Resenha: The God’s Lie

Amizade e drama…

O ano de 2016 marcou uma virada da editora Panini muito grande, não somente pelo aumento e constância de publicações em uma qualidade física melhor, mas também pela escolha de certos títulos que a gente só esperaria ver pela JBC, NewPOP ou mesmo L&PM. Até então, pelo menos desde 2012, quase todas as publicações da editora eram mais do mesmo e não diversificavam em nada o nosso mercado. Agora as coisas parecem estar mudando e com constância…

Uma dessas obras diferenciadas é The God’s Lie, mangá seinen de volume único escrito e desenhado por Kaori Ozaki, mesma autora de Immortal Rain. A obra é um slice-of-life de drama típico, no qual acompanhamos dois jovens tentando se virar frente aos acontecimentos inesperados da vida, além de descobrirem sua primeira paixonite.

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O título esteve presente no checklist de dezembro de 2016 da editora Panini e foi publicado no início de janeiro de 2017. Adquirimos o volume e viemos dar nossa opinião sobre a obra. Vem ver 🙂

  • Sinopse Oficial

Na escola para a qual Natsuru Nanao foi transferido, as garotas o ignoram. Certo dia, ele descobre o segredo de Rio Suzumura, uma colega de sala… Tardes de verão, um festival, um gato branco chamado ‘”tofu”. O último verão do primário. A aventura secreta dos dois vai começar…

  • História e desenvolvimento

A narrativa de The God’s Lie nos apresenta a história dos jovens Natsuru Nanao e Rio Suzumura, ambos de apenas onze anos, colegas de classe e igualmente com famílias “””incompletas”””. Ele é um menino que vive apenas com a mãe e tem o sonho de se tornar um jogador de futebol um dia. Ela vive apenas com o irmão mais novo em uma casa velhinha e bastante suja, que demonstra bem o clima de abandono que a garota vive.

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Casa velha…

Certo dia, Natsuru termina por conhecer o grande segredo da amiga (de que a menina vive sozinha sem os pais) e, a partir daí, os dois passam a conviver um com o outro, descobrem sentimentos e, também, que os adultos e a vida em geral pode ser bem mais dura e confusa do que qualquer um deles poderia supor…

O título apresenta toda uma construção feita para mostrar a vida do jeito que ela é, com suas alegrias mínimas, a construção da amizade e o nascimento das pequenas paixões, mas também com suas extensas coisas negativas, capazes de destroçar nossas visões mais inocentes das pessoas e do mundo em geral.

A obra acaba sendo bastante realista em retratar a reação confusa ou infantil dos jovens frente aos acontecimentos. Tudo realmente parece natural. Mesmo aquelas reações de choro do nada são credíveis, tratam-se de crianças no fim das contas, completamente imaturas, que não sabem o que fazer com aquele turbilhão de coisas à sua volta. Afinal, a garota teve que lidar com perdas enormes e uma responsabilidade que ela nitidamente não conseguia suportar.

O menino, por sua vez, teve que administrar sozinho uma frustração e a descoberta de que a vida de uma de suas colegas era demais pesada. Isso é denso (considerando que são crianças) e o choro e a tristeza delas acaba sendo realmente bastante natural. Felizmente a obra tem muitos momentos de descontração e alegria e acaba não sendo uma narrativa depressiva, embora um ou outro leitor possa (e com certeza vá) chorar em um momento ou outro.

The God’s lie, porém, não é perfeito. Ele tem o mesmo problema de vários filmes juvenis como ABC do amor ou de mangás e animês como Anohana, querendo nos fazer acreditar que crianças de onze anos são capazes de amar de modo sincero, como se fossem adolescentes ou adultos. Outro ponto negativo a se mencionar é o fato que Rio Suzumura, em alguns momentos, parece muito mais madura do que deveria ser para a idade, mas talvez isso seja apenas um estranhamento já que pelo contexto de ela viver sozinha com o irmão subentende-se que ela tenha que, obrigatoriamente, ter crescido um pouco…

No todo, porém, o mangá apresenta uma história para lá de interessante e bastante intensa que nos mostra como as coisas aparentemente normais podem estar envoltas em situações problemáticas da vida adulta.

  • Edição física

The God’s Lie veio no formato “premium” da Panini, com papel offset 90g e capa cartonada com orelhas, mas não há páginas coloridas. Isso tudo ao preço de R$ 15,90. A edição está muito boa, com um bom acabamento, extremamente maleável e sem páginas descolando e nem qualquer dos problemas que acometeram Lobo solitário e Slam Dunk.

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A edição só não está um primor de qualidade por um pequeno detalhe interno. Em algumas páginas, a encadernação quase cobre os desenhos e os balões das páginas à direita, fazendo com que tenhamos que abrir o mangá mais do que o natural para conseguir ler o que está escrito ou ver os detalhes da arte. O problema disso é que causa um enorme desconforto na leitura em vários momentos.

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Não sei se é um problema de gráfica  e o meu exemplar foi “premiado” ou se é um problema geral, mas não vi pessoas reclamando disso até o momento. Não é um problema que chegue a incomodar, mas fica o comentário para os que ainda irão adquirir a obra.

  • Conclusão

The God’s Lie está longe de ser uma obra prima como outros seinens dramáticos como 5 cm por segundo, mesmo assim é uma história bastante agradável e muito bem construída que fará você ficar preso na história e ser cativado pelos personagens. A história é verossímil, bastante carregada, até certo ponto tensa, e emocionante. Vale a leitura…

Talvez não agrade quem goste apenas e tão somente de battle shonen ou seinen violentos, mas mesmo esse povo deveria dar uma chance a essa obra, pois podem ser surpreendidos por uma história bem bacana…

  • Ficha Técnica

TítuloThe God’s Lie
Autor: Kaori Osaki
Tradutor: Jae HW
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 1
Número de volumes no Brasil: 1
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offset
Acabamento: Capa cartonada com orelhas
Classificação indicativa: 14 anos
Preço: R$ 15,90

15 Comments

  • anon

    Também tive o mesmo problema da encadernação cobrir parte dos desenhos mais internos, mas de fato não atrapalhou muito e fora isso não tenho do que reclamar.

    O fato da Rio parecer bem mais madura do que deveria para a idade me chamou a atenção também, mas acho que foi proposital para mostrar que ela foi forçada a amadurecer , tanto que em algumas partes ela perde um pouco a pose e age como uma garotinha da idade dela. Mas o romance foi um pouquinho forçado pra mim, ou talvez esta geração está mais rápida nesse sentido em comparação com a minha hahah! No geral gostei bastante do mangá e até me segurei pra não derramar uma lágrima no finalzinho :’D

  • Fabio Rattis

    q Timing Perfeito, minha compra e a sua resenha kkkkk fui comprar um chip pro celular e encontrei esse mangá na banca, e eu já estava de olho e acabei comprando. essa ed. ficou melhor doque The Weeding Eve, o meio veio todo zuado, não sabia q a panini trocava, e nao foi só a sua q vei com os textos no meio da dobra . o meio está do mesmo jeito, eu acho q todas as ed. vieram do mesmo jeito, eu acho q é o preço q se paga por paginas tão grosas( comparado o offset da JBC). e falando da história. eu preferi ver essas crianças de 11, 12 anos. como se elas já tivessem uns 15~16 anos. e no final, naqueles plot twist. caraca sem zueira, eu me emocionei kkkkk. gostei da leitura, sai um pouco do que a gente sempre ve. agora estou ansioso para comprar algum titulo de terror kkkkkk

  • esse problema de crianças aparentemente mais “maduras” pra idade é algo pelo visto recorrente nos mangas e animes no japão. estava pensando nisso nessa semana. acho algo bem forçado mesmo. mas vai que as crianças japonesas são assim mesmo?
    De qualquer modo, esse manga tá fora de meu radar e a resenha só fortaleceu meu posicionamento 🙂

    • Julia

      Acho que é cultural, lá as crianças aprendem a cozinhar, usar o dinheiro e arrumar a casa bem novinhas, tem coisas tipo facas pra crianças e coisas assim

  • Fernando Brites

    oi kyon,nisekoi vai sair no final do segundo semestre pelo que a panini respondeu num comnetário

  • Sepol

    Eu so queria entender pq a edição brasileira o titulo “the gods lie” tem um apóstrofo ‘s se tornando “the god’s lie”. Isso meio que faz perder o sentido do titulo…

    • Roses

      Sim, o original é “os deus mentem”, mas o da Panini virou “a mentira de Deus”. Eu também estranhei, por dois motivos: 1. todos os outros (América, França, Japonês) colocaram “the gods lie.”, logo não seria uma imposição japonesa como foi o hífen de One-Punch Man (no original One Punch-Man). 2. o original “the gods lie” não faz qualquer menção a uma religião, tanto gods, quanto kami-sama são termos genéricos para divindades na posição de “deus”. Entretanto, sendo “God” com letra maiúscula a coisa muda, Deus com maiúscula já não é uma divindade genérica. Confesso que não li o livro ainda, mas a não ser que ele seja sobre alguém com uma religião abraâmica (cristianismo, judaísmo, islão, etc), a troca de algo genérico para um deus em específico é um tremendo absurdo. E, sinceramente, até mais polêmico, já que não é “os deus mentem” é “a mentira de Deus”, só seria pior se fosse “Deus mente”, aí eu previa padres queimando os mangás na cruz (?)

  • Paula Raposo

    A história é comovente. E concordo com meu amigo aqui embaixo que disse que preferiu ver as crianças como adolescentes. Kkkkk mas se eles tivessem 15 e 16 anos, com certeza a protagonista teria um baita de uns peitões hahahaha sou nova nesse negócio de mangá , mas estou amando cada um deles: Nanatsu, Berserk, Fullmetal, Ore monogatari, … e agora esse The gods lie. Estou realmente passeando por todos os gêneros .
    Abraços

  • Não é meu tipo de leitura predileta, mas decidi dar uma chance e a alguns dias acabei comprando esse mangá.
    Teoricamente não o leria tão rapidamente, mas lendo algumas resenhas fiquei louco para ler, passei na frente e não me arrependi!
    Fiz a leitura a noite e fui dormir.Confesso que fiquei deitado tentando dormir e pensando nessa história. Passei ainda todo o outro dia pensando na história da Rio Suzumura e ainda comentei com todos do escritório.
    História muito tocante, traços legais.
    SUPER RECOMENDADO.

  • eu acabei de ler e,como você mencionou,em algumas paginas existem notas no rodapé.será que foi feito isso pois não cabia no glossário(vai que tinha alguma coisa a ver com limitações de páginas).e sobre os balões que ficam bem na parte “colada” das páginas,não é tão grande o problema de forçar um pouco para abrir e ler,o maior problema é que forçando várias vezes pode rasgar.a única coisa que eu estranhei – pois li com os olhos mareados 🙂 – foi a parte emque eles vão embora da pousada:a moça que entregou a comida para o protagonista ficou mal desenhada(no quadro em que ela aparece atrás do carro indo embora.mas as falhas foram bem bobas por assim dizer e não têm muita relevância,e isso não prejudica em nada.gostei bastante dessa obra(é a primeira do gênero que eu vejo).

  • […] Uma certa parte da história tem um quê de realismo impressionante, pois mostra bem a reação confusa das crianças frente aos acontecimentos, bem como as reações de choro do nada, devido à intensa situação em que estavam envolvidos. É uma história realmente comovente que agradará bastante aos amantes de títulos mais sensíveis e dramáticos. Caso queira ler uma resenha mais detalhada, clique aqui. […]

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