare de pensar que seus mangás em papel Jornal são colecionáveis, pois não são, mesmo com todo o cuidado no mundo ele já nasce com os dias contados. Embora não signifique que você não possa criticar a empresa por, exatamente, lançar de forma tão descartável quando você quer algo colecionável. Neste caso você está diretamente criticando o objetivo daquela publicação.

Agora, encontrar aqueles “erros” numa versão colecionável é muita mancada!!! É a intenção da editora fazer um “mangá descartável” com papel offset? Qual o sentido disso? E o pior de tudo: chamar isso de luxo………..

Por isso não se deixe enganar, leitor, Offset é o mínimo do mínimo de qualquer publicação não-descartável. É o mínimo que qualquer livro para coleção precisa ter.

Para ser de luxo, considerando apenas o miolo, teria que ser um Couchê ou Supremo DuoDesign. Dessa forma, o único mangá com alta qualidade de papel foi o Highschool of the Dead – Full Color Edition da Panini, mas que foi lançado em uma gramatura bem baixa. Alguns afirmam, entretanto, que se trata, na verdade, do LWC. Então, dá para chamar de luxo?

Off-white é mais uma alternativa ao Offset, de fato é algo mais caro, mas não tem o brilho e resistência do Couchê. Considerar ou não um produto com miolo Off-white luxo vai depender do produto como um todo, mas de fato é uma publicação no mínimo especial.

Até mesmo um produto com Offset pode ser luxuoso. Imagine você um livro em Offset de gramatura bem alta, capa dura cheia de firula, orelhas, sobrecapas e todos aqueles mimos possíveis. Isso não seria um livro de luxo? Sim, mas ser papel Offset é o luxo? Não.

Da mesma forma, por mais luxuoso que seja o Couchê, se pegarmos a menor gramatura possível, tacarmos uma capa de Couchê 100g e colarmos isso tudo, o resultado é uma publicação luxuosa? Se estivermos falando de revista, sim; de livro, de jeito nenhum.

Onde eu quero chegar com isso? Para determinar a luxuosidade de uma publicação é necessário levar em conta as características de todo o livro — miolo, capa, orelhas, impressão, costura, formato, etc. Ser “Offset” acaba indicando quase nada, muito menos que é de luxo. Diga-se de passagem, o mesmo vale para gramaturas, que nada significa sozinha e vai depender de cada tipo de papel.

A partir de agora, leitor, não se deixe mais enganar pelo simples “lançamento em Offset”, pesquise mais a fundo e analise todas as características de seu mangá. Moral da história: ser Offset não significa muita coisa por si só!

***

E com isso dou início a essa coluna muito temperamental: Desmistificando. Tem alguma coisa que gostaria que fosse desmistificado ou que não entende do mundo dos mangás? Pergunta aí! Quem sabe não vira a pauta da próxima. 🙂

57 Comments

  • Hussein

    ótima publicação, praticamente uma aula. Mas tenho que dizer que é meio bizarro ler esse texto em 2019 depois de tantas transformações no mercado editorial

  • Só queria desabafar que quase 3 anos depois eu ainda estou precisando usar esse seu post para que parem de me chamar de hater ou defensor de editora cara.

    Obrigado Rose por esse maravilhoso post.

  • Pra mim não faz sentido nenhum lançar um material descartável, talvez as antologias famosas no Japão, mas nunca um tanko descartável! A editora lança tudo numa qualidade ruim, você compra porque quer ler, é claro, o mais cedo possível (e nesse caso na pior qualidade possível), pra no fim você jogar toda sua coleção deteriorável fora e comprar uma nova edição num novo formato colecionável!? Esse é o modelo que você defende? Eu acho horrível!
    Tanko é pra colecionar, é pra durar, não existe ler e jogar fora. Ninguém gasta dinheiro pra jogar fora o que comprou e depois gasta de novo pra poder ter a mesma coisa de forma durável, isso é uma insanidade. Eu defendo que os materiais sejam lançados já com uma qualidade boa, de colecionável, e que esses materiais sejam relançados quando esgotados, no mesmo formato, para atingir a demanda de novos leitores. Se existir uma demanda, que lancem também um formato de luxo, que seja realmente de luxo.
    Eu pessoalmente gosto muito do formato mais caprichado que a editora Panini está adotando para títulos como Slam Dunk, Vagabond e One-Punch Man, julgo perfeito pra circulação. Claro que títulos de menos peso dificilmente venderiam nesse formato, mas esses poderiam ter um formato reduzido e sem orelhas, mais simples, mas sem sacrificar a durabilidade do material. Assim como títulos muito reconhecidos poderiam ganhar, adicionalmente, uma edição maior, com sobre-capa, papel off-white, de luxo mesmo. Mas edições descartáveis são o fim da picada, se fosse só pra ler sem ter o material de forma durável eu lia a poha dum scan e não pagava nada. Se eu tô comprando é porque eu quero ter!

    • Roses

      Deixa eu perguntar uma coisa. Você compra revista? E você guarda todas as revistas que comprou? Você compra jornal e guarda também?

      Você não precisa querer guardar algo para poder ler. Um item descartável não é algo de baixa qualidade. Você está confundido o seu gosto pessoal e característica de conservação com qualidade. No papel jornal barato ou no papel luxuosíssimo você consegue ler a história e apreciar aquilo.

      Basicamente você está olhando pelos olhos de colecionador, mas nem todo leitor é colecionador, você por acaso guardou todos os livros que teve que ler na escola, na faculdade?

      A ideia de se ter itens desacertáveis não é porque eu gosto, é porque barateia o produto e permite que muito mais pessoas tenham acesso, não só o colecionador que aceita pagar mais de 200 reais num Box, mas um leitor que tem uns 20 reais sobrando por mês e gostaria de comprar algo para se divertir.

      Livros não são necessariamente para serem colecionados, essa é na visão sua. Eu não guardo quase nenhum livro ou mangá, tirando os que eu me vejo relendo ou que de alguma forma tenha um valor sentimental. Por isso também compro muito digital, não tenho essa necessidade de colecionar.

      Mas não significa que o colecionador esteja errado, só que você precisa entender que quanto mais caro for o produto, menos pessoas terão acesso e maior os perigos de cancelamento, perda de público, etc.

      Por fim, é irônico que alguém que defenda qualidade diga que lhe bastaria um scan, que não tem qualidade nenhuma. Não sei se você sabe, mas no Japão tankoubons não são bem-feitos, são descartáveis. Existe algumas empresas com acabamento melhor, mas esses famosos como Naruto são um lixo, ninguém coleciona isso. É tudo reciclado após leitura ou revendido. Na verdade, no Japão usado é tão barato e desvalorizado que você acha por 1 iene. Apenas séries que atinjam grande sucesso começam a ser relançadas em formatos melhores que aí sim são colecionados.

      Se tivéssemos mangás extremamente baratos e acessíveis, a quantidade de leitor seria maior e a possibilidade de alguém como você se apaixonar e decidir que topa pagar mais de 200 reais num Box seria muito maior. A situação de Another é o ideal, primeiros volumes em papel higiênico que seja, sucesso? Box caprichado e o escambau para quem gostaria de colecionar.

  • sergio

    tenho uma pergunta na verdade uma duvida minha, o off-white assim como o papel jornal amarela com o tempo ?

  • […] COUCHÉ: É um papel melhor, mas luxuoso, mais fino e liso, com uma resistência maior a rasgões. “No Brasil o Couchê é até bem barato (se comparado a outros países), pois muitas das matérias-primas utilizadas são produzidas no território nacional, logo o preço fica mais em conta, o que ajudou na proliferação deste tipo de papel no país. Praticamente todas as revistas utilizam este material ou o LWC (abaixo).Vale comentar que o Couchê não tem problemas de transparência por causa de todo o tratamento que recebe, mesmo os mais finos de 65g”. (Trecho retirado do post “Desmistificando: Offset não é  papel de luxo!” do site Biblioteca Brasileira de Mangás). […]

  • […] Aí embaixo você pode ver uma comparação entre JBC e Panini (todos de 2016 com quantidades similares de páginas) e suas variações de encadernações e cola. Aproveitem e notem também como os anteriores eram muito melhor encadernados com lombadas realmente quadradas, sem ondulações; já os de baixo estão todos “estressados”, com páginas desalinhadas na lombada e ondulados, uma encadernação mais econômica. Compare aos que você tem aí em casa. Lembrando que também já  discutimos sobre papel e gramatura no passado. […]

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