Resenha: Re:Zero – Livro 12 (Light Novel)

Quando a tristeza de Beatrice vem à tona; e algumas indagações sobre Roswaal


ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR SÓ DEVE SER LIDO POR QUEM JÁ LEU ATÉ O VOLUME 12 DA LIGHT NOVEL RE:ZERO, POIS CONTERÁ TODOS OS SPOILERS POSSÍVEIS. AOS QUE JÁ LERAM, VENHA DISCUTIR UMAS TEORIAS COM A GENTE^^.


Se você acompanha nossas resenhas de Re:Zero deve saber que rotineiramente falamos que o protagonista da obra, Subaru Natsuki, é burro e odioso, tendo em vista as suas atitudes intempestivas e a pouca capacidade para entender certas coisas ou de pensar de forma racional em momentos que necessitam disso. Entretanto, também é verdade que reconhecemos que ele tem muitos momentos de uma extrema lucidez, de uma inteligência perspicaz que muita gente não teria estando na mesma situação que ele.

No décimo segundo livro de Re:Zero vemos muitos desses momentos de inteligência e lucidez (o que não quer dizer que isso se mantém durante todo o livro ou que o ajude muito) e conseguimos sentir um pouco mais de vibração e empolgação por suas atitudes.

A seguir falaremos um pouco sobre o volume 12 e discutiremos outros pontos da série, levantados em volumes anteriores e que até agora não tiveram um desenvolvimento. Sente-se que o texto será longo…


INVEJA, ELSA E MEILI


O volume 11 havia terminado de uma maneira um tanto quanto confusa e surreal, com uma cenário apocalíptico, logo após Subaru sair de mais um encontro com a Bruxa da Avareza e conhecer Minerva, Daphne e Typhon, bruxas da Ira, Gula e Soberba respectivamente. No início do volume 12 sabemos logo o que aconteceu, as imensas sombras que estavam cobrindo o santuário era apenas e tão somente a manifestação da temível Bruxa da Inveja que teria aparecido no lugar e estava acabando com tudo. Já dava para sacar isso lá no volume 11 com aquele “Eu te amo” nas páginas finais, mas foi só no novo livro que tudo ficou claro.

A cena apresentada foi uma das mais grotescas possíveis, mostrando a insanidade da Inveja com o suposto amor dela para com Subaru. Já havia sido deixado bastante claro que o poder de Retorno da Morte se devia a essa bruxa e se supunha, baseado em diversas situações ao longo da obra, mas principalmente graças às declarações de Betelgeuse, que ela deveria o amar muito, por conta do famoso cheiro que ele exalava. Isso virou certeza no volume 11, quando Echidina (a bruxa da Avareza) falou sobre a situação e o porquê de ele ter o poder de voltar no tempo após morrer. A cena de insanidade desse início do volume 12 é vermos Satella falando incessantemente que ama Subaru, ao mesmo tempo em que suas sombras vão destruindo o lugar em que ele está. Não parece um ser racional, não parece algo palpável e palatável. É uma bruxa no fim das contas.

Essa irracionalidade é muito do que conhecemos a Inveja por meio de suas poucas histórias que já foram contadas ao longos dos volumes anteriores. Satella desejava descobrir o que era o amor, que não entendia bem a linguagem humana e que invejava tudo o que existia. Seus poderes foram capazes de destruir as seis outras bruxas e cobrir metade do mundo com suas sombras e só a união de três grandes forças (o Dragão, o Sábio e o Herói) foi capaz de derrotá-la. E é um pouco disso o que vemos, um suposto amor desenfreado, ao mesmo tempo em que as sombras vão causando a destruição.

O que é estranho nisso tudo é que Satella teria se manifestado cooptando o corpo de Emília, segundo as deduções de Subaru. Isso não é algo descabido, afinal a seita da bruxa havia falado alguma coisa sobre a meio-elfa poder ser o receptáculo dela (o corpo verdadeiro de Satella estaria selado em um cristal em alguma parte do mundo) e por isso existiria a chamada provação, mas o esquisito e ainda inexplicável é o porquê de acontecer nesse momento. Que tipos de mudanças houve no ciclo para o Subaru retornar e dar de cara imediatamente com a bruxa? Por qual motivo Emília se tornara apta a receber em seu corpo o espírito (???) da Inveja? Ou, ao contrário do que todos pensavam, não era a Inveja e sim uma manifestação dos próprios medos de Emília perante o teste do santuário? Afinal, em outro momento, a própria Emília diz amar o Subaru de uma maneira bem esquisita, de uma maneira que ela não faria. Bem, talvez isso seja explicado no volume 13 dado como acabou o tomo 12, com o aparecimento da temível bruxa. Teremos que aguardar.

As seis bruxas juntas com Subaru e o aparecimento da sétima, Satella, a Bruxa da Inveja.

Após essa passagem inicial é que vemos a perspicácia de Subaru ao reconhecer diversas situações em que poderia se beneficiar, como a descoberta sobre para que servia a esfera que fora dada por Frederica (a pedido de Roswaal) a Emília e quem era de verdade Ryuzu, a representante do santuário, a relação dela com Echidina e algumas coisas relacionadas ao passado do lugar. Claro que, apesar disso, ele também pode ter cometido erros, pode ter confiado demais em certas pessoas e em suas escolhas, e o resultado é que as coisas não ocorreram como ele havia planejado, sofrendo diversas perdas durante aquele ciclo.

Assim como a capa previa, um de seus grandes inimigos nesse volume é a velha conhecida caçadora de entranhas, Elsa, que já havia reaparecido em volumes anteriores. Subaru pensava que poderia dar um jeito em escapar dela voltando para a mansão mais cedo, porém não foi isso o que aconteceu, ela apareceu e não teve jeito de vencê-la.

Falando especificamente da Elsa, a presença dela aqui mostrou novamente uma força sobre-humana, daquelas que deixam bastante claro tratar-se de uma inimiga dos piores possíveis. No volume 1 a gente já tinha visto isso, quando mesmo sendo atacada por um adversário poderoso e supostamente ter morrido, ela conseguiu se recuperar. Agora no volume 12, novamente vemos ela sendo atacada e, assim como acontecera lá, supostamente morrer. Diferentemente, aqui não tinha como os leitores acreditarem que seria tão fácil dar um fim nela e estava claro o que aconteceria, ela retorna, mesmo tendo sido completamente destruída, o que mostra o quão poderosa é.

Mas o que importa de verdade é que ela estava junto de uma domadora de bestas, a Meili, que já aparecerá no segundo arco da história comandando as bestas mágicas da floresta, e as duas tinham uma missão, matar Beatrice e as duas empregadas da casa, Petra e Frederica. Os alvos, então, não eram todos da mansão e sim apenas essas três, as três que se sabia estarem lá.

Isso é um ponto bastante importante, pois nos leva a pensar no mandante desse ataque e dos dois anteriores comandados por elas (o primeiro, na capital, em que Elsa foi contratada para conseguir a insígnia da Emília, e o segundo, na floresta ao lado da Vila Alam, em que Meili controla as bestas), tendo em vista que elas foram lá a pedido de alguém, para fazer um certo mal a Emília e à candidatura dela ao trono de Lugnica.

Acerca especificamente desse ataque atual, quem e porquê queria ver as três moradoras da mansão mortas? Quem saberia da existência delas e que elas estariam sozinhas no lugar? Por qual motivo mesmo chegando mais cedo do que em outros loops, Subaru se deparou com Elsa e Meili? Essas indagações não têm uma resposta ainda, mas elas nos levam ao próximo ponto deste texto.


ROSWAAL L. MATHERS


Ainda no volume 10, a gente viu uma conversa entre Subaru e Roswaal sobre os planos de contra-media deste acerca do ataque da seita da bruxa. Segundo o marquês, o plano dele era não intervir e deixar as coisas acontecerem para que a imagem de Emília fosse melhorada perante os moradores da vila Alam. Isso até poderia fazer sentido já que no fim tudo deu certo e todos sobreviveram, porém tanto o Subaru, quanto a gente sabe como as coisas ocorreram de verdade, com o rapaz precisando dar muitas voltas no tempo para se chegar àquele final feliz (ou quase feliz). Ou seja, o plano de Roswaal era simplesmente falho, pois resultaria na morte de muita gente e até mesmo na de Emília.

Por tudo isso, surgiu uma hipótese bem clara, a de que Roswaal sabia dos poderes do Subaru. Não era uma hipótese descabida, afinal, embora ainda não tivéssemos visto alguém utilizar, poderes de predição existem naquele mundo e haviam sido mencionados, como a Lápide do Dragão e o evangelho dos devotos da seita da bruxa. Fora isso, a série também dava dicas que mostravam que o marquês poderia fazer uso de poderes similares, como quando Rem dizia que parecia que o mestre havia previsto as ações de Subaru. No volume 11, tivemos mais uma amostra disso, ao sabermos da existência de um outro livro, o Livro da Sabedoria que seria mais completo do que o evangelho da seita da bruxa. Havia, então, indícios bem claros de que Roswaal conhecia o poder do Subaru e o finalzinho do volume 11 já indicava bem isso, com certas passagens mostrando o marquês com falas um tanto enigmáticas.

No volume 12, isso ficou totalmente esclarecido e mostrou que a gente estava certo, mas só em partes. Roswaal possui um dos dois exemplares do Livro da Sabedoria (ou algo próximo a isso) e que consegue prever certas coisas do futuro. Ainda não sabemos como funcionam essas predições, mas sabemos que o livro indica que certas coisas acontecerão e é é por meio delas que o marquês sabe de muitas coisas. Ele não sabe que o poder do Subaru é o Retorno da Morte, mas sabe que o garoto consegue fazer loops temporais, mas não imagina o mecanismo disso.

Várias coisas são ditas em uma conversa do marquês com o adolescente que veio de outro mundo, e o resultado é que Roswaal mostra-se como um potencial inimigo dos planos de Subaru para salvar a todos. O mago real sabe que são necessários outras coisas, sabe que Subaru “não está pronto” para seus planos se concretizarem e deixa subentendido que o garoto não deve querer salvar todos.

Escolher uma única coisa que seja importante é igual a abandonar outras pessoas preciosas…

Está claro que Mathers tem uma missão, ele quer realizar uma certa coisa, e para isso não mede esforços, usando até mesmo o Subaru e o seu poder para isso (foi isso o que ele fez no ataque da seita da bruxa). Ainda que não saiba os mecanismos e não consiga prever com exatidão o que pode ter acontecido (lembrem-se que no volume 10 Roswaal chega a dizer que tudo o que foi feito acabou sendo bem mais impressionante do que ele imaginava) ele se utiliza do livro e faz o que for possível para manejar as coisas para seus propósitos, podendo até mesmo sacrificar aliados.

Aí agora o Subaru está em uma encruzilhada. Como ele conseguirá planejar as coisas para que não saiam do jeito que Roswaal deseja? Como ele conseguirá salvar todo mundo indo contra os desígnios de um livro que faz certas previsões? O marquês não consegue saber tudo, mas sabe que certas atitudes levarão a certas coisas, então é natural que ele tenha um plano em mente (dar a esfera, por exemplo, fazia parte do plano), o que torna as escolhas de Subaru bastante difíceis.

Mas uma questão importante e que deve ser debatida novamente é o “desde quando”. A gente já indagou isso em resenhas anteriores, mas é preciso perguntar de novo, desde quando Roswaal sabe que o Subaru faz loops temporais? Isso é algo que implica em muitas coisas para a trama e o modo como vemos o marquês. Sabemos que no arco 3 (volumes 4 a 9), ele já sabe disso, mas E ANTES?

Se Roswaal soubesse do poder antes do arco 3, poderia até mesmo mudar totalmente o que se sabia até então sobre quem mandou Elsa pegar o broche de Emília e quem havia mandado a domadora de bestas atacar a floresta próxima da Vila Alam. Agora que sabemos dos poderes de predição dele, existe a possibilidade de todos esses ataques serem obras apenas e tão somente do marquês, em busca de concretizar seus planos grandiosos. Afinal, por meio do Livro da Sabedoria ele poderia saber facilmente que os ataques não resultariam em nada. E se soubesse que alguém, com o poder de voltar no tempo, aparecia, mais fácil ficaria ainda. Seria bastante natural. Entretanto, não existem indícios disso, então não devemos investir nessa linha de pensamento.

Veja bem, no volume 2 Roswaal pergunta à Ram se Subaru tem chances de ser um Intermediário no que ela diz que são baixas. Ou seja, até ele tinha dúvidas sobre a natureza do garoto naquele momento. Só que, se pensar bem, isso também não significa que ele já não soubesse do poder do garoto, só não sabia se ele era um amigo ou inimigo. No início do volume 3, porém, as coisas se aclaram mais, Roswaal e Ram têm mais um encontro em que discutem sobre o garoto, e Ram fala da estranheza da especificidade do garoto, com ele demonstrando certos conhecimentos sem que a empregada  tivesse ensinado a ele. Ou seja, Subaru agia como se já conhecesse o lugar^^. O marquês tem uma reação ao ouvir isso, ficando em silêncio, como se estivesse pensando. Conhecendo o autor, sabemos que a passagem não é gratuita e tem sentido de existir, a questão é a interpretação que se faz dela. A mais sensata é a de que Roswaal tenha começado a suspeitar dos poderes de Subaru nesse ponto, afinal um pouco depois o marquês ainda comenta que espera que o garoto seja amigo deles, novamente mostrando que ele não tinha conhecimento ainda sobre o visitante.

Mas é importante investir novamente na questão dos mandantes dos ataques à Emília e à mansão. No final do volume 3 há uma outra conversa entre Ram e Roswaal e ele fala com a garota que os dois ataques indicam que eles (não se sabe quem são esses “eles”) estão incomodados com o marquês. Nessa mesma conversa, Ram até diz que mesmo com esses ataques Roswaal não pararia os seus preparativos.

Ou seja, o que sabíamos é que esses dois primeiros ataques teriam sido feitos por alguém que não estava gostando dos passos do marquês e da escolha de Emília (uma meio-elfa de cabelos prateados e que, portanto, lembrava a famosa bruxa) para a sucessão real. Não tivemos nenhuma elucubração sobre isso desde então, nem mesmo quando as outras candidatas apareceram, nem quando alguns representantes do governo criticaram a presença dela. Ou seja, só sabemos que existe um inimigo e não sabemos quem. O mesmo vale para o agora, alguém mandou Elsa e Meili atacar a mansão. Quem mandou? Não sabemos, mas qualquer um é suspeito, como algumas candidatas à seleção real e outras figuras envolvidas como o Reinhard, porém no momento não existem expectativas de que isso seja resolvido. Até houve uma chance no volume 12, porém teve um impedimento chamado justamente Elsa.

Todo essa longuíssima conversa feita até aqui serve para falarmos um pouco mais sobre os planos de Roswaal. Relembrando novamente o final do volume 3 e a conversa entre o marquês e a Ram, podemos ver um pouco mais o que ele pretende e a natureza dele. Ali Roswaal deixa bastante claro que ele deseja de todo o coração conquistar o trono de Lugnica, pois ele tem um plano maior, ele deseja conquistar o futuro, ele deseja matar o dragão. Se você perdeu ou esqueceu algum ponto na história, é importante lembrar que Lugnica é o reino aliado do dragão e o objetivo da seleção real é conseguir alguém para assumir o trono e renovar o pacto feito muitos anos antes com o dragão e que fez o reino prosperar. Ou seja, existe uma relação importante com esse ser e esse ser é poderoso (é um dos que ajudaram a derrotar a bruxa da Inveja), mas ainda assim Roswaal quer acabar com ele. Por qual motivo? Ainda não há menções na história sobre isso.

Não sabemos se o marquês de Mathers é um cara malvadão por querer acabar com o dragão, mas a natureza dele é bastante controversa pelo jeito que ele trata as pessoas à sua volta. Mathers deixa claro, ainda no volume 3, que ele precisa de muita ajuda para seus planos darem certo. Garfiel, por exemplo, negara ajuda, mas Ram era uma seguidora dedicada do “bobo da corte”. O ponto é que o mago considera esses ajudantes como simples peças, o que dá a entender que são descartáveis. Se matar suas ajudantes fosse importante para os seus planos se concretizarem ele mataria sem pensar duas vezes, basta ver o que aconteceu nesse volume 12. Neste tomo 12, o próprio Roswaal diz a Subaru:

Por alguma razão, entretanto, todos os seguidores de Roswaal não fazem tantas perguntas e costumam agir cegamente, como se tivessem uma grande dívida para com ele. Basta ver, por exemplo, que várias vezes os subordinados deles falam que estão seguindo ordens, como Frederica em relação à esfera ou Rem na ocasião da formação da aliança com Crusch. Ou seja, são peças fieis que fazem tudo sem perguntas (ainda que Rem esteja o seguindo mais por causa de Ram).

Mas o que Roswaal está querendo agora? Sabemos que ele quer fazer Emília ganhar o trono e que ele quer matar o dragão, mas e no momento? Ele tem uma relação com o santuário e demonstra grande respeito para com Echidina. Supostamente ele é um refém, mas não sabemos o quanto disso é verdade, dado que ele faz coisas propositalmente, como prejudicar Emília para ela ficar emocionalmente instável. De todo modo, o fato é que ele tem planos para com o local, tem manipulado as coisas, e Subaru é peça fundamental, mas ainda precisamos de mais tempo e mais volumes para saber mais.


OUTRO INIMIGO?


Neste arco narrativo, Subaru está colecionando adversários. Tivemos Garfiel (que em alguns loops é mais amigável e em outros não), o Coelho Volumoso, Elsa e Meili, a suposta Bruxa da Inveja e até mesmo o Roswaal, dado os planos secretos dele. Mas pode existir ao menos mais um.

No último loop temporal, Subaru deixou uma carta para ser entregue a Emília, de modo que ela não se preocupasse com o sumiço do garoto, entretanto essa carta nunca chegou ao seu destino. Um dejá vú? Já vimos algo assim antes, por ocasião da caça à Baleia Branca, em que Rem escreveu uma carta para ser entregue na mansão, mas ela acabou chegando sem qualquer texto, tendo em vista que a garota tivera a existência desaparecida. Dessa vez, não é o mesmo caso, apenas a carta não foi entregue. Por qual razão ainda não sabemos e também não sabemos quem é que a interceptou, se é que houve algum interceptamento.

Subaru suspeitou de Roswaal, mas ele parecia não saber do que o garoto estava falando, de modo que não existem indícios no momento. Talvez Ryuzu tenha preferido não entregar? É uma possibilidade, embora nem imaginemos o motivo. Independente disso, existe mesmo a possibilidade de que Subaru tenha sim ao menos mais um inimigo nesse arco.


BEATRICE


Embora não seja a protagonista dessa parte da história, Beatrice tem tido grande destaque no presente arco narrativo. No volume 10 tivemos uma passagem significativa em que mostrava que ela poderia ter alguma relação com Betelgeuse, no volume 11 também há uma passagem importante em que descobrimos algo que poderia até mesmo mudar por completo a imagem dela, quando vimos que ela tinha um livro similar ao evangelho e ficamos sabendo que ela, supostamente, agia apenas se acordo com o que estava escrito nele.

Nada disso parecia credível, na verdade, e o volume 12 veio para adensar mais as coisas e esclarecer muitas questões, mostrando o sofrimento de Beatrice durante longos e longos anos. No volume passado, Roswaal disse a Subaru que bastava o rapaz dizer que ele era “aquela pessoa” que Beatrice mudaria e contaria as coisas, entretanto quando eles tiveram um novo encontro isso nem foi necessário, pois Betty foi logo falando, dizendo que estava na biblioteca há quatrocentos e que se sentia muito solitária, abandonada, desejando ser morta. O tal livro que ela dizia seguir, na verdade, estava em branco havia muitos anos, não conseguindo mais mostrar o futuro para a garota.

Foi uma passagem daquelas bem impactantes, pois mostrou para o Subaru e aos leitores o genuíno sofrimento dela. Já tínhamos visto muitas vezes ela sofrer, com caras de choro em diversas passagens da história, mas os motivos eram um mistério. Agora vemos que ela sofria, pois conhecia pessoas e elas iam indo, se despedindo do mundo, e ela ficava, sem que a tal pessoa viesse buscá-la e tirá-la do pacto.

Essa é uma parte até um pouco confusa, pois não dá para deduzir direito o que é necessário para conseguir salvar a garota. Ela quer morrer? Se sim, basta alguém matá-la já que os espíritos não conseguem se suicidar. Mas e para sobreviver? Para tirar dela o pacto de ser a guardiã da biblioteca? Beatrice informa que ela teria que ser a primeira para Subaru. Mas a primeira como? Amor? Força? Não fica muito claro.

O resumo é que Beatrice realmente se destaca e sentimos bastante pena dela. Só que o pior disso tudo vem depois, quando ela já não está mais presente. Lembremos que a gente imaginava que o pacto de Beatrice foi firmado com Roswaal, mas isso era uma dedução precipitada devido ao lugar em que ficava a biblioteca. Na verdade, o pacto de Beatrice foi firmado com Echidina. Segundo a bruxa da avareza, Beatrice foi criada com um propósito original e o pacto foi para substituir esse propósito, afastando-a do santuário. Seguindo o pacto, Beatrice se tornaria a guardiã da biblioteca e deveria esperar até chegar a tal de “aquela pessoa”. Só que a bruxa revela a Subaru de que não existe essa tal de “aquela pessoa”. Ou até existe, mas seria meio que uma escolha da própria Beatrice.

Isso é um impacto tanto em Subaru quanto em nós, leitores, pois em um momento a gente sabe do drama da Beatrice, mas logo em seguida sabemos que é um drama praticamente sem sentido, causado por uma bruxa. Entretanto, apesar de vermos uma crueldade nas ações de Echidina, uma coisa chama a atenção. Ela chama Beatrice de “menina vazia” e diz que a guarda da biblioteca serviu para que Betty tivesse um propósito.

Isso nos demonstra que o passado de Beatrice ainda precisa ser mais explorado, pois não sabemos nada dele. A fala “menina vazia” lembra muito a questão das cópias de Ryuzu (ou da menina original cooptada pela Avareza), de uma coisa criada para algo que não deu certo. Mas Betty é um espírito, então a situação deve ser diferente. Ainda assim existe um algo a mais no passado dela, como a velha questão do como e por quê ela conheceu Betelgeuse. Isso fica para os próximos capítulos.


O MUNDO APÓS A MORTE  E AS BRUXAS


Provavelmente muitos fãs de Re:Zero já devem ter pensado que seria bem interessante ver um spin-off da obra focado no que acontece nos “mundos” deixados para trás por Subaru, após ele morrer. Como foi a seleção real? O que Roswaal fez? Etc, etc, etc. Quem acompanha a série com atenção sabe que um spin-off desses só faria sentido após o fim da série ou alterando certos aspectos do mundo criado. Entretanto, nesse volume 12 nós tivemos uma pequena amostra disso.

Ao voltar ao túmulo da Bruxa da Avareza, Subaru é confrontado com o segundo teste, vendo exatamente o que acontecera após ele ter morrido, o que deixou o garoto arrasado ao ver tantos e tantos desdobramentos, a ponto de a mente dele sucumbir e necessitar uma intervenção externa.

Um ponto que é bem colocado nesse momento é a questão sobre a natureza das mortes do garoto e o loop temporal. Ao morrer, Subaru apenas volta para o passado e aquele momento deixa de existir? Ou ele é enviado para uma “linha de mundo” diferente e todos aqueles mundos continuam a acontecer? Trata-se de uma questão bem importante quando se fala de viagens no tempo, pois se for o segundo caso, embora ele tivesse salvado a vida de várias pessoas, em outros mundos essas vidas teriam se perdido e a atitude dele teria sido em vão por lá.

Subaru entretanto tem até outras preocupações, chegando a pensar sobre a possibilidade de as pessoas que ele salvou serem ou não as mesmas pessoas que ele conheceu antes. Esse é um pensamento natural, tendo em vista que ele é o único que fica com as memórias intactas. Somente ele sabe que Emília o salvou de bandidos quando se conheceram, que ela se nomeou como Satella, etc. Então ele teria conhecido muitas Emílias diferentes. Ao confrontar Echidina, a bruxa diz que não é possível saber qual é a verdade sobre o poder, mas que aqueles mundos apresentados a ele no teste são fictícios, criados por meio de fragmentos da mente do garoto. Assim o rapaz não terá como saber a verdade, ao menos não agora.

Echidina

Para terminar esse longo texto, falemos das bruxas e do passado. O final do volume é um encontro de Subaru Natsuki com todas as bruxas. Além das quatro que já havíamos visto, conhecemos agora a Bruxa da Luxúria (que é uma criança ultra-tímida e nada parece ter a ver com o desígnio de seu pecado capital, que se refere a sexo, lascívia e etc) e a Bruxa da Preguiça (essa sim fazendo jus, apresentando uma sensação de tédio o tempo todo).

As seis bruxas se reúnem uma após a outra, depois de a Bruxa da Avareza oferecer um pacto a Subaru. Uma intervém para falar dos poréns do pacto, ocorrem discussões, outras vão aparecendo, até que as seis estão lá. Por fim, aparece a restante, Satella. E acaba sem sabermos o que acontece.

Mas deixando esse cliffhanger de lado, a presença das bruxas deixa mais um gosto na boca para saber o que aconteceu antes. A gente acompanha a história de Re:Zero pelos olhos de Subaru, que é um novato nesse mundo e estamos vendo acontecer uma seleção real. Só que, seja no nosso mundo, seja no mundo alternativo, o que acontece no momento não é algo separado, é algo histórico, vindo de muitos anos antes e que ainda influencia as coisas que acontecem atualmente. Por exemplo, cerca de 15 anos antes da história principal, uma das herdeiras do trono sumiu e essa herdeira poderia ser a Felt. Quinze anos antes, também havia ocorrido uma caça à baleia branca. Além disso, existe a questão de 400 anos antes, com a morte das bruxas, a ameaça da Inveja e a derrocada dela. E é aí que está. A gente quer ver mais o que aconteceu nesses quatro séculos antes e como isso vem afetando o momento atual. Nesse volume 12 ficamos sabendo um pouco sobre o santuário, um pouco sobre Beatrice, mas foi pouco. Queremos saber mais sobre a Echidina, queremos saber em detalhes como Carmilla ficou sendo a Bruxa da Luxúria, como Minerva se tornou a Bruxa da Ira, etc, etc. E o que são essas bruxas de verdade? Por que recebem esse nome? São questões que ficam.

Mas a gente já escreveu bastante. Ficamos no aguardo dos próximos volumes. Por ora, vamos discutir umas teorias, mas atenção, se você tem spoilers do que acontece depois do número 12, não conte^^. Gostaríamos que você pensassem ao menos em duas questões:

1 – Esse mundo alternativo teria alguma relação com o “mundo real” do qual Subaru viera? Afinal, Subaru não era o primeiro a estar lá, já vimos ao menos um outro personagem antes e sabemos que um certo local desse mundo possui um sotaque típico de uma região japonesa. Além disso, os pecados capitais, do qual as bruxas e os arcebispos ganham epítetos, são termos de origem cristã, de nosso mundo. Seria uma simples coincidência ou era algo que foi criado por algum humano que fora transportado para esse mundo?

2 – Nesse volume, vimos Roswaal dizer que conhecia Beatrice desde o nascimento. A garota tem no mínimo 400 anos, Roswaal seria tão velho assim? Quanto tempo uma pessoa normal vive nesse mundo? Espíritos podem existir por longos anos, mas e o resto?

  • Ficha Técnica

TítuloRe: Zero – Começando uma vida em outro mundo
Autor: Tappei Nagatsuki
Tradutor: Gabriela Takahashi
Editora: NewPOP
Número de volumes no Japão até o momento: 22 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil até o momento: 12 (ainda em publicação)
Dimensões: 10,6 x 14,8 cm
Miolo: Papel Avena
Acabamento: Capa cartonada com orelhas, miolo costurado, páginas coloridas em couchê
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 26,90
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5 comentários

  1. Caramba, que texto gigante, parabéns!! Gostei bastante dos pontos levantados. Re:zero fica melhor a cada volume.
    A 1 questão, eu pensava que o Subaru tinha sido enviado ao outro mundo por acaso, e que essas coisas aconteciam por acaso, tipo o Death Note caindo por acaso com o Light. Mas se pensar bem Subaru não é alguém comum e o Al parecia conhecer a Ram, então acho que ele também não é alguém comum, então já não sei mais se é por acaso.
    Kyon, você já assistiu o OVA da Emilia? Se sim, o que achou?

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    1. Subaru deve ter ligação com alguém do passado de Lugnica. Existe uma teoria de que ele é o Sábio de 400 anos (que ajudou a derrotar a bruxa e plantou árvore que derrotou a baleia branca) por conta da árvore e das escritas parecidas (em japonês) dos nomes deles (ou algo assim, não me lembro ao certo).

      —-
      Tá falando daquele da neve? Estou esperando aparecer na Crunchyroll. Deve sair dia 1º de maio se não estou enganado.

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      1. Ah, tô sabendo disso, ser ao acaso era uma coisa que pensava no começo. Pensei também que poderia ter acontecido algo entre o tempo que ele vai pro outro mundo, e ele tivesse perdido a memória. Mas ele ainda está com o saco da loja de conveniência na mão do mesmo jeito quando ele chega, então acho que não é isso também. Uma coisa que me deixa intrigada com essa escrita na arvore é, se a árvore foi plantada 400 anos atrás, como tem uma escrita na base dela? Se foi ele mesmo que escreveu, naquele tempo a arvore deveria ser minúscula ou pelo menos bem menor.

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  2. Aí!!! Bom, vamos discutir algumas teorias, vou responder primeiro as q vc quer:
    1- Acho que esse mundo é um mundo “inverso” ao nosso, ele existe no nosso mundo, mas debaixo do proprio, a Priscila falou q o mundo de re: zero é plano, certo? Ent a água q cai dele vai para o nosso mar. É uma teoria bem louca, mas acho q pode ser um pouco aceitada rs. E acho q a religião cristã existe neste mundo, mas foi omitida ou perseguida pela seita.
    2- N acho q os humanos daí vivam mais doq cem anos e fiquem são, acho q Roswall compartilha a lembrança de seus antepassados.
    Agr minhas teorias hehe:
    1-Vc podia ter comentado sobre o pacto de Subaru e Echidna. Eu, sinceramente, gostaria de ver os dois fazendo um pacto, seria mt legal, mas dúvido q eles vão fazer dps desse volume, odeio o Subaru. Tb n acho q veremos mt a Echidna daq pra frente, e acho q ele msm vai fazer os testes, triste, gosto mt dela, espero q ela apareça mais 😦 . E pelo jeito heroico do Subaru, acho q ele vai firmar um pacto com a Beatrice ou “manipular” ela
    2- Quem mandou a Elsa? 80% de certeza de ser o Roswall. Priscila? Provável. Anastasia? Talvez. Crusch? Talvez alguém da chapa, mas n ela ( ou talvez ela antes de perder a memoria, mas dúvido) Felt e Reinhard? Impossivel.
    3- Acho q a Emilia pode ser uma reencarnação da Satella, se isso existir nesse mundo. E se existir, Reinhard pd ser uma reencarnação da esposa do Sr Wilhem :O (Pensei nisso agr huadhaush)
    4- Quem tomou a carta? Tenho 2 ideias:
    1-Otto desastrado
    2-Ryuzu a pedido de Echidna, quase ctz q ela pode se comunicar com a bruxa.
    5- Quem é mandado para este mundo? As pessoas sem nenhuma possibilidade de sucesso em seu futuro no nosso mundo.
    6- Agora minha teoria que vamos demorar anos para descobrir:
    Quem é Roswall? Minha aposta: O pecado do Orgulho, o q o Betelgeuse mencionou o q restava, e seu objetivo e levar Emilia ao trono para ser receptaculo da Bruxa para Satella governar o mundo, e por isso quer exterminar o dragão.
    7- (Quase esqueci ele) Percebeu q o pecado da avareza e da gula parecem com as bruxas? O Betegeulse n, mas ele era um espirito, certo? Espero q tenha sacado o resto rs

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    1. Por algum motivo o wordpress entendeu o seu comentário como spam e mandou para a pasta de comentários spams. Mas felizmente eu o vi antes de apagar (quase nunca eu olho antes disso, então foi sorte O_o).

      —-

      Agora, comentando alguns pontos da sua resposta:

      -Sim, poderia falar sobre o pacto, mas eu não consegui uma brecha para entrar nesse assunto, mas particularmente não gostaria dele, não faz parte muito da característica do garoto que sempre vem achando estranho essa coisa de pacto para lá, pacto para cá, etc. Mas, é, pelo que o Subaru disse no final do volume, ainda assim ele deve firmar um pacto com a Beatrice mesmo.

      -Em teoria, existe reencarnação nesse mundo.Em uma das histórias das novels presentes no artbook, a Emília fala da existência de um lugar chamado OD em que as almas vão para depois reencarnarem. Mas essa teoria do Reinhard não faz sentido, pois a Theresia foi morta (ou supostamente morta) na batalha contra a baleia branca de 15 anos antes. Reinhard deve ter mais idade do que isso pela sua aparência e pelo posto que ocupa. Isso sem contar aquela coisa da ferida no braço do Wilhelm indicando que a esposa dele pode não ter morrido ou ter ressuscitado de algum modo após a morte da baleia branca. Sobre a Emília e a Satella pode até ser, mas não acredito que seja o caso^^.

      -Sobre o Roswaal, existe a questão do Betelgeuse, né? A Beatrice parecia conhecê-lo o que significa que Roswaal (ou seus antepassados) também o conheciam. De modo que talvez eles teriam alguma ligação com a seita da bruxa da inveja ou com as pessoas que o compõem, por algum motivo ainda não explicado. Só que eu não consigo ver o Roswaal com esse objetivo que você citou por causa da Echidina. Ele, e a família dele, sempre tiveram uma relação com o santuário e com a bruxa da avareza e pelo jeito que ele falava dela, ele tem um grande sentimento (respeito? amor?) para com essa bruxa. É difícil pensar que ele queira algo com a bruxa da Inveja, com as informações que temos até o volume 12. Ainda mais que os membros da seita não costumam gostar da Echidina, vide a reação do Betelgeuse quando o Pack fala o nome dela.

      -Não entendi o último ponto O_o.

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