“Little Witch Academia”: o mangá que poderia ser melhor

Faltou muita, muita coisa…

No mês de junho, a editora JBC publicou os dois volumes finais do mangá Little Witch Academia, de Keisuke Sato, obra baseada na famosa animação do estúdio Trigger. Completo em 3 volumes, o mangá é um shonen (obra publicada tendo como alvo o público juvenil masculino), tendo sido publicado na revista Shonen Ace, da editora Kadokawa Shoten, entre dezembro de 2016 e agosto de 2018.

Para quem não conhece, a obra é mais um daqueles títulos de fantasia que coloca bruxinhas como personagens principais, no caso em uma escola de magia. No contexto da obra, a magia está se tornando algo ultrapassado e completamente inútil com o avanço da tecnologia dos dias atuais. Em virtude disso, a escola de magia Luna Nova está enfrentando problemas financeiros, com poucas alunas dispostas a estudar. A situação é tão precária que chegam a aceitar uma garota comum, que não vêm de uma família de feiticeiras.

A história de Little Witch Academia começa justamente aí, quando Atsuko Kagari – uma entusiasta da magia – está prestes a ir para Luna Nova, onde buscará aprender mais sobre magia para se tornar que nem sua ídolo Shiny Chariot. Quando pequena, Atsuko viu uma apresentação da bruxa e, desde então, tornou-se fanática por ela, desejando seguir seus passos. O problema é que a senhorita Kagari é um zero à esquerda em magia e não sabe nem mesmo voar em uma vassoura.

A narrativa então segue com Atsuko em sua vida escolar, com dificuldades nas aulas, sua incapacidade na magia e envolvendo-se em diversas (diversas mesmo) confusões, o que não raramente a leva a tomar bronca. O mangá é quase completamente episódico, em um capítulo ocorre uma coisa, essa coisa é desenvolvida nele e se encerra ali mesmo, sem maiores consequências. Apenas um ou outro episódio se estende por mais de um capítulo, mas essa não é a regra.

Atsuko correndo das amigas após ser identificado que ela era a culpada de alguma coisa…

Embora exista uma certa continuidade narrativa, quase todos os capítulos, especialmente dos dois primeiros volumes, podem ser lidos como se fossem independentes, pois seguem exatamente a estrutura de contar um determinado caso e o resolver dentro do próprio capítulo. Com isso, a obra poderia seguir assim indefinidamente e ninguém ligaria já que as histórias são divertidas.

O problema é que Little Witch Academia fica apenas nisso, ser divertido. A obra se prende em uma aventura episódica, com pequenas doses de humor, e não prossegue, não faz mais. A gente vê uma coisa, depois vê a mesma coisa de outro jeito e de outro e de outro e de outro, e assim sucessivamente. Decorrem dois problemas disso.

O primeiro é que a gente não vê muito dos personagens “aparecendo em sua glória”, sendo apenas alvos de uma história aqui e ali, como se suas características fossem algo dado a priori, não necessitando de muitas preparações. Por exemplo, a gente só vai descobrir que certos personagens são fãs de uma dada obra literária lá no volume 3 e até então a gente não tinha essa informação de que elas gostavam de uma série. Isso seria algo que definiria bem esses personagens no decorrer do mangá, no entanto, apenas naquele capítulo é que as coisas aconteceram. Desse modo, os personagens parecem jogados e são pouco aproveitados no decorrer da trama. A própria Diana, que é uma antagonista na versão animada, nesse mangá tem muito pouco destaque e a gente quase não vê aquelas rusgas que ela têm com a Atsuko.

O segundo problema é que o mangá termina por ser incompleto. Já havia sido decidido previamente que o mangá teria 3 volumes no total (a gente sabe disso, pois na Argentina, a Ivrea anunciou a obra quando ela tinha ainda apenas um volume e a empresa informou que ela acabaria com três), então Sato tinha pleno conhecimento do que precisava fazer para completar a história, no entanto, os capítulos foram se sucedendo e a história não foi avançando. Com isso, o mangá acaba sem que quase nada aconteça de verdade.O modo como termina, com um textinho explicando o que viria a seguir dá até a ideia de que poderia haver um quarto volume, mas não haverá…

Existem obras que são “apenas divertidas”, mas que conseguem apresentar um desenvolvimento melhor, tanto da história, quanto dos personagens. Little Witch Academia fica devendo e deixa transparecer que é uma obra feita e pensada em quem já conhece a história da animação, pois não tem um final de fato. Um mangá ser baseado em uma animação não precisa necessariamente seguir a obra original do jeito que ela é, podendo ser apenas uma história no mesmo universo, como é o caso do mangá de Cowboy Bebop em que são capítulos esparsos com outras histórias. Little Witch Academia, porém, tenta seguir a história da animação, porém fica apenas nisso mesmo, na tentativa…

Apesar dos pesares, ele não chega a ser um mangá ruim de verdade, ele apenas apresenta uma proposta extremamente básica e montada de um jeito que demonstra ser para um público o mais juvenil possível, preferencialmente que já tenha visto a animação, e que já conheça a história toda. Em outras palavras, é um mangá para aproveitar os capítulos individuais e se divertir com eles, não esperando algo mais, pois a proposta dele é apenas essa e nada mais.

  • Conclusão

Se você deseja uma narrativa de bruxinhas aprendizes mais bem acabada, com um desenvolvimento interessante, utilizando bem os elementos da narrativa, os lugares-comuns, etc, você devia se concentrar em Atelier of Witch Hat, que é realmente um mangá bem melhor, com uma construção mais aliciante e uma sequência de acontecimentos mais instigante.

Já o mangá de Little Witch Academia pode não ser ruim, mas em minha opinião essa obra é apenas para quem já é  fã da animação ou para apresentar o mundo dos mangás para as crianças mais jovens, por ser algo extremamente simples e episódico. Infelizmente, tal mangá fica marcado como um daqueles títulos que as adaptações não fazem jus à obra original. Uma pena.


Título Original: リトルウイッチアカデミア
Título NacionalLittle Witch Academia
Autor: Keisuke Sato
Tradutor: Karen Kazumi Hayashida
Editora: JBC
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: Livre
Número de volumes no Japão: 3 (completo)
Número de volumes lançados: 3 (completo)
Preço: R$ 16,90 (ed. 1)/ R$ 18,90 (Ed. 2 e 3)
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