[OPINIÃO] A agitada semana de preços altos

Reajustes e preços revelados…

A semana que se passou teve várias notícias, a maioria delas com muita reclamação por parte dos consumidores de mangás em relação a preços. Hoje viemos comentar algumas dessas notícias e falar sobre algumas outras coisas mais.

  • O preço de “A Menina do Outro Lado”

Durante a semana, a editora Darkside Books divulgou a capa nacional e os detalhes de A Menina do Outro Lado, de Nagabe, o seu mais novo mangá. Com o primeiro volume previsto para ser lançado até o final do mês, o mangá virá no formato 14 x 21 cm, em capa dura, e custará R$ 54,90.

Confesso que a reação negativa das pessoas em relação ao preço me surpreendeu bastante. Desde que o mangá foi anunciado, a editora já tinha divulgado que o lançamento do mangá seria em capa dura, então era algo esperado que ele custasse na faixa dos cinquenta reais. Era um produto que a gente já sabia de antemão que seria destinado a uma parcela mais abastada da população, como costumam ser os livros e quadrinhos da Darkside Books.

A única dica que eu posso dar é que se A Menina do Outro Lado é um título que você desejava e você não faz parte do público darksidiano, o jeito é esperar promoções ou comprar usado em sebos, como costumo fazer com livros e mangás que não são para o meu poder aquisitivo. É assim que funciona o mundo, nem tudo é feito pensando em nós como consumidores.

  • O preço de “Dragon Ball – Edição Definitiva”

Durante a semana, a editora Panini divulgou o preço e os detalhes do mangá Dragon Ball – Edição Definitiva. O título começa a sair agora em março, terá o formato 14,7 x 21 cm, com miolo em papel couchê fosco 150g, capa dura, e custará R$ 64,90. Além disso, a obra terá periodicidade trimestral e a distribuição será quase totalmente exclusiva para livrarias e lojas especializadas (apenas algumas bancas selecionadas receberão o produto). Serão 34 volumes ao todo.

Como não poderia deixar de ser, o preço foi a coisa mais comentada e criticada. Afinal trata-se de um valor muito alto para uma quantidade enorme de volumes. É um preço que faz o mangá ser destinado realmente apenas a colecionadores com um poder aquisitivo maior. Entretanto, confesso que me surpreendi positivamente. Sendo em capa dura e tendo papel couchê fosco, R$ 64,90 é um valor não só justo, como barato pelo que oferece. Não vejo outra editora lançando um mangá nessas especificações por tão pouco.

  • “Dragon Ball” trimestral

A periodicidade de Dragon Ball será trimestral, o que significa que ele ganhará apenas 4 volumes por ano e, consequentemente, sua previsão de conclusão é junho de 2027. Embora essa previsão de conclusão assuste, para um mangá que custa um valor tão alto acaba sendo algo que faz sentido. Pense bem: se você juntar o valor de um mangá convencional da Panini por mês (R$ 21,90), você consegue comprar os volumes assim que forem lançados sem o menor problema. Mas aí é uma questão de você se organizar e/ou deixar uma obra menos importante de lado.

De minha parte, Dragon Ball está descartado. Não sou lá tão fã assim da franquia a ponto de gastar tanto dinheiro na obra e tenho realmente outras prioridades durante o ano. Comprarei apenas o primeiro volume e só.

  • Muda a equipe e as práticas continuam

Não sei se você sabe, mas a equipe que cuida da página da editora Panini no Facebook é terceirizada. Ou seja, a Panini contrata uma empresa para cuidar daquela página, passa algumas informações e eles repassam aos seguidores. Sabendo disso, se você acompanha a página da editora há pelo menos uns dois anos você deve imaginar que mudaram a empresa que cuida da página, afinal antes a empresa vivia respondendo aos leitores, mantinha a página bem mais ativa, etc. De repente, porém, tudo parou e em duas ocasiões chegaram a ficar quase um mês sem atualizações.

Nesta semana, porém, a página da editora voltou a responder consumidores e foram nessas respostas que ficamos sabendo dos detalhes de Dragon Ball (posteriormente confirmados pela assessoria de imprensa). E é aí que reside o problema. Essas informações deveriam ter sido feitas em um post específico de modo que mais gente ficasse sabendo. Não é de hoje que a página da Panini repassa informações apenas ao responder perguntas de leitores. Ou seja, muda a empresa que cuida da página, mas as práticas continuam. É uma pena.

  • Mais três mangás da Panini sofrem reajuste de preço

Durante a semana, três mangás da Panini tiveram seu preço reajustado, foram eles:  Tokyo Ghoul: ReVinland Saga e Ataque dos Titãs – Antes da Queda. Enquanto Antes da Queda subiu para apenas R$ 16,90 (dois reais de aumento), os outros dois tiveram aumentos estratosféricos, ambos passando para R$ 19,90 (aumento de seis e cinco reais respectivamente).

Novamente a editora não fez nenhum comunicado, com isso os reajustes se acumulam um atrás do outro sem que a empresa explique o que está acontecendo. Eu realmente não entendo o porquê de a editora preferir ficar sendo alvo constante de ódio, em vez de explicar os motivos do aumento.

Nossa recomendação é a mesma de outras vezes, a não ser que Vinland Saga e Tokyo Ghoul: Re façam parte da sua lista de favoritos, não vale muito continuar com um aumento tão grande assim…

  • “Pesquisas mostram que o digital ajuda na venda do volume físico”

Ouvi essa frase nesta semana em um vídeo. Foi dita por Cassius Medauar, da editora JBC, ao falar que os mangás digitais não irão substituir o material impresso. A frase tem um fundo de verdade, mas só se a editora assim quiser.

Estou comprando The Promised Neverland em formato digital e após terminar de ler o volume 3, quis colecionar o mangá físico. O volume 1 já estava esgotado em todo o canto. Desisti na hora. Então, pode sim ser verdade que os mangás digitais ajudam a vender o físico, mas se a editora não tem o produto físico, esquece.

Particularmente creio que a Panini irá reimprimir o primeiro volume devido ao sucesso do animê, mas acho bem sem sentido um volume de um mangá esgotar em menos de seis meses e a editora não reimprimir de forma rápida. Como eu disse em outra postagem, é por essas e por outras que não tenho colecionado esses mangás a R$ 21,90 da Panini. Se eu não posso comprar apenas na hora que eu quiser, não faz sentido comprar já que posso ficar desfalcado de um volume.


Essa foi nossa postagem de opinião de hoje. Sempre que durante uma semana surgem várias notícias “comentáveis” estamos realizando uma. Você pode ver outras postagens de opinião, clicando aqui.

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15 comentários

  1. Acho que o maior problema é estoque mesmo. Se não fosse ele, era só esperar dar uma abaixada de preço e comprar alguns meses depois na Amazon. Do jeito que está, se esgota mesmo. Parabéns a JBC nessa área. Aprenda, Panini.

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  2. Realmente, eu não me importo tanto com essas subidas de preço (fiquei p da vida com o preço do mangá da Darkside, mas aquilo foi só no início mesmo, quase que por instinto). Para quem não tem dinheiro, é como o Kyon falou, encontra em sebos e similares os volumes por preço bem mais barato. O que me incomoda, no entanto, é o que já foi apontado várias vezes: a Panini reimprime os volumes no dia 30 de fevereiro. Sério, se você achar um mangá e tentar procurar desconto, quer esperar resenhas para ver se o mangá é bom, ou simplesmente deixar pra depois por qualquer outro motivo, ESQUEÇA, pois você NUNCA MAIS irá encontrar o mangá em NENHUMA loja neste país. Isso desencadeia uma série de eventos (que são corroborados pela ausência de volumes digitais ou box que reúna os tomos) que resultam não só na impossibilidade de encontrar o mangá em questão, COMO TAMBÉM, caso encontre, acabe quase sempre mais caro que o produto original, às vezes BEM mais caro do que deveria.
    Bom, acho que é melhor que a Panini aprenda logo, senão só continuará a perder dinheiro (ou evitar a ganhar mais dinheiro, dependendo da situação financeira da Planet Manga)

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  3. Também não entendo a reclamação com o preço do mangá da darkside, até Pq o ultimo titulo da editora saiu com o mesmíssimo preço quando foi lançado alguns anos atrás. Num momento onde a maior editora do país cobra 20 reais em papel jornal e 22 em off White (que na minha opinião ainda é um papel bem ruim, apesar de melhor que o jornal), um manga em capa dura com boa impressão por 55 é razoável

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    1. A reação negativa ao meu ver é por 2 razões:
      1) O outro mangá ( Fragmentos do Horror) já era uma obra famosa;
      2) Era One-Shot.
      Eu particularmente acho complicado pagar tanto em um mangá desconhecido, com esse preço e que ainda está em andamento. Creio que uma boa parcela deve ter ido nessa linha.
      Quanto a capa dura isso não é problema, vários editores já disseram que isso não encarece tanto o produto como alguns consumidores pensam.

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  4. A Darkside lançou o fragmentos do horror e parece ter feito sucesso (inclusive comprei pq fiquei viciado no Junji Ito depois de ler uzumaki) agora eles vão lançar outro bem parecido em relação a formato ao que parece, porém é um titulo sem previsão de fim e por esse preço eu que não vou arriscar. Ao meu ver o público cativo da Darkside pode fazer isso dar certo, mas é melhor o mangá não se esticar muito pra evitar ser cancelado por aqui pq por esse preço e sendo até desconhecido não sei se perduraria aqui por muito tempo sem algo que a faça cair no gosto do pessoal. E quanto a DB 2027 ??? nossa como será que estará o mundo dos mangás brasileiro nessa época

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  5. O que eu mais acho engraçado é que reclamaram do preço do The Girl of the Other Side mas o mangá ficou numa posição boa no ranking dos mais vendidos da Amazon,lá pros 900.Podia tá melhor,mas tá num Rank bom até.Sobre DB,achei um preço excelente,pra um 200 pgs em couchê,até porque um encadernado desse de hqs americanas com um couchê pior e mesma quantidade de pgs fica bem caro.A fase clássica pelo menos devo pegar pq gostei MT do anime clássico.Do Z ainda num sei,nunca vi o anime…Eu pego MTS coleções,vou dropar algumas mas temporariamente ,um dia ainda completo essas,prefiro continuar com o que eu realmente gosto.E Kyon,o vol 1 de Neverland ainda tem na Panini,o frete é caro,mas tem(tinha até uns dias atrás pelo menos)

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      1. Falando de Neverland, comprei o volume um e dois pelo site da editora em dezembro de 2018. O volume 3 comprei numa banca aqui pertinho de casa, já o volume 4 comprei na Amazon e estou aguardando chegar. Só a título de curiosidade, o primeiro volume esgotou ainda em janeiro mais ou menos, eu reparei na época, alguns dias depois passou a estar em estoque de novo para poder comprar no site da editora, durou coisa de uma semana e acabou mais uma vez. Acredito q essa foi a “reposição” já, pois em se tratando de panini quando tem uma reposição já pode-se dar graças à Deus. Desacredito q entrará em estoque de novo, mas se por um milagre entrar irá demorar demais. Berserk q os fãs fizeram muito mais barulho por uma reposição demorou, imagina Neverland que n vejo ninguém falando sobre isso, aqui é a primeira vez, até parabenizo pela publicação.
        Obs: Moro em Vila Velha, ia ser massa te conhecer Kyon kkkk difícil achar outros otakinhos por aqui sem ter eventos

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  6. Acho que quando se cobra em um compilado com papel e edição em boa qualidade com 700 a 1000 páginas como Ayako e Uzumaki, se compararmos pelo número de páginas correspondentes aos volumes sairia pelo mesmo preço na base atual e com qualidade até melhor em alguns casos, por isso basta poupar, acredito que o problema é que costumamos já ter outras coleções paralelas e não queremos abandoná-las, ou poupar pra ter que comprar.

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  7. Na moral, Kyon, manda seu currículo pra Panini junto com um link do BBM. Se sem informações privilegiadas já tá fazendo um trabalho de divulgação melhor, imagina com

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  8. Esse mangá do Dragon Ball tá mais caro que aquelas coleções de capa dura da Salvat(Marvel) e Eaglemoss(DC), sendo que nem será todo colorido. Realmente não entendi esse preço.

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  9. Tenho uma teoria para explicar esse aumento de preços. Os preços aumentaram para tornar a venda direta mais segura ao mesmo tempo que torna os descontos e promoções a regra e não a exceção do volume das vendas. Comecei a colecionar manga, lá para 2003 e na época ia a eventos para comprar manga com 30% ou até um pouco mais de desconto nas coleções completa(e de alguma forma isso era lucrativo para as editoras). Então elas sempre tiveram algo como 50% a 60% do valor de capa para pagar os custos e lucrar, já levando em conta tiragem, depreciação, estoque, e perdas que na época era bem comum com a distribuição setorizada. Antes, as editorar dependiam exclusivamente das distribuidoras e vendedores(bancas e livrarias) para chegar aos consumidores então elas eram obrigadas a incluir uma margem maior de lucro para que toda a cadeia produtiva recebesse e se mantivesse de pé. Essa pratica se mantem e é obrigatória para o setor, nenhuma livraria, banca ou Amazon vai pagar 65%-80% para a editora do valor que ela vai vender pra gente. Sabemos que as editoras tem que vender seus produtos para as distribuidoras e varejistas por cerca de 40% a 50% do valor de capa(porque é a pratica de todo o mercado editorial e parece que saraiva/Amazon ajudaram a tornar esses tão ou mais agressivos). Ficando com metade da receita e quase todo o custo as editoras puseram a mão no bolso e viram que por um pouco mais de investimento elas também poderiam entrar nessa e abocanhar a parte que faltava, só que nesse meio tempo o povo brasileiro se acostumou com as promoções a todo o momento, e se é viável para o varejista sacrificar a margem dele para abaixar o preço e vender mais, se torna viável para nós consumidores pagar menos, porque vai ter quem ofereça por menos(é um raciocínio circular e pode explicar porque algumas bancas e livrarias acabaram indo pro brejo, mas não é o ponto aqui). Para mantes o esquema os preços de hoje foram artificialmente inflacionados para viabilizar promoções de 15% a 25% e de quebra faturar um pouco mais nos lançamentos. Veja bem, todas as editoras estão com lojas próprias, então ela passa a funcionar tanto como editora como como distribuidora/vendedora final. Ela olha para a concorrência, Saraiva/Amazon/Curitiba e vê que pode lidar nos mesmo patamar, basta para isso inflar um pouco o preço de capa, os usuais 40%~50% que ficam para a aditora, se com isso ela consegue recuperar o que ela mesma vai lucrar vendendo diretamente pelo preço de capa ou com os mesmo 15~25% porcento dos outros.

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    1. Como dissemos no outro post: não faz sentido.

      Editora não deve abrir concorrência com lojistas.
      E também não houve um “inflacionamento artificial” de preços.

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