O que esperar do relançamento de “Monster”? E outras opiniões…

Mangá foi anunciado semana passada. Será que virá muito caro?

Vamos começar o post com uma pequena citação:


O Leitor, se lançar uma edição a quarenta reais, vai comprar? Não vai, gente. Isso é óbvio que não vai. O país tá em crise, tá todo mundo f….., ninguém vai comprar mangá a quarenta reais”.


Essa é uma frase dita por Beth Kodama, editora-sênior da Panini, no dia 19 de setembro de 2015 em um mini-evento chamado Amigos & Quadrinhos. Iniciamos com essa frase de forma provocativa, com um objetivo que ficará claro durante a leitura do texto. A frase, porém, está fora de contexto e pode dar uma interpretação errada, mas meio que ela fala por si só sobre aquele momento de 2015. Mas falemos do contexto: era uma fala sobre Vagabond, que tinha sido um fracasso pela Nova Sampa no ano anterior,  e o que ela achava acerca de uma futura publicação pela Panini (na época ainda não havia sido anunciado), no que Kodama comentou que era inviável lançar o mangá a partir do volume 1 a quarenta reais porque ninguém ia comprar.

Na época, o mangá mais caro da Panini havia sido o Highschool of the Dead Fullcolor Edition, que saíra a R$ 24,90 entre 2013 e 2014. De resto, a Panini só lançava mangás a preços baixíssimos, sendo Planetes, o ponto fora da curva naquele ano saindo pelo salgado preço de R$ 18,90 (na época, teve gente falando que era um absurdo de tão caro. Rsrsrs).

Isso era uma outra época. Faz apenas quatro anos, mas de lá para cá o mercado já é outro completamente diferente. Na época a JBC já havia lançado o Death Note Black Edition a quarenta reais tendo sido um sucesso absoluto (em uma época sem as mega-promoções da Amazon, diga-se) e havia começado a lançar Eden também a esse valor. Ainda assim era um momento novo, sem muitas informações do comportamento do público ao lançamento de mangás a preços mais elevados. O tempo foi passando, vieram GITS, Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban, os mangás da Devir, Darkside, etc, e se tornou comum haver mangá não só acima de quarenta, como acima de cinquenta reais.

Ou seja, na época, o que a Beth Kodama disse fazia bastante sentido, não só para o lançamento de Vagabond, quanto para qualquer outro mangá que a Panini viesse a lançar já que era uma realidade bem distinta e havia a percepção de que mangá deveria ser bem barato. Hoje já é impossível alguém dizer que ninguém vai conseguir comprar mangá a preços altíssimos por conta da crise. Se alguém disser ou mesmo pensar isso, não está acompanhando o mercado atual. A crise continua firme e forte, talvez até mais forte do que em 2015, mas existem pessoas abastadas financeiramente capazes de bancar publicações mais luxuosas e a preços maiores.

Ayako (que saiu a R$ 129,90 e hoje custa R$ 139,90) esgotou menos de um ano após o lançamento, Uzumaki, O Homem que Passeia e Tekkon Kinkreet idem. Cavaleiros do Zodíaco e Akira tiveram volumes esgotados e assim por diante. Existe o fator mega-promoção? Até existe, mas são poucas (e bem limitadas) aquelas que fazem você comprar uma obra cara por uns 15 contos. A melhor promoção de Ayako que a gente viu, por exemplo, saiu a sessenta e poucos reais. O nível de quem compra é diferente. Mesmo em promoção Ayako é só para quem tem bastante dinheiro.

Então, com promoção ou não, há um público consumidor que quer e anseia por publicações luxuosas e agora até mesmo a Panini percebeu isso. Não à toa surgiu o Dragon Ball Edição Definitiva, com capa dura a R$ 64,90. Agora um outro mangá apareceu para um público mais abastado, Monster – Perfect Edition (ou Monster Kanzenban).


Monster – Perfect Edition


Nesse mesmo evento de 2015, perguntaram se as obras do Naoki Urasawa vendiam mal. Beth Kodama comentou que o autor era complicado e falou que “vender mal” era uma expressão muito forte. Eles só não vendiam muito bem, eles só não vendiam tanto quanto um hit como Ataque dos Titãs. Ou seja, as obras do autor podiam não trazer tanto lucro como os mangás de lutinha, mas faziam a editora ter boa arrecadação, sim. Kodama inclusive afirmou que Monster foi muito bem e ela não descartava outras obras do autor no futuro.

Veio Pluto recentemente e, na última sexta-feira, a Panini anunciou outra obra, o relançamento de Monster em uma edição totalmente de luxo, seguindo a versão Perfect Edition, mas com capa dura e miolo em papel couchê (veja mais detalhes). Durante anos, os leitores pediam um relançamento, alguns pediam até mesmo essa versão, mas a editora nunca trazia…. até agora.

E, sim, como era de se esperar, muita gente não gostou da capa dura, não gostou do papel, da sobrecapa, etc. Enfim, reclamações foram várias. Respeito quem ache que seria melhor uma edição mais simples no formato de Berserk (afinal sairia mais barato e tal), mas sinceramente eu não consigo ver razões para se questionar uma edição dessas. É só para meia dúzia de ricos? É. Quem não é rico e quiser ter vai ter que esperar uma bela promoção? Vai. Mas é uma edição que no papel (precisamos primeiro ver como ficará impressa) tem tudo para ser uma das mais bonitas do mundo do mangá, daquelas para todo grande fã do autor adoraria ter na estante para ver e reler sempre que quiser.

Ok, eu entendo perfeitamente que do ponto da vista da leitura, o couchê está longe de ser a melhor opção (Lux Cream, Avena, Munken e todos os outros mais “cremeados” são melhores), mas uma edição em couchê dá um charme a mais que outros tipos de papel não dão. Já tendo visto Guardiões do Louvre e Dragon Ball Edição Definitiva, e pensando nesse Monster como produto de colecionador, eu acho que o papel deveria ser o couchê mesmo, pois aí sim será a verdadeira Perfect Edition.

Quanto ao preço, eu imagino que vai ser caro, mas não tão caro quanto as pessoas estão pensando. Como ele só terá 9 volumes é possível que fique bem em conta (bem em conta levando em consideração o acabamento e o número de páginas). Creio que deve ficar entre R$ 69,90 e R$ 84,90. O meu chute mesmo, porém, é R$ 79,90, pois ele tem cerca de 150 páginas a mais que o Dragon Ball Edição Definitiva, além de ter sobrecapa. Mas isso é um chute, um palpite, ficaremos sabendo o valor real em breve, quando começarem as pré-vendas ou a editora divulgar.


Desfazendo alguns equívocos


Pelo que eu disse pareceu que eu irei comprar a nova edição de Monster? Pois então, se pareceu isso não é bem assim. É verdade que a edição deve ser lindíssima e que todo fã do Urasawa gostaria de ter, é verdade que existe um público consumidor que pode e anseia por adquirir obras de luxo, mas eu não faço parte de nenhum desses grupos.

É possível que eu compre o primeiro volume, pois é algo bacana de ter na coleção, um daqueles itens de apreciação,  igual eu fiz com o Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban e o Dragon Ball Edição Definitiva, mas eu não sou um mega-fã do Naoki Urasawa para comprar essa versão inteira. A antiga é mais do que suficiente para mim e tá tudo certo. Na verdade, eu preferiria que fosse lançada uma versão em ebook, pois Monster não é necessariamente um título que eu precise ter uma coleção impressa. Infelizmente, eu não lembro de ter visto nenhuma versão digital das obras do Urasawa em outros países, o que deve indicar que não é possível isso acontecer, pois talvez o autor não libere esse tipo de edição. Paciência.

Mas e se eu fosse um mega-fã do autor? Nesse caso, eu não teria dinheiro para fazer essa coleção, então eu teria que pesar o que é importante e o que não é. Logo, ou eu esperaria grandes promoções ou deixaria de lado todos os demais mangás para adquirir essa Perfect Edition. A questão é saber equacionar bem os valores que eu tenho disponível para comprar (Leia mais sobre o meu método de comprar mangás). Às vezes é preciso admitir que um dado produto não é para a gente ou é preciso escolher o que é verdadeiramente necessário. Se Monster fosse verdadeiramente necessário, é claro que eu abandonaria as outras coleções em prol desta.

Falo isso, pois se alguma editora anunciasse hoje um mangá de minha predileção nos mesmos moldes de Monster Perfect Edition e começasse a publicar já no mês que vem, era isso o que eu iria fazer, pois quase não teria como arranjar dinheiro das minhas outras reservas, principalmente em época de final de ano.


A mágica da arrumação em quadrinhos


Durante a semana que se passou, ficamos sabendo que a editora Agir irá publicar o mangá da Marie Kondo, aquela famosa maga da arrumação que ficou muito conhecida por aqui após uma série da Netflix. Com desenhos de Yuko Uramoto, o mangá se chama A Mágica da Arrumação em Quadrinhos e sairá ao preço de R$ 29,90 no mês de novembro.

Capa Brasileira

Sim, é um mangá sobre arrumação, provando mais uma vez de que existe mangá de tudo no Japão. Esse, no caso, é adaptação de um dos livros da Marie Kondo. Dois foram publicados no Brasil, o primeiro chamado A Mágica da Arrumação (que serviu de inspiração para o mangá) e o segundo chamado Isso me traz alegria, ambos pela editora Sextante.

Capa japonesa

Eu me interesso por coisas estranhas e esse mangá seria um daqueles que eu fico me coçando para comprar. Gostaria, porém, que tivesse uma edição em formato digital já que esse não é um título que me interessaria ter uma versão impressa. Se a Agir publicar ebook disso é certeza que irei adquirir. Por enquanto, parece que não vai ter, mas vamos aguardar.

Importante ficar claro que esse lançamento é algo fora da curva. Não quer dizer que a Agir começará a publicar mangás, é apenas um quadrinho vindo na esteira da fama da Marie Kondo e nada mais. É possível notar isso comparando a capa japonesa com a capa local, são produtos feitos pensado em públicos consumidores bastante diferentes…

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13 comentários

  1. Qual é um desses seus mangás prediletos Kyon? Se posso dar um chute apostaria em Lucifer e o Martelo.

    Passei mais de 2 anos pra completar a minha coleção de Monster da Viz, foi muito caro e vou ficar apenas com ela mesmo.

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    1. Os meus dois mangás preferidos são o “Lúcifer e o Martelo” e o “Paradise Kiss” (da mesma autora de NANA). Mas eu não falava especificamente deles. Existem outros favoritos, como o Video Girl Ai, ou várias obras da Rumiko Takahashi ou do CLAMP,

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  2. Eu passo longe de qualquer preço que fuja da minha realidade, mas tirando o couchê, sou favorável ao lançamento independente dessa questão mercadológica, porque já tinha uma versão antiga no mercado e pra quem não pode arcar com o custo da nova, Monster tá disponível na internet pra quem quer se aventurar. Meu problema real com essas obras publicadas com preço alto é justamente o elitismo que elas passam naturalmente até implicitamente quando são publicadas exclusivamente em formato de luxo. Por exemplo, eu não tenho nada da Pipoca e Nanquim (até digital acho salgado) ainda e tudo que li deles, eu admito que tive leitura em scans em outra língua em maioria, simplesmente até dá pra eu comprar, mas não vou comprometer minha renda pra ficar comprando tudo que é caro pra ler, então como não vou deixar de ver também por isso, eu vou lá e consumo sem dar uma renda pro autor e editora daqui, editora de lá e mais toda a merda que a gente tá pagando junto.

    A ideia essencial pra mim é que CULTURA TEM QUE SER ACESSÍVEL, ponto. Não importa se vale o preço por causa do acabamento, isso não importa no principal que é a leitura e a absorção daquilo. Então defendo versão de colecionador pra quem gosta, mas mais ainda, defendo uma versão mais acessível (PELO MENOS DIGITAL com a possibilidade de promoções ao longo do tempo como a JBC já fez uma vez em títulos selecionados, sendo que deveria expandir) para a maioria das pessoas poderem ter o acesso legal à obra. É uma logística mais complicada e sei disso, mas atualmente automaticamente quem não é colecionador assíduo, deixa passar todas essas obras mais caras que estão chegando. Só quem compra é quem tá com emprego bem-remunerado (nessa época tá foda ter emprego até pra amigos com quem cresci junto, quiçá pra galera geral), quem economiza muito já pra ter o hobby ou quem é filhinho de papai. Estamos excluindo na tora quem é mais humilde e quem não é classe média-alta pra cima. Sempre o acesso vai ser o mais importante pra mim, a obra sendo produzida pra um público mais elitizado ou não, porém, já aceitei que o mercado trabalha de forma excludente e não o contrário.

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  3. Acho que falar “só rico consegue comprar” um tanto quanto exagerado, eu não sou rico, tenho um emprego razoável, pago as contas de casa e ainda assim consigo separa uns 300 reais para gastar com mangás, acho que a questão é saber dosar, igual dito no fim da postagem, pois querer comprar tudo que está em banca é claramente inviável

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  4. No fim é tudo uma questão de prioridades. Vou abandonar as compras que ia fazer na Black Friday em prol de pegar Monster no lançamento, já que o Urasawa é meu mangaká favorito.

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  5. Mas digam aí: Monster compensa todo esse investimento? Curto uma história de suspense e que envolva fatos históricos. Esse mangá é bom, mediano ou ruim? Quem já leu, pode me dar um lampejo? Pois tenho um amigo que está interessado em me vender a coleção completa da Panini, por um preço razoável. E estou colocando na balança tudo o que vem sendo dito até agora e mais o aspecto narrativo da obra. Se puderem me ajudar na tomada de decisão, agradeço imensamente.

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    1. amigo, pelo o que voce disse, pode comprar sem medo de ser feliz, ainda mais se o preço estiver bom, terminei o mangá e creio que deva ser uma das 5 melhores historias de suspense que já li na vida, incluindo outros tipos de mídia, tem coisas históricas também como coisas que aconteceram na segunda guerra entre os nazistas etc, pelo o que disse do seu gosto creio que vá amar rs

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  6. Não vejo problema em lançar edições especiais com uma qualidade melhor para os fãs mais ferrenhos e abastados. O problema é esse ser o formato padrão, ou, em outras palavras, o formato de entrada. Lembrando que, no Japão, mangás são produtos considerados populares. E creio que alguns esses luxos que as editoras daqui estão enfiando goela abaixo, na verdade não existem lá.

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  7. Nenhuma necessidade de ser capa dura. Só pra encarecer o produto.
    Monster é uma obra excelente, assim como 20th Century Boys e Pluto.
    Atualmente Monster é dificílimo de encontrar. Fico feliz pelo relançamento e triste pelo valor que terá pelo excesso de luxo na edição.

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  8. Ela podia relançar/reimprimir os 18 volumes e lançar num box para aqueles que não gostam de versões definitivas adquirirem. No mais, um baita acerto para um grande título.

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    1. Pelo que eu vejo no nosso mercado, o box é feito com mangá ‘encalhado’. Eles trazem essa nova roupagem para diminuir o estoque e ter um lucro em cima de algo que já estava meio que perdido.
      A reimpressão, em muito casos, significa um novo contrato, mais custos com gráfica etc, ou seja, não compensaria para a editora ter esse custo adicional, fora que encareceria o box. Acredito que Monster realmente está esgotado, eles não tem a quantidade de mangás necessária para lançar um box.

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  9. Kyon poderia me responder, por favor, se esse papel couchê é aquele que a panini usa para imprimir páginas coloridas? Aquele que se não tomar cuidado acaba grudando na capa interna e entre as folhas?

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