Resenha: The Promised Neverland (volume 1)

Quando tudo o que você pensava ser verdade, desmorona…

A revista Weekly Shonen Jump, da editora Shueisha, certamente é a revista de mangás mais famosa do mundo, sendo o lar de séries consagradas e que iniciaram boa parte dos países ocidentais no mundo dos animês e mangás. No Brasil, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Naruto são certamente as três obras mais famosas e com mais peso em nosso mercado provenientes dessa revista.

Na atualidade, muito provavelmente um dos títulos mais badalados a vir dessa revista é o mangá The Promised Neverland, de Kaiu Shirai e Posuka Demizu. Publicado desde 2016, a obra logo se tornou um queridinho de muita gente, por teoricamente fugir um pouco do padrão “Jump”, sendo sempre comparado com Death Note, por seu clima de suspense e reviravoltas.

The Promised Neverland #01. Foto: Panini Mangás

The Promised Neverland era uma série no mínimo curiosa e que despertava um certo desejo de a conhecer. A obra começou a ser lançada no Brasil em agosto de 2018 pela Panini, mas o preço elevado (R$ 21,90) fez com que eu não adquirisse o mangá na época. Por ser uma série ainda em andamento, ter um preço alto e eu não saber se conseguiria ir comprando aos poucos sem que os volumes esgotassem antes, eu resolvi deixar para lá.

Entretanto, como a Panini começou também a lançar o título em formato digital resolvi comprar o ebook e finalmente começar a ler a história. Seria The Promised Neverland realmente uma boa pedida ou as pessoas estariam iludidas com um mangá totalmente convencional? Diremos isso a seguir!

  • Sinopse oficial

Ela é amada como uma mãe, mas não é uma mãe de verdade. E as crianças que vivem juntas também não são irmãos de verdade. Emma, Norman e Ray vivem felizes em um remoto orfanato, porém, esses alegres dias estão prestes a acabar…

  • História e desenvolvimento

A história de The Promised Neverland se inicia em um orfanato em que diversas crianças vivem juntas até a idade máxima de 12 anos. Todas elas são marcadas com um número no pescoço e todos os dias são submetidos a diversos testes de inteligência. Nisso, conhecemos os três personagens principais da história, todos com 11 anos de idade, Emma, Norman e Ray, que sempre tiram as melhores notas nos testes e são os mais inteligentes.

Os protagonistas. Foto: Panini Mangás

Todos vivem felizes naquele local, sendo cuidados por uma única pessoa chamada por eles de Mama. Embora só possam ficar no orfanato até os doze anos, elas podem ser adotadas e irem embora antes disso. Esse é um fato que acontece frequentemente, porém quem sai nunca manda uma carta para falar como estão as coisas.

O orfanato é local idílico, com um amplo espaço para as crianças correrem e brincar. A única restrição a elas é que não podem, em hipótese nenhuma, chegar perto do portão ou atravessarem a cerca da floresta, porque seria perigoso. Tudo é muito interessante, tudo é calmo, é divertido, nada chama muito a atenção, é uma obra prazerosa.  Entretanto, logo no primeiro capítulo do primeiro volume ocorre uma coisa que mudará toda a visão maravilhosa que temos daquele lugar emblemático.

A descoberta. Foto: Panini Mangás

Emma e Normam descobrem uma verdade cruel e que eles jamais imaginariam, o que os leva a querer elaborar um plano para escapar do orfanato. Juntando-se a Rey, os jovens decidem arquitetar esse plano de fuga às escondidas, buscando não serem descobertos.

O primeiro volume de The Promised Neverland possui 7 capítulos, sendo que seis deles são dedicados à aceitação da nova realidade e à tentativa de elaboração de um plano de fuga. Estando em 2045 e só agora sabendo da verdade, os três ainda não tem ideia de como é o mundo do lado de fora do orfanato e nem se conseguirão sobreviver nele. A obra mostra bem todas as elucubrações dos três jovens, a tentativa de não serem descobertos por sua inimiga e também os revezes que acontecem durante o volume.

Emma a personagem que mais pensa com o coração. Ray o que mais pensa estrategicamente. Foto: Panini Mangás

O mangá ainda mostra aos leitores um pouco de como é esse mundo de 2045, um pouco da verdadeira natureza da inimiga e vislumbra as motivações dela, para que aos poucos formemos o quebra cabeça e descubramos um pouco da estrutura daquele mundo.

De modo geral, The Promised Neverland tem um clima de tensão interessante, com um pouco de suspense e vai se desenvolvendo bem nesse tomo inicial, nos fazendo querer entender melhor o que está acontecendo e ver se (ou como) os jovens conseguirão fugir.

Amigo ou inimigo? Foto: Panini Mangás.

A trama como um todo parece realmente bem interessante. Não é algo único, não é algo que já não tenhamos visto antes, mas o mangá entrega uma história que parece pouco usual, com personagens interessantes e nos entregando uma narrativa para lá de intrigante.

O mangá não é perfeito, porém. Existem coisinhas aqui e ali que atrapalham um pouco o desenvolvimento da obra e retiram um pouco da imersão da ficção. Algumas falas, por exemplo, parecem incompatíveis com crianças de 11 anos de um mundo verossímil, ainda que fossem muito inteligentes. Outras, em contra-partida, são infantis demais, como Emma dizer que deseja mudar o mundo junto com dezenas de crianças. Claro que isso demonstra imaturidade da personagem frente ao que a espera, mas dado o contexto do mangá e o que nós, leitores, esperamos que aconteça no futuro, a frase não parece ter lugar.

[E, por causa disso, questões são levantadas. Mesmo não conhecendo a história posterior, tudo parece crer que o primeiro arco se dará enquanto uma fuga. Mas e o que acontecerá depois? Será um mangá de ação convencional? E, se for, a verossimilhança não estará ameaçada se as crianças saírem de lá e virarem uma espécie de resistência? Afinal, são crianças ou não?.]

Fora esse tópico, as cenas em que os autores tentam fazer humor, por exemplo, não são nada engraçadas e desviam bastante da trama principal, não servindo como alívio cômico e até mesmo atrapalhando um pouco do desenvolvimento da obra em determinados momentos. Apesar disso, como ficou claro, a obra se sustenta bem e é, na medida do possível, um mangá redondinho e com grandes expectativas de melhora…

Animê de “The Promised Neverland”. Foto: Crunchyroll

Por fim, vale lembrar que a obra ganhou uma adaptação em animê e os dois primeiros capítulos já estão disponíveis oficialmente no Brasil na plataforma de streaming Crunchyroll. O primeiro capítulo do animê adapta apenas o primeiro capítulo do mangá. Se você possui uma assinatura do serviço, você pode assistir, clicando aqui.

  • Conclusão

The Promised Neverland é um mangá que se mostrou realmente bem interessante em seu volume inicial e vale, sim, a leitura. Só não vá pensando ser algo totalmente inovador e que fuja do padrão, porque se você já leu muita coisa, você perceberá facilmente as influências, os clichês, o modo como ocorre as transições entre os capítulos, etc, e perceber isso pode te fazer achar o mangá menor do que é.

Neverland possui uma boa trama inicial (boa mesmo), com um clima de suspense interessante e que se utiliza de muitos lugares comuns a esse gênero, apresentando as coisas aos poucos e as desenvolvendo aqui e ali de forma consistente na maior parte do tempo.  Não é nada inovador e que você já não tenha visto em outros lugares (quantas obras você já viu crianças dizendo que querem salvar ou mudar o mundo? Certamente várias), mas é uma obra boa, sim, e é isso o que você deve esperar. As chances de você se decepcionar são bem pequenas, ao menos no volume inicial.

  • Ficha Técnica

TítuloThe Promised Neverland
Autor: Kaiu Shirai; Posuka Demizu
Tradutor: Erika Abreu
Editora: Panini
Número de volumes lançados no Japão: 12 (ainda em andamento)
Número de volumes lançados no Brasil até o momento: 3
Classificação indicativa: —–
Preço da versão digital: R$ 12,90
Preço da versão física: R$ 21,90
Dimensões da ed. física: 13,7 x 20 cm
Miolo da ed. física: Papel offwhite
Acabamento da ed. física: Capa cartonada
Onde comprarEd. Física / Ed. Digital

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