BBM Responde: como funciona o lançamento dos mangás de “Re: Zero”?

OU os mangás de “Re: Zero” e o caso das adaptações de light novels

Um dia desses, em nossa página no Facebook, postamos a imagem abaixo do livreto Re: Zero Art Fan Book 2018 que, dentre outras coisas, possui uma arte de Daichi Matsuse, o desenhista do mangá Re: Zero – Capítulo 1: um dia na capital. O livreto foi lançado originalmente no Comiket 94, mas agora está à venda para encomenda em todo mundo por diversas lojas como a Amazon Japão.

Nos comentários da imagem, entretanto, veio uma pergunta interessante, que é recorrente, e que merece um destaque e uma postagem aqui no blog para esclarecer mais pessoas que possuam tal dúvida, acerca do funcionamento do lançamentos dos mangás de Re: Zero. Vejam na imagem:

Antes de falar dos mangás de Re: Zero é preciso saber ou relembrar que essa obra nasceu originalmente como uma série de livros japoneses com ilustrações, as chamadas light novels. Ou seja, se quisermos conhecer a história do jeito que ela foi originalmente pensada é na light novel que iremos encontrar. O animê que fez a obra explodir em popularidade em todo o mundo é apenas uma adaptação. Os mangás também não passam de uma adaptação.

Naturalmente, adaptar uma obra para outra mídia significa ter perdas (conteúdos, descrições, certos detalhes) e ter ganhos, afinal livro, quadrinhos e desenho animado são coisas completamente diferentes e que contam a história por meio de técnicas próprias. Então existem adaptações que são muito boas, existem adaptações que são medianas, existem ruins que preferimos esquecer e, claro, existem também aquelas que são tão péssimas que temos que relembrar o tempo todo para todo mundo saber que são ruins^^.

É muito legal acompanhar adaptações, mesmo quando elas não ficam perfeitas. Eu particularmente gostei bastante do live action japonês de Fullmetal Alchemist, apesar de não ser um bom filme. A questão é que se você gosta da adaptação e se foca apenas nela sem ir atrás do original, você pode ficar sem saber a história completa. Pense bem, quantos animês você já assistiu e ele não teve final? Quantos animês você está esperando uma nova temporada e ela não aparece? Isso é o que mais têm por aí.

O mesmo ocorre com mangás que são adaptações de light novels. Por mais que seja legal ver uma dada obra em quadrinhos, em geral mangás adaptados de light novels são dispensáveis para quem deseja ver “tudo” da obra, pois muitas vezes elas acabam incompletas.

No caso de Re: Zero, foi decidido NO JAPÃO, que a série de livros seria adaptada em mangás por arcos, algo comum por lá e que ocorre em diversos títulos como Sword Art Online e The Irregular At Magic High School. O primeiro mangá tem como subtítulo “Capítulo 1: um dia na capital”. Ele adapta apenas o primeiro livro da franquia e possui 2 volumes no total. Não há mais volumes, o mangá acaba ali mesmo e ponto. Se você é fã de Re: Zero e queria ter um mangá da obra, é este que a Panini lançou no Brasil (capas acima).

Na nossa postagem Conheça a franquia “Re: Zero”, você poderá ver que existem outros dois mangás da obra no Japão. Um deles tem 5 volumes no total e adapta o segundo arco de Re: Zero, aquele em que Subaru conhece Ram e Rem e fica hospedado na mansão. O outro adapta o terceiro arco de Re: Zero, após Subaru ser salvo da maldição das bestas. Esse mangá possui 8 volumes, com um 9º previsto para breve e ainda não acabou no Japão.

Não se sabe se a Panini trará algum desses outros dois mangás no futuro para o Brasil. Entretanto, ainda que esses mangás venham eventualmente, é preciso ficar claro que não existe nada que afirme que os outros arcos da light novel serão adaptados em mangá no Japão. Ou seja, podem acabar nesse terceiro e ponto. Não terá mais.

Claro que enquanto for um enorme sucesso a marca será explorada, mas não é algo que se garanta 100%, pois o que não falta no Japão são casos de mangás adaptados de light novels que ficaram “incompletos”. Obras como Highschool dxd, The Testament of sister new devil e Psychic Detective Yakumo são exemplos disso. Mesmo Toradora! é um caso desses  – que embora não tenha sido abandonado – com a adaptação em mangá andando a passos lentíssimos no Japão, mesmo anos apos o final da light novel.

[Vale comentar que os três primeiros arcos – 9 volumes da light novel – foram os adaptados na animação, ou livremente adaptados já que há perdas, coisas puladas, etc. Além disso, o segundo e o terceiro mangá durante um tempo saíram concomitantemente em revistas diferentes, por artistas diferentes. Ou seja, lá no oriente você compraria uma revista para ler o arco 2 e uma outra para ler o arco 3. Em outras palavras, acabaria sendo necessário algum conhecimento da obra original ou da adaptação em animê para se inteirar do mangá].

Falando especificamente de nosso país, é claro que se um mangá vender mal no Brasil, a editora não trará mais outros títulos da franquia, mas isso é uma consequência natural da dinâmica do mercado. Se o mangá de Re: Zero não vendeu bem, não existe motivo para a editora trazer mais. Se vendeu muito, trará com certeza. Ou ao menos é isso o que lógica capitalista diria. E a gente chega a ter dúvidas dessa lógica, por causa do caso de Sword Art Online.

A  publicação de SAO no Brasil é completamente estranha e incompreensível, visto que se a editora resolveu trazer a light novel é porque no mínimo o mangá deve ter vendido bem. Afinal não existiria lógica a editora trazer os livros originais se os mangás não venderam. Entretanto, por que ela não trouxe os outros mangás da franquia se eles devem ter vendido bem? A gente também não entende e a editora nunca explicou.

Foram mais de dois anos entre o fim de mangá que adapta o arco Fairy Dance e o anúncio da light novel. Será que os estudos de viabilidade de light novels demoraram tanto assim? Ficará o mistério para todo o sempre (ou até que a Panini, um dia, quem sabe, se pronuncie). Nesse cenário, a única coisa natural a se pensar é que a empresa não achou que valia a pena continuar com os mangás, mas quis entrar nesse filão de light novels com esse título bastante pedido. Se há lógica nisso, eu não sei…


Esta foi uma postagem da nossa coluna BBM Responde, uma série voltada para responder perguntas que encontramos nas redes sociais, em comentários do blog, etc. A ideia é responder perguntas bem simples, mas que mesmo assim muitos leitores e colecionadores tenham dúvidas. Veja as demais postagens desta coluna, clicando aqui.
Igualmente a coluna tem como objetivo ajudar aquele novo leitor de mangá a navegar pelo nosso mundo que às vezes pode ser muito exclusivo. Aproveitamos e convidamos também nossos leitores mais antigos a dividir suas dicas e experiências. Além disso sintam-se livres para usar esse espaço como um FAQ e perguntar qualquer coisa que poderemos responder futuramente.

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