Resenha: Algumas palavras sobre o odioso protagonista Subaru Natsuki e o volume 11 de “Re: Zero”

Se você acompanhou a anime de Re:Zero, leu a adaptação em mangá ou leu a light novel, muito provavelmente deve ter percebido o quão Subaru é um personagem, no mínimo detestável. E isso é uma das coisas que fazem dele um personagem tão interessante.

ATENÇÃO: ESTE TEXTO CONTERÁ SPOILERS DE RE: ZERO ATÉ O VOLUME 11. LEIA POR SUA CONTA E RISCO.

A questão é que ele está longe de ser um herói, mas ele deseja ser um, ele tem ímpeto para ser um. Quando a obra começa e ele se vê transportado para outro mundo, as aspirações dele já estão evidentes, querendo salvar pessoas com seus poderes para se mostrar. Ele se acha um ser especial, por ter sido invocado a um mundo paralelo, procurando a pessoa que o invocou e tudo mais. Claro que essa visão dele próprio vai mudando ao longo da trama e ele percebe ser um fraco, inútil, pateta, idiota, burro, néscio, estúpido, ignorante, etc, etc e mais 20 milhões de etc.

Ainda assim, estando em Lugnica, o reino aliado do dragão, ele deseja ter forças para proteger as pessoas de quem ele gosta, se esforça para isso, mas acaba morrendo. E morrendo. E morrendo de novo. E de novo. E de novo. Daí que ele é um nada e sabe disso. Entretanto, os personagens em sua volta têm uma visão um tanto quanto diferente. Ainda que o vejam com um infantil e inútil, eles destacam suas qualidades. Aquela passagem no terceiro arco da história, com Rem reconhecendo os defeitos de Subaru e dizendo que gosta dele mesmo assim é uma das mais demonstrativas disso.

A questão é que, enquanto leitores, não podemos ignorar as burrices e as idiotices do Subaru. Nós sabemos das particularidades do rapaz, sabemos que ele só consegue ajudar as pessoas pelo seu poder de retorno da morte, de modo que não podemos ter uma visão tão vangloriosa dele quanto a Rem. Aquela passagem, após ele ter perdido o duelo contra o Julius, em que ele desconta na Emília é surreal, de dar um desgosto frenético no personagem, mostrando o quanto ele é imaturo. É uma passagem para ter um ódio absoluto dele. Ainda que estivesse em um momento turbulento, a reação dele foi desproporcional, marcando de forma mais evidente as características dele. Palmas para o autor, por conseguir construir tão bem esse personagem.

Para ficar mais claro, Subaru dificilmente melhora enquanto pessoa e isso é uma das coisas mais interessantes da história, pois ela não força uma total redenção do garoto nesse aspecto. Ainda que aconteçam muitas e muitas coisas com o rapaz, ele não tem um amadurecimento forçado, de uma hora para outra e a cena dele com Emília foi um demonstrativo disso. Naquele momento já haviam se passado dois arcos inteiros de história (a chega à capital e a semana na mansão), de modo que ele estava em Lugnica há um mês, havia vivido muitas experiências, havia se tocado de muitos de seus defeitos, de suas importunâncias, e ainda assim não amadureceu em nada. Um mês é um tempo muito pequeno para você notar uma mudança de comportamento no rapaz e, por isso, obviamente não teve.

Então, partindo do pressuposto de que ele era um nada e egoísta no mundo original, ele continuar sendo da mesma forma no mundo paralelo era o natural. Claro que existem evoluções nítidas (ele vivia quase o tempo todo dentro de casa e agora ele era um funcionário da mansão Roswaal, fora ele ter aprendidos diversas coisas), mas a personalidade não se muda de uma hora para outra. Daí que passam os livros e ele continua o mesmo cabeça-dura e burro de sempre. Pode ter conseguido ajudar a salvar Emília, pode ter salvado Rem e as crianças do vilarejo, mas a gente chega lá no terceiro arco, no volume 4, e ele ainda está com um pensamento para lá de infantil, ainda querendo saber o porquê de ter sido invocado e colocando para si uma responsabilidade que ele não tem. Como é vergonhosa a passagem que ele se autointitula um cavaleiro no Palácio Real, mais vergonhosa até do que a passagem do combate com o Julius. Quem o Subaru pensa que é para querer se intitular um cavaleiro? Aquilo lá foi deprimente. E o volume 6, então? Quando o Subaru vai tentar pedir ajuda às outras candidatas ao trono para salvar Emília? A infantilidade do garoto se mostra clara.

Ainda nessa questão, a gente vê o garoto tendo sacadas geniais, descobrindo coisas improváveis, negociando alianças, administrando combates, mas ainda assim ele não consegue perceber as diversas chances dadas a ele. Ele perde todas as oportunidades de obter informações e depois ainda fica indignado por não ter percebido uma dada coisa ou pelas respostas que lhe disseram. Ainda assim, ele está sempre se superando e é meio que essa mistura que faz ele ser um personagem tão interessante, uma mistura da burrice infantil, que chega a dar asco em muitos momentos, com a perspicácia de conseguir surpreender. No volume 10, nós vemos novamente o Subaru agir com extrema burrice, dessa vez deixando escapar a chance de descobrir muitas coisas sobre o passado daquele mundo, inclusive sobre a Bruxa da Inveja e talvez até mesmo sobre o seu poder de Retorno da Morte. E ele nem percebeu isso. Ele nem ligou. Talvez ali mesmo ele conseguisse matar parte da charada de ele ter sido enviado ao outro mundo, mas ele nem quis saber.

E depois desses preâmbulos todos, nós chegamos ao volume 11.

Ao final do volume 10 (leia nossa resenha), Subaru Natsuki, nosso amado e odiado protagonista, teve a primeira morte desse ciclo, ao chegar na mansão e ser recebido pela caçadora de entranhas, Elsa, personagem que não víamos desde o volume 1. No volume 11, logo após seu retorno, Subaru decide realizar as coisas de forma um pouco diferente e, para a sua surpresa, os acontecimentos também ocorrem de forma diversa. Personagens dizem o oposto do que disseram antes e fazem coisas que o garoto não esperava, de modo que tudo se mostrou estranho.

O princípio básico ainda era o mesmo, Emília tinha que libertar o Santuário passando pelo Teste, enquanto Subaru tentava levar as pessoas da Vila de volta. Mas agora sabendo que a caçadora de entranhas estaria na mansão, ele deseja de todas as formas proteger quem havia ficado por lá, a jovem Petra e a bela adormecida que ninguém se lembra da existência, Rem, além de verificar se Federica seria aliada ou não de Elsa. Só que ele diz coisas diferentes, coisas diferentes acontecem e após mais uma morte, mais coisas diferentes acontecem.

Uma passagem interessante desse livro acontece quando Subaru consegue entrar na Biblioteca de Livros Proibidos e por mero acaso vê que lá dentro há um Evangelho, aquele livro que os membros da Seita da Bruxa da Inveja dizem predizer tudo o que acontece. Ocorre toda uma discussão entre Subaru e a bibliotecária, gerando um conflito interno dentro do garoto acerca do que ele vivera até ali com ela.

Aqui novamente a personalidade do rapaz o impede de pensar racionalmente e perceber as nuances das falas de Beatrice, chegando a desconfiar que ela era realmente um membro da seita da bruxa. Não conseguindo deduzir as coisas, ele se vê mais uma vez em uma encruzilhada. De certa forma, porém, isso é resolvido ainda nesse volume, quando Subaru tem uma nova conversa com Roswaal no Santuário e este lhe explica que o livro presente na biblioteca não é um evangelho e sim um Livro Completo. Segundo ele, o Evangelho é um produto defeituoso em que não é possível saber de tudo, por outro lado, o livro da biblioteca é completo e contém todas as informações necessárias.

Isso é um ponto muito importante, pois saber o futuro parece que é realmente um tipo de poder bastante possível nesse mundo de Re:Zero. Daí há várias conjecturas que podemos fazer acerca do que isso significa para o andamento da história. Se lembrarmos bem, no volume 10, o Roswaal diz o plano de contra-medida para o ataque da seita da bruxa era deixar as coisas acontecerem. O marquês disse com todas as letras que se afastou propositalmente para não se encontrar com a seita e, segundo ele, seu objetivo era fazer com que a imagem de Emília fosse melhorada perante as pessoas da vila Alam. Se ele – Roswaal – derrotasse a seita da bruxa, a imagem da meio-elfa não seria alterada. No entanto, com a atuação de Subaru, Emília passou a ser vista de forma diferente.

Obviamente, naquele momento a gente viu outro descompasso de Subaru, não conseguindo interpretar bem as palavras do marquês, com ele nem sequer conjecturando coisas que poderiam estar escondidas nas falas da pessoa à sua frente. É aquilo tudo que falamos no início, a personalidade dele não irá ser mudada de uma hora para outra, assim como ele não ganhará mais inteligência. Ali era um momento crucial que ele deveria entender e conjecturar coisas. Não foi assim. E nem no livro 11 isso aconteceu.

A questão é que se existe predição (o livro da biblioteca) e se o Roswaal se afastou propositalmente do ataque da seita da bruxa, será que ele já não sabia o desfecho? Ou pior, ele já não descobriu que Subaru não é daquele mundo? São duas possibilidades bem óbvias ( e existem várias outras) que o Subaru nem pensou devido à sua personalidade, Subaru não consegue parar para ver o todo e fica se concentrando no que está apenas em seu campo de visão principal.

Mas voltando a falar de Beatrice, se inicialmente somos colocados em choque com a descoberta de que ela poderia ser um membro da seita da bruxa (possibilidade que já poderia ser pensada antes), ficamos sabendo posteriormente que o contrato que a prende à mansão e à biblioteca Roswaal não foi feito com o marquês L.Mathers como se supunha até então. Daí que Roswaal dá uma “chave” para Subaru ter um contato maior com a Beatrice e conseguir descobrir mais coisas, por isso que dissemos mais acima que o drama de Subaru para com Beatrice foi “meio que” resolvido. As inquietações ainda existem no rapaz, mas agora ele já tem um guia para conhecer melhor a bibliotecária. Resta saber se o Subaru será perspicaz como em seus melhores momentos ou sua burrice inerente irá fazê-lo perder uma boa oportunidade.

Para além disso, um grande momento da história foi o reencontro de Subaru com a bruxa da Avareza, Echidina. Após mais uma morte do garoto, uma morte para lá de inusitada e cruel, ele termina por estar novamente com ela. Aqui a gente vê o lado mais evoluído do rapaz. Até agora, a gente enfatizou que a personalidade do Subaru pouco ou nada mudou desde o início da obra, mas há meandros que não podem ser ignorados. Por tudo o que aconteceu com ele ao longo das várias e várias mortes, ele conseguiu amadurecer em alguns aspectos. Embora continue sempre a repetir os mesmos erros (ou a cometer novos), com o tempo ele percebe, sim, certas coisas, passa a ter uma outra visão e toma atitudes melhores.

O encontro com Echidina foi uma das coisas que ele conseguiu se aperfeiçoar.  Enquanto no volume 10 o garoto agiu de sua forma mais néscia, aqui ele foi mais inteligente, conseguindo mais informações sobre a sua condição e sobre aquele mundo. Ele foi tão mais inteligente que até mesmo pediu para manter a sua memória após sair do lugar, coisa que ele não havia conseguido na vez anterior.

A cena mais emocionante do livro foi também nesse encontro, pois Subaru finalmente pôde revelar a alguém o seu retorno da morte e toda a carga que ele guardava dentro de si por conta do seu segredo conseguiu ser expelida. É um momento bem interessante do livro e que merece ser apreciado com grande cuidado para não perder qualquer detalhe. Nós que acompanhamos o fardo dele ao longo dos livros anteriores também temos aquele sentimento catártico ao ver uma parte importante da história do protagonista ser resolvida. Ele ainda não conseguiria contar para a Emília e os demais, mas ao menos uma vez ele conseguiu botar tudo para fora.

Com isso, ele ficou sabendo até mesmo de Satella, a razão do retorno da morte existir, entre outras coisas. Esse encontro, porém, não foi só isso. Ele teve contato outras três bruxas, Minerva, a bruxa da Ira, Typhon, a bruxa da soberba, e Daphne, a bruxa da gula. Elas são personagens que representam bem as suas aparências (imagem acima). Minerva parece aquelas adolescentes cheias de energia e está pronta para fazer coisas e mais coisas, Typhon parece uma criança daquelas que procuram sempre saber o que está acontecendo, mas não sabem de nada e arrumam confusão. E Daphne, bem… ela é a bruxa da gula e se encontra na imagem por uma razão bem específica, com uma linha de pensamento para lá de… bem… se você ainda não leu a light novel, você verá na segunda temporada do anime.

O contato com Subaru com elas é aquele de sempre, de acordo com sua personalidade. Ele estranha, estranha, estranha, estranha de novo, é atacado, atacado de novo, salvo e fica sem saber o que fazer ao ouvir as sandices da Daphne. Nada fora do esperado^^.


Muitas outras coisas acontecem durante o volume, a relação entre Subaru e Otto se torna mais intensa, Garfiel vira um inimigo e trava batalhas com os “mocinhos”, aparece um certo coelho, e a figura de Elsa continua totalmente enigmática. Quem a contratou e porquê? Ainda precisamos de mais volumes para saber, embora exista uma grande suspeita.

No mais esse é o volume 11. Vimos muitas passagens interessantes, com a descoberta de coisas que ainda não sabíamos e o aparecimento de novos mistérios. Agora, a gente fica na expectativa para o volume 12. Será que ele aparece em fevereiro?

  • Ficha Técnica

TítuloRe: Zero – Começando uma vida em outro mundo
Autor: Tappei Nagatsuki
Tradutor: Gabriela Takahashi
Editora: NewPOP
Número de volumes no Japão até o momento: 21 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil até o momento: 11 (ainda em publicação)
Dimensões: 10,6 x 14,8 cm
Miolo: Papel Avena
Acabamento: Capa cartonada com orelhas, miolo costurado, páginas coloridas em couchê
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 26,90
Onde comprarAmazon / Comix

3 comentários

  1. Na resenha do mangá eu estava tentando comentar, mas não tinha caixa de comentários, por quê?
    Quanto a resenha, as pessoas ao lado do Subaru podem não saber muitas das bobagens que ele fez, mas também não sabem pelo que ele teve que passar para chegar onde está. Quando a conversa com a Echidna no volume 10: Sem dúvida ele foi muito burro, mas tem que se levar em conta que ele estava na frente de uma bruxa e isso dá sentimentos de estranheza nele, claro, conseguir informações era muito mais importante que isso. Mas apesar de não ser muito, o Subaru evoluiu, aprendeu a recuperar a compostura mais rápido etc.
    Kyon, o que você achou dos novos personagens do Arco 4? E o que você acha da personalidade do Subaru no cotidiano, conversas, modo de falar e agir?
    Por último, está ansioso para 2 temporada?

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    1. Sobre a resenha do mangá, o que acontece é que algumas vezes eu decido tirar o “ping” que é a opção de ser notificado caso algum site (ou mesmo eu mesmo) fizer um link para a postagem. Algumas vezes eu faço rápido e acabo apertando botão que elimina os comentários:

      —-

      Sobre os personagens… Emília hoje, Emília amanhã, Emília para sempre. Mas eu gostei bastante da Echidina e da Minerva, mesmo no pouco tempo de “tela” que ela teve.

      —-

      Subaru eu acho meio bobo. Parece adolescente demais (e ele é, na verdade. rs).
      —-

      Para ser sincero, eu preferia que a NewPOP lançasse os volumes que serão adaptados primeiro, pois hoje eu prefiro ler do que assistir e gostaria de ter a experiência da leitura antes da audiovisual. Como não será possível, paciência.

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      1. Eu sempre fico indeciso sobre qual é a melhor ordem(assiste x ler), mas acho que depende se for uma 1 ou 2 temporada. O bom é que vão adaptar só o arco 4, então não vão ter que corta tanto e staff do anime continua a mesma, que era muito boa.

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