A maldição de Berserk na Espanha

O título que faliu editoras?

Texto publicado originalmente em 14/08/2017
Atualizado em 20/06/2020

A Conrad publicou Vagabond. Quase faliu e foi vendia para o grupo Ibep e um tempo depois praticamente sumiu, com muitas pessoas nem sabendo que ela ainda existia. A Nova Sampa publicou Vagabond, foi um fracasso e a editora sumiu. Havia uma “maldição” no mangá, mas a Panini adquiriu a obra e lançou os 37 volumes existentes. A “maldição” foi desfeita.

“Maldições” semelhantes não ocorrem só no Brasil. Em outros mercados já aconteceu também de um certo título famoso estar sendo publicado no momento errado pela editora errada e o título ficar marcado. Um desses casos é a Espanha, com o mangá Berserk.

Em terras espanholas, o mangá de Kentaro Miura sempre foi cancelado mais cedo ou mais tarde e, algumas vezes, levando as editoras juntas para o limbo. Vejamos em mais detalhes:


A primeira vez: Planeta DeAgostini


Como todos sabem, Berserk é publicado no Japão desde 1989 e possui, atualmente, 40 volumes. Enquanto aqui no Brasil o mangá chegou apenas em 2005, na Espanha ele aportou pela primeira vez em 1996 pela Planeta DeAgostini. Nessa época o mercado de mangás do país era bastante diferente e as editoras publicavam mangás em forma de comic, buscando alcançar os leitores de quadrinhos americanos.

Berserk seguiu o mesmo caminho e ganhou o título de Gatsu, El Guerrero Negro. O mangá só teve 10 edições publicadas de cerca de 50 páginas, equivalendo a cerca de 2 volumes japoneses. A Planeta DeAgostini ainda existe, é uma multinacional e uma das maiores editoras de mangás da Espanha. Ela atua até no Brasil, mas não publica mangás por aqui.


A segunda vez: Mangaline


Cinco anos depois, Berserk voltou a frequentar a Espanha, dessa vez pela editora Mangaline. Ao que parece essa empresa era bastante irregular e entre 2001 e 2003 só havia publicado nove volumes. Em 2004, eles voltaram à ativa com novos volumes e mudaram todo o projeto gráfico do mangá, logotipo diferente, capas, etc.

A publicação de Berserk seguia, mas a empresa tinha problemas e em 2007, após publicar o volume 30, o título deixou de sair. A empresa prometeu sua continuidade, mas isso nunca ocorreu e a Mangaline faliu tempos depois. Berserk não foi o responsável pela editora falir, mas acabou sendo um dos títulos mais marcantes que ficaram inconclusos.


A terceira vez: Glénat (EDT)


Em 2011, uma nova editora adquiriu Berserk, a Glénat (filial da editora francesa de mesmo nome), que posteriormente mudou o nome para EDT. A empresa começou a lançar mensalmente do volume 1, ao mesmo tempo em que publicava a partir de onde a Mangaline havia parado, parecido com o esquema de One Piece feito pela Panini.

Tudo parecia bem. Parecia. Mas em 2012, a EDT sofreu um duro golpe por parte dos japoneses: a Shueisha cancelou todas as licenças da empresa e sem os mangás da mais conhecida editora japonesa a situação da EDT não ficou boa. Berserk continuou a ser lançado até 2013, quando alcançou a edição japonesa, à época com 36 volumes. E não voltou mais. A empresa foi definhando e sumiu do mapa.

Berserk também não foi o responsável por falir a editora, mas novamente teve sua publicação encerrada pelo sumiço da empresa, dando a ideia de que ter o mangá em seu catálogo pode ser ruim para a empresa…


A quarta vez: Panini


Até pouco tempo atrás parecia que nenhuma editora na Espanha tinha interesse em retomar Berserk devido, entre outras coisas, a essas duas falências. Isso mudou em meados de 2017 quando a Panini espanhola anunciou a publicação do mangá por lá. A empresa decidiu seguir publicando de onde a EDT havia parado e, ao mesmo tempo, reiniciou a série também em outro formato, para novos colecionadores.

Essa nova edição foi chamada de Berserk Maximum e reunia dois volumes em um só. A publicação vem seguindo normalmente e em julho de 2020 lançarão o volume 18 (equivalente aos números 35 e 36 do original japonês). Hoje, então, Berserk sai normalmente na Espanha e a Panini de lá não faliu. Pelo menos até agora^^.


Com informações de Animanga e Ramen Para Dos

5 Comments

  • SIRIUS BLACK

    Ô louco! Não sabia dessa, mas com certeza foi um caso semelhante ao que houve com Vagabond aqui no Brasil.

    • Ribeiro

      Vagabond foi lançado em novembro de 2001 inicialmente em meio-tanko por R$ 5,50 pela Conrad ate o volume 44. A Conrad teve a “brilhante ideia” de cancelar a publicação em meio-tanko e republicar em edição de luxo por R$ 25,00 em setembro de 2005 e depois a editora faliu.

      A Nova Sampa comprou os direitos e continuou a publicação de onde a Conrado parou, foram publicado somente 4 volumes ( 15 ao 18 ) por exorbitantes R$ 40,00, e novamente cancelado, dizem que foram vendidos apenas 300 unidades.
      E depois lançado pela Panini ate o momento,

      O que mais me espanta é como os japoneses possui a fama de ser super controladores com suas obras permitiu esse péssimo planejamento de lançamento da Conrad e Nova Sampa.

  • Snoopy Maldito

    Bem interessante esse caso…

    Parabéns pela pesquisa!

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: