Violet Evergarden: mais uma light novel que você não verá no Brasil

A realidade do nosso mercado é dura…

Atualmente sou bastante cético quanto ao mercado de light novels no Brasil, isso porque não se nota qualquer crescimento nos últimos anos.

Se você é novo no mundo das publicações japonesas em nosso país, saiba que existem pelo menos três editoras que publicam mangás no Brasil (JBC, Panini e NewPOP), mas somente uma delas lança light novels, a NewPOP. Entre 2015 e 2017, a NewPOP lançou apenas 27 volumes de light novels (9 por ano), divididas em uma meia dúzia de séries. Esses números são muito, muito baixos.

Light novel de “Re: Zero”. Light novels são livrinhos com algumas ilustrações.

Mesmo ano passado sendo surpreendente em termos de anúncios (tivemos Re: Zero, por exemplo), o meu ceticismo não diminuiu e continuo achando que as chances de qualquer light novel aparecer no Brasil são próximas de zero. Uma dessas light novels que eu acho quase sem chance chama-se Violet Evergarden.

Violet Evergarden é uma light novel de autoria de Kana Akatsuki (Roteiro) e Akiko Takase (Arte), publicada no Japão por um selo de novels do estúdio Kyoto Animation, o KA Esuma Bunko. Concluído em 2 volumes, a obra chegou a ganhar em 2014 o Grande Prêmio de melhor light novel pelo Kyoto Animation Award. Ao que consta foi a primeira novel a receber tal prêmio, pois até então nenhuma outra novel havia sido digna de recebê-lo.

Na história acompanhamos a vida de Violet, uma moça que desde pequena esteve a serviço do exército e que agora, com o fim da guerra, passa a viver em uma sociedade mais pacífica. Fria e sem saber muito sobre os sentimentos das outras pessoas, ela começa a trabalhar como autômata de automemórias (pessoas que escrevem cartas para outras) em busca de entender o significado das palavras “eu te amo”, ditas por uma pessoa a ela pouco antes do fim da guerra.

Uma adaptação em animê de Violet Evergarden foi produzida pelo estúdio Kyoto Animation e, de longe, era uma das obras mais aguardadas da temporada de janeiro de 2018. A exibição começou há algumas semanas e o desenho está tendo transmissão simultânea via Netflix, com o diferencial de ter recebido uma dublagem em língua portuguesa, sendo o primeiro caso desse tipo em nosso país (i.e transmissão simultânea com dublagem).

No momento em que esta postagem vai ao ar só foram exibidos três episódios, mas já deu para perceber o clima de drama da série e a tônica que a animação deve seguir. Se será um sucesso ou não, os próximos episódios irão dizer, mas desde agora já se vê alguma movimentação por parte dos fãs para se publique a obra original no Brasil.

Se realmente você não está familiarizado com esse mundo das publicações japonesas no Brasil, saiba que os pedidos são bastante previsíveis e tendem a aumentar com o tempo SE o animê conseguir manter a atenção do público. A cada nova temporada de animês, os desenhos animados que se tornam mais populares terminam por gerar um grande número de pedidos nas páginas das editoras de mangás. Alguns são esquecidos em menos de 3 meses, outros permanecem na memória dos consumidores e  continuam a ser pedidos incessantemente.

Infelizmente, o nosso mercado é pequeno e muitas obras populares acabam não vindo ou só aparecem muito tempo depois. Basta ver que estamos em janeiro de 2018 e mangás como Erased e Haikyuu! permanecem inéditos em nosso país apesar de toda popularidade que ambas as séries ganharam com suas versões animadas.

Quando se fala em light novels, então, a situação é pior. Das obras atuais, as únicas novels que apareceram foram No game No life, Log Horizon e Re: Zero. Se quisermos ser bonzinhos podemos colocar Fate/Zero na lista, já que a franquia Fate continua na ativa até hoje. Entretanto, mesmo assim a lista continua muito curta.

Quem for ver mais de perto notará que existe uma infinidade de novels que se tornaram famosas devido a animações nos últimos anos e que permanecem inéditas por aqui, como Overlord ou Sword Art Online. Em virtude disso, considero as chances de Violet Evergarden ser publicada no Brasil extremamente baixas, praticamente nulas. Mesmo tendo a animação na Netflix as chances não são muito animadoras…

Vejam que não estou dizendo que seja impossível a vinda de uma light novel, mas a questão é que há tantas no Japão ganhando popularidade a cada ano e são tão poucas no Brasil que nem devemos ter em mente a possibilidade de alguma vir. Decerto é provável que uma ou outra venha, mas outras 20, 30, 40, 100 permanecerão inéditas, de modo que as chances reais de qualquer uma ser publicada em nosso país são baixas, próximas a zero.

Pois é, leitor, se a obra original de seu animê favorito é uma light novel, não alimente muitas esperanças de que ela venha ao nosso país. Pelo menos não por enquanto. Se um dia houver uma movimentação maior, com mais mercado, as coisas podem mudar de figura…

***

Apesar de tudo, existe um ponto positivo a respeito de Violet Evergarden e é nesse ponto que residem algumas esperanças, sua extensão. Como só possui dois volumes é mais fácil de alguma editora se interessar e licenciar a obra. Mesmo assim é necessário que você, fã, peça para as editoras.

Ao clicar neste link você será redirecionado ao Cantinho de Sugestões da NewPOP, local que a editora disponibilizou para o pedido de novas séries. Já ao clicar aqui você será redirecionado para o site da JBC feito com o mesmo propósito. Vá até esses locais que indiquei e coloque o nome da light novel que você deseja, seja Violet Evergarden, seja qualquer outra. Mas, atenção, faça isso apenas uma vez. Se fizer mais de uma, as empresas têm como saber.

Vale dizer que a JBC não tem por costume lançar novels (embora tenham publicado uma ou outra curta no passado), mas como Violet Evergarden possui só dois volumes não é algo impossível, se a empresa sentir que existem muitos fãs dispostos a comprar. Já a Panini jamais publicou uma light novel e não seria com Violet que eles começariam…

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9 Comments

  • Enzo Brasil

    o foco da panini são as bancas de jornais, entao imagino q eles n iram lancar nenhuma light novel, pois é muito caro para vender em banca.

  • Banzé

    Brasileiro não gosta de ler. Light Novels predomina os textos por isso venderia pouco no país.

  • Excelente colocação Kyon e infelizmente tenho que concordar. Já é difícil sair do grande mainstream de mangás aqui no mercado Brasileiro (mas temos bastante opções até), imagine com as Light Novels, né?

    Como foi dito ali, muitos Brasileiros tem preguiça de ler (e sinceramente uma LN é o preço de um livro, muitos acham demais pro conteúdo que ela aborda, já ouvi muito isso :/), mas nas minhas andanças por aí também vi que a light novel ainda é um pouco deixada de lado mesmo. Teríamos que fazer um trabalho pesado de incentivo a esta leitura específica, fazer os fãs de animes e mangás entenderem que é importante sim termos o conteúdo original em nossas mãos e que é tão divertido e cativante quanto uma animação ou um mangá. Claro que estou ciente da situação do mercado e tudo mais, mas é um dentre muitos outros sonhos~

  • Vinicius Martins Salustiano

    Po cara, ai me deixou triste, só vi um episódio de Violet Evergarden quando lançou e já amei, não discordo do texto porém, SAO já devia ter vindo pra cá a muito tempo, faz sucesso demais cara, mas como não veio fui forçado a comprar volumes da edição americana e nem tenho todos devido ao alto custo.

    Light Novel eu compro No Game No Life e Log Horizon e gostaria de comprar Re:Zero mas to sem espaço. Eu tenho vários volumes de NGNL parados pois realmente tenho preguiça de ler, eu gosto de ler mas se eu achar a obra mais ou menos eu tenho que me forçar a ler, ai sim eu leio muito e entro na leitura, mas se não meh, acredito que esse seja o caso de muita gente.

  • Acho q a NewPop perdeu uma grande oportunidade de não ter corrido atrás da licença da publicação de Violet antes da estreia do anime na Netflix. Poderia ter lançando em junto com o anime aproveitando por tabela a propaganda dele.

    Outra vantagem, como dito no texto, que a Violet só tem 2 volumes, isso diminui a resistência das pessoas em comprar. Já que trouxe outra Toradora e Shakugan no Shana, com 10 e 26 volumes respectivamente…

    E considero q as LN vendem razoavelmente bem no Brasil, se não a NP não iria atrás de mais e sempre vejo elas na lista dos mais vendidos na Amazon..

  • “Entre 2015 e 2017, a NewPOP lançou apenas 27 volumes de light novels (9 por ano) (…)” -> @Kyon… respeito sua opinião, mas… não sei não cara, acho que você está se apegando muito ao fato dos lançamentos em si, esquecendo-se do básico neste caso: o mercado em que estamos inseridos, o histórico de light novels no país, e a o principal, a crise vivenciada por (quase) todos aqui, muito sentida em 2016 e continuada em 2017.

    Logo, só por estes 3 motivos, se foram lançados 27 volumes, eu estou achando que “é o paraíso na Terra”, haja vista que, há quem diga que não, mas SIM (!!!), light novel e mangás CONCORREM diretamente entre si! E isto para o nosso mercado atual pode ser um tiro no pé! Mesmo entre títulos diferentes, o bolso JÁ PESA para comprar mangá X, Y e Z e a novel F, imagine comprar 3, 4 mangás e duas ou três novelS num mesmo pacote?? Mesmo que se compre 3 novels e todas sejam trimestrais intercaladas, uma novel pesa no bolso. Novel é livro, portanto, é pesado para a maioria dos bolsos. Fora todo o trabalho que dá para traduzir, revisar e editar uma novel, e ainda deixá-la num preço acessível, coisa que já foi muito bem explicada pelo Junior (NP).
    Falei de títulos diferentes, mas imagine com mangá e novel da mesma franquia?? Fica pior ainda… Tanto é que me questiono (e questiono a decisão da NP) se Shakugan no Shana (o mangá) venderá bem. Acho que de Shakugan no Shana era melhor vir somente a novel…

    E bem diferente da sua opinião, acho que as chances de Violet (com o anime saindo no “netfrix”) são enormes, PRINCIPALMENTE pelo fato de serem apenas DOIS volumes. Isto é “obra de tiro curto”, que a JBC adora, e com anime passando então… Acho que neste caso específico, se der mole até a Panini, que você excluiu, pode acabar pegando…

  • Urashima

    Não só mandar pedidos à JBC ou NewPop. A editora Novo Século e Cia das Letras possuem divisão de quadrinhos, então vê-las entrar nesse mercado não seria estranho. E o principal, aumentar o número de leitores.

  • Fabio Rattis Lima

    extremamente baixas, praticamente nulas. já vi esse sonho ser destruido em outro lugar ;( .

    eessas palavras doem kkkkk

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