Resenha: Anohana – volume 1

Ano hanaSerá que vale a pena?

Antigamente, existia na Internet uma rede social chamada Orkut. Ela pertencia ao todo poderoso Google e tinha grande popularidade no Brasil até que o Facebook foi tomando seu lugar e aquilo lá foi ficando abandonado até que o Google resolveu extinguir de vez.

No Orkut havia algumas comunidades sobre animês muito interessantes e que volta e meia surgiam tópicos com perguntas e indicações (praticamente o mesmo que acontece hoje nos grupos de Facebook^^)

Logo após terminar de assistir Clannad e Clannad After Story (assistam e não se arrependam^^) fui a uma dessas comunidades buscar indicações de animês de drama e nas respostas havia vários títulos interessantes como, Kanon, Air TV, E.F – a tale of memories e… Anohana, o nosso tema de hoje.

Ano Hi Mita Hana no Namae o Boku-tachi wa Mada Shiranai (Ainda não sabemos o nome da flor que vimos naquele dia), abreviadamente, Anohana, originalmente era um animê de 11 episódios, feito unicamente para te fazer chorar. Ao contrário de obras como Clannad e E.F – a tale of memories em que você chorava pelos momentos dramáticos vividos pelos personagens, em Anohana você era forçado a chorar vendo os personagens chorar e essa característica incomodou muita gente. Apesar disso, tratava-se de uma história muito agradável de assistir, acompanhando os draminhas particulares dos personagens frente aos acontecimentos do passado. Não à toa, ganhou uma legião de fãs.

O animê teve adaptações para outras mídias, como uma light novel de dois volumes escrita por Mari Okada (que participou da produção do animê), e um mangá de três tomos, feito por Mitsu Izumi. Com a fama do desenho animado, volta e meia o mangá era pedido para as editoras brasileiras, mas nenhuma delas se animou a trazer. Ao menos é o que o público achava.

Em 2014, veio o banho de água fria. Cassius Medauar, da JBC, comentou que já havia tentado trazer Anohana três vezes para o Brasil, mas a licença não estava aberta ao nosso país. Era o fim do sonho. Ao menos por enquanto. A editora JBC continuou tentando trazer e agora em 2016 o título finalmente chegou ao país pelas mãos da empresa.

Como curiosidade, vale dizer que dentre os principais países ocidentais, apenas a Itália havia publicado Anohana antes. França e Alemanha só começaram a publicar o título agora em 2016 e nos Estados Unidos, Argentina e México o título ainda é inédito.

Mas será que o mangá faz jus ao animê ou ele é apenas uma adaptação horrível como vimos muitas vezes acontecer? Veremos agora…

Anohana
Anohana

Sinopse oficial

Quando era criança, Jinta Yadomi criou com os seus amigos o grupo ‘Super Peace Busters”, do qual era o líder e chamado de “Jintan”. Até que uma tragédia assola o grupo – a morte acidental de uma das integrantes, Menma.

O incidente leva ao desmembramento do grupo, e, ao longo dos anos, os amigos acabam se afastando por completo. Só que, um dia, sem mais nem menos, Menma, que deveria estar morta, surge no quarto de Jintan! Será uma sósia…? Uma fantasma…? Qual a razão do “retorno” da garota?!

História e desenvolvimento

Tal qual na versão animada, o mangá já começa nos mostrando Jintan tendo que lidar com a nova “moradora” da casa. Não acreditando em fantasmas, o rapaz tenta se convencer de que a figura de Menma é uma invenção de sua cabeça, ainda muito abalada pelo acontecimento do passado. Jintan tornou-se uma pessoa um tanto quanto depressiva, que evita ao máximo o contato com as pessoas, falta meses seguidas à aula e, basicamente com isso, não tem amigos. E como o pai não o pressiona a ir à escola, ele acaba vivendo recluso boa parte do tempo.

Meio sem aceitar a ideia de que Menma é real (afinal só ele pode a ver), o rapaz pergunta a garota o que a fez voltar e ela diz que precisa realizar um desejo, mas que não sabe o que é. Depois de, meio que por acaso, ir reencontrando os antigos amigos, Jintan começa a tentar realizar o desejo da garota com, por exemplo, pegar um “Nokemon” raro, num jogo para Gameboy^^.

Fica nítido durante a obra que todos os amigos ainda guardam um certo ressentimento pelo que aconteceu anos antes e isso parece impactar a vida de cada um deles, embora tentem não demonstrar. Por sua vez, Menma sabe que nenhum deles mudou e quer que eles se reúnam e fiquem juntos, que sejam amigos novamente (embora esse não seja o desejo que a fez retornar. Isso é spoiler?). Assim se desenvolve a história, com os personagens tendo que lidar com um fato passado, ao mesmo tempo em que terão de lidar com um fato sobrenatural, no presente, ambos interligados, ambos afetando-os.

Mangá x animê

Vários pontos do mangá acabam sendo interessantes para quem conhece a história e vai amarrando certos detalhes que ficam meio vagos no animê. Salvo qualquer engano que a memória esteja me pregando, a revelação do verdadeiro desejo de Menma meio que acontece do nada na versão animada. Aqui, no entanto, já no primeiro volume do mangá nós temos uma introdução a isso, uma pequena cena e uma pequena fala de Jintan que se mostrará importante lá na frente, quando Menma descobrir o seu desejo. Se você nunca viu o animê e está lendo o mangá fique atento a todos os detalhes do mangá.

De igual modo, a personalidade simpática de Anaru é bem delineada desde o início, mostrando que, apesar das aparências, ela não havia mudado tanto. Todavia o aspecto rude, metido, praticamente se resume a uma cena sem graça na escola, mas que não tira o mérito do mangá e nem deixa de mostrar o outro lado de Anaru. As cenas que envolvem Poppo, Yukiatsu e Tsuruko não precisam de comentários. Suas personalidades e ações são tão características que muito dificilmente deixaríamos de ver o rapaz alegre e inocente que acredita em tudo, o jovem invejoso que tenta se mostrar superior a Jintan, e a garota que conhece o mais íntimo pensamento de yukiatsu e mesmo das outras pessoas a sua volta.

Tudo é muito bem amarrado e a autora sabe fazer mangá. Ela domina a técnica e consegue transpor a história da versão animada para a versão em quadrinhos de forma muito fiel. Embora com ligeiras modificações, o mangá segue à risca a trama desenvolvida no animê e nos apresenta uma história muito interessante sobre um grupo de amigos que precisa superar um trauma do passado.

A edição nacional

O mangá foi publicado no formato 13,5 x 20,5 cm, teve miolo em papel brite 52g, e capas internas coloridas. A edição está muito boa e o papel, apesar de ser jornal, realça bem a beleza do desenho de Mitsu Izumi. É importante comentar isso, pois muita gente ficou torcendo o nariz para o mangá por ele ser publicado em papel jornal, mas a verdade é que o resultado final ficou muito bom.

Também é preciso dizer que a capa por si só é digna de destaque. A JBC soube não poluí-la, mantendo o subtítulo e os créditos em fontes pequenas, saindo-se melhor que editoras estrangeiras ao redor do mundo.

O único estranhamento foi o fato de a empresa ter adotado o nome Anohana (sem espaço), sendo que outras editoras ao redor do mundo utilizaram o nome separado (Ano hana). Mas isso é só uma birra minha, não interfere em nada na história.

O título possui classificação livre. Custa R$ 14,90 e tem periodicidade bimestral. Como dito antes, possui 3 volumes ao todo.

Veredicto

O maior medo de uma pessoa ao se deparar com um mangá de uma adaptação de um desenho animado é notar que os quadrinhos não condizem em nada com o que você conheceu anteriormente pela televisão ou internet. Porém, os fãs de Anohana não precisam ter medo, o mangá consegue se sair bem e apresenta a história sem muitos saltos e num ritmo agradável de ler.

Aos que não conhecem, também vale muito a pena, principalmente se você for fã de uma história de drama. Só é preciso ter em mente que ele não é o melhor mangá do mundo, sendo bom apenas naquilo que se propõe a fazer: apresentar uma história dramática para nos fazer chorar. Ele não é feito para reflexões aprofundadas como Arakawa Under The Bridge. Ele tem a finalidade de mostrar uma história e fazer você se divertir (leia-se chorar) com ela. E em Anohana ninguém precisa pedir mais do que isso, não é mesmo?^^.

BBM

8 Comments

  • Fabio Rattis

    só tem 3 vol. poderiam ter feito em offset. eles ainda nao entenderam, quem compra quer colecionar. e papel jornal é fogo kkkkkk

    • Desculpa, mas isso não faz o menor sentido O_o.

      1. Primeiro que por mais que as pessoas comprem mangás para colecionar e guardar, muita gente não liga para o tipo de papel e as editoras sabem disso. Pode ser jornal, offset ou o que for, as pessoas estão comprando por causa da história. Basta ver que nem a Panini, nem a JBC ainda faliram. Ou se quiser outro exemplo, é só olhar para a Abril e ver que ela continua lançando seus Disney Mangás em papel jornal. O papel jornal vai continuar a ser usado, enquanto ele for mais barato que offset. Isso não tenha dúvidas…

      Se as pessoas ligassem SÓ para o tipo de papel, a NewPOP seria a maior editora nacional de mangás. E ela não é. Pode ser muito querida do público, mas está longe de ser uma grande editora. É claro que existem os malucos que só compram coisas em offset e estão lá pegando tudo da NP. Mas isso é minoria da minoria. rs

      ———–

      2. Os consumidores precisam entender, de verdade, é que editoras vivem de lucro e, para isso, precisam vender os seus produtos a uma maior quantidade de pessoas. Quanto mais pessoas comprarem, mais lucro e, com isso, mais mangás a editora irá trazer. E o preço está inteiramente ligado a isso.

      Veja que a Panini começou a lançar vários mangás em um offset tão bom quanto os da NewPOP, mas não parou de publicar mangás em papel jornal. Por quê? Preço. Mangás em papel jornal é mais barato e, com isso, as pessoas podem comprar mais mangás da própria editora. Logo, o que aconteceria se Anohana fosse em offset? Exato, ficaria mais caro e menos pessoas comprariam. Simples assim. Isso independe da quantidade de volumes…

      “ah, mas as pessoas estão dizendo que não vão comprar por ser em papel jornal”. São irrelevantes, é uma minoria. Podem até parecer numerosos, mas não representam um número expressivo. Acredite em mim: a maioria das pessoas que compram mangás, livros e afins não ficam o tempo todo nas páginas das editoras bisbilhotando os lançamentos…

      ———–

      3. Agora é uma opinião pessoal: Só de olhar o mangá você vê que Anohana ficaria horrível em offset. Tem muitos tons de branco e isso não combina com o offset da JBC. O papel jornal usado está ótimo e não tem do que reclamar. Só ficaria melhor se fosse em luxcream ou, mesmo, couchè. Mas nos dois casos seria caro demais para o consumidor comprar um título de 3 volumes.

      E quando eu vi, havia feito um textão… Não era a intenção 🙂

      • anon

        Eu entendo que não tem como lançar tudo em offset, principalmente séries mais longas e ainda em publicação. Mas a diferença de preços entre mangás em jornal e offset da JBC está relativamente pequena ultimamente (não levando em consideração os exclusivos de livraria), então se por uns 2 reais a mais eles conseguissem usar um offset, acho que pra uma série de apenas 3 volumes não iria pesar tanto no bolso.

        Quanto à qualidade do offset, aí já é outra história! Se pelo menos adotassem o papel que usam nos relançamentos como padrão, por mim já estava bom.

    • iproxfrancisco

      No atual mercado de mangás no Brasil os consumidores se importam mais com o preço do que com a qualidade(física) da obra. Eu também não gosto do papel jornal por que ele é feito do modo mais econômico possível visando ficar com o menos preço, ele é utilizado para fazer coisas descartáveis, como jornais impressos, ou seja não é apropriado para se colecionar. O papel offset é o papel padrão, não é o ideal para se colecionar, mas sem dúvidas é melhor e tem maior durabilidade que o papel jornal.
      O meu sonho de consumo é o papel Lux Cream (usado em Death Note BE). Todavia, colocar as obras com um melhor papel aumentará o preço e afastará os consumidores. Enfim, eu faço parte da minoria que que leva em conta a qualidade do papel no momento de comprar um mangá, mas eu compreendo a realidade do mercado e sei que a esmagadora comunidade prefere mangás a preço baixo do que preço alto com uma maior qualidade.

  • iproxfrancisco

    Se você está na dúvida se vale a pena comprar, recomendo que veja o mangá, pois no caso de Anohana ele foi feito primeiramente para anime e depois adaptado para mangá.
    Eu assisti o anime e não gostei, então vou passar o mangá.

  • […] No primeiro volume conhecemos a história dos seis amigos que, um dia, se afastaram por causa da morte de um deles, a garotinha Menma. Descobrimos que Menma retornou com o objetivo de realizar um antigo desejo e acompanhamos Jintan, Anaru e Poppo buscando realizar o desejo da falecida amiga. Já no segundo volume conhecemos um pouco mais do passado dos personagens, a amizade entre eles, e as angústias, arrependimentos e sentimentos que eles carregaram durante anos… […]

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: