Resenha: “Fire Punch” (Volume 1)

O mundo do gelo e do fogo

Tatsuki Fujimoto. Esse é um nome que tem sido até certo ponto muito falado nos últimos tempos na Internet, pois se trata da alcunha do autor de Chainsaw Man, um dos mangás recentes da revista Weekly Shonen Jump, atualmente com apenas 2 volumes publicados no Japão. Entretanto, o autor já tinha despontado antes com uma série que já foi lançada em diversos países do mundo, Fire Punch.

Fire Punch foi publicado no Japão entre 2016 e 2018 no site da Shonen Jump +, da editora Shueisha, tendo seus capítulos compilados em 8 volumes encadernados. A série desde cedo chamou a atenção, sendo até mesmo recomendada por Sui Ichida (autor de Tokyo Ghoul), e foi lançada em tudo quanto é canto desde então (França, Itália, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, etc).

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora JBC em meados de 2018 e somente agora ela vê a luz do dia. A ideia da editora era começar a publicação da obra ainda ano passado, primeiramente em formato digital e  posteriormente impresso, mas os problemas ocasionados pela crise do mercado editorial fizeram ela adiar o lançamento de várias obras.

O primeiro volume em ebook acabou de ser lançado, lemos ele e viemos falar nossas impressões sobre o título para vocês.

  • Sinopse Oficial

Fire Punch conta a história de um mundo devastado pela neve e a solidão. Todo mal trazido para esse mundo apocalíptico veio da temida “Bruxa do Gelo”, uma pessoa ‘abençoada’ com um grande poder. Neste mundo distópico, o jovem Agni e sua irmã Luna fazem parte dessa parcela da população que são abençoados com poderes, e no caso deles, ambos possuem o poder da regeneração.

  • História e Desenvolvimento

Antes de falar da história, olhemos para a capa do primeiro volume de Fire Punch (mais acima). Ela mostra o protagonista da história, um sujeito com o corpo coberto de fogo e algumas áreas aparentemente queimadas. Sua expressão aparenta um certo ódio. Como ele ficou assim? E quem é esse ele? Pela imagem da capa não dá para se deduzir nada, mas ele se chama Agni e, após seu vilarejo sofrer um ataque, o rapaz fica desse jeito, com muita dor e sofrimento. O primeiro capítulo desse volume pode ser lido gratuitamente no site da editora (clique aqui) e você poderá saber um pouco mais sobre o como e o porquê de ele ter ficado assim.

Agora falando da história, se você olhar o background de Fire Punch talvez você não se interesse tanto pela obra, pois aparenta ser um mangá de fantasia como qualquer outro, daqueles ultra-convencionais em que há um mundo em que algumas pessoas nascem com poderes especiais, uma dessas pessoas causa um certo caos, uma outra faz um mal a alguém e assim por diante. Fire Punch não deixa de ser assim, porém não se limita ao básico e apresenta uma daquelas histórias para lá de perturbadoras pelo seu excesso de violência.

Contexto: uma moça está comendo o irmão.

Basicamente, antes da história começar uma pessoa abençoada (como são chamados os humanos que nascem com poderes) cobriu o mundo de gelo, fazendo com que houvesse excesso de frio, escassez de alimentos e, consequentemente, morte atrás de morte. A Terra se tornou um lugar completamente hostil em que a luta pela sobrevivência se tornou algo extremamente mais acirrado e fez aflorar ainda mais a maldade do ser humano.

Nisso Agni e Luna – dois abençoados com o poder de regeneração – passam a viver em um vilarejo formado em sua totalidade por idosos, que estava à beira da extinção. Para salvá-los, a única forma de sobreviverem era comendo carne humana e como o poder de regeneração de Agni era bem grande, recuperando-se instantaneamente, sua irmã Luna cortava-lhe o braço repetidas vezes para servir de alimento às pessoas do vilarejo O_o. Todos eram muito agradecidos aos dois por causa disso, mas alguns recusavam-se a comer e acabavam sucumbindo. Se tudo isso já é de embrulhar o estomago saiba que a história ainda nem começou de verdade.

Contexto: bem o contexto pode ser deduzido pela própria imagem.

Sim, a história é bem tensa. O autor quer nos pegar pelo choque, apresentando situações desumanas e cruéis uma após a outra, mostrando o sofrimento das pessoas, a dor de cada uma delas e também a maldade intrínseca da humanidade. Bandidos sequestrarem abençoados e mantê-los em cárcere privado em benefício próprio virou regra, grupos escravizarem pessoas também. Daí que qualquer pessoa do mundo poderia ser vítima de todo tipo de violência, física e emocional.

Contexto: uma pessoa gosta de ver cena de sexo de humanos com animais.

Uma das cenas mais tensas do primeiro volume acontece quando uma criança escravizada está com muita sede e o guarda oferece urina para ele beber. Enquanto vemos violências diversas em todo o mangá, essa situação supera em muito tudo o que se vê, pois coloca o foco no lado mais sombrio do ser humano, que não consegue ter o mínimo de empatia com os seus semelhantes.

É também a falta de empatia dos humanos que faz Agni ter um sofrimento eterno, sofrimento causado pelo fogo que nunca apaga em seu corpo, dando-lhe uma dor física que o acompanha o tempo todo. Em vez de observarem a situação e sentirem dó das pessoas sendo obrigadas a comer carne humana, um certo alguém prefere incinerar todos.

Contexto: em um mundo com escassez de alimentos, quem gosta de comer tem sempre esse medo.

De modo geral, o desenvolvimento do mangá é bom, daqueles bem convencionais, com Agni buscando o seu agressor e salvando pessoas pelo caminho, ao mesmo tempo em que vemos as “forças do mal” indo atrás dele. Entretanto, ainda não é possível saber os rumos que a obra irá tomar, afinal já nesse volume o protagonista encontra com o seu agressor de anos atrás e o modo como o volume termina não nos deixa antever as possibilidades futuras.

O fato, porém, é que a obra nos apresenta um mundo para lá de sombrio, com pessoas más existindo aos montes e um governo autoritário que usa e abusa de seu poder para subjugar os outros. Cenas grotescas se sobrepõem e mesmo quando não há uma a gente fica imaginando o horror da situação, como quando pensamos na agonia de Agni durante tantos e tantos anos. Nada nos leva a crer que será diferente nos próximos volumes.

  • Conclusão

Fire Punch não é um mangá para todo mundo. O aviso na capa pode parecer desnecessário para muita gente, mas não o ignorem, de verdade. O título apresenta e mostra um mundo cruel demais e que pode parecer pouco apetecível para muita gente.

A obra é boa e vale a leitura, mas para melhor apreciá-la é necessário ter um estomago forte, pois ela apela mesmo para a violência e para o choque do leitor. A gente recomenda bastante esse primeiro volume, mas apenas para aqueles que estejam dispostos a encarar uma experiência mais peculiar…

  • Ficha Técnica

TítuloFire Punch
Autor: Tatsuki Fujimoto
Tradutor: Jae W. H.
Editora: JBC
Classificação indicativa: 18 anos
Número de volumes no Japão: 8 (completo)
Número de volumes lançados no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Edição: Digital (ebook)*
Preço da edição: R$ 12,90
Onde comprar: Amazon 

*A versão impressa será lançada em julho e terá o preço de R$ 25,90. Saiba os detalhes, clicando aqui.

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6 comentários

  1. Eu li ontem o primeiro capítulo, bem por cima aliás, e na parte que o general ataca todas as pessoas do vilarejo com o fogo e deixa o Agni queimando eternamente, posso falar com toda certeza, me causou muito mais desconforto do que aquele mangá do Junji ito – Fragmentos do Horror.
    O corpo dele hora se regenerando e hora virando caveira e ele agonizando de dor até imaginei o quão terrível deve ser queimado no mundo real…
    Até cogitei pegar se continuasse assim, mas ai eu fui passando os capítulo até chegar no final que me desagradou muito. Ainda bem que Akira 4, 5 e 6 estão vindo ai e vou dar prioridade para eles, se não tiver mais mangá interessante no futuro quem sabe vire uma opção para ler com calma e saber toda história, mas por enquanto estou optando por outros títulos.

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  2. Eu não tinha visto que vc havia feito uma resenha, Kyon. rs
    Se fosse há 10 anos, eu não conseguiria ler uma obra dessas, mas já tô anestesiado pelas loucuras japonesas. Já adquiri a obra…

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