Resenha: Caçando dragões (Volume 1)

Comida e aventura…

Recentemente, a editora Panini lançou no Brasil o primeiro volume de Caçando Dragões, obra de Taku Kuwabara que em breve ganhará uma adaptação em anime a ser exibida na Netflix. Ainda em andamento no Japão, o mangá começou a sair por lá em 2016 na revista Good! Afternon (a mesma de Ajin), da editora Kodansha, e atualmente possui 6 volumes publicados.

O anúncio do título não chegou a ser uma total surpresa já que meses antes a obra havia sido licenciada na Itália pela matriz da Panini e tinha todas as características de boa parte das obras que a filial brasileira estava anunciando (títulos curtos, ainda em andamento e já licenciados na Itália), com o bônus de ter uma animação em breve.

A gente já tinha lido um pouco desse mangá anteriormente e já conhecíamos a base da história, então não foi uma total novidade quando adquirimos a versão da Panini. Mesmo assim, lemos novamente e viemos comentar sobre o primeiro volume e dizer se vale ou não a pena.

  • Sinopse Oficial

Há meio século que eles cortam os céus atravessando países na procura dos raros dragões. O Quin Zaza é uma das poucas naves ainda em atividade na caça aos dragões. Cada um da tripulação tem suas próprias razões para estar nessa atividade. O de Mika, por exemplo, é comer a carne de dragão que ele adora! Sempre perseguindo presas de qualidade cada vez mais superior, eles seguem nessa emocionante jornada!

  • História e Desenvolvimento

Caçando Dragões, como o nome deve sugerir, é uma história de aventura e (um pouco de) fantasia. No mundo da obra, existem dragões e eles são raros e caros. Seus corpos podem ser usados para fazer óleo, comida e diversos outros produtos, no entanto eles também são temidos, afinal podem atacar algum vilarejo causando transtornos e mortes. Algumas pessoas, porém, não têm medo e vivem da caça desses seres voadores imensos.

Quin Zaza é uma nave, uma das poucas  a ainda caçar dragões nos dias atuais, e é ela quem acompanharemos na história de Caçando Dragões. Com uma tripulação imensa e variada, veremos as pessoas envolvidas na caça, a luta deles para se manter, um pouco de suas motivações e drama internos, além de muita (muita) ênfase em comida.

Mika

O personagem principal (por assim dizer), se chama Mika e ele é um caçador daqueles que fazem isso por diversão, pelo prazer, mas principal e justamente pela comida. O autor foca-se muito em mostrar a expressão de felicidade de Mika em cada caçada, como se a verdadeira vocação de um aventureiro se mostrasse assim. Igualmente, o criador mostra a alimentação como algo primordial para ele (para o Mika), destacando a carne de dragão como suculenta e melhor que as demais comidas na opinião do aventureiro. Inclusive, a comida é tão importante no mangá que o autor tenta mostrar os pratos como deliciosos, de modo que o próprio leitor sinta a beleza da comida e queira comer um pouco. Após o final de cada capítulo há até mesmo uma receita que você pode fazer (desde que consiga carne de dragão^^).

Se a caça aos dragões for legalizada, cenas como essa se tornarão comuns

Ainda sobre Mika, ele é aquele protagonista padrão que você já viu em diversas em diversas obras, ele pode não ser a pessoa mais forte do mundo, mas é a que tem mais disposição e agilidade dentre os personagens, por isso mesmo várias vezes ele toma a frente nas lutas contra os dragões ou mesmo contra piratas. Mas apesar de ele ser o grande protagonista, outros personagens ganham destaque durante esse primeiro volume, como uma novata que deseja conseguir dinheiro mais rapidamente, um carinha que acreditava na lenda de um dragão brilhante, além de uma moça fria que só estava na nave porque não tinha para onde ir em terra firme.

A novata e o dragão pequeno…

Embora a história siga uma ordem linear, os capítulos são quase todos independentes, como uma pequena aventura iniciando-se e se encerrando dentro dele mesmo. Ocorre um conflito (o aparecimento de um dragão, a chegada de uma tempestade, etc), ele é desenvolvido e tudo se encerra ali mesmo, com os personagens matando o dragão, conseguindo sobreviver à tempestade e assim por diante.

Importante comentar que Quin Zaza é uma nave voadora, mas lembra demais qualquer embarcação marítima. Na verdade, todo o ambiente, com as pessoas ali envolvidas, seus desejos e suas atividades, parece aquelas histórias de aventura tradicionais, com o clima remetendo muito a títulos como Moby Dick, de Herman Mellville ou O Náufrago do Cíntia, de Júlio Verne.

O que acompanhamos é mesmo um barco caçador, só que em vez de caçar peixes ou baleias e navegar pelo mar, caçam-se dragões e voa-se pelo céu, sendo estes os únicos toques de fantasia da obra, o restante é aquela aventura convencional que te prende pela dinâmica da história, das batalhas e tudo mais. Não há nenhuma inovação e nem nada do tipo na obra, mas é um título que, justamente por ser convencional, é bastante divertido e pode te surpreender…

  • Conclusão

Caçando Dragões não é nenhuma obra indispensável ou que mudará a sua vida, mas é narrativa bem divertida e tem potencial de agradar quem gosta de obras de ação e aventura com elementos de culinária no meio.

Não existe uma grande trama aparecendo na obra e só acompanhamos as atividades dos tripulantes da Quin Zaza, sendo uma história bem leve e sem maiores compromissos. Se esse é um tipo de obra que te dá algum interesse e você tem dinheiro sobrando, não hesite em comprar o volume 1 para ver se você gosta.

  • Ficha Técnica

Título Original: 空挺ドラゴンズ
Título NacionalCaçando Dragões
Autor: Taku Kuwabara
Tradutor: Dirce Miyamura
Editora: Panini
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: 16 anos
Número de volumes no Japão: 6 (ainda em andamento)
Número de volumes lançados no Brasil: 1 (ainda em andamento)
Preço: R$ 22,90
Onde comprar: Amazon

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9 comentários

  1. Depois que um colega meu me apontou que os dragões aí são “metafóras” para a caça de baleias no Japão, e por tabela, a glorificação desta caça, vou ignorar totalmente a obra.

    Curtido por 2 pessoas

  2. É totalmente dispensável. Comprei para conhecer. Conheci e não gostei. Os dragões nesse volume estão muito indefesos. Senti pena deles, rs. E detestei a expressão de empolgação do protagonista, apesar de ele e os demais personagens passarem um perrengues.

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    1. Não existe nenhuma declaração nesse primeiro volume.
      O que acontece é que:

      1 – Japão ainda caça às baleias e está pouco se lixando para o que o exterior pensa
      2 – Os dragões são grandes como as baleias
      3 – Os dragões são fonte de óleo e diversas outras coisas, como as baleias
      3 – O método de caça lembra muito caça às baleias
      4 – A nave parece um navio de caça

      Tudo isso parece sugerir essa questão. O autor pode não ter tido qualquer intenção, mas…

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      1. É bem aquela coisa, a atividade baleeira é parte ainda vigente da cultura japonesa, é fácil um japonês ser influenciado por isso. E lá isso não tem uma visão muito negativa. Não só no que tange as baleias, sua extinção e consequências, como também no ainda uso de marfim para fazer os hashis, comércio de pele e tal. Japão simplesmente não dá a mínima para esforços de preservação e isso se reflete nos trabalhos de um japonês. Da minha parte, eu comecei a ler, mas não tem jeito, fico lembrando disso e me dá raiva, então desisti.

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  3. Traço bonito, gosto de historias de fantasia. Ainda não comprei e só posso dizer que vou gostar ou não ao ler.
    Isso de fantasia mais comida me lembra Dungeon Meshi. ( Um dos mais legais mangas que já vi)
    Talvez eu compre o primeiro.
    Adoro ler materiais de fantasia independente de americano, europeu ou japonês. Esse é o meu gênero favorito.

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