Número de volumes de mangás publicados no Brasil em 2017 fica ligeiramente superior a 2016

Depois de um fraco 2016, 2017 registra alta…

Talvez você nunca tenha pensado nisso ou nem se dado conta, mas o crescimento do mercado brasileiro de mangás é bem lento, a passos de tartaruga. Embora se publique títulos e mais títulos todos os anos, o número de volumes publicados quase não cresce, como se mostrasse um receio por parte das editoras de investir mais nesse mercado.

Embora não seja algo determinante, o número de volumes lançados diz muito sobre o mercado de mangás de um país e se ele não cresce é sinal de que ou não há muitos títulos novos aparecendo ou os títulos novos são bastante curtos. Deem uma olhada no gráfico de títulos novos dos últimos anos:

Percebam que 2015 foi um ano de expansão, com mais de 20 obras novas a mais do que em 2014, contabilizando mangás, light novels, databooks, etc. Das 84 obras publicadas durante aquele ano, 74 foram mangás de origem japonesa, mas mesmo sem saber quais foram os títulos lançados percebe-se claramente que eram títulos mais curtos. Isso pois em 2015 o número de volumes publicados de mangás teve um aumento de apenas 23 tomos em relação ao ano anterior. Vejam o gráfico abaixo:

Notem como o crescimento no número de volumes publicados ao longos dos anos é mínimo. Só tivemos um aumento grande em duas oportunidades, de 2001 para 2002, no início do atual mercado de mangás no Brasil, e de 2012 para 2013, época em que a gente nota um aumento no número de publicações de JBC, NewPOP e Panini (ver gráfico 3 mais abaixo).

De 2013 até 2015, o mercado continuou estável com crescimento mínimo. Em 2016, porém, houve uma grande queda, queda essa que pode ser explicada principalmente pela crise econômica que afetou algumas das principais editoras e fizeram elas diminuírem o ritmo de suas publicações. A queda foi tão intensa que tivemos 71 volumes a menos do que em 2015.

Em 2017, porém, voltamos a ter um aumento mínimo (395 volumes contra 375 do ano anterior), mas esse aumento mínimo pode até ser comemorado. No início do ano passado parecia que íamos ter uma nova queda no número de volumes publicados. A Panini continuara com sua avalanche de lançamentos que começara em 2016, mas a JBC estava sem fazer novos anúncios, e a NewPOP continuou a publicar muito pouco. Porém, a Nova Sampa retornou (provisoriamente?), a Devir começou a publicar mangás no Brasil e, no fim do ano, a JBC voltou a publicar um pouco mais. Tudo isso, juntamente com a avalanche da Panini, gerou um leve aumento no número de volumes publicados e fez com que o resultado final fosse positivo.

É impossível prever como será 2018 em termos numéricos, mas dificilmente ele terá um crescimento grande, mesmo com a entrada da Devir e a publicação esporádica de outras empresas como Veneta e Darkside. O que se espera é que o mercado pelo menos continue com o seu ritmo de sempre, de crescimento pouco a pouco, independente do cenário econômico brasileiro…

O outro lado

Apesar da queda em 2016 e o crescimento limitado em 2017, o nosso mercado de mangás começou a ter algumas aberturas nesse período que antes não tínhamos, como os primeiros mangás em capa dura, a volta dos mangás com sobrecapa e, claro, o início do mercado digital de mangás, mas comentaremos sobre isso em outra postagem^^.


EXTRA: VOLUMES DE MANGÁS PUBLICADOS PELAS EDITORAS


Vejam o gráfico abaixo (cliquem para ampliar)

 

O gráfico mostra a evolução no número de volumes publicados pelas três principais editoras. Percebam como a Panini aumentou seu número de volumes publicados em 2016 e 2017, ao passo que a JBC e NewPOP tiveram diminuição.

O caso da NewPOP é interessante, pois mesmo tendo um pequeno aumento em 2017, o número de volumes publicados pela editora somando 2017 com 2016 não chega ao número que a empresa publicou em 2015.

A JBC, por sua vez, teve uma diminuição também em 2017, mas essa diminuição foi até menor do que se esperaria no início do ano. De uma certa perspectiva, foi até positivo.

Por fim, o aumento da Panini em 2017 chega até a ser uma surpresa, pois não conseguimos notar um maior número de volumes mensais do que em 2016. Entretanto, a explicação logo ficou clara. O que acontece é que nos últimos meses de 2016, a Panini publicava em média 20 volumes mensalmente, mas no início do ano não. Em 2017, por outro lado, a média de 20 volumes foi o ano inteiro, por isso houve esse aumento^^.

O restante do gráfico fica para vocês interpretarem se quiserem^^.

Obs (1): Para o caso de não ter ficado claro, o gráfico 3 mostra apenas o número de volumes de mangás publicados. Light novels, databooks e mangás de outras nacionalidades não estão contabilizados. O gráfico 2 também mostra apenas o número de volumes de mangás. O gráfico 1, porém, lista o número de séries que começaram a ser lançadas no país, incluindo light novels, databooks, etc.
Obs (2): Os dados dos gráficos 2 e 3 foram retirados manualmente do site Guia dos Quadrinhos. Pode haver uma leve variação nos números para cima e para baixo. No período 2001 e 2004, a variação é 100% certa, visto que alguns títulos como Ranma 1/2 da Animangá não possuem data de publicação ou estão com datas erradas. Os dados do gráfico 1 foram retirados daqui mesmo, por meio das páginas das editoras em que reunimos as publicações ano a ano.
Obs (3): A quantidade de volumes exposta para 2017 contempla os mangás da Panini do checklist de dezembro que devem ser publicados até o dia 10 de janeiro.

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Estamos fazendo algumas postagens de retrospectiva. Confira todas elas, clicando aqui.

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5 comentários

  1. Excelente artigo. Aprecio bastante esses dados estatísticos do mercado brasileiro de mangás. Continue sempre postando que sempre terá um leitor assíduo aqui.

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  2. Muito bom. eu gostaria de saber; quando se refere a quantidade de volumes publicados nos gráficos, é o numero de cópias dos títulos sendo produzidos, ou, ao numero total de certo volume de todos os títulos sendo publicados?
    Sou leigo e não compreendi essa parte.

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