Minha birra com mangás nacionais

Os pontos que considero serem muito falhos na indústria nacional

Vou começar ressaltando que está é minha opinião pessoal dos mangás nacionais, do que me incomoda ou me parece mal-aproveitado.

A depender da obra em questão, há muito que dá para discutir, desde artes que parecem “amadoras” demais, completa falta de noção dos detalhes de um mangá (enquadrações e angulações, efeitos visuais, onomatopeias, efeitos de movimento, uso de retículas, uso de estilos de balões) e outros problemas de narração. Muitos desses provenientes da falta de experiência, falta de acesso à informação, falta daquele editor apontando erros e mostrando onde melhorar que os japoneses têm. Mas honestamente, não é isso que mais incomoda, há outros pontos que há muita falha que particularmente acho que já estava na hora de mudar.

Se você não tem o que fazer e fica lendo os posfácios dos mangás, entrevistas e blogs de autores japoneses, o que você mais vai encontrar é posts e textos sobre pesquisas e estudos. A maioria dos artistas e autores brasileiros não parecem entender a importância de estudar e esboçar o mundo em que irão trabalhar. Imagine uma série nos moldes de Card Captor Sakura, que não é necessariamente pesada em ambientes. Mesmo numa série dessa as autoras tiveram que definir a cidade onde aconteceria, esboçaram a escola da menina, definindo exatamente o que teria ou não, tamanho, dimensões; a casa dela foi desenhada de verdade, é a mesma casa em todos os volumes, mesmos móveis, mesmo design, mesma quantidade de quartos; e por aí vai.

A importância disso? Além de uma questão de uso inteligente do ambiente, já prever locais para certos acontecimentos, há toda uma continuidade, a casa não muda todos os capítulos, parece artificial ou vira apenas plano de fundo. Um estudo inteligente do ambiente a ser usado torna a história mais real, os acontecimentos mais lógicos, deixa de ser apenas um fundo de certos quadros e passa quase a figurar como um personagem inanimado. Uma cena de luta numa casa bem pensada  significa movimentos mais fluidos, ao contrário de certos quadrinhos onde no meio da briga o personagem começa a atirar e pegar itens que previamente não estavam ali. Ou o personagem se move e de repente está do lado de fora. Movimento e a sensação cinematográfica é o que significa ser mangá!! Entenda, Tezuka é conhecido por ser o pai do mangá exatamente por essa sacada, simplesmente teletransportar seu personagem de um lugar para o outro te deixa no mesmo nível da Turma da Mônica, não que seja ruim, mas não é mangá.

E não é apenas nesse quesito que há necessidade de estudo, você previamente deve estudar vestimentas, armas, expressões faciais, personagens e qualquer coisa recorrente da sua história. Todos os detalhes, como se movimentarão, como reagirão, temperamentos, personalidade, deve ser tudo pensado. Para fazer todos esses estudos é necessário quilos, não, toneladas de pesquisas.

Essa falta de pesquisa é muito óbvia nos mangás nacionais. Vai fazer uma história com plantas? Tá na hora de pesquisar botânica. Na época vitoriana? Pesquise até a cor do sapato da época. Não que não haja uma liberdade autoral, mas só dizer que aquilo aconteceu em tal lugar e em tal época não funciona. Sem estudos e pesquisas sua história não passará o ar que você almeja, ao invés passará aquele ar infantil e amador. Mesmo que decida criar um mundo e época, você precisa criá-los de fato, definir mapas e áreas. Pegue Game of Thrones, se o autor não tivesse definido as casas e mapas desde o começo a obra não teria a mobilidade e fluidez que tem.

Pesquisa e estudos vão muito além de objetos e localidades, movimentos também são muito importantes. Autores que trabalham com obras de luta, esportes e similares têm coleções absurdas de fotos de atletas e lutadores em milhares de posições, exatamente para passar movimentos verdadeiros, palpáveis, com a emoção do esporte. Slam Dunk não seria o sucesso que foi sem esse detalhe da movimentação fluida dos personagens, da emoção dos jogos.

Além do velho Google, que nem sempre é o bastante, autores devem estar preparados para procurar em bibliotecas, buscar pessoas especializadas naquilo, sair com sua câmera e tirar fotos para todo lado, encontrar pessoas que façam aquilo, como um esporte, e acompanhar treinos, jogos, etc. Infelizmente esse cuidado e trabalho de obra é algo que poucos fazem, ou fazem bem-feito. Um grupo que faz com muito cuidado é o Studio Seasons, isso fica claro em Helena, obra baseada em Machado de Assis, que nos apresenta um mundo palpável, estável e factível para a época. Dizem que o Diabo está nos detalhes, de fato, uma obra bem-feita tem todos os detalhes em harmonia, em Helena os armários e prateleiras dos planos de fundo são autênticos, tem o ar de “casa de vovó”, rs.

Aqui vem minha segunda crítica, a preguiça de estudar e pesquisar acaba criando ambientes e mundos artificiais, irreconhecíveis. Logo não é possível se identificar com aquilo proposto. Isso já é um problema porque os autores insistem em fazer fantasias em mundos inexistentes e totalmente aleatório, sem nenhuma base real ou pelo menos uma base pensada. Só porque o mundo não existe, não significa que não possa ser baseado em algo e logo deva ser estudado. É esse cuidado na criação que criam mundos icônicos e que às vezes fazem mais sucesso que a obra em si. A ideia do mundo Steampunk, por exemplo, você já deve ter ouvido falar, mas que obra deu à luz esse mundo ou pedaços específicos dessa realidade, você sabe?

Fundos baseados em fotos reais da área de Tóquio, clique para ver maior.

Mas voltando ao problema de identificação. Pode ser novidade para você, mas a maioria dos mangás que se passam no Japão acontecem especificamente em certas cidades e ao fundo é possível reconhecer pedaços específicos desses locais. Em Fort of Apocalypse, por exemplo, o autor usa pedaços de Tóquio e suas regiões vizinhas para criar problemas e soluções na movimentação dos personagens. É como criar um mangá acontecendo em São Paulo e usar localidades específicas como o Minhocão e as estações de metrô para navegar a cidade e conseguir soluções.

E por que fazer isso? Porque envolve o leitor. Um ataque zumbi em São Paulo, para um paulista, é uma obra onde ele pode se identificar muito mais e realmente ver os personagens se movimentando. Ele pode acompanhar os personagens utilizando sua própria cidade e localidades para escapar das situações e hordas de zumbi, não simplesmente ficar aguardando a próxima invenção totalmente conveniente que o autor trará para o mapa.

Envolver o leitor com sua própria realidade é uma estratégia batida, porém efetiva. Você encontra em músicas, Luiz Gonzaga, por exemplo, escreveu músicas sobre diversas cidades brasileiras; nos seriados americanos, cada série de detetive se passa em diferentes cidades: Chicago, Nova Iorque, Miami, Washington, etc; o mesmo ocorre nos mangás, em cidades como Tóquio e Quioto. Quem nunca reconheceu uma cidade brasileira num filme estrangeiro e imediatamente se conectou com a obra? Aquele sentimento de familiaridade com o que está sendo mostrado?

Essa identidade cultural e espacial vai além de simples mapas, está na linguagem, nas piadas com nossa língua, costumes e cultura que apenas um mangá brasileiro conseguiria trazer para um brasileiro. E é aqui onde ele tem a vantagem frente aos mangás japoneses ou de sei lá onde; apenas um mangá brasileiro seria capaz de envolver o leitor nesse nível e mergulhá-lo totalmente naquele mundo.

Ironicamente, até hoje, não vi nenhum mangá nacional que se aproveite dessa grande vantagem. Os autores insistem em fazer obras em cidades genéricas, em mundo genéricos, sem nenhuma profundidade ou qualquer detalhe que os torne palpável e factível. Na verdade, é mais fácil até achar mangás brasileiros se passando no Japão, quer dizer, no que ele acha que é o Japão, ou se propondo a por japonês nas páginas sem qualquer razão, apenas pela vibe de “japonês”, cometendo erros óbvios e gravíssimos.

Por quê?! Por que alguém iria se propor a produzir algo num mundo no qual não conhece nada e arriscar produzir uma obra falha e artificial? As melhores histórias saem daquilo que mais temos experiência e afinidade. O autor de Samurai X (Rurouni Kenshin) praticava kendô, o autor de Slam Dunk praticava basquete, o autor de Ajin não sai dos shooters… Quanto maior sua afinidade naquilo que você se propõe, mais preparado estará e mais facilmente trará insights que ninguém mais será capaz. E é esse momento que a sua obra ganha vantagem sobre todas as outras.

Qual a minha birra com os mangás nacionais? Despreparo, desvalorização da pesquisa e estudo, completa artificialidade e falta total de identidade brasileira. Autores que insistem em criar mundos “medievais”, “japoneses” ou lugares totalmente genéricos, sem qualquer originalidade ou memorabilidade.

Se você conhece um mangá brasileiro que faz seu dever de casa direitinho, aproveita e indica aí! 🙂

61 Comments

  • Ettore orfeo

    Bom, manga amador não temos o que reclamar pois nosso mercado e de 1%, não tem apoio e nem profissional para ajudar além disso tem mangás maravilhosos nacionais que ganharam premiações como Quack e tools que participou no japão de uma competição. Eu crio minhas coisas a 12 anos e um dos meus 13 mangas (o mais antigo) que fez 8 anos ganhou sua versão em quadrinho (em produção) porém estou comprometido a fazer seguindo o mangá profissional com 200 pg 1 capitulo dessa forma fica muito mais bonito e interessante e acabei pegando gosto em refazer o mapa dando um up e criando tudo de cabeça sem o texto original que convenhamos a coisa toda ficoi muito melhor, porém tudo que é mudado eu registro para nao haver buracos na história e aumentando mistério de personagens que só voltaram no fim; dessa maneira aprendi a encher linguiça evitando batalhas sem rumo e reduzir meu capítulo de 200 a 20 pg. Mas voltando já que gosta de fazer críticas faz um canal no youtube e pagina no face para dar apoio aos iniciantes isso seria ótimo ( queria ser milhonário pra abrir uma empresa tipo shonem para ter pessoas como você e ajudar os brasirujins kkkkk) obg .

  • Galadriel

    Agora que já fez um post reclamando (com razão), seria massa fazer um com todos os mangas BR já publicados….

  • Luiz Felipe

    Olá, Roses gostei do texto, achei bacana os pontos que você citou. Em relação a ambientação, seria uma boa ideia trabalhar num lugar fictício mas bem fundamentado e baseado em várias cidades e não só em uma. Por exemplo, eu moro em Goiás, e desenharia um lugar na qual foi baseado em Goiânia, outra parte desse lugar foi baseado, seilá, na cidade de São Paulo. O problema está em desenhar um lugar fictício ou só na falta fundamentação e estudo?

    • Luiz Felipe

      Esquecei o sinal de interrogação^^
      *seria uma boa ideia trabalhar num lugar fictício mas bem fundamentado e baseado em várias cidades e não só em uma?

    • Roses

      Quando a gente fala em ambiente bem trabalhado e embasado não significa necessariamente utilizar coisas que existem. Claro que se sua história é em cidade brasileiras é bom usar as cidades que conhece como inspiração. Até porque outras cidades do mundo têm lógicas diferentes. Na Europa, por exemplo, você vai achar catacumbas e ruínas embaixo das cidades por terem sido construídas em locais de civilizações antigas. Locais que passaram por guerras costumam ter locais de proteção contra bombardeamento. Japão por outro lado tem muita rua estreita pois não haviam grandes carroças e coisas assim, muitas vielas que só passam pessoas. Nos EUA você tem enorme predominância de estacionamentos por causa de leis específicas nesse assunto. Tudo isso, como será a sua cidade irá interferir na realidade do personagem e nas possibilidades dele. Logo pensar isso com antecedência e já trabalhar isso desde os princípio faz tudo parecer mais natural.

      Isso não significa que você não possa criar algo TOTALMENTE do zero. É super difícil, mas imagine que você vai fazer um game e quer criar uma raça alienígena, para criar o mundo deles você terá que se perguntar como a sociedade deles funciona? Quais seriam os princípios e ideais deles? Seria um povo que vive de forma mais individualista ou como uma grande comunidade? Quanto mais você trabalha aquilo, mais a história parece lógica e natural, afinal as coisas não acontecem porque do nada você pensou naquilo, mas estão conectadas e sendo apresentadas aos poucos. É isso que acontece em histórias de investigação, por exemplo, as pistas vão aparecendo, mas você ainda não tem conhecimento para juntá-las. Uma história ótima faz você não final se surpreender e achar que é tudo lógico, “como não vi isso antes?!”. Compare isso a uma história que no final o cara convenientemente acha um DNA e pronto, resolvido.

      Ou seja, a palavra chave é trabalhar o mundo, esquematizar mesmo, já prever coisas que podem ser exploradas.

      • Luiz Felipe

        Obrigado pela atenção em me responder, nem imaginei que fosse tão rápido. Eu vi um comentário que vc respondeu pra uma pessoa da seguinte forma: “Se você tiver saco e algum conhecimento básico de japonês, existem milhares de trabalhos e estudos japoneses sobre a escola de mangá é até faculdades de grandes autores que trabalham isso.”. Eu gostaria de saber se vc pode me indicar site ou blogs japoneses que falam sobre isso, sobre a origem dos mangás, as escolas e etc.Eu gostaria de me especializar mais nessa parte teórica. Desde já obrigado, parabéns pelo site.

        • Roses

          Esse é o tipo de coisa que é melhor procurar livros. Japoneses são leitores assíduos e costumam publicar muito. Você não vai encontrar um blog explicando nos detalhes.

      • Eu acho que ela valoriza demais a pesquisa no texto. A rigor, um desenhista sempre pesquisa, pq a gente não sabe desenhar tudo. A questão é que o fato de ter pesquisa não torna a história boa: Zucker é bom exemplo disso. É lindo, é bem pesquisado, é chato pra caramba. Não acontece nada, tem antagonistazinho forçado, uma trama sobre confeitaria desinteressante (e o problema não é o tema, pq hoje a gente vê o sucesso desses realitys de comida). O problema é que pensaram o visual sem desenvolver bem o roteiro.
        Roteiro é base para qualquer história: não adianta pesquisa, beleza de traço, nem sofisticação narrativa. A casos como o do alguns trabalhos Moebius, que tudo se resume a uma narrativa interessante, como se fosse um clipe, porém na maioria das vezes é enredo que vai nos envolver com história, vai agregar todos os demais elementos e nos fazer satisfazer ou não com a experiência da leitura de uma hq.

  • Fazer o meu jabá. Fiz tudo isso aí antes de lançar meu mangá 4koma “MIYAKO-CHAN NO KARE”, e ainda faço. Só dar uma conferida, e adoraria ver uma crítica do meu mangá. Sim, se passa no Japão, mas tudo tem o porquê de cada escolha, nada foi aleatório. É um slice of life de comédia.

    https://m.tapastic.com/series/miyakochanport

    E concordo sim com sua opinião. Estudo, estudo e mais um pouco de estudo.

    • Roses

      Estou lendo, tem onomatopeia em japonês, haha. Não entendo o tesão de enfiar japonês pra todo lado, mas vou relevar como liberdade autoral. XD

      Eu notei sim algumas coisa que eu “achei ruim”. Exemplo: você usa as fontes toda em maiúsculo em um balão, depois todo em minúsculo no outro balão, mas o formato dos balões continua o mesmo, se aquilo é indicativo de algo, não tá dando para sentir a mudança de tom; se não é indicativo de porcaria nenhuma, esse samba do criolo doido mata meus olhos. Fora o fato de todas as fontes estarem em modo italic 😱!!! Why you doing this to me?! 😵 E o mais engraçado é que mesmo imitando tanto o japonês, aparentemente não tentou imitar a mania de usar um milhão de fontes diferentes? Hehe

      Tem uns errinhos bobos de ortografia, tipo porque e não por que; uma vírgula faltando antes de um aposto; um quilo de hífen voando… coisas assim.

      Agora, o que mais está me incomodando de verdade é a… como posso chamar isso… digamos a “enquadração do texto nos balões”. A minha impressão, corrija-me se eu estiver enganada, é que você não faz o balão APÓS o texto estar devidamente posicionado, o que causa quebras de linhas irregulares e “feias” visualmente. Oooouu… você não dá atenção ao formato do texto e deixa irregular mesmo.
      Exemplo, você separou assim:
      Então,
      Porque
      Não
      Falou a
      Verdade
      Para ela?
      Quando todos meus instintos de anos e anos e anos de scanlation me dizem para colocar assim:
      Então,
      Por que
      Não falou
      A verdade
      Para ela?
      Se você comparar a forma dos dois vai notar que o seu parece uma montanha russa, com palavras e linhas órfãs, com artigos longe de seus substantivos e advérbios longe de seus verbos.
      Idealmente você deveria tentar escrever o texto de forma a manter a coesão entre elementos que interferem entre si, isso facilita a leitura, diminui a chance do leitor ler errado ao pular uma linha sem querer, diminui as chances de interpretações erradas.

      Enfim… acho que é isso. Fora isso, achei bem bonitinho o seu traço, uso e conhecimento acurado de fundos, caricaturas e toda aquela parafernália de fundos e texturas. 👍🏼

      • Poxa, valeu mesmo hehehe. Concordo com praticamente tudo, aos poucos a gente vai evoluindo. No mais, em relação aos balões, eles são feitos antes são feitos junto com os desenhos e não posteriormente. Sobre ono em japonês, foi mais um feito de liberdade hehehe fiz sabendo das possíveis críticas, penso que é uma opção e não uma necessidade para legitimar um mangá, digamos que foi uma escolha estética/”política.
        Em relação as letras, se não está tudo em maiúsculo, foi algum deslise, é que devera ser corrigido, depois vou revisar, seria demais pedir para você apontar todos os erros, o mesmo vale para ortografia. De tanto ler de tanto revisar as vezes passam, não é desculpa, mas os grandes tem revisores e passam, eu que sou um reles mortal…
        No mais tudo anotado, considerado e tentando sempre melhorar! Novamente muito obrigado pela crítica! Fiquei bastante surpreso com a rapidez e a consideraçãokkkkkk sou fã de vocês aqui!

        • Roses

          A minha impressão é que você emulou a tal ponto que pareceu até… satírico? Não sei se é a intenção.
          Sobre o maiúsculo, você já usa uma fonte que está sempre em letra de forma, deixar em maiúsculo fica com aqueles “I” com serif e outras letras mais espaçadas sem motivação alguma. É pior de ler, fontes são pensadas e designed para serem usadas em minúsculos, há toda uma estratégia de leitura, tacar o maiúsculo simplesmente mata isso. Tá que é algo pequeno e que a maioria pode não perceber, mas é mais cansativo e complicado de ler por causa da quantidade de serifs e detalhes da letra maiúscula que são feitos para dar uma destacada no caractere. Ler em maiúsculo é mais cansativo, ponto.
          Não tive a intenção de denegrir o trabalho, é hobby, se espera um mínimo de revisão, mas fora isso não é algo que desvalide, é o típico de coisa que você investe em revisor num futuro.
          No mais, estou num tédio medonho e tenho um TOC horrível, não me incomoda fazer uma lista de erros se quiser, não prometo pegar tudo, hehe.
          Na verdade eu quase peguei uma página sua e reeditei com as fontes e “formas dos textos” corrigidos para você comparar e ver se conseguia sentir a mudança. Mas me segurei… Eu 1 x 0 TOC
          Última coisa, a história do balão ser feito antes, não sei como é o seu processo de criação. Mas se você já sabe o que vai escrever dentro (e desenha à mão primeiro) tem um autor japonês que imprime as falas e usa elas para moldar os balões, depois digitaliza e realmente insere o texto. Talvez ajuda-de a evitar esses balões que não parecem comportar o texto atribuído?

          • Não tem a intenção de ser satírico, é mais uma questão estética e de experiência de leitura, mas essas são questões que geram grandes discussões e por hora vamos deixar assim heheheh, vamos considerar um pouco de liberdade artística rs. Sobre a fonte maiúscula, quando respondi estava ainda sonolento hehehe mas a fonte escolhida não tem variação entre maiúsculo e minúsculo. O itálico foi escolha pessoal baseado em leituras. Sobre a disposição do texto em balões foi por pratica e observacao. Sei que a ideia não era denegrir, tranx! Bom, sobre revisão…Concordo, mas com o prazo semanal sempre nas costas, mesmo com todo cuidado passa, se as editoras tem pessoas só para isso e passam coisas bem absurdas, vou me permitir alguns deslizes e conforme for verificando ou forem me avisando, como já ocorreu, vou editando e retificando. O processo é simples, os balões estão desenhados, depois incluo os textos. Mas o mais importante é que você leu o mangá inteiro hehehe e acho que tenha notado que alguns erros foram sendo retificados conforme os episódios avançavam e as coisas iam evoluindo. Ao menos você deixou transparecer que foi uma leitura agradável e isso é muito importante para mim! Se puder continue acompanhando, garanto que não vai se decepcionar, talvez só a fonte escolhida continue incomodando hehehe e obrigado pelo tempo dispensado!

            • Roses

              Só uma correção, essa fonte tem maiúsculo e minúsculo sim. Só porque ela é uma letra de fôrma não significa que não tenha. O fato de eu reconhecer se está tudo em maiúsculo ou não, prova que existe maiúsculo e minúsculo. Você pode não notar, já eu noto, tipografia é meu hobby/guilty pleasure. Faça o teste você mesmo, você verá que as letras e espaçamentos alteram, continuam de fôrma, mas possuem diferenças.

  • Você pediu uns mangás bons, então deixa eu aproveitar!
    – Spectrus – Paralisa do Sono, da Editora Crás.
    – Quack! Volumes 1,2 e 3, Editora Draco.
    – Mitsar, publicação independente. É do Seasons também.
    – O Príncipe do Best-seller, volumes 1,2,3,4, 5 e 6 da HQM Editora. As artes são boas e é legal.
    – Sigma pi, publicação independente, da Yumi Moony. É um mangá shoujo de uma guria lá que vai prum clube de química de uma escola e tem os rapazes e tal.
    – The Witch who loved, publicação independente, da Ju Loyola. É uma historinha sem falas onde um guri se perde numa floresta e acha uma moça que ajuda ele. Ou pelo menos parece isso. Alias, a Ju Loyola é boa fazendo histórias assim, sem falas.
    – Aventura das Estrelas, independente, também da Ju Loyola. São 3 histórias, cada um com um personagem de fantasia. Uma bruxa, uma menina-estrela (sério, ela caiu do céu!) e um ciclope.
    – Tokyoaki nº 0, simplesmente o melhor fanzine de mangá que eu já vi. Pena que só durou um número. Artes boas em todas as histórias, só uma história da edição tinha continuação, todas eram fechadas ou auto-contidas.
    – Cerulean, da Catharina Balthar. Uma sereia vem parar em terra firme. Muito fofo tudo! E as histórias curtas do fim da edição deixaram ela melhor ainda.
    – Vidas imperfeitas, volumes 1, 2 e 3. Da HQM Editora. A Mary Cagnin fez esse a muito tempo atrás. Mas continua uma boa história.
    – Black Silence, também da Mary. É ficção científica no espaço. Não achei os traços tão bons assim, mas a história sustenta bem a coisa.
    Todos os gibis citados tem no Guia dos Quadrinhos. Até breve!

    • Desses só li o Quack e achei bem chatinho. Conheci ele pelo Henshin Manga e não gostei, mas vi o pessoal elogiando e decidi comprar os 2 primeiros volumes para dar uma nova chance e acabei não mudando de opinião.

      • É que o Quack da Henshin Mangá padeceu de falta de espaço pra desenvolver a trama.
        As edições posteriores pela Draco sanaram esse problema.
        Aliás, o Kaji Pato tá produzindo páginas novas da história de um jeito que eu pelo menos não vi outros artistas fazendo. Em 1 ano e 1 mês de publicação, ele chegou a quase 300 páginas de quadrinhos.
        Ninguém chega nessa média, é sempre algo perto das 100 páginas. Mais raramente 200.
        Se tu não curtiu a história tá ok, eu também leio muita coisa e não é tudo que eu curto.

        • Cara, Eu li o Quack esse fim de semana, numa lapada só. Eu digo que é muito bom, acho que só um clichizinho no personagem principal que ele deveria largar de mão e uma piadas homofóbicas totalmente dispensáveis pro humor que ele desenvolve bem nas tramas. As maiores virtudes que vejo da Quack pra mim em relação aos erros comuns de quadrinhos nacionais são:
          1 – não enche o roteiro de subtramas
          2 – os capítulos, apesar de seriados, tem um “fechamento” de uma idéia, o que dá um ritmo bom pra história
          3 – não usa clichês visuais de mangás (aquelas carinhas com olhão, transformar o personagem em SD, efeitos de cenário) o que contribui pra uma narrativa fluída.
          4 – não tem virtuosismo: aquela prática de muitos artistas de colocar desenhos bonitos, closes inadequados, colocando o visual em detrimento da narrativa.

    • Ei Fool, vc tem um blog? Acho que você é um cara com muita propriedade sobre o que tem sido publicado de “mangá” nacional.

      • Oi Ciro, sim tenho um blog acessa meu perfil e dá uma olhada aqui no WordPress e dá uma olhada lá. Mas faz tempo que não escrevo nele.

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